Avicultura Produção de excelência
Granja de postura de meio século aposta em bem-estar animal
Produtor afirma que para manter o plantel desfrutando de bem-estar é essencial garantir que aves estejam livres de doenças e não sofram estresse

Quando se fala em avicultura de postura os números são sempre grandiosos. E não é diferente na granja do avicultor Dirceu Pontalti Cortez, em Arapongas, na Região Metropolitana de Londrina, PR. São 300 mil aves, mais de 200 mil ovos por dia, 64 câmeras de monitoramento, 200 toneladas de ração por semana, cerca de 4,5 milhões de doses vacinais por ciclo, mais de 200 motores em funcionamento constante, quase 60 funcionários, carretas e mais carretas de compostagem. Com esse tamanho, seria óbvio que o ambiente fosse turbulento e estressante para as aves e para as pessoas. Seria, mas não é.
Ao passar entre os galpões da granja do produtor paranaense, o silêncio demonstra como as aves estão calmas. “Perceba que não tem barulho. Isso é bem-estar animal. Estamos investindo bastante nessa área”, conta. Cortez explica que o ambiente precisa ser equilibrado, especialmente com temperatura adequada. “A temperatura é um dos pontos principais na produção de ovos. A ave não pode sofrer com o calor. A mortalidade aumenta muito se o ambiente não estiver adequado. Tenho um vizinho que perdeu 50 mil animais por causa do calor”, conta.
Para isso, explica Dirceu Cortez, algumas medidas são tomadas, em particular no rígido verão do Norte do Paraná. Alguns galpões da fazenda são mais antigos e mais baixos, mas a maioria já é de modelos mais novos e altos. “A altura do galpão ajuda a refrescar o ambiente”, explica. Dentro deles, a temperatura é definitivamente mais baixa. Sobre os telhados estão instaladas tubulações hídricas para molhar as telhas e reduzir o calor dentro das unidades de produção. “A gente coleta a água da chuva e despeja sobre os galpões, com irrigadores que ajudam a diminuir a temperatura do telhado e, consequentemente, a sensação de calor no galpão”, explica.
Cortez menciona que, para manter o plantel desfrutando de bem-estar é essencial ainda garantir que elas estejam livres de doenças e não sofram estresse. Para isso, o trabalho começa bem cedo. “O animal leva 120 dias para começar a produzir. Nesse tempo, ele recebe cerca de 15 vacinas, os trabalhadores pegam na mão entre 10 e 12 vezes, são feitas duas debicagens. Todos esses procedimentos são importantes para manter a saúde das galinhas. A vacinação é fundamental para proteger contra as principais doenças. A debicagem é importante fazer porque, se não, há o canibalismo. E isso nós não queremos porque é uma oportunidade de estresse para a galinha”, aponta.
Os cuidados seguem até que a galinha pare de produzir, com aproximadamente 100 semanas. “Quando começa a produzir, basicamente é o manejo que faz a sanidade. Temos muito cuidado para diminuir aos menores níveis a pressão de infecção na granja”, emenda o produtor. Ele explica que, de maneira geral, problemas sanitários acontecem por falha nutricional ou de manejo. “Se acontecer alguma infestação, geralmente é por falha nutricional ou de mão de obra”, sugere Cortez. Todos os galpões são cercados com telas para garantir que outros animais, como pássaros e roedores, tenham acesso ao plantel e transmitam doenças.
A nutrição também ganha destaque, já que representa grande parte dos custos de produção e é o motor para a produção. Toda a ração é produzida na própria granja, que consome, segundo Dirceu, cerca de 200 toneladas por semana. Parte do milho é da própria fazenda, garantindo mais rastreabilidade do produto. “A nutrição tem que ser rica, especialmente quando a galinha ainda não está produzindo”, aponta. Nessa fase, argumenta o avicultor, a ração precisa conter mais energia do que no momento da postura.
Automação
Dirceu explica que quando o consumidor vê o ovo no prato, não imagina a complexidade do processo de produção. “São muitas engrenagens na granja de postura. Tenho quase 60 funcionários, mais de 200 motores em funcionamento, 300 mil aves. É muito detalhe que precisa ser visto até chegar ao consumidor”, explica.
Ele comenta que encontrar mão de obra é uma dificuldade, por isso tem investido em automação da granja. “A mão de obra é um problema. Por isso investimos em automação. Hoje, 60% da granja é automatizada. Ela tem suas vantagens, como dispensar mão de obra e viabilizar projetos em áreas menores, mas a automação tem custos extras”, aponta. Nesse sistema, alimentação, água e a recolha dos ovos é feita sem a interferência humana. O restante da granja (40%) ainda funciona de maneira manual, apesar de que a alimentação também é feita automaticamente”, sustenta.
Dos galpões, os cerca de 200 a 205 mil ovos produzidos todos os dias vão direto para o setor de classificação, limpeza e embalagem. Uma máquina importada faz praticamente todo o processo, mas alguns funcionários ainda são necessários nesse setor. De lá, a produção segue para supermercados e atacadistas de todo o Paraná.
Meio ambiente
A granja da família Cortez celebrou 50 anos de existência em 2018. Toda essa experiência garantiu aos empresários know-how para transformar problemas em soluções financeiras. O esterco, que sempre foi um problema, ganha fins nobres e traz rentabilidade à fazenda. “Temos um tratamento especial para o esterco. Até a Emater veio aqui para ver como funciona. Na compostagem não tem cheiro, nem mosca. Depois de feita a compostagem, todo o material é vendido para a região, especialmente para os tomateiros. Dias atrás, uma única empresa comprou 60 carretas da nossa compostagem. É um adubo muito bom”, garante o empresário.
Mais amor em 2019
“Meu pai sempre dizia que o Brasil é uma granja de frango. Você coloca os pintinhos e em 42 dias você tem uma granja de carne. Ele se referia à potencialidade que nosso país tem”, lembra Cortez. “o que precisamos nesse país é mais amor. Hoje vivemos no desamor”, aponta. “Assim é com a granja de postura. Se você tem amor, os resultados aparecem”, garante o produtor paranaense.
Outras informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de 2018.

Avicultura
Painéis e debates técnicos compõem programação do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26). Evento acontece entre os dias 07 e 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Um dos principais encontros técnicos da avicultura latino-americana já tem data marcada e programação definida. O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) ocorrerá de 07 a 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios e as tendências da cadeia produtiva. As inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26).
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o SBSA contará com programação científica e a realização simultânea da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, um espaço estratégico para atualização técnica, networking e geração de negócios. O investimento para o primeiro lote é de R$ 600,00 para profissionais e R$ 400,00 para estudantes. O acesso à Poultry Fair é de R$ 100,00.

A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias
Reconhecido como referência na disseminação do conhecimento e na promoção da ciência aplicada ao campo, o SBSA reúne médicos-veterinários, zootecnistas, técnicos, produtores, pesquisadores e empresas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade da avicultura. A programação científica da edição de 2026 foi estruturada em painéis temáticos que abordam gestão, mercado, nutrição, manejo, sanidade, sustentabilidade e cenários globais, sempre com foco na aplicabilidade prática.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que o Simpósio mantém o compromisso de alinhar conhecimento técnico às demandas do setor. “O SBSA é espaço de atualização profissional e troca de experiências. Buscamos uma programação que integre o que há de mais atual e relevante, mas, principalmente, que leve aplicabilidade real ao dia a dia da produção avícola”, afirma.
A realização do Simpósio ocorre em um momento de constante transformação da avicultura brasileira, setor que mantém protagonismo no agronegócio nacional, com crescimento produtivo, fortalecimento das exportações e desafios sanitários e logísticos que exigem qualificação técnica permanente. Nesse contexto, médicos-veterinários e zootecnistas desempenham papel estratégico na garantia da saúde pública, da produtividade e da sustentabilidade da atividade.
A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias voltadas à avicultura, fortalecendo o intercâmbio entre indústria e produção.
As inscrições podem ser realizadas através do clicando aqui.
Programação geral
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Rosalina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Argentina confirma novo surto de gripe aviária em aves comerciais
SENASA detectou a doença em um estabelecimento de linhagens genéticas na cidade Ranchos, na província de Buenos Aires, ativando imediatamente seu Plano de Contingência.

Por meio de diagnóstico laboratorial, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) confirmou um caso positivo de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) H5 em aves de produção comercial, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado após a análise de amostras coletadas em um estabelecimento localizado na cidade de Ranchos.
A notificação ao órgão sanitário ocorreu depois da observação de sinais clínicos compatíveis com a doença e de elevada mortalidade no plantel. Veterinários oficiais realizaram a coleta das amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Oficial do Senasa, em Martínez, responsável por confirmar o resultado para IAAP H5.

Foto: Shutterstock
Após a confirmação, o Senasa ativou o plano de contingência e determinou a interdição imediata do estabelecimento. Conforme o protocolo sanitário, foi instituída uma Zona de Controle Sanitário, composta por uma área de perifoco de 3 quilômetros ao redor do foco, com reforço nas medidas de contenção, biosseguridade e restrição de movimentação, além de uma zona de vigilância de 7 quilômetros, destinada ao monitoramento e rastreamento epidemiológico.
Entre as medidas previstas, o órgão supervisionará o despovoamento das aves afetadas e a destinação adequada dos animais, seguidos por procedimentos de limpeza e desinfecção no local.
O Senasa comunicará oficialmente o caso à Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Com isso, as exportações de produtos avícolas para países que mantêm acordo sanitário com reconhecimento de livre da doença serão temporariamente suspensas. Ainda assim, a Argentina poderá continuar exportando para os países que reconhecem a estratégia de zonificação e compartimentos livres de IAAP.
Caso não sejam registrados novos focos em estabelecimentos comerciais e transcorridos ao menos 28 dias após a conclusão das ações de abate sanitário, limpeza e desinfecção, o país poderá se autodeclarar livre da doença junto à OMSA e restabelecer sua condição sanitária, permitindo a retomada plena das exportações.
A produção destinada ao mercado interno seguirá normalmente, uma vez que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.
Medidas preventivas

Foto: Adapar
Para reduzir o risco de disseminação da IAAP, os estabelecimentos avícolas devem reforçar as práticas de manejo, higiene e biosseguridade previstas na Resolução nº 1699/2019. Entre as orientações estão a inspeção periódica das telas antipássaros, a verificação da correta lavagem e desinfecção de veículos e insumos, a intensificação da limpeza em áreas com acúmulo de fezes de aves silvestres e a eliminação de pontos com água parada que possam atrair outros animais.
Criadores de aves de subsistência também devem manter os animais em locais protegidos, evitar o contato com aves silvestres, utilizar roupas exclusivas para o manejo, higienizar regularmente as instalações e restringir o acesso de aves silvestres às fontes de água e alimento.
Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.



