Avicultura BEA
Granja do Paraná lança inédita produção cage-free
Granja Refem produz 220 mil ovos/dia com sistema livre de gaiolas; empreendimento recebeu certificação Sisbi em julho

Um dos principais objetivos do avicultor atual é atender às demandas do consumidor moderno: bem-estar animal, sem antibióticos, animais criados da forma mais livre e natural possível. É isto que uma granja do Paraná vem fazendo. Com um projeto pioneiro de avicultura, começou a funcionar neste ano em Cascavel, no Oeste do Estado, a Granja Refem, que produz ovos de galinhas de forma mais natural, com aves livres de gaiolas e de excessos de químicos nos medicamentos e na ração. Esse empreendimento preconiza as adequações que serão exigidas por resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030.
A granja está instalada numa área de 1,2 mil hectares, sendo 700 hectares de reflorestamento. O investimento total foi de R$ 110 milhões, dos quais R$ 27 milhões na reformulação do empreendimento, que gera 140 postos de trabalho. Cerca de 60% dos recursos são de capital próprio e 40% da linha Inovagro do BNDES. A capacidade da granja é de produzir 600 mil ovos por dia, informa o dirigente da granja, Renato Festugato. Além da granja, o empreendimento conta com uma fábrica própria de ração e um entreposto para comercialização dos ovos.
Segundo o empresário, a iniciativa visa atender ao aumento da demanda por produtos mais naturais no mercado externo e interno. “As grandes redes de supermercados estão pedindo esse tipo de produto”, ressaltou. São ovos livres de antibióticos e de subprodutos de origem animal na ração. As galinhas ficam soltas, não são estressadas, o que contribui para um produto mais livre de cargas de estresse e de químicos. Atualmente, a granja produz 220 mil ovos/dia e vende para cinco Estados brasileiros.
Certificação
Atendendo ao que pede consumidores e autoridades, em julho a granja recebeu a certificação Sisbi (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal). O certificado, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e prefeitura, permite a comercialização de ovos em todo território nacional. O Sisbi-POA, que faz parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar.
Segundo Festugato, a granja honra os compromissos da agenda global de desenvolvimento firmados pelos países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a qual o Paraná tem a missão de implementar. “Devemos ter um retorno mais longo na atividade, mas acreditamos no futuro de que o consumidor vai remunerar este ovo. Estamos um passo adiante, temos que melhorar a produtividade e desenvolver produtos compatíveis com o que o mundo está fazendo”, afirma.
Ele citou que a Europa já proíbe a comercialização do ovo de galinhas de gaiola, que os Estados Unidos já consomem 30% na modalidade cage-free e, o Brasil, menos de 1%. “Nosso país consome hoje 110 milhões de ovos por dia e somente 650 mil a 700 mil ovos têm a preocupação do bem-estar animal. Teremos capacidade de chegar a um milhão de ovos por dia. É um mercado em expansão e viável, só teremos um período maior de maturação”, completa.
Granja totalmente adequada às normas
A Granja Refem já está adequada às normas sanitárias da ONU, que vai exigir, a partir de 2021, que a produção em todo o mundo seja feita de forma mais natural, com aves livres de gaiolas e proibição do uso intensivo de químicos, medicamentos e na ração. Até 2030, não será mais permitida a produção de ovos em sistema de gaiola.
A empresa também já inaugurou um entreposto para distribuição dos ovos com credenciamento do SISBI. Ele se soma aos granjeiros e ao resto da cadeia de produção, seleção e distribuição.
Atualmente, o negócio conta com 250 mil aves e com uma produção diária de 220 mil ovos. A granja emprega 140 pessoas. “A nossa granja deve ser a primeira no Paraná com a certificação internacional, a Certified Human, que está em 187 países. São objetivos difíceis de cumprir pelas exigências, mas temos feito todos nas formas necessárias e conseguimos a certificação”, afirmou Festugato. A projeção é adequar ainda mais a área de aviários para atingir 500 mil aves de postura e produção diária de um milhão de ovos.
Além do mais, o empreendedor informa que a produção é focada no mercado interno. “As famílias estão de olho em um ovo livre de antibiótico, com uma energia vital que vem da galinha dentro do ovo melhor. Esses consumidores já enxergam esse ovo para colocar na mesa, também uma preocupação com a saúde animal”, diz.
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Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.
Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.



