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Granjas novas, velhos erros: por que a biosseguridade ainda falha?

Durante o 2º SSIN, Vera Letticie e Tiago Mores destacam que comportamento e capacitação são tão importantes quanto estrutura para o sucesso sanitário na suinocultura.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

O segundo dia do 2º Swine Science International Network (SSIN), promovido pela Cargill/Nutron, foi marcado por uma intensa programação de palestras, organizadas em blocos temáticos. O evento teve início com o bloco “Preservar – Biosseguridade fora da caixa: o que pode estar faltando na sua prática?”, trazendo reflexões sobre erros da biosseguridade no campo.

A médica-veterinária e doutora em Medicina Veterinária, Vera Letticie Azevedo Ruiz, abriu o bloco com a palestra “Como a biosseguridade pode melhorar seu dia a dia”, abordando conceitos fundamentais e práticas essenciais para a proteção da saúde animal. “Queremos que os animais sejam saudáveis durante todo o período de produção para que possamos oferecer um alimento de qualidade em nossa mesa”, declarou.

Médica-veterinária e doutora em Medicina Veterinária, Vera Letticie Azevedo Ruiz: “Não adianta criar uma norma maravilhosa se quem está no dia a dia com os animais não mudar a forma de pensar para ter um resultado diferente”

Vera explicou a diferença entre biossegurança e biosseguridade, frisando que a primeira envolve um conjunto de medidas que visam prevenir, minimizar ou eliminar riscos inerentes a atividade que possam comprometer a saúde do ser humano, dos animais e do meio ambiente, enquanto a biosseguridade são procedimentos destinados a prevenir, controlar e limitar a entrada, disseminação e exposição de agentes patogênicos nas instalações e animais. “Checklist é uma das ferramentas da biosseguridade. Mas fazer só o checklist não resolve o problema”, afirmou, mencionando que a biosseguridade exige práticas simples e objetivas, alinhadas ao conceito de One Health, visando proteger também o meio ambiente e a população humana.

A doutora em Medicina Veterinária defendeu a necessidade de mudança de comportamento e de pensamento dentro das granjas para resultados efetivos. “Se você está tendo sempre o mesmo resultado, é porque está pensando sempre do mesmo jeito. Se mudar a forma de pensar, muda o comportamento. Se mudar o comportamento, muda o resultado”, enfatizou, reforçando que o comprometimento das pessoas é essencial para o sucesso das boas práticas.

Biosseguridade externa e interna

A especialista detalhou que a biosseguridade se divide em duas categorias: a externa visa proteger os rebanhos contra a introdução de agentes infecciosos, área em que o Brasil apresenta bom desempenho, embora com pontos a melhorar. Já a interna, que reduz a disseminação de patógenos dentro da produção, ainda demanda avanços significativos. “Na década de 60, a produção era de fundo de quintal. De lá pra cá, evoluímos em genética, em nutrição, mas esquecemos da biosseguridade. Não adianta colocar o melhor aditivo em um animal doente, nem a melhor nutrição em animais estressados”, pontuou Vera.

O básico bem feito

Foto: Shutterstock

A especialista também chamou atenção para práticas fundamentais, como a limpeza eficiente das granjas. “Todo mundo sabe que precisa limpar a granja, mas ninguém faz direito. Primeiro remover a matéria orgânica, depois lavar com detergente, secar e, só então, usar desinfetante”, reforçou, acrescentando que a prevenção vai além da sanidade: envolve genética, nutrição, manejo e planejamento. “Prevenção é olhar o futuro, antecipar os problemas”, reforçou.

Além disso, destacou que o bem-estar animal, hoje uma exigência legal e do mercado consumidor, precisa ser levado a sério. “Bem-estar não é um lacinho na cabeça do animal, é ciência”, enfatizou.

Diagnóstico como ponto de partida

Vera ainda alertou para a importância do diagnóstico de situação nas granjas como ponto de partida para qualquer plano de ação em biosseguridade. “Se vocês querem resolver os problemas da granja comecem pelo diagnóstico”, orientou.

Segundo ela, é fundamental analisar cuidadosamente os índices produtivos e ter paciência para aguardar os resultados. “Muitas vezes, as pessoas desistem porque não veem resultado rápido. Mas a biosseguridade, feita com método e consistência, é a chave para o sucesso sustentável da produção animal. É preciso persistir”, salientou.

Biosseguridade aplicada no campo

Em seguida, o médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, Tiago Mores, trouxe uma abordagem prática sobre a biosseguridade aplicada no campo, apresentando cases de sucesso e enfatizando a importância da aplicação consistente dos conceitos de proteção animal.

Médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, Tiago Mores: “Mais do que mudanças estruturais, são necessários investimentos constantes em capacitação, conscientização e entendimento dos porquês por trás dos protocolos”

Tiago abordou a tríade epidemiológica – agente, hospedeiro e ambiente – como base para o entendimento e o controle das doenças. “É fundamental proteger, preservar e transformar, e isso passa obrigatoriamente pelas pessoas”, salientou, reforçando o papel dos funcionários da unidade de produção na efetividade dos programas de biosseguridade. “Pequenas ações podem gerar grandes impactos na biosseguridade”, ponderou.

O especialista apresentou dados de programas de avaliação que revelam a situação atual da biosseguridade em diferentes contextos. Em um dos estudos, granjas novas alcançam biosseguridade externa de 48% e interna de apenas 25%, resultando em um desempenho total de 37%. Já em granjas antigas, a biosseguridade externa é de 34%, mas a interna atingiu 57%, com desempenho total de 46%.

Ao se comparar os dados, há uma diferença de 32% entre a biosseguridade interna e externa em granjas novas e antigas, o que demonstra que mesmo com estruturas mais recentes, a aplicação prática da biosseguridade ainda é um desafio. “Essa diferença demonstra que muitos aspectos da biosseguridade não dependem das instalações em si. Não preciso ter uma granja nova para ter boa biosseguridade, uma vez que existem muitas granjas antigas com DFA (Desmamados Fêmea/Ano) muito superior a granjas novas de quatro a cinco anos. E embora as granjas novas, com salas interligadas dentro dos galpões, facilitem o fluxo de manejo, isso não impede que a biosseguridade interna destas instalações seja aprimorada”, enfatizou, comparando esses números com a média nacional, em que a biosseguridade externa chega a 62% e a interna a 60%, resultando em 61% de performance total, ao passo que a média mundial chega a 68% e 63%, respectivamente, totalizando 66%.

Investimento em capital humano

Foto: Shutterstock

Segundo Mores, muitas das ações que impactam a biosseguridade não dependem necessariamente das condições físicas das instalações, sejam novas ou antigas. “Mais do que mudanças estruturais, são necessários investimentos em programas contínuos de educação, conscientização e avaliação constante das práticas adotadas. Precisamos olhar para as pessoas, porque elas são o elo que fazem a biosseguridade sair do papel e acontecer na prática”, pontuou.

Principais pontos críticos

Entre os pontos críticos, destacou a movimentação de animais, principalmente na semana de desmame, e a necessidade de estabelecer fluxos corretos entre as áreas da granja. Também alertou para práticas de manejo que podem comprometer a biosseguridade, como movimentação entre animais de idades diferentes e falhas na higienização de equipamentos.

Mores reforçou a necessidade da limpeza e desinfecção correta de todos os materiais de manejo, como vassouras, pás, seringas, agulhas e instrumentos de castração, e chamou a atenção para densidade animal, que pode impactar negativamente a imunidade do plantel. “O fluxo de funcionários e visitantes também deve respeitar a regra de circular dos animais mais jovens para os mais velhos, utilizando equipamentos exclusivos e devidamente identificados para cada idade ou lote”, expôs, acrescentando: “Itens como seringas devem ser trocados a cada leitegada ou, no máximo, a cada 10 porcas”, recomendou.

Para garantir a eficiência dessas práticas, enfatizou o uso do higienograma, uma ferramenta de controle da limpeza e desinfecção, e destacou a importância da correta higienização de botas e equipamentos de proteção.

Mesa de debate

Para finalizar o bloco, uma mesa de debate foi realizada com a participação dos especialistas, sob a moderação da médica-veterinária e doutora em Fisiopatologia da Reprodução, Djane Dallanora, que conduziu uma troca de experiências e aprofundamento das práticas discutidas.

Fonte: O Presente Rural

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Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos

Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

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Imagem: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.

Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.

A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.

Resistência

A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.

Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.

Compostagem

A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.

A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.

Fonte: O Presente Rural
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ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura

Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

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Foto: Shutterstock

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.

A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.

“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.

Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica

A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.

A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.

A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.

Fonte: Assessoria ABCS
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Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura

Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

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Fotos: Pigma Desenvolvimentos

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.

O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.

Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.

O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.

Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.

Fonte: AEN-PR
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