Conectado com

Notícias

Grãos e pecuária levam Brasil a romper R$ 1,41 trilhão no Valor Bruto da Agropecuária em 2025

Salto é resultado direto da recuperação da pecuária, da firmeza das principais commodities agrícolas e do crescimento contínuo das cadeias de proteína animal, compondo o maior VBP da série iniciada em 2018.

Publicado em

em

Foto: Daiane Mendonça

As projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deve alcançar R$ 1,412 trilhão em 2025, acima dos R$ 1,267 trilhão estimados em 2024. O salto é resultado direto da recuperação da pecuária, da firmeza das principais commodities agrícolas e do crescimento contínuo das cadeias de proteína animal, compondo o maior VBP da série iniciada em 2018. As informações foram divulgadas em 21 de novembro.

Foto: Shutterstock

Entre as lavouras, a soja permanece como âncora do setor, ao subir de R$ 296,9 bilhões em 2024 para R$ 325,9 bilhões em 2025. O avanço de 8,9% reflete tanto a recomposição da produtividade quanto um ambiente de preços mais favorável. O faturamento do milho deve atingir R$ 167,5 bilhões, bem acima dos R$ 124,8 bilhões registrados no ano anterior, um incremento puxado pela combinação entre maior rendimento por hectare e demanda aquecida.

No campo das proteínas, a pecuária bovina apresenta uma das recuperações mais expressivas do ano. O VBP de bovinos sobe de R$ 169,9 bilhões em 2024 para R$ 205,3 bilhões em 2025, movimento sustentado pela retomada das exportações e por um ciclo mais favorável de preços ao produtor. O frango mantém sua trajetória ascendente, passando de R$ 106,4 bilhões para R$ 111,2 bilhões, enquanto o setor de suínos avança de R$ 55,7 bilhões para R$ 61,7 bilhões, reforçando a consolidação de um ciclo de expansão baseado no aumento da oferta e nas vendas externas.

A recomposição também chega às cadeias tradicionais da produção de base alimentar. O VBP do leite cresce de R$ 68,1 bilhões para R$ 71,5 bilhões, indicando alívio após anos de pressão de custos e margens apertadas. O setor de ovos avança de R$ 22,8 bilhões em 2024 para R$ 29,7 bilhões em 2025, impulsionado pela manutenção da demanda interna e pelo aumento no consumo per capita.

Crescimento distribuído

O conjunto das principais cadeias reforça um crescimento distribuído entre lavouras e pecuária. Para 2025, a projeção indica que 34% do

Foto: Shutterstock

VBP virá das lavouras e 66% da pecuária, proporção semelhante ao registrado em 2024, o que demonstra estabilidade na composição da renda agropecuária. Esse equilíbrio é um dos pilares do desempenho recente do setor, capaz de manter dinamismo mesmo diante de oscilações climáticas e pressões internacionais.

Outras culturas também contribuem para o avanço do VBP. Em 2025, o café deve alcançar R$ 114,8 bilhões, enquanto a cana-de-açúcar chega a R$ 117,5 bilhões, ambas impulsionadas por boas condições de produtividade. Produtos como tomate, arroz e banana apresentam recuperação e reforçam a retomada da renda em diferentes regiões produtoras.

No recorte estadual, Mato Grosso se mantém como o maior produtor do país, com VBP estimado em R$ 220,4 bilhões, seguido por Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Consolidação de um novo ciclo

A passagem de um VBP de R$ 1,267 trilhão em 2024 para R$ 1,412 trilhão em 2025 revela mais do que crescimento estatístico: sinaliza a consolidação de um novo ciclo de confiança no agro brasileiro, sustentado por ganhos de produtividade, fortalecimento das exportações e expansão das principais cadeias. Se confirmadas, as projeções colocam o setor em um patamar ainda mais relevante para o equilíbrio econômico e para a geração de riqueza no país.

Desempenho agropecuário

O VBP é o indicador que mede, mês a mês, o desempenho econômico das lavouras e da pecuária no país. Ele representa o faturamento bruto obtido dentro das propriedades rurais e é calculado a partir da combinação entre volume produzido, tanto da safra agrícola quanto da pecuária, e os preços efetivamente pagos aos produtores nas principais praças brasileiras.

O cálculo considera os 26 principais produtos agropecuários do Brasil. Elaborado pela Coordenação-Geral de Planos e Cenários (CGPLAC), vinculada ao Departamento de Análise Econômica e Políticas Públicas da Secretaria de Política Agrícola, o indicador é uma das principais referências para acompanhar tendências, medir a lucratividade no campo e orientar políticas públicas para o setor.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

Notícias

Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França

Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

Publicado em

em

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: "Quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória" - Foto: Divulgação/Comissão Europeia

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.

Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.

A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.

A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.

Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.

Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.

No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio

Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

Publicado em

em

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação

Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.

No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.

União Europeia

Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.

Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.

Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.

Salvaguardas

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.

Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação

Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”

Sobre o acordo

Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.

O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília

Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação

De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.

A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.

Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.