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Avicultura Atendendo mercado consumidor

Granjas de postura buscam certificação de bem-estar animal

Aumentando o valor agregado do produto, indústria tem buscado certificação para atender nicho de mercado

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Cada vez mais o consumidor vem exigindo mais transparência na produção de proteína animal. Ele quer saber como o produto é feito, qual a situação do animal, entre tantas outras questões que envolvem o assunto. Em decorrência disso, é cada vez mais comum produtores buscarem certificação de bem-estar animal na sua produção. Isso atende ao requisito do que parte do consumidor vem solicitando, como também é uma forma de agregar ainda mais valor ao produto final.

 Cada vez mais avicultores têm buscado a certificação de bem-estar animal. “Somente nestes primeiros meses do ano já certificamos três granjas de renome no Brasil”, diz o diretor para América Latina da Humane Farm Animal Care e presidente do Instituto Certified Humane Brasil, Luiz Mazzon. Ele informa que o Brasil, juntamente com o Chile, está liderando o movimento de certificação de bem-estar para galinhas poedeiras na América Latina. “Dentre os países em desenvolvimento, incluindo também a Ásia, estamos bastante à frente, pois o movimento cage free está apenas começando no resto do mundo em desenvolvimento, enquanto no Brasil já temos grandes clientes certificados, entre eles a Granja Mantiqueira, Netto Alimentos, Korin, Fazenda da Toca, Granja Refen, Planalto Ovos, etc.”, conta.

Empresas no Brasil estão desenvolvendo este trabalho de certificação e auxiliando o produtor rural nesta questão. “A presença de um selo de certificação na embalagem de ovos ou de qualquer produto de origem animal representa um grande valor agregado, já que atesta ao consumidor final que aquele produto provém de fazendas ou granjas que adotam normas rígidas de bem-estar animal do nascimento até o abate”, explica.

O profissional destaca que o consumidor atual está muito mais sensível a temas associados à sustentabilidade, de onde vem o alimento que ele consome, qual o impacto da produção daquele produto no meio ambiente, etc. “Para produtos de origem animal, a forma como ele foi tratado tem enorme relevância na imagem que o consumidor atual tem das marcas que ele prefere. Várias pesquisas atestam que consumidores hoje buscam no seu alimento não apenas valores nutritivos ou funcionais, mas buscam também causas a apoiar”, afirma. Ele explica que um produto com certificação de bem-estar animal traz, portanto, um grande diferencial perante produtos convencionais, e que pode ser traduzido em um preço um pouco mais alto.

Mazzon revela que para quem é familiarizado com a certificação orgânica, a de bem-estar animal é bastante parecida. “Muda a norma, claro. Cada produtor deve então verificar quais ajustes deve realizar na sua operação para que esteja conforme com as exigências do referencial. Neste período estamos à disposição para ir esclarecendo as dúvidas dos produtores que entram em contato conosco caso tenham alguma dúvida na hora de interpretar esse ou aquele requisito”, informa. Ele cita que a partir do momento que está tudo certo com a operação, o produtor pede os formulários de solicitação. “Essa documentação deve ser completada e somente depois de validada marcamos a data da auditoria. Um dos nossos inspetores, todos veterinários, irá se deslocar até a fazenda ou granja que solicita a certificação, e realizará todas as verificações necessárias para ver se todos os procedimentos adotados e a estrutura existente está de acordo com o que é exigido”, conta.

Ele esclarece que depois da inspeção o auditor prepara um relatório, que é enviado ao produtor com as eventuais não conformidades encontradas. “Indicamos então quais são as evidências que ele deve nos enviar para comprovar a resolução dos problemas, e a partir disso ele tem direito a receber o seu certificado de conformidade, válido por 12 meses. Neste momento ele pode fazer referência à certificação e colocar o selo CERTIFIED HUMANE nas embalagens dos seus produtos”, diz. O profissional complementa que a cada 12 meses o processo se repete, já que as inspeções anuais são necessárias para garantir que o produtor continue respeitando as exigências durante a validade do seu certificado. “Não é comum, mas pode haver alguma visita surpresa, nos casos de clientes que apresentam algumas falhas recorrentes ou manejo que deixe a desejar”, conta.

Principais pré-requisitos

Mazzon explica que existem alguns pré-requisitos necessários para que o produtor tenha essa certificação de bem-estar animal. No caso de produtores de ovos, principalmente cage-free e caipira, é preciso que o produtor se adeque quanto a questões de recria. Neste período, algumas das exigências são criação das aves em forma livre de gaiolas em toda a fase, animais devem ter acesso a poleiros a partir da quarta semana de idade, com espaço mínimo de 7,5 cm/ave. Aparo de bico, quando feito, precisa ser realizado até os 10 dias de idade e a densidade máxima para frangos de reposição é determinada de acordo com a idade e o peso das aves.

Já quanto ao alimento e bebida, a dieta precisa ser saudável, adequada à idade, estágio de produção e espécie, com acesso diário a cálcio, deve haver um espaço mínimo determinado para comedouros e bebedouros para evitar a competição pelo alimento, é proibida a presença de ingredientes na ração provenientes de mamíferos ou aves de antibióticos preventivos ou promotores de crescimento, incluindo coccidiostáticos (a vacina é permitida), e antibióticos são liberados somente para tratamento de doenças, além de a muda formada através da privação de alimento não ser autorizada.

Quanto a gestão, também existem alguns pontos que devem ser seguidos. Entre eles, é necessário que todas as pessoas envolvidas com o manejo das aves devem conhecer as respectivas normas de bem-estar, sendo que treinamentos devem ser ministradas visando o entendimento das normas por todos os tratadores, todas as aves devem ser inspecionadas pelo menos duas vezes ao dia, sendo que aquelas que apresentarem problemas ou comportamento anormal devem ser tratadas imediatamente, de maneira apropriada, e devem ser mantidos registros para o correto monitoramento da operação, incluindo dados da produção, mortalidade, consumo de água e alimento, concentração de amônia e uso de medicamentos e vacinas.

Adequação

Mazzon comenta que o mercado exige mais transparência, e que produtos de origem animal sejam provenientes de fazendas que adotem princípios rígidos de bem-estar animal, como aqueles estabelecidos por algumas organizações. “Representamos na América Latina a ONG Humane Farm Animal Care (HFAC), dona do programa CERTIFIED HUMANE de certificação de bem-estar animal. As normas foram escritas e são atualizadas de tempos em tempos pelo Comitê Científico da HFAC, composto por 40 profissionais especializados em ciência animal, incluindo quatro brasileiros”, conta.

Segundo ele, para o avicultor ainda é um desafio se adequar a estas exigências do mercado de bem-estar, porém, é também uma forma de sobreviver. “O bem-estar animal já faz parte do radar dos consumidores e da estratégia de negócio das grandes empresas de proteína animal. Não é uma moda, é uma tendência que veio para ficar”, afirma. Mazzon declara que os avicultores que mantiverem a visão no passado, sem cuidado com estas questões de bem-estar animal, estarão fadados a competir por preço, mantendo suas margens cada vez menores e não remunerando o investimento.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição e Sanidade

Como controlar Salmonella spp. em rações

Programa de monitoria e controle de Salmonella spp. em rações inicia-se com o plano de amostragem e análises laboratoriais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Marcio André Lanzarin e Caio Tellini, da equipe técnica da Safeeds

O controle de Clostridium perfringens, Salmonella spp. e de outras enterobactérias patogênicas, está entre as principais ações realizadas pela indústria de produção de proteína animal, com impacto no aumento da produtividade animal, em melhoria dos índices zootécnicos e redução de prejuízos econômicos significativos.

O programa de monitoria e controle de Salmonella spp. em rações inicia-se com o plano de amostragem e análises laboratoriais, com o objetivo de identificar os focos e os níveis de contaminação para então estabelecer as estratégias de controle.

Entre as principais estratégias para a redução e controle destes microrganismos em fábricas de ração estão o programa de BPF (Boas Práticas de Fabricação), o sistema APPCC (Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle) e as ferramentas de tratamento térmico-químico aplicadas durante o processo de produção das rações. Estas estratégias são sempre complementares entre si, ou seja, nenhuma ferramenta isoladamente é 100% eficiente para garantir o sucesso do controle microbiológico.

O controle dos microrganismos através do tratamento térmico (como peletização, expansão e extrusão) são apresentados por diversos autores como ferramenta para a redução da incidência de fungos e bactérias em rações. A eficiência e o sucesso do controle via peletização é relacionada ao nível de desafio de contaminação por Salmonella spp. dos ingredientes no início do tratamento térmico, além do tempo de exposição, da temperatura aplicada e da própria umidade da ração. Com isso, a peletização não deve ser considerada como um método absoluto a ser utilizado para o controle da contaminação em rações.

Eficiência

A utilização somente do tratamento térmico para redução da incidência de Salmonella spp. em rações não proporciona nenhuma proteção residual contra recontaminações em etapas posteriores como, por exemplo: silos de armazenagem, caminhões de transportes e silos de granjas.

As fábricas de ração que não possuem processamento térmico e mantêm estratégias de fornecimento de rações farelada comprometem a qualidade microbiológica dos seus produtos, sendo uma fonte direta de transmissão de C. perfringens e Salmonella spp. para os animais. Para estes casos, outra opção viável para o controle microbiológico das rações é a utilização de agentes químicos, como os produtos formulados a base de formaldeído e/ou ácidos orgânicos, que com agentes coadjuvantes como óleos essenciais, mantém ação residual bactericida por um período prolongado.

Algumas opções de produtos comerciais que contêm combinações de formaldeído, ácidos orgânicos e outros agentes dispersantes, apresentaram resultados satisfatórios para descontaminação de rações inoculadas artificialmente com Salmonella spp., quando comparados com outros tipos de produtos químicos.

A utilização de produtos que possuem princípios ativos isolados, assim como os que possuem apenas formaldeído em sua composição, apresentam fatores limitantes, além de menor estabilidade e poder de fixação nas rações para proteção residual contra contaminações cruzadas. É por este motivo que produtos disponíveis à base de formaldeído são associados com ácidos orgânicos (por exemplo, ácido propiônico) e outros compostos, como os terpenos e surfactantes.

Este tipo de combinação tem efeito sinérgico entre seus ativos e permite a utilização com eficiência mesmo em baixas dosagens para a descontaminação das rações além de evitar a corrosão dos equipamentos.

Outra característica importante na elaboração de estratégias para o controle microbiológico é a forma física do produto a ser utilizado, uma vez que aditivos líquidos permitem uma maior dispersabilidade nas rações através de equipamentos exclusivos, eliminando qualquer necessidade de manipulação humana dentro das fábricas (EFSA, 2008). Além disso, conceitualmente esses produtos tem ação por contato e, por isso, precisam ser muito bem distribuídos para o máximo efeito antimicrobiano imediato e proteção residual.

Resultados

Para se avaliar a eficiência dos diferentes princípios ativos, foram realizados uma série de experimentos, destacando-se o efeito bactericida residual de um produto a base de ácido orgânico + formaldeído, aplicado em rações a base de milho e farelo de soja desafiadas com Salmonella Senftenberg (UFC/g) em concentração de 6,26 Log, sendo avaliado em dois períodos de tempo, 06 horas e 24 horas após a inoculação. Desta forma, observou-se que a adição de 2 e 4 Kg/ton foi suficiente para eliminar completamente a contaminação por Salmonella Senftenberg.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Infecções subclínicas em frangos de corte: perdas silenciosas de elevado impacto econômico

Existem diversas doenças que têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Jorge Chacón, M.V. MSc. PhD. dos Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal

Para as diversas doenças infecciosas que afetam os frangos de corte, é possível conhecer seu impacto econômico quando suas manifestações clínicas são evidentes e facilmente observáveis, porque elas permitem sua quantificação.

Para o caso das doenças de Gumboro e coccidiose, se sabe que existem os quadros clínicos e subclínicos, e que ambas formas destas doenças precisam ser controladas e prevenidas devido aos prejuízos econômicos consequentes, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes. Porém, existem outras doenças que também têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas, e com isso, levam a perdas de produtividade silenciosas e não controladas.

Origem das infecções subclínicas

Para a maioria das doenças infecciosas das aves, o tipo do quadro clínico e sua severidade dependem de vários fatores relacionados ao hospedeiro (frango), agente (patógeno) e ambiente (fatores externos).

Quadros clínicos muito severos podem resultar do envolvimento de uma cepa muito virulenta (por exemplo vírus de alta patogenicidade da Influenza aviária ou velogénico do vírus da Doença de Newcastle), mas outras vezes podem ser consequência do envolvimento de patógenos primários e secundários ou condições ambientais inadequadas para a criação do frango (temperatura, umidade, ventilação, qualidade de ar, etc).

Mas, mesmo que as condições ambientais sejam adequadas para o frango, e não existem agentes secundários no aviário, os agentes infecciosos primários podem se multiplicar em aves saudáveis. Nestes casos, quando existe um elevado nível de contaminação com o agente primário, será possível observar sinais clínicos severos.

A multiplicação do patógeno (seja vírus, bactéria ou parasita) na célula do hospedeiro, neste caso, o frango de corte, levará a perda do funcionamento e morte da célula, reação inflamatória e dor. Logo, as consequências são variadas, por exemplo, morte das células do trato digestivo prejudicará a absorção de nutrientes; dano das células do trato respiratório levará a dificuldade da respiração; a resposta inflamatória sistêmica levará à febre e dor que prejudicará a ingestão de ração; dano das células renais encarregadas da eliminação de substancias tóxicas do metabolismo levará a intoxicação e morte.

Desta forma, é fácil entender como a multiplicação dos patógenos, mesmo em casos de baixa pressão de infecção, comprometerá o desempenho zootécnico do lote. Muitos casos de infecções subclínicas, levam a aumento ligeiro da mortalidade final (<1%) que pode passar despercebido, mas se multiplicamos aquele 1% pelo tamanho do lote, ou pelo abate diário da empresa, podemos ter uma ideia clara do custo desta infecção subclínica.

Considerando um exemplo de uma empresa que abate 100 mil  aves dia, um aumento de 1% da mortalidade representaria uma redução de mais de 63 toneladas de frangos para processamento, e uma perda direta de mais R$197 mil  em receita para empresa (frango vivo).

Diagnóstico das infecções subclínicas

A falta de monitoramento laboratorial dos lotes de frango de corte de forma rotineira impossibilita detectar a circulação de patógenos nos aviários. Mas, como foi mencionado anteriormente, apenas a presença dos patógenos primários já prejudicaria o desempenho produtivo do lote. Desta forma, o impacto econômico das infecções subclínicas pode ser elevado.

Existem dois cenários comuns que acontecem nas empresas com lotes acometidos por infecções subclínicas:

  • Primeiro cenário, devido à ausência de manifestações clínicas, os responsáveis pela sanidade dos lotes, não se preocupam com o acompanhamento sanitário nem produtivo do lote. Desta forma o patógeno, mesmo sem causar sinais clínicos evidentes, estará afetando a produtividade dos lotes rodada a rodada, e a empresa estará perdendo toneladas de ração, ou de frango, ou de carne de frango;
  • Segundo cenário, quando foi detectado uma queda no desempenho do lote, a ausência de sinais clínicos evidentes leva os profissionais a procurar a causa desta queda de desempenho do lote em outras áreas. Assim, erroneamente, muitas vezes o programa nutricional, ou o sistema de manejo ou até a linha genética é culpada pela queda de desempenho. Mudanças feitas para corrigir esta queda de desempenho em áreas que não são as causadoras do problema levarão a investimentos desnecessários.

Os agentes primários mais comuns que causam doença clínica nos frangos de corte incluem os vírus das doenças de Gumboro, Bronquite Infecciosa, Newcastle, Marek, Anemia infecciosa e Artrite; coccideas e Salmonelas tíficas. Desta forma, a empresa deve ter um programa de monitoria adequado que pesquise a circulação destes patógenos nos lotes e mesure o nível de proteção conferido pelos programas vacinais implementados.

Obviamente, é impossível fazer um diagnóstico clínico na ausência de sinais clínicos, desta forma, se faz necessário o uso de testes laboratoriais para detetar a circulação do agente infeccioso. Para o caso de algumas doenças como a Bronquite Infecciosa, os resultados sorológicos não são definitivos, porque estes testes têm a limitação de poder detectar infecções tardias. Nestes casos, se faz necessário o uso de técnicas moleculares. Pesquisas mostram a detecção de lotes positivos e negativos ao vírus BR usando a sorologia de ELISA e o PCR como testes de diagnóstico. Pode-se observar no gráfico que o PCR é mais sensível e que os testes de ELISA detectam menos de 50% dos lotes realmente positivos.

Os quadros subclínicos da doença de Gumboro e Coccideose são bem conhecidos, mas múltiplas pesquisas recentes vêm demostrando que existem infecções subclínicas causadas pelo vírus da Bronquite Infecciosa, agente de maior prevalência e impacto econômico nos plantéis de frango de corte do Brasil.

Erroneamente acreditava-se que as infecções pelo vírus da Bronquite Infecciosa sempre têm que causar sinais ou doença respiratória. Porém, numerosas monitorias consistentes e apoiadas por testes sorológicos e moleculares têm mostrado que existem quadros clínicos não clássicos da Bronquite Infecciosa, onde apenas se observa aumento moderado da mortalidade final e baixo desempenho produtivo. Em muitos destes casos, apenas se observa depressão das aves e diminuição do consumo da ração. Monitorias visando a detecção do vírus da Bronquite Infecciosa, em meses que não apresentam doença respiratória evidentes em granjas do Sul do Brasil, têm encontrado elevadas taxas de positividade que superam os 90%.

Impacto econômico das infecções subclínicas

Os impactos econômicos causados pelas infecções subclínicas não são tão elevados quanto os provocados pelas infecções clínicas, com sinais evidentes. Porém, as infecções subclínicas levam a perdas de produtividade e econômicas expressivas. No caso da doença de Gumboro por exemplo, se conhecem os efeitos causados pelas infecções subclínicas sobre a produtividade. Pesquisas apresentam os resultados de produtividade de lotes de aves com e sem a doença subclínica de Gumboro. Os lotes com programa vacinal que protegia adequadamente contra casos clínicos e subclínicos da doença de Gumboro tiveram melhores resultados zootécnicos e uma receita adicional de mais de R$ 35 para cada mil aves, mesmo na ausência de sinais clínicos, mostrando o efeito subclínico do vírus de Gumboro.

A Bronquite infecciosa com sinais clínicos respiratórios convencionais e aumento de condenações sanitárias no abatedouro leva a perdas milionárias. Estes casos de doença respiratória têm uma apresentação sazonal, com padrão que varia segundo a área geográfica. São conhecidas as perdas produtivas nos casos de doença com sinais clínicos evidentes, mas não existem trabalhos que abordem o efeito das infecções do vírus da Bronquite Infecciosa sobre a produtividade no caso da ausência de sinais clínicos. Numa empresa de São Paulo, foram realizadas monitorias para detectar o vírus BR da Bronquite em meses com e sem apresentação de distúrbios clínicos evidentes. Nestas monitorias, o PCR foi usado para discriminar os lotes positivos e negativos para o vírus BR. Os resultados zootécnicos de lotes positivos e negativos foram comparados nos meses com e sem problemas sanitários evidentes. A monitoria, avaliação e comparação de 127 lotes desta empresa mostrou claramente piores resultados de produtividade nos lotes infectados com o vírus BR. Estas diferenças foram maiores nos meses quando se observavam no campo distúrbios clínicos. Mas, o prejuízo sobre a produtividade em infecções subclínicas também foram elevados: R$ 127,63 para cada mil aves alojadas, mesurando os resultados de Conversão Alimentar ajustada, GPD e mortalidade após os 35 dias.

Monitorias de prevalência do vírus BR, em lotes de seis empresas da região Sul do Brasil, foram conduzidas em meses sem apresentação de doença clínica evidente. A avaliação de 109 lotes das seis empresas mostrou o impacto das infecções do vírus BR da Bronquite infecciosa sobre os principais parâmetros de produtivos e sanitários. Estas monitorias que incluíram a avaliação de mais de 4 milhões de aves mostraram que o vírus BR, mesmo sem causar doença clínica evidente, afeta os principais indicadores de produtividade. Ainda que as empresas não relatavam problemas evidentes nos frigoríficos por terem condenações baixas, a condenação parcial por aerossaculite nos lotes positivos ao vírus BR foi aproximadamente o dobro comparado aos lotes negativos. Os lotes com índices elevados de condenações tiveram maiores custos de processamento devido ao retrabalho causado pelas condenações sanitárias. Estes achados foram observados em todas as empresas avaliadas mostrando que o vírus BR causa perdas econômicas, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes e clássicos e as consequências podem ser mensuradas nas granjas e nos frigoríficos.

Controle das infecções subclínicas

Um programa imunoproxilático consistente e a correta execução de medidas de biosseguridade evitaram a circulação de patógenos, e em consequência a apresentação de quadros clínicos e subclínicos. Essa estratégia tem que ser rigorosamente mantida o ano todo, mesmo na ausência de sinais clínicos severos ou mortalidade, pois um relaxamento destas medidas levará a perdas de produtividade e ao aumento da pressão de infecção para os próximos lotes. Práticas dirigidas a economizar nos programas preventivos como: subdosagem de vacinas, substituição por vacinas mais baratas, porém menos protetivas por exemplo, facilitariam a circulação dos patógenos primários e o estabelecimento de infecções subclínicas.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Relevância do plasma spray dried para a avicultura moderna

Quando disponíveis para o animal, esses compostos funcionais contribuem com funções biológicas

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gonzalez-Esquerra, R.1, J. Campbell1, L. Rangel2 e J. Polo3. APC Inc., USA1, APC Inc., Brasil2, APC – Europa3

O objetivo do presente trabalho é descrever o que é o Plasma Spray-Dried (SDP), revisar seus benefícios na produção e saúde quando fornecido na dieta de aves, relatar novas informações sobre o uso desse ingrediente em frangos de corte e discutir sua potencial relevância na produção avícola moderna, tendo em vista seu mecanismo de ação.

O SDP é rico em proteínas funcionais obtidas a partir do sangue de animais saudáveis, coletado durante o processamento de animais destinados ao consumo humano. O método de produção envolve a separação das células vermelhas do plasma, secagem em altas temperaturas, resultando em um ingrediente homogêneo e inócuo, que tem sido usado na nutrição animal como um ingrediente funcional desde a década de 1980. O SDP contém uma mistura complexa de proteínas, como albumina, globulinas, transferrina, fatores de crescimento, peptídeos bioativos e outros componentes nutricionais.

Quando disponíveis para o animal, esses compostos funcionais contribuem com funções biológicas, como as relacionadas ao crescimento, reparo tecidual, mecanismos de defesa e reprodução. O fornecimento do SDP para animais clinicamente saudáveis pode promover o seu crescimento e melhorar a eficiência alimentar. Quando fornecido para animais sob desafios patogênicos, o SDP reduziu a incidência e / ou a gravidade dos desafios virais, bacterianos e de protozoários nos sistemas digestivo e respiratório. Portanto, os benefícios observados em animais alimentados com SDP têm sido frequentemente relacionados aos seus efeitos que suportam uma resposta imune eficiente.

É provável que o modo de ação do SDP em animais tenha mais de uma rota. Ainda assim, seus efeitos sobre o sistema imune têm sido considerados os mais relevantes e, portanto, os mais estudados. Micro-organismos, metabólitos bacterianos, toxinas e fatores antinutricionais presentes no intestino ativam a resposta imune mediada pelo tecido linfoide associado ao intestino (GALT), alterando algumas funções intestinais, como a permeabilidade do intestino e a absorção de nutrientes. Como o GALT faz parte do Tecido Linfoide Associado à Mucosa (MALT), sua ativação produz um estado inflamatório sistêmico que está presente em animais saudáveis e é exacerbado em animais desafiados por patógenos ou fatores ambientais, como o estresse. Essas respostas são mediadas por citocinas no organismo. Em termos gerais, a alimentação com SDP aumenta os níveis de citocinas anti-inflamatórias, como a IL-10, e reduz os principais fatores pró-inflamatórios, como TNF-α, IL-6 e IFN-γ. Em geral, essas alterações resultam na melhoria dos efeitos deletérios da ativação imunológica de forma local e sistêmica e reduzem a exigência de nutrientes para manutenção. A ativação imune requer quantidades significativas de nutrientes, por isso, os nutrientes são desviados do suporte ao crescimento ou outras funções produtivas. Quando os animais são alimentados com SDP, a duração da ativação imunológica é menor, portanto, mais nutrientes são usados para apoiar funções produtivas, como o crescimento. Devido às suas propriedades funcionais como ingrediente alimentar, em 2008, a Sociedade Americana de Ciência Animal identificou o SDP como uma das 10 descobertas mais importantes em nutrição suína nos últimos 100 anos.

Desempenho melhor

Dietas com SDP em aves reduzem o impacto negativo das doenças digestivas e respiratórias. Frangos com enterite necrótica ou Salmonella apresentaram melhor desempenho e menor mortalidade quando alimentados com SDP. Perus desafiados com Pasteurella multocida também exibiram mortalidade significativamente menor com SDP na dieta. Trabalhos recentes mostraram uma redução significativa na mortalidade em uma operação comercial de frango de corte com histórico de hepatite por corpúsculo de inclusão (IBH). Aves apresentaram uma melhora significativa no desempenho, com uma redução na mortalidade de aves que sofreram um sério desafio de saúde quando Escherichia coli e Staphylococcus spp foram isolados, possivelmente desempenhando um papel como agentes secundários. Melhorias no desempenho também são observadas em galinhas clinicamente saudáveis vacinadas ou não contra coccidiose. Na maioria dos ensaios aqui citados utilizou-se o SDP em frangos de corte na dieta pré-inicial e seus efeitos foram observados na saúde e desempenho geral até o abate.

Vários estudos mostraram que animais alimentados com dietas com antibióticos promotores de crescimento exibem melhorias adicionais de desempenho quando associados ao SDP demonstrando um efeito aditivo e complementar aos antimicrobianos, conforme concluído por pesquisadores. A experiência da indústria suína tem sido valiosa para apoiar essa afirmação uma vez que o SDP vem sendo fornecido conjuntamente com essas moléculas, e outros aditivos com propriedades anti-bacterianas, tais como ácidos orgânicos, durante décadas. Um experimento recente em frangos de corte conduzidos na Texas A & M sugere um efeito similar em aves domésticas. Nesse trabalho, as aves melhoraram o desempenho quando alimentadas com bacitracina ou SDP quando comparados com dieta controle sem essas substâncias. Ainda assim, o melhor desempenho foi obtido quando foram fornecidos o plasma e a bacitracina em conjunto, sugerindo um efeito sinérgico.

Estudo

Dietas de frangos de corte com plasma também foram benéficas quando fatores de estresse estão presentes em ambientes de produção, como, por exemplo, densidade de alojamento. Campbell et al., (2012) observaram melhora no desempenho e redução da mortalidade ao alojar 14 aves (machos) por m2. Nesse estudo, o plasma na dieta aumentou a quantidade de quilos de frango vivo produzido de 35,2 (controle) para 38,2 kg/ m2 (frangos alimentados com SDP). Esses resultados estão de acordo com os achados de Gonzalez Esquerra et al., (2019b) em que as aves (machos) pesaram 32,2 no grupo controle vs 37,5 kg de ave viva/ m2 com plasma na dieta.

Em conjunto, as observações anteriores sugerem que fornecer o SDP nas dietas pode melhorar o desempenho, amenizar os efeitos negativos dos fatores de estresse, como a densidade de alojamento, e reduzir os efeitos negativos de doenças em aves comerciais. Além disso, o plasma pode ser usado como parte de uma estratégia para substituir os antimicrobianos promotores de crescimento, diminuir seu uso ou como uma ferramenta para complementar os programas convencionais com essas moléculas.

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Fonte: O Presente Rural
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