Suínos
Granjas brasileiras de suínos superam média de 90% de taxa de parição
Mais de duas milhões de matrizes tecnificadas no Brasil são inseminadas, uma mudança drástica em relação ao passado, quando esse método era pouco utilizado. Essa transformação consolidou a importância da tecnologia na reprodução da espécie.

A reprodução suína passou por avanços significativos nas últimas décadas, principalmente com a introdução da inseminação artificial comercial nos anos 90. Esse marco impulsionou a evolução do manejo reprodutivo, tornando a inseminação artificial a biotecnologia mais importante no setor. Hoje, mais de duas milhões de matrizes tecnificadas no Brasil são inseminadas, uma mudança drástica em relação ao passado, quando esse método era pouco utilizado. Essa transformação consolidou a importância da tecnologia na reprodução da espécie.

Médico-veterinário, doutor em Reprodução Animal, professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Bortolozzo, que está à frente da organização do Sinsui 2024: “O desafio contínuo é manter a margem das taxas de parição médias anuais ao longo do tempo, otimizando cada vez mais as operações de manejo” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Atualmente, alcançamos índices de eficiência reprodutiva muito satisfatórios, especialmente em relação à taxa de parição e tamanho de leitegada na suinocultura quando comparadas com outras espécies. “Em muitas granjas, as taxas de parição médias anuais podem ultrapassar os 90%, com algumas mantendo uma média anual entre 92% e 93%, o que é extraordinário. No entanto, o desafio contínuo é manter a margem destes índices excelentes ao longo do tempo, otimizando cada vez mais as operações de manejo”, enfatiza o médico-veterinário, doutor em Reprodução Animal e professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Bortolozzo, que está à frente da organização do 16º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui). No evento, realizado entre os dias 23 a 25 de julho no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, RS, ele integrou o time de palestrantes para tratar sobre o atual cenário e perspectivas futuras na área de reprodução.
Com o passar do tempo e a manutenção desses índices, Bortolozzo frisa que se torna importante otimizar as operações, seja através da racionalização da mão de obra, redução do número de espermatozoides por dose de inseminação ou do número de doses utilizadas. “Isso representa um desafio constante para os produtores”, ressalta.
O doutor em Reprodução Animal menciona que a interação entre manejo nutricional e reprodução é fundamental, especialmente nas empresas de genética suína, que contam com equipes especializadas para fornecer orientações específicas com base no material genético e na fase de produção dos animais. “Seguir as recomendações dessas empresas é essencial para garantir o sucesso reprodutivo e o desempenho ideal dos suínos”, frisa.
Avanços e desafios
Um dos principais avanços na tecnologia de inseminação artificial é a evolução logística, aponta Bortolozzo. Segundo ele, as centrais de inseminação artificial (UDGs) estão se tornando cada vez maiores e mais eficientes na produção das doses de sêmen, garantindo um controle de qualidade cada vez mais aprimorado. “Isso resulta em doses de melhor qualidade disponíveis para os produtores no mercado”, evidencia o docente, acrescentando: “No entanto, existem desafios a serem superados. Um deles é a necessidade de um controle de qualidade rigoroso nas centrais para evitar falhas, especialmente considerando o grande número de granjas atendidas por essas centrais, o que poderia causar gargalos”.
Outro desafio, segundo o médico-veterinário, reside na logística de transporte das doses. As centrais devem garantir um transporte rápido e de qualidade das doses até os clientes, evitando a deterioração do material genético. “As empresas também dedicam atenção significativa ao armazenamento adequado das doses nas granjas, fazendo uso de tecnologias de armazenamento de alta qualidade. No entanto, é fundamental implementar processos intensivos para garantir o controle eficaz das ações no destino final”, ressalta.
Otimização de processos
Bortolozzo destaca a importância de consolidar e otimizar os processos de manejo reprodutivo na suinocultura. Ele enfatiza a necessidade de realizar as tarefas básicas de forma eficiente, buscando racionalizar procedimentos sem comprometer os resultados.
Prevê ainda que o setor vai adotar cada vez mais técnicas que integram inteligência artificial e machine learning nos procedimentos de reprodução, visando agregar valor e facilitar as operações, mantendo a qualidade dos resultados.
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Suínos
Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025
Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.
Suínos
Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas
Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.
Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.
No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.
Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.
Suínos
Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas
Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.
Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.
Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.
Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.
A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.
Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.



