Suínos
Granjas brasileiras se adiantam a regras e pressão do mercado sobre bem-estar
A suinocultura brasileira, mesmo sem exigências legais e ainda sem grande pressão do mercado, possui bons exemplos de bem-estar animal quanto ao uso de baias de gestação coletiva para matrizes. Pequenos e médios suinocultores, além de grandes integradoras, já utilizam o sistema ou se comprometeram a adotá-lo com prazos limite.
A grande maioria da produção de suínos nacional funciona com as gaiolas de gestação, que são criticadas por organizações de defesa dos direitos dos animais (como a WAP, World Animal Protection) e consumidores mais sensíveis ao tema.
Contudo, a tendência do mercado interno e, principalmente, do externo é criar obstáculos às gaiolas de gestação em médio e longo prazo. O bloco europeu, por exemplo, pode valer-se desta exigência para impor barreiras técnicas à carne suína brasileira em momentos de maior oferta ou maiores custos de produção no continente. Esta situação, possivelmente, pode repetir-se em outros mercados como Japão, China ou Rússia.
Já no mercado interno, grandes redes de restaurantes, supermercados e processadores seguem o mesmo caminho. Um exemplo é o McDonald´s que deixará de comprar carne suína de fornecedores na América Latina, inclusive no Brasil e no México, que não estejam adaptados às baias de gestação coletiva até final de 2016.
Esta é uma das razões para a BRF haver assumido o compromisso, no final de 2014, de adaptar toda sua produção ao modelo de baias de gestação coletiva em 12 anos. A gigante brasileira seguiu o exemplo de outros players globais e, com rebanho de mais de 400 mil matrizes (cerca de 25% de todas as matrizes tecnificadas do país), será um importante driver para a produção nacional.
Pequenos e médios produtores em diferentes partes do Brasil, também, se adiantaram e já tomaram esta iniciativa. A ABCS identificou bons exemplos de adequação às baias de gestação coletiva em Santa Catarina, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Em Santa Catarina, a Granja Pevi possui, há cerca de um ano, 750 matrizes com este modelo de produção e já iniciou obras para ampliar a 1,2 mil. Segundo o gestor da unidade, que é integrada à BRF, Sidnei Vilani, já foram observados resultados positivos quanto à tranquilidade dos animais, melhores condições de parto, docilidade e número de nascidos vivos.
O processo de implantação foi bem tranquilo. Apesar de algumas dificuldades, tivemos um bom suporte. O investimento ainda é muito alto, cerca de R$ 3,1 mil por matriz, para construir uma granja nova adaptada ao modelo. Ainda assim, temos expectativa de 8 anos para o retorno do investimento, pois já estamos sendo valorizados pelo mercado, explica.
Outro bom exemplo vem de Minas Gerais. As Granjas Santa Cruz e Bom Retiro, que pertencem à DB Agropecuária, possuem um total de 4,1 mil matrizes em sistema de baias de gestação coletiva. A primeira a usar o modelo foi a Granja Santa Cruz, com 2,3 mil matrizes, em 2013, a partir de exemplos adaptados de granjas da Dinamarca, Espanha e Alemanha, que usam também máquinas de alimentação eletrônica.
Em ambos projetos, tivemos um custo adicional de 5% na construção dos barracões de gestação coletiva quando comparados aos de gestação em gaiolas. Apesar disso, não observamos quaisquer alterações nos índices zootécnicos. Nosso modelo não foi pensando pela valorização do animal, mas, sim, pelo aprendizado e conhecimento das novas exigências quanto ao bem-estar animal, argumenta o Gerente de Produção, Robert Rene Gurnet.
No Distrito Federal, a Granja Miunça também foi a pioneira a adotar o sistema no Brasil, em 2010, com cerca de 1.250 matrizes. Mais de quatro anos depois, são 2,5 mil matrizes e um projeto em fase de execução para ampliação a 4,5 mil matrizes em baias de gestação coletiva com alimentação por controle eletrônico.
A implantação foi muito tranquila. Primeiro porque eu já pensava em gestação coletiva há anos e só não adotava porque não havia forma econômica de individualizar a alimentação. Visitei granjas na Europa e encontrei a solução. Adaptei conceitos europeus ao clima do Brasil e o resultado foi muito positivo, detalha o proprietário da Granja Miunça, Rubens Valentini.
Segundo ele, nenhum índice produtivo na gestação coletiva é inferior aos da gestação em gaiolas e alguns são favoráveis como, por exemplo, o número de animais por funcionário, o peso de nascimento e a longevidade das porcas.
Em condições normais, calcula-se o retorno do investimento em 10 anos. Posso dizer com segurança que o sistema tem vantagens técnicas e econômicas sobre o convencional. Tanto acredito que estou transformando toda a granja para gestação coletiva, hoje temos cerca de um terço, além de ampliá-la um pouco, cita.
Sobre a valorização do mercado, os representantes das granjas Miunça, Santa Cruz e Bom Retiro tem dúvidas se os compradores ou mesmo os consumidores estariam dispostos a pagar mais por uma produção com melhores níveis de bem-estar animal. Ainda assim, defendem o sistema seja por vantagens operacionais e econômicas (redução de outros custos) ou por adequação ao que entendem como exigência do mercado no futuro.
Existem pesquisas que dizem que os consumidores pagariam um plus por produto oriundo de granjas com bem-estar animal. No entanto, há uma diferença importante entre uma manifestação de disposição e a efetiva valorização do produto no varejo. De minha parte, não acredito e me contento com as vantagens econômicas e operacionais que a gestação coletiva com controle eletrônico oferece, conclui Rubens.
O tema do bem-estar animal, segundo os entrevistados, deve ter mais tópicos nos próximos anos e o próximo deve ser as baias de maternidade. Sem dúvida, esse setor é a próxima bola da vez. Como já observamos em alguns países da Europa, haverá uma exigência quanto ao espaço mínimo para uma fêmea lactante e seus leitões, permitindo uma maior mobilidade do animal durante esse período, finaliza.
Fonte: ABCS

Suínos
Acompanhe AO VIVO 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento reúne os principais elos da cadeia para debater os rumos da atividade dentro e fora da porteira.

A suinocultura paranaense enfrenta desafios cada vez maiores dentro e fora da granja. Biosseguridade, mão de obra, sucessão familiar, eficiência produtiva, mercado e exportações estarão no centro das discussões do Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece nesta terça-feira (09), a partir das 09 horas, em Marechal Cândido Rondon (PR).
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
• Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
• Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
• Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
• Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
• Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
• Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
• Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
14h40 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
• Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h20 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
• Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
• Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento tem ainda o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Clique aqui e ative o lembrete da live.
Suínos
Pesquisa sobre javalis tem prazo ampliado até o fim de junho
Baixa adesão no Paraná leva à prorrogação do levantamento nacional que busca mapear a presença de javalis e javaporcos e os prejuízos causados ao agro.

Produtores rurais paranaenses ganharam mais tempo para participar do levantamento nacional que busca dimensionar a presença de javalis e javaporcos no campo brasileiro. O prazo da pesquisa “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)” foi estendido até 30 de junho, diante da necessidade de ampliar a adesão ao questionário, especialmente no Paraná, onde a participação ainda é considerada baixa.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT
A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com articulação do Sistema Faep, busca reunir informações diretamente das propriedades rurais para compreender a dimensão do avanço desses animais no país, os prejuízos registrados e os impactos ambientais, sanitários e econômicos relacionados à espécie. O levantamento também deverá subsidiar estratégias mais efetivas de controle e manejo.
“É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente. A participação é essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
A extensão do prazo reforça a importância da participação dos produtores que convivem com a presença dos animais ou já sofreram prejuízos. O questionário permite mapear ocorrências de javalis e javaporcos (resultado do cruzamento entre javalis e suínos domésticos), espécies que têm avançado rapidamente em diferentes regiões devido à ausência de predadores naturais e à elevada capacidade reprodutiva.
A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano, permitindo um retrato mais preciso da presença dos animais no país e contribuindo para a formulação de políticas públicas e medidas de enfrentamento mais eficazes. Além da pesquisa, o Sistema Faep também disponibiliza uma cartilha com orientações e informações sobre os riscos associados aos javalis e javaporcos.
Prejuízos

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente”
No Paraná, a preocupação com o tema não é recente. A mobilização teve origem na Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, que articulou diferentes instituições em torno do problema. O movimento culminou, em 2020, na criação do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, formado por órgãos como o Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Exército Brasileiro, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e representantes do setor produtivo.
Os prejuízos atribuídos aos suínos asselvajados vão desde a destruição de lavouras e ataques a rebanhos até danos à vegetação nativa, degradação de nascentes e impactos sobre ecossistemas locais. Também há preocupação com a segurança sanitária, já que esses animais podem atuar como vetores de enfermidades como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa, representando risco para a cadeia produtiva da suinocultura.
Suínos
Setor suinícola exporta US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026
Desempenho acumulado é impulsionado pelo recorde de 129,4 mil toneladas embarcadas em maio e pela ampliação dos mercados compradores.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

Foto: José Fernando Ogura
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor” – Foto: Mario Castello
embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
