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Avicultura Atendendo mercado consumidor

Granjas de postura buscam certificação de bem-estar animal

Aumentando o valor agregado do produto, indústria tem buscado certificação para atender nicho de mercado

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Cada vez mais o consumidor vem exigindo mais transparência na produção de proteína animal. Ele quer saber como o produto é feito, qual a situação do animal, entre tantas outras questões que envolvem o assunto. Em decorrência disso, é cada vez mais comum produtores buscarem certificação de bem-estar animal na sua produção. Isso atende ao requisito do que parte do consumidor vem solicitando, como também é uma forma de agregar ainda mais valor ao produto final.

 Cada vez mais avicultores têm buscado a certificação de bem-estar animal. “Somente nestes primeiros meses do ano já certificamos três granjas de renome no Brasil”, diz o diretor para América Latina da Humane Farm Animal Care e presidente do Instituto Certified Humane Brasil, Luiz Mazzon. Ele informa que o Brasil, juntamente com o Chile, está liderando o movimento de certificação de bem-estar para galinhas poedeiras na América Latina. “Dentre os países em desenvolvimento, incluindo também a Ásia, estamos bastante à frente, pois o movimento cage free está apenas começando no resto do mundo em desenvolvimento, enquanto no Brasil já temos grandes clientes certificados, entre eles a Granja Mantiqueira, Netto Alimentos, Korin, Fazenda da Toca, Granja Refen, Planalto Ovos, etc.”, conta.

Empresas no Brasil estão desenvolvendo este trabalho de certificação e auxiliando o produtor rural nesta questão. “A presença de um selo de certificação na embalagem de ovos ou de qualquer produto de origem animal representa um grande valor agregado, já que atesta ao consumidor final que aquele produto provém de fazendas ou granjas que adotam normas rígidas de bem-estar animal do nascimento até o abate”, explica.

O profissional destaca que o consumidor atual está muito mais sensível a temas associados à sustentabilidade, de onde vem o alimento que ele consome, qual o impacto da produção daquele produto no meio ambiente, etc. “Para produtos de origem animal, a forma como ele foi tratado tem enorme relevância na imagem que o consumidor atual tem das marcas que ele prefere. Várias pesquisas atestam que consumidores hoje buscam no seu alimento não apenas valores nutritivos ou funcionais, mas buscam também causas a apoiar”, afirma. Ele explica que um produto com certificação de bem-estar animal traz, portanto, um grande diferencial perante produtos convencionais, e que pode ser traduzido em um preço um pouco mais alto.

Mazzon revela que para quem é familiarizado com a certificação orgânica, a de bem-estar animal é bastante parecida. “Muda a norma, claro. Cada produtor deve então verificar quais ajustes deve realizar na sua operação para que esteja conforme com as exigências do referencial. Neste período estamos à disposição para ir esclarecendo as dúvidas dos produtores que entram em contato conosco caso tenham alguma dúvida na hora de interpretar esse ou aquele requisito”, informa. Ele cita que a partir do momento que está tudo certo com a operação, o produtor pede os formulários de solicitação. “Essa documentação deve ser completada e somente depois de validada marcamos a data da auditoria. Um dos nossos inspetores, todos veterinários, irá se deslocar até a fazenda ou granja que solicita a certificação, e realizará todas as verificações necessárias para ver se todos os procedimentos adotados e a estrutura existente está de acordo com o que é exigido”, conta.

Ele esclarece que depois da inspeção o auditor prepara um relatório, que é enviado ao produtor com as eventuais não conformidades encontradas. “Indicamos então quais são as evidências que ele deve nos enviar para comprovar a resolução dos problemas, e a partir disso ele tem direito a receber o seu certificado de conformidade, válido por 12 meses. Neste momento ele pode fazer referência à certificação e colocar o selo CERTIFIED HUMANE nas embalagens dos seus produtos”, diz. O profissional complementa que a cada 12 meses o processo se repete, já que as inspeções anuais são necessárias para garantir que o produtor continue respeitando as exigências durante a validade do seu certificado. “Não é comum, mas pode haver alguma visita surpresa, nos casos de clientes que apresentam algumas falhas recorrentes ou manejo que deixe a desejar”, conta.

Principais pré-requisitos

Mazzon explica que existem alguns pré-requisitos necessários para que o produtor tenha essa certificação de bem-estar animal. No caso de produtores de ovos, principalmente cage-free e caipira, é preciso que o produtor se adeque quanto a questões de recria. Neste período, algumas das exigências são criação das aves em forma livre de gaiolas em toda a fase, animais devem ter acesso a poleiros a partir da quarta semana de idade, com espaço mínimo de 7,5 cm/ave. Aparo de bico, quando feito, precisa ser realizado até os 10 dias de idade e a densidade máxima para frangos de reposição é determinada de acordo com a idade e o peso das aves.

Já quanto ao alimento e bebida, a dieta precisa ser saudável, adequada à idade, estágio de produção e espécie, com acesso diário a cálcio, deve haver um espaço mínimo determinado para comedouros e bebedouros para evitar a competição pelo alimento, é proibida a presença de ingredientes na ração provenientes de mamíferos ou aves de antibióticos preventivos ou promotores de crescimento, incluindo coccidiostáticos (a vacina é permitida), e antibióticos são liberados somente para tratamento de doenças, além de a muda formada através da privação de alimento não ser autorizada.

Quanto a gestão, também existem alguns pontos que devem ser seguidos. Entre eles, é necessário que todas as pessoas envolvidas com o manejo das aves devem conhecer as respectivas normas de bem-estar, sendo que treinamentos devem ser ministradas visando o entendimento das normas por todos os tratadores, todas as aves devem ser inspecionadas pelo menos duas vezes ao dia, sendo que aquelas que apresentarem problemas ou comportamento anormal devem ser tratadas imediatamente, de maneira apropriada, e devem ser mantidos registros para o correto monitoramento da operação, incluindo dados da produção, mortalidade, consumo de água e alimento, concentração de amônia e uso de medicamentos e vacinas.

Adequação

Mazzon comenta que o mercado exige mais transparência, e que produtos de origem animal sejam provenientes de fazendas que adotem princípios rígidos de bem-estar animal, como aqueles estabelecidos por algumas organizações. “Representamos na América Latina a ONG Humane Farm Animal Care (HFAC), dona do programa CERTIFIED HUMANE de certificação de bem-estar animal. As normas foram escritas e são atualizadas de tempos em tempos pelo Comitê Científico da HFAC, composto por 40 profissionais especializados em ciência animal, incluindo quatro brasileiros”, conta.

Segundo ele, para o avicultor ainda é um desafio se adequar a estas exigências do mercado de bem-estar, porém, é também uma forma de sobreviver. “O bem-estar animal já faz parte do radar dos consumidores e da estratégia de negócio das grandes empresas de proteína animal. Não é uma moda, é uma tendência que veio para ficar”, afirma. Mazzon declara que os avicultores que mantiverem a visão no passado, sem cuidado com estas questões de bem-estar animal, estarão fadados a competir por preço, mantendo suas margens cada vez menores e não remunerando o investimento.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Ionóforos ajudam a modular o microbioma intestinal de frangos de corte, mas sua principal função é anticoccidiana

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura

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Artigo escrito por Patrícia Tironi Rocha, mestre em Sanidade Animal e gerente técnica de avicultura da Phibro Saúde Animal

O problema é sério. Em termos globais, são registrados prejuízos de até US$ 13 bilhões devido à temível e prevalente coccidiose aviária, doença intestinal causada por parasitas do gênero Eimeria, que causam uma série de danos à digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos, além de predispor as aves a outras doenças igualmente desafiadoras.

Além de provocar grande impacto em desempenho zootécnico, a coccidiose pode levar as aves à morte. Um dos problemas desencadeados, especialmente pela Eimeria maxima, é a predisposição a infecções pelo Clostridium perfringens (CP), que, ao produzir toxinas necrotizantes, causa a enterite necrótica, outra importante enfermidade de frangos de corte.

A ciência descobriu anticoccidianos químicos e ionóforos poliéteres eficazes para controlar a coccidiose. Os ionóforos (termo que significa “transportador de íons”) são produzidos por processo fermentativo e são amplamente utilizados – e com sucesso – em dietas de frangos de corte. Atualmente, seis moléculas com essa função são utilizadas pela indústria avícola. Entre elas, está a semduramicina, usada com segurança e eficácia há mais de duas décadas. Já as moléculas produzidas por síntese química podem ser representadas pela nicarbazina, introduzida no mercado em 1955 e ainda utilizada com sucesso.

Ao contrário da eficácia anticoccidiana dos ionóforos, amplamente reconhecida, a eficácia antimicrobiana dos mesmos em nível intestinal é bem menos estudada e avaliada e, possivelmente, tem sido supervalorizada. Um exemplo é a crescente produção de frangos de corte sem antibióticos melhoradores de desempenho. Nesse modelo de produção, para as empresas que ainda fazem o uso de anticoccidianos ionóforos e químicos as questões entéricas incluindo enterite necrótica têm sido frequentemente reportadas, o que evidencia que não se pode creditar apenas aos ionóforos o efeito antimicrobiano e o controle da enterite necrótica.

Ao analisar os valores de concentração inibitória mínima (CIM) dos ionóforos frente a cepas de Clostridium perfringens (in vitro) e compará-los com as doses dos ionóforos na ração, como anticoccidianos, constatamos que as concentrações indicadas para uso nas rações estão acima dos valores de CIM. Como exemplo, a CIM de semduramicina é de 10 partes por milhão (ppm) para inibição de CP. As doses de semduramicina registradas no Brasil na ração são de 20 a 25 ppm, ou de 15 a 18 ppm quando em associação com nicarbazina. Como o CP faz parte da microbiota intestinal normal de frangos (população heterogênea com várias cepas), pode-se inferir que os valores de CIM (in vitro) possuem relação direta com o potencial de inibição deste microrganismo no lúmen intestinal.

Um ponto importante a ser verificado em pesquisas sobre a concentração inibitória mínima de ionóforos é em relação às cepas de Clostridium perfringens utilizadas. Alguns estudos e relatos não especificam se as cepas utilizadas eram de aves saudáveis ou provenientes de surtos de enterite necrótica. Isso faz muita diferença. Em intestinos de aves saudáveis, a população de Clostridium perfringens é variada e composta por múltiplas cepas. Já em intestinos de aves afetadas pela enterite necrótica há a predominância de um clone único desta bactéria – Clostridium perfringens virulentos e que expressam fatores de virulência.

Estudos

Trabalho publicado em 2003, com inoculação de frangos de corte com cepa de Clostridium perfringens isolada de surto de enterite necrótica, avaliou bacitracina metileno dissalicilato (BMD), narasina e também associação dos dois recursos em relação a um grupo sem tratamento. Verificou-se que os escores de lesão para enterite necrótica e mortalidade por essa causa foram reduzidos apenas nos grupos que receberam o antibiótico melhorador de desempenho (BMD) e no grupo com a associação de BMD e narasina.  Esses dados sugerem ação limitada do ionóforo (neste estudo, a narasina) no controle da enterite necrótica.

A hipótese mais aceita atualmente pela academia é que os anticoccidianos ionóforos auxiliam na redução de bactérias intestinais gram-positivas, incluindo Clostridium perfringens, mas não as eliminam. A contribuição antimicrobiana dos ionóforos parece ser por modulação populacional e não por eliminação. Contudo, é preciso salientar que os efeitos antimicrobianos dos ionóforos que auxiliam no controle de lesões de enterite necrótica aparentemente podem se perder quando a dose utilizada na ração é reduzida.

Pesquisa publicada em 2010 relata que em frangos de corte sob condições de desafio as lesões de enterite necrótica diminuíram significativamente em cada grupo experimental que recebeu ionóforos simples via ração (70 ppm de narasina, 75 ppm de lasalocida, 70 ppm de salinomicina e 5 ppm maduramicina). No mesmo experimento, o produto combinado narasina-nicarbazina, a 50 ppm de cada princípio ativo, não diminuiu significativamente o número de aves com lesões de enterite necrótica quando comparado com o grupo controle desafiado, indicando que a dose reduzida da narasina (50 ppm) possivelmente está abaixo do limiar de eficácia microbiológica.

Em síntese, a simples observação dos valores das Concentrações Inibitórias Mínimas – CIM (in vitro) dos ionóforos frente a Clostridium perfringens mostra que todos ionóforos, nas doses em que são usados como anticoccidianos, já atingem concentrações suficientes para inibição desta bactéria no lúmen intestinal. Porém, estudos sugerem efeito limitado dos ionóforos no controle da enterite necrótica e inibição do Clostridium perfringens em estudos in vivo.

A contribuição dos ionóforos na redução de enterite necrótica e na translocação bacteriana do Clostridium perfringens a partir do intestino tem como base principal a preservação da barreira epitelial entérica. Isso se deve, em primeiro lugar, à sua eficácia como anticoccidiano – até mesmo porque, a partir da visão epidemiológica, a coccidiose é o mais frequente e importante fator predisponente à enterite necrótica e, secundariamente, à modulação da microbiota.

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Do sonho de criança a presidente da Epagri Santa Catarina

Edilene Steinwandter é a primeira mulher a assumir a presidência da Epagri, além disso, ainda foi a primeira a assumir diversos outros cargos de liderança dentro da empresa

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Divulgação/Epagri

Muitas vezes uma mulher precisa dar o primeiro passo para mostrar para as outras que aquilo que parecia inalcançável é possível. Edilene Steinwandter foi uma destas mulheres que alçou voos para mostrar que o impossível para uma mulher determinada e competente não existe. Pioneira em diversos sentidos, é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Mais que isso, realizou um sonho de infância de trabalhar na empresa.

Vinda de uma família de agricultores, Edilene praticamente cresceu no meio rural. Os pais moravam na cidade de Treze Tílias, onde cuidavam de um moinho de farinha. “Meus pais são filhos de agricultores, mas assim que se casaram, mudaram para a cidade. Então eu nasci e me criei na cidade. Mas sempre tive um vínculo muito forte com o meio rural porque todos os meus tios trabalhavam no campo”, conta. Por essa forte ligação que existia, assim que estava terminando o ensino médio Edilene já sabia qual faculdade faria: Agronomia. Ela se formou na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), na cidade de Lages.

Após terminar a faculdade, Edilene foi trabalhar em uma escola agrícola, onde foi professora durante um ano. Depois, passou a trabalhar na Prefeitura de Ponte Serrada, região Oeste de Santa Catarina, como engenheira agrônoma. “Nesse período que eu trabalhava lá prestei o concurso para a Epagri e passei. Assim, continuei trabalhando no mesmo município. Foi bem importante porque foi a continuidade de um trabalho que já tinha sido iniciado”, conta.

E trabalhar na Epagri foi uma realização para Edilene. “O meu sonho era trabalhar na empresa, porque a sede deles na cidade que a gente morava ficava bem na frente da casa dos meus pais. Então a gente vivenciava aquela rotina, estava sempre brincando na rua e vendo o que acontecia e eu admirava muito o trabalho que era feito”, recorda.

Edilene entrou na Epagri em 2002 e após algum tempo na empresa foi convidada para compor a equipe da gerência regional em Xanxerê. “Eu fiquei lá na gerência e nesse período eu consegui também fazer o meu mestrado, que foi quando me dediquei à área de bovinocultura de leite”, comenta. Em 2011 a engenheira agrônoma foi convidada para assumir a gerência regional. “Que foi quando eu saí um pouco da área técnica para ir para uma área mais de gestão. Lá eu coordenava o trabalho de 14 municípios da região. Eu fui a primeira mulher na Epagri a assumir uma gerência regional de extensão rural, porque até então nunca uma mulher tinha assumido uma gerência de área técnica”, diz.

Pelo trabalho que desenvolveu na gerência de Xanxerê, no final de 2011 Edilene foi convidada para ir até Florianópolis compor a equipe estadual de extensão rural. “Trabalhei na equipe e em 2015 assumi a gerência estadual de extensão rural. Também até o momento nunca uma mulher tinha assumido uma gerência estadual da área técnica”, lembra.

Já em 2019 Edilene foi convidada a assumir a presidência da Epagri. “Para mim foi um desafio bastante grande, mas ao mesmo tempo muito gratificante. Primeiro porque ser funcionária e ser presidente traz para os outros funcionários aquela visão e esperança de que existem oportunidades de crescimento dentro da empresa. Porque até então, os outros presidentes não eram funcionários”, comenta. Para Edilene, o fato de ser mulher e receber o convite de assumir a presidência também foi uma gratificação. “É recompensador estar à frente de uma empresa que historicamente sempre foi gerida por homens”, menciona.

Atualmente a Epagri conta com aproximadamente 1,7 mil funcionários, sendo que destes 592 são mulheres – aproximadamente 35% do total. Destas, 28 são pesquisadoras, 207 extensionistas (sendo de diferentes formações como agronomia, nutrição, assistência social e pedagogia), 357 são da área meio – considerada um apoio entre a pesquisa e a extensão – e 43 são dirigentes (que estão divididas entre gerentes estadual e regional ou das estações de pesquisa, além do centro de treinamento). “Mesmo o número 43 sendo interessante, na área técnica eu ainda considero uma baixa participação”, comenta Edilene.

A mulher no agro

Mesmo sendo a primeira mulher em diversos cargos dentro da Epagri, Edilene comenta que nunca notou, explicitamente, preconceito ou resistência em ela assumir os cargos de liderança dentro da empresa. “Porque talvez eu também não procurei enxergar. Eu sempre me coloquei em um papel de igual, nunca numa condição de inferior, de vitimização ou de não competência”, afirma. Além disso, de acordo com ela, algo que pode ter facilitado a “aceitação” dela nos cargos que ocupou é a trajetória que construiu na empresa. “Eu já conhecia praticamente todos os funcionários, já me relacionava tanto com a pesquisa quanto com a extensão rural. Então as pessoas já me conhecem e acredito que isso e toda a minha trajetória na Epagri facilitou os processos”, conta.

Edilene comenta que, mesmo não de uma forma tão rápido quanto se gostaria, é possível ver a ascensão da mulher nos cargos de liderança dentro das empresas, cooperativas e instituições. “Tem um estudo da Epagri que foi publicado há pouco tempo que mostra que 25% das agroindústrias de Santa Catarina são coordenadas, administradas ou de propriedade de mulheres. E essas agroindústrias são diversas, mas se concentram principalmente na área de produção e industrialização vegetal, como conservas, geleias e panificados. Ao mesmo tempo observamos o baixo índice de mulheres que administram as propriedades rurais, porque ainda o trabalho da mulher é muito visto como de uma ajudante e daí traz a invisibilidade tanto social quanto econômica da mulher no meio rural, porque ela é responsável basicamente por toda a produção do auto abastecimento da família, mas isso raras vezes é considerado como renda ou trabalho”, explica.

O trabalho constrói

Além disso, Edilene comenta que mesmo com todos estes desafios que a mulher diariamente enfrenta, ela se considera um exemplo para aquelas que sonham alto como ela. “Porque todas as funções que eu fui assumindo ao longo da minha vida foi consequência do meu trabalho. Hoje eu estou em uma função que é um cargo de confiança do Governo do Estado, mas eu tenho clareza que o convite para eu assumir foi pela minha trajetória e pelo meu trabalho. Por isso eu acho que é um exemplo no sentindo de que vale a pena sonhar, trabalhar, expor suas opiniões e se colocar. Independente da atividade ou função que a gente exerce é preciso mostrar competência sim e que nós temos capacidade”, comenta.

Para Edilene, a mulher tem mostrado o seu papel e a sua importância dentro do agronegócio. “Nada se faz sozinho. É muito importante a presença do masculino e do feminino, que as suas diferenças, potencialidades e fortalezas são coisas que se complementam”, avalia. Porém, a mulher traz uma diferenciação especial. “Eu vejo que a mulher traz muito esse olhar do cuidado, da cooperação, da participação e da inovação. Traz um olhar mais amplo e holístico das situações em que trabalha”, sustenta a criança que um dia sonhava e se tornou a presidente da Epagri.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Controlando a Salmonella: um importante parâmetro de segurança alimentar

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos

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Artigo escrito por Ricardo Scherer Simões, médico veterinário, mestre em Ciência Animal e coordenador Técnico Avicultura-Farmabase Saúde Animal; e Giovani Marco Stingelin, médico veterinário, mestre em Clínica Médica de Animais de Produção, doutorando em Clínica Médica de Suínos e gerente Técnico de Aves e Suínos da Farmabase Saúde Animal

A Salmonella spp. é um tema de extrema relevância na atual conjuntura da avicultura e acaba sendo destaque nas discussões técnicas espalhadas pelo mundo, o que não é por acaso, baseado no impacto do agente no contexto de saúde pública, sendo considerado um dos principais causadores de toxinfecções alimentares através da ingestão de alimentos contaminados. Outro ponto relevante é a questão das exportações dos produtos e abertura de novos mercados, que acabam sendo afetados diretamente através de exigências tanto dos consumidores, quanto dos órgãos nacionais reguladores e fiscalizadores.

Dentre as diversas características das salmonelas, o grupo das paratíficas, o qual engloba um grande número de sorovares distintos de Salmonella, são as mais prevalentes na agroindústria de aves e possuem ampla adaptabilidade tanto no organismo dos animais, quanto no ambiente das granjas e indústrias, o que de fato dificulta o controle em todo ciclo de produção.

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos. Além disso, também podem incluir aditivos via ração que reduzam a excreção e positividade do patógeno na cadeia avícola e precisam investir em educação continuada e capacitação dos colaboradores e produtores envolvidos em todos os elos da cadeia produtiva.

Muitos aditivos nutricionais foram desenvolvidos com a finalidade de reduzir a contaminação e excreção da Salmonella spp. pelas aves. Há muitos produtos no mercado que prometem milagres sem fundamentação científica. Por outro lado, há tecnologias eubióticas disponíveis capazes de reduzir a excreção da Salmonella spp. pelas aves e a recontaminação desses animais na granja. Dentre as associações de moléculas com mais embasamento técnico e científico, está a combinação de ácido sórbico com óleos essenciais como o timol e o carvacrol.

Os óleos essenciais são uma mistura de compostos complexos que podem variar em suas composições e concentrações químicas. Por exemplo, os componentes predominantes Timol e o Carvacrol encontrados no Tomilho, podem variar de 3 a 60% do total de óleos essenciais dessa planta, pois dependem da região, clima, solo, das condições de cultivo e da parte da planta que foi coletada. Por esse motivo, é importante que os ensaios in vitro e in vivo utilizem ativos como o Timol e o Carvacrol sintetizados em laboratório de forma pura, isto é, o que chamamos de compostos naturais idênticos (CNI). Somente dessa forma é possível saber a concentração exata do ativo que está sendo usada. O uso da planta ou seu óleo essecial é impreciso, pois não se sabe a concentração exata de timol e carvacrol encontrada.

Outro fator determinante é proteger esses ativos através do microencapsulamento, de forma que sejam liberados de forma uniforme e gradativa durante todo o intestino das aves, para que atinjam altas concentrações no ceco e cólon. É importante lembrar que a Salmonella spp. é uma  bactéria que coloniza e se multiplica na porção final do intestino, principalmente no ceco.

Associação sinérgica e efetiva para o controle de Salmonella spp.

Pesquisadores da Universidade de Bologna na Itália desenvolveram um aditivo com tecnologia única de microencapsulamento por uma camada de triglicerídeos hidrolisados de origem vegetal, chamada de microesfera, permitindo que os ativos sejam liberados gradativamente até o ceco das aves.

Além disso, associaram à formulação o Ácido Sórbico, um ácido orgânico de alto peso molecular e pKa com alto poder antimicrobiano e menor concentração inibitória mínima (MIC) quando comparados aos demais ácidos.

Na figura 1, podemos observar a maior eficácia do ácido sórbico na redução do crescimento de Salmonella Typhimurium se compararmos aos demais ácidos.

E como podemos observar na figura 2, o timol e o carvacrol possuem maior capacidade de redução de crescimento de Salmonella Typhimurium in vitro se compararmos com os demais óleos essenciais.

Mecanismo de Ação:

Conforme figura 3, o timol e o carvacrol sensibilizam as paredes celulares bacterianas, causam danos significativos à membrana e levam ao colapso da integridade citoplasmática bacteriana, facilitando a entrada e ação do Ácido Sórbico que, por sua vez, age reduzindo o pH intrabacteriano, provocando consequente lise e morte da bactéria. O extravazamento bacteriano acontece através de danos à parede celular, danos à membrana citoplasmática, coagulação do citoplasma e destruição da proteína da membrana (Conner e Beuchat, 1984; Cox et al., 1998; Helander et al., 1998; Ultee et al., 2002), bem como redução da força motriz de prótons (Nazzaro et al., 2013).

Eficácia contra Salmonella

Muitos trabalhos tem demonstrado a eficácia dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella no ceco das aves. Dentre eles podemos destacar alguns estudos recentes feitos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Jaboticabal – SP), que revelam a eficiência contra os sorovares mais prevalentes e importantes na avicultura.

Pelos resultados expressos na figura 4, podemos verificar redução significativa na contagem de Salmonella Typhimurium, Salmonella Minnesota e Salmonella Heidelberg no ceco dos grupos tratados com compostos naturais idênticos associados ao ácido sórbico.

Na figura 5, temos o resultado de um estudo realizado com aves tratadas com esse aditivo até os 42 dias de vida (idade de abate), onde ocorreu um aumento no percentual de suabes cloacais negativos no grupo tratado, com relação ao controle não tratado.

Na figura 6, evidencia-se o crescimento de Salmonella Typhimurium no grupo controle, em contrapartida no grupo tratado não há crescimento.

Na figura 7 observa-se que no grupo tratado não houve aparecimento de lesões hepáticas por Salmonella Typhimurium em aves com 14 dias.

Na figura 8 podemos destacar o efeito do timol, carvacrol e ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella Enteritidis no ceco aos 21 dias pós infecção com a inclusão de 1, 2 e 5 kg/tonelada de ração desse aditivo eubiótico.

Em resumo

A combinação dos ativos Timol, Carvacrol e Ácido Sórbico é sinérgica na redução da pressão de infecção e excreção nas fezes de enteropatógenos como a Salmonella spp., e pode ser usada tanto em matrizes pesadas quanto em frangos de corte. Nesse novo aditivo citado, a concentração de Timol (9,5%), Carvacrol (2,5%) e de Ácido Sórbico (25%) não tinha sido utilizada em nenhum aditivo ou tecnologia para aves até então.

A utilização dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico é uma ferramenta inovadora importante que auxilia consideravelmente na redução da positividade de Salmonella spp. na cadeia avícola, principalmente quando associado a medidas de melhoria na biosseguridade, maior controle de qualidade nas matérias primas das rações e melhoria da qualidade dos pintinhos.

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Fonte: O Presente Rural
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