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Suínos / Peixes

Granjas sem biosseguridade e falhas de manejo usam até 100 vezes mais antibióticos

Estudo revela que há um abismo entre produtores que fazem o uso prudente e aqueles que usam deliberadamente

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Arquivo/OP Rural

Um estudo divulgado no fim de setembro, durante a Pork Expo, sobre o uso de antimicrobianos na produção de suínos no Brasil, traz dados que podem ajudar o produtor a entender o que é necessário fazer para reduzir a presença desses medicamentos na granja. O trabalho, apresentado pelo consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Glauber Machado, revela que há um abismo entre produtores que fazem o uso prudente e aqueles que usam deliberadamente. Propriedades sem biosseguridade e falhas de manejo usam até 100 vezes mais antibióticos que aquelas que contemplam esses temas.

Os números, apresentados na palestra que focou na preparação dos sistemas de produção para o uso prudente de antimicrobianos, são impressionantes. “Avaliamos quantas miligramas por quilo de suíno diferentes granjas usavam, sob vários aspectos. O estudo mostrou que a média no Brasil é de 358 miligramas por quilo de suíno, mas a amplitude variou muito. Encontramos sistemas de produção que usam 5,4 miligramas por quilo de suíno produzido e outras que usam até 586 miligramas por quilo”, compara Machado. A de pior desempenho utiliza 108 vezes mais antibióticos que a melhor colocada.

O consultor explica que, mais que avaliar os sistemas produtivos no Brasil, o trabalho tem o objetivo de demonstrar o que é preciso fazer para usar os antibióticos de maneira mais prudente e responsável. “Esse trabalho abre uma série de oportunidades para melhorar nossos sistemas de produção. A gente ainda convive com muita imprudência no uso de antimicrobianos na suinocultura”, sustenta o consultor do Mapa. “Temos que nos preparar para reduzir o uso aos menores níveis”, argumenta.

Pontos críticos

O trabalho, inédito no Brasil, de acordo com o consultor, apresenta nove pontos críticos que devem ser aperfeiçoados, reforçando a necessidade de produtores e outros profissionais focarem no sistema como um todo, e não em ações isoladas. “O primeiro trabalho falando disso no Brasil foi publicado só no ano passado. O tema é recente”, sugere.

Os pontos críticos, de acordo com Glauber Machado, são gestão nutricional e sanitária do plantel, qualidade do leitão ao desmame, ampla margem de variação na idade ao desmame, variações de imunidade específica entre porcas e nos leitões ao desmame, planejamento inadequado de reposição, biosseguridade aplicada aos sistemas de produção, vícios do sistema de produção segregada, fluxo contínuo de produção e incapacidade de manter tudo dentro/tudo fora. “Pode levar alguns meses para conseguir atingir esses nove itens e começar a reduzir a reduzir o uso de antibióticos, mas é dar um passo efetivo, com segurança, para alcançar esse objetivo”, sustenta Glauber Machado.

Manejo nutricional pré-parto

O manejo nutricional pré-parto é um dos pontos que pouco mudaram nos últimos anos, o que preocupa Machado, pois as necessidades da porca são outras para a preparação ao parto e se não controladas pode reduzir as chances de êxito. Em sua opinião, deficiências nessa fase podem implicar na biosseguridade, já que podem reduzir, por exemplo, a produção e consumo de colostro e, assim, interferir negativamente na imunidade dos leitões recém-nascidos.

Em sua opinião, uma série de fatores deve ser levada em consideração para que o parto ocorra da melhor maneira possível e, assim, possa contribuir para o produtor ter leitões mais sadios, com o sistema gastrointestinal mais desenvolvido. “Não há programa de uso prudente de antimicrobianos que não passe necessariamente pela melhoria da saúde intestinal do plantel”, justifica.

O aumento no tempo de parto, que prejudica o desempenho de maneira geral, exemplifica Machado, pode acontecer por diversos motivos. “Você aumenta o risco de partos prolongados quando tem matrizes com excesso de gordura ou que estão em jejum excessivo. A partir de depressão energética (três horas depois da última ração ofertada), também se aumenta o tempo do parto”, pontua. Levando em conta que, após a indução ao parto, a matriz pode levar até 40 horas para parir, os prejuízos podem ser enormes. “Por isso o manejo nutricional pré-parto é extremamente importante. Você fez a indução, ela (suína) para de comer, mas pode levar de quatro a 40 horas para o parto. Ou seja, pode ser muito mais tempo do que ela tem condições para enfrentar”, preocupa-se o consultor do Mapa.

“Nos últimos 20 anos, o que mudou no manejo alimentar pré-parto? Praticamente nada. Mas a matriz de hoje demanda mais energia, pois precisa trabalhar mais para parir mais leitões. O que está acontecendo é uma realidade clínica de balanço energético negativo. Estamos fazendo o mesmo manejo hoje para quem faz muito mais esforço para parir”, expõe o profissional.

Mas porque o manejo alimentar pré-parto influencia no uso de antimicrobianos?”, questionou o palestrante às centenas de profissionais presentes na palestra. Em sua opinião, partors prolongados geram leitões mais sensíveis e mais facilmente desafiados pelo ambiente e pelos microrganismos.

O que precisa ser feito

“Para evoluirmos no uso de antibióticos, temos que aplicar a biosseguridade na prática, com foco no sistema de produção, revisão nos protocolos de alimentação do plantel, ter fluxo de produção dentro dos sistemas/granjas, ter maior idade ao desmame e espaço de maternidade, evitar a mistura de origens, respeitar densidade de alojamento, praticar o todos dentro/todos fora, ter manejos básicos de colostro e utilizar adequadamente os produtos já disponíveis – ácidos orgânicos, óleos essenciais, prebióticos e probióticos”, citou.

Para Glauber Machado, “as ações isoladas não resolvem problemas sanitários e não permitem redução gradativa e consistente na utilização de antimicrobianos. O foco é o sistema! Sem uma preparação adequada do sistema de produção há sérios riscos de frustração nas tentativas de implementação de programas de uso prudente de antimicrobianos nos sistemas de produção de suínos”.

E ainda: “Interação entre diferentes áreas do conhecimento, mudanças de atitude em termos de biosseguridade interna e externa, associada à utilização combinada e estratégica das alternativas existentes, é o único caminho para a redução na utilização de antibióticos na produção de suínos, diante da crescente complexidade dos problemas sanitários e do crescimento em escala dos sistemas de produção”, menciona o consultor do Mapa, que conclui. “Vamos respeitar o sistema de produção”.

De acordo com Glauber Machado, utilizando tais preceitos, em 20 anos a Dinamarca aumentou em 13% a produção de carne e reduziu em 43% o uso de antimicrobianos.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online. (NO “ONLINE” LINKAR COM http://www.flip3d.com.br/web/pub/opresenterural/?numero=163&edicao=4504)

Suínos / Peixes Em Itajaí (SC)

Segunda edição da ExpoMar demonstra potencial do setor de pescados com sabor, tecnologias e negócios

Evento solidificou ainda mais a cidade catarinense de Itajaí como a capital nacional da pesca, reuniu gastronomia com a Cozinha Show e o Corredor do Sabor, encantando o público com as possibilidades dos pescados.

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Mais de quatro mil inscritos, 24 horas de painéis e palestras e uma marca que ultrapassou R$ 60 milhões em negócios gerados por mais de 60 expositores. Esses são os números gerais da segunda edição da ExpoMar, realizada de 09 a 11 de julho, em Itajaí (SC). O evento, que solidificou ainda mais o município como a capital nacional da pesca, reuniu gastronomia com a Cozinha Show e o Corredor do Sabor, encantando o público com as possibilidades dos pescados.

A economia azul esteve em evidência na feira e no congresso. A ExpoMar reuniu 62 conferencistas renomados do Brasil, Canadá, Chile e Oriente Médio no Congresso Internacional da Pesca e Maricultura e no Simpósio Catarinense da Piscicultura. Em mais de 20 painéis, palestras e workshops, que totalizaram 24 horas de conteúdo, foram debatidas mudanças climáticas, consumo, linhas de crédito e desafios do setor. Todas as apresentações tiveram transmissão ao vivo e estão disponíveis no site www.expomar.com.br para serem revistas.

pescaO tema central de todo o conteúdo da ExpoMar, “Transformação Azul na Pesca e Aquicultura”, está alinhado ao conceito da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), propondo uma visão sustentável para a aquicultura, gestão eficaz na pesca e melhoria na cadeia de valor.

A ExpoMar foi palco ainda do Encontro Mulheres das Águas Empreender – já realizado em Foz do Iguaçu e Belém do Pará. Em Itajaí, o encontro contou com o patrocínio exclusivo da Caixa Econômica Federal e Governo Federal. “Reunimos armadoras de pesca, mulheres do mercado, pescadoras artesanais e piscicultoras em um momento amigável e rico em torno do protagonismo feminino no setor do pescado”, destacou a diretora da ExpoMar, Eliana Panty.

Fotos: Divulgação/ExpoMar

Com mais de 60 expositores, a feira da ExpoMar reuniu empresas nacionais e multinacionais com tecnologias revolucionárias e muita inovação para os setores da pesca, maricultura e aquicultura. Motores de última geração que prometem aumentar o rendimento com menor impacto ambiental, sonares com capacidade de localizar cardumes uniformes, tornando a pesca mais assertiva. Instituições de crédito apresentaram as novas linhas do Plano Safra 2024/25, além de robótica, tecnologias em transporte e logística. O resultado foi mais de R$ 60 milhões gerados e outros milhares prospectados.

Novidade na ExpoMar, a Cozinha Show convidou cinco chefs renomados para preparar pratos à base de peixes, frutos do mar e algas, em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Além das aulas de gastronomia, que movimentaram os três dias de evento, a Cozinha Show foi palco do ritual de corte de um atum de mais de 100 quilos e apresentação do camarão carabineiro, preparado pelo ex-masterchef Victor Hugo Garcia. A programação da Cozinha Show foi gratuita e direcionada ao público presente na ExpoMar.

Na feira de negócios da ExpoMar, o Corredor do Sabor reuniu sete empresas convidadas que produzem/processam pescados, entre outros negócios que valorizam insumos locais e a biodiversidade. O espaço encantou o público com as iguarias e produtos artesanais apresentados: ostras frescas, bottarga, peixes defumados, rollmops, macroalga, queijos artesanais e cachaças produzidas em Santa Catarina.

A ExpoMar encerrou no dia 11 de julho com a preparação da Maior Paella do Brasil, que marcou ainda o lançamento da XXI Semana Nacional do Pescado, que ocorrerá em setembro. Em um tacho com 4 metros de diâmetro, 1500 quilos de frutos do mar, 400 quilos de arroz e chefs dedicados a cozinhar por mais de quatro horas, foram os ingredientes da preparação. A paella gigante foi feita com a participação de empresas locais e foi servida gratuitamente ao público presente no Centreventos Luiz Henrique da Silveira no encerramento do evento.

ExpoMar surpreendeu

Nesta segunda edição da ExpoMar foi possível participar e assistir à Transformação Azul em ação, destaca a diretora do evento, Eliana Panty. “Milhares de profissionais do setor trocando conhecimentos e expertises em um congresso dinâmico e workshops focados nas demandas do setor pesqueiro, como as revoluções de eficiência no setor naval”. Ainda, acrescentou, “mais de 60 especialistas compartilharam os últimos avanços do setor e apresentaram soluções sustentáveis para a cadeia de suprimentos”, frisou.

CEO da ExpoMar, Eliana Panty: “ilhares de profissionais do setor trocando conhecimentos e expertises em um congresso dinâmico e workshops focados nas demandas do setor pesqueiro, como as revoluções de eficiência no setor naval” 

A ExpoMar, afirma Panty, foi uma oportunidade de “contemplarmos o resultado dessa riqueza que os mares e rios oferecem para a gastronomia”. Na mesa, a riqueza das águas foi um espetáculo à parte, destacou ela, “com a apresentação de um belo exemplar de um atum-de-olhos-grandes, da espécie Thunnus obesus com mais de 100 quilos. A ExpoMar, afirma, foi uma verdadeira vitrine da diversidade da costa brasileira que pôde ser observada e provada ao vivo”.

Para Panty, “a ExpoMar se consolida como o maior evento do setor de pescados, gerando negócios e relacionamento para nossos parceiros expositores que realizaram negócios que superam os R$ 60 milhões”, informou. “Foram comercializados quatro grandes motores que valem mais de meio milhão de reais cada, foram apresentadas as sondas mais modernas do mundo, gerando negócios que superam R$ 5 milhões”, enfatizou. “O propósito de tornar a pesca brasileira relevante e reconhecida como geradora de emprego e renda, geradora de divisas internacionais dentro dos mais rígidos padrões de segurança e sustentabilidade nos enche de orgulho”, finalizou Eliana Panty.

Presidente da ExpoMar, Altemir Gregolin: “oi um evento lindo, vibrante, repleto de inovações, conteúdo e um recorde de público”

O presidente da ExpoMar, Altemir Gregolin, afirmou que a segunda edição do evento surpreendeu em todos os aspectos. “Foi um evento lindo, vibrante, repleto de inovações, conteúdo e um recorde de público. Destaque para os mais de quatro mil inscritos, R$ 60 milhões em negócios, um congresso com 62 conferencistas de 6 países e a área da gastronomia com Corredor do Sabor, Cozinha Show e a maior paella do Brasil, que serviu de atração para o público e para a imprensa”, destacou. “A ExpoMar está consolidada como o maior evento da pesca e maricultura do país”, frisou.

“Ficamos muito felizes de trazer para Itajaí, a capital nacional da pesca, os debates sobre o futuro da cadeia produtiva do pescado e de vários segmentos que congregam a economia azul”, destacou Agnaldo Hilton dos Santos, presidente do Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), entidade co-organizadora da ExpoMar. “Para além do sucesso da Feira de Negócios e dos importantes temas trazidos nos congressos, a gastronomia foi o grande destaque. Agradecemos imensamente nossos associados e parceiros por nos ajudarem a proporcionar essa festa gastronômica, que serviu gratuitamente milhares de pessoas com o que há de melhor dos sabores que vêm do mar. Em 2026 tem mais e já estamos nos preparando para isso”, finalizou o presidente do Sindipi.

Realização, patrocínio e apoio

A ExpoMAR é promovida pelo IFC Brasil – International Fish Congress & Fish Expo Brasil com a correalização do SINDIPI – Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região, Univali – Universidade do Vale do Itajaí, Fundep – Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação e prefeitura de Itajaí-SC.

Tem o patrocínio da Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Caixa Econômica Federal, Ministério da Pesca e Aquicultura, Governo Federal, Banco do Brasil, BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) e Faesc/Senar Santa Catarina.

A ExpoMar tem o apoio da Abipesca – Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, ACAQ – Associação Catarinense de Aquicultura, Epagri – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Conepe – Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura, IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Peixe BR – Associação Brasileira da Piscicultura e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Fonte: Assessoria ExpoMar
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Suínos / Peixes

Tendências e desafios para o futuro norteiam Simpósio da ABCS no Siavs 2024

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Diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke: "Será uma oportunidade enriquecedora, e todos estão convidados para acompanhar" - Foto: Divulgação

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) vai estar presente no Siavs, este que é considerado o maior evento das cadeias produtivas no Brasil, reunindo o setor da suinocultura, avicultura, bovinocultura, e de peixes, em um único grande momento, promovendo um encontro de especialistas, inovadores e líderes do setor agroindustrial. O Siavs  acontece nos dias 06 a 08 de agosto no Parque Anhembi, São Paulo.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o Siavs é um evento organizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), uma importante entidade para o setor, e parceira da ABCS no trabalho de promover a abertura de novos mercados e de valorização da carne suína. “É um prazer para nós fazer parte dessa iniciativa”, enaltece.

O Simpósio da ABCS está programado para o primeiro dia do evento,dia 06 de agosto, e abordará três temas essenciais em momentos distintos, como: “Inserção do Agronegócio Brasileiro na Produção e no Consumo Global”, “Aprendizados e desafios no enfrentamento de doenças imunossupressoras concomitantes” e “Perspectivas e desafios para o agronegócio envolvendo os principais elos da cadeia – do campo ao consumidor”.

A diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, destaca que o simpósio foi planejado para discutir questões relevantes para a suinocultura, desde a inserção do agronegócio brasileiro no cenário global, sustentabilidade: visão nacional e internacional, bem como os desafios e as perspectivas futuras. “O evento contará com a participação de profissionais renomados, que debaterão temas relevantes relacionados às exportações, ao mercado asiático, à relação com os consumidores e à importância da sustentabilidade na cadeia suinícola e na segurança alimentar. Será uma oportunidade enriquecedora, e todos estão convidados para acompanhar!”, conclui.

Programação

Painel 1: Inserção do agronegócio brasileiro na produção e no consumo global

  • Perspectivas para o mercado de carnes: como compreender a dinâmica das exportações e o mercado asiático.
    Palestrante: Fernando Iglesias, consultor Safras & Mercado
  • Tendências do mercado consumidor e como estamos nos comunicando no cenário global?
    Palestrante: José Tejon, sócio-diretor na Biomarketing
  • Sustentabilidade no agronegócio – O Brasil é protagonista e competitivo?
    Palestrante: Silvia Massruhá, presidente da Embrapa
  • Comprovação da sustentabilidade na suinocultura: Visão internacional
    Palestrante: Robert Hoste, pesquisador de Suinocultura da Escola de Economia da Universidade de Wageningen, Holanda.

Palestra: Aprendizados e desafios em doenças imunossupressoras concomitantes (PRRS, Circovirose, PED e PSA)
Palestrante: Maurício Dutra, diretor GFD Consultoria

Painel 2: Perspectivas e desafios para o agronegócio envolvendo os principais elos da cadeia – do campo ao consumidor
Debatedores: Marcelo Lopes, presidente da ABCS; Alexandre Rosa, presidente da ABEGS e Luís Rua, diretor de Mercado da ABPA.

O Simpósio da ABCS será gratuito e disponível a todos os participantes. Para verificar toda a programação clique aqui. Não perca esta oportunidade de se atualizar e conectar com os principais líderes do setor!

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos / Peixes

Fêmea jovem: o que fazer para maximizar a produtividade e longevidade?

É o desempenho da fêmea quando jovem que determina o potencial reprodutivo futuro, ou seja, quanto melhor for o manejo da leitoa e o resultado ao primeiro parto/desmame, melhor será o desempenho subsequente dessa matriz.

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Foto: Divulgação/DNA South America

Quando tratamos do sucesso reprodutivo de um plantel, o manejo da fêmea de reposição é assunto corriqueiro. É o desempenho da fêmea quando jovem que determina o potencial reprodutivo futuro, ou seja, quanto melhor for o manejo da leitoa e o resultado ao primeiro parto/desmame, melhor será o desempenho subsequente dessa matriz.

Convenientemente, na prática, usamos critérios à primeira cobertura como direcionadores para garantir o máximo desempenho ao primeiro parto. A cobertura na idade e faixa de peso ideal, a não cobertura de leitoas no primeiro cio, o período de no mínimo 15 dias de flushing e o uso adequado das vacinas reprodutivas são alguns dos pontos que tratamos como inegociáveis. No entanto, ainda assim, o resultado reprodutivo alcançado pelas granjas é bastante variável.

Isso nos leva a seguinte pergunta: o que leva uma granja a produzir na média 18 nascidos totais ao primeiro parto, ou então, por que granjas de mesmo potencial genético têm resultados ao primeiro parto tão divergentes?

Quando analisamos a distribuição de leitões nascidos no primeiro parto de um número expressivo de fêmeas (gráfico e tabelas), identificamos uma menor variabilidade (CV) na distribuição de nascidos em granjas com excelente desempenho reprodutivo. Ou seja, aquela leitoa que tem menos de 12 leitões nascidos ao primeiro parto é figura menos presente do que tradicionalmente acontece em granjas de desempenho inferior.

Quando correlacionamos esse resultado com o check-list de preparação da leitoa, o qual avalia 15 itens de manejo durante a fase de preparação da leitoa até a primeira cobertura, vemos que há uma relação direta, ou seja, a excelência no desempenho ao primeiro parto é alcançada e determinada pela qualidade no manejo de preparação. Nesse contexto, sabemos que há pontos que impactam mais o resultado reprodutivo e outros menos, entretanto, o que realmente impacta o desempenho geral é a capacidade que a granja possui de cumprir os critérios para 100% das leitoas que vão para a linha de cobertura. Na prática vemos que isso é falho e geralmente aquela fêmea que teve um número de nascidos que impacta negativamente a média, é uma fêmea que pulou alguma das etapas e por isso teve o seu desempenho impactado.

 

Além de respeitar os parâmetros para a primeira cobertura determinados pela genética, existem outros manejos adicionais que têm melhorado o desempenho no campo. Um desses manejos é o protocolo de indução a puberdade realizado 100% em alojamento individualizado, em substituição ao manejo realizado na baia ou com uso do centro erótico. Oposto ao que é preconizado na literatura, de que a taxa de sucesso é superior quando alojamos os animais em grupos de até 15 animais, o manejo com a leitoa alojada individualmente nos traz a garantia de que a interação focinho/focinho rufião-leitoa ocorra com maior eficiência. Além disso, temos uma maior garantia de que estamos realizando o manejo adequado em 100% das leitoas. Outros pontos que observamos na prática que corroboram com esse manejo individualizado são:

  • Maior precisão no manejo alimentar
  • Melhor padronização do escore de condição visual (ECV) e peso à cobertura;
  • Garantia do “efeito flushing” através do aporte superior de energia 15-21 dias pré-cobertura para 100% das leitoas
  • Melhoria na avaliação clínica diária das leitoas
  • Identificação rápida de leitoas doentes
  • Diminuição de problemas locomotores ocasionados pela monta do rufião em leitoas em cio
  • Aumento da taxa de retenção de leitoas
  • Diminuição dos problemas de corrimento e locomotores
  • Diminuição das taxas de Retorno ao Cio (RC), devido a melhor condição ambiental no momento do estímulo a puberdade e melhor adaptação ao ambiente individual no momento da cobertura

A seguir vemos evolução do resultado reprodutivo após adoção dessa estratégia em uma mesma granja comercial brasileira.

Outro ponto que devemos levar em consideração na preparação de leitoas é o flushing. Embora pesquisas recentes apontem para uma perda de efeito do flushing sobre a reprodução, resultados de campo têm demonstrado impacto positivo sobre o desempenho ao primeiro parto de acordo com o manejo alimentar utilizado no flushing e na fase que antecede ao flushing, denominado de pré-flushing.

Quando realizamos o flushing em fêmeas que são alimentadas de forma à vontade ao longo de toda recria e preparação, de fato podemos ter um efeito reduzido, uma vez que não conseguimos o “choque energético” que o flushing deve proporcionar. No entanto, quando alimentamos as leitoas de acordo com o esquema abaixo, vemos um incremento no número de nascidos. Isso ocorre porque na fase de pré-flushing as fêmeas são submetidas a um volume de ração abaixo do que vinha sendo fornecido na fase de preparação e mais baixo ainda em relação ao que será fornecido no flushing. É importante salientar que mais importante que o volume de ração fornecido, é a realização dessa transição de volume de ração em cada uma das fases que antecedem a inseminação.

Por fim, contrariando a ampla maioria das recomendações para a matriz a ser utilizada como mãe de leite, tem-se visto impacto positivo sobre o número de leitões nascidos e sobre a longevidade quando utilizamos a primípara como mãe de leite.

Quando analisamos a lactação de uma primípara, vemos um cenário de catabolismo, ou seja, a demanda energética para mantença e produção de leite é superior à capacidade de ingestão. O resultado disso é a perda de peso com consequente impacto negativo no ciclo seguinte. Usando a primípara como mãe de leite, temos num primeiro momento, a impressão de que esse catabolismo irá se exacerbar, uma vez que o período lactacional será estendido, piorando ainda mais o cenário para o ciclo seguinte. No entanto, na prática a fêmea tem seu pico de perda de peso na segunda semana de lactação e a partir dali, consegue equilibrar a demanda de energia com o seu potencial de consumo. Com isso, há a manutenção com consequente recuperação de peso e escore corporal nas semanas em que a fêmea fica lactando como mãe de leite, contribuindo para um desempenho subsequente favorável.

Além disso, o maior intervalo entre o parto e a nova concepção da gestação confere à leitoa um ambiente uterino mais propício à fixação embrionária e, consequentemente, maior número de leitões nascidos no parto subsequente:

Falar do manejo da fêmea jovem é sempre pertinente, uma vez que o desempenho até o final da primeira lactação segue sendo o principal direcionador de potencial produtivo do plantel. Vamos agregando pesquisas, ajustando manejos e compartilhando experiências porque quanto mais excelência tivermos nessa fase, mais produtividade no sistema teremos, sempre lembrando que o sucesso nessa fase é determinado pela constância na realização dos manejos para 100% das fêmeas.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Equipe de Serviços Técnicos da DNA South America
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AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

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