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Grandes produtores impulsionam crescimento recorde da produção leiteira no Brasil
Levantamento anual revela aumento de 13,28% na produção média diária das 100 maiores fazendas, que já respondem por quase 5% do leite formal do país, impulsionadas por investimentos em tecnologia e gestão.

A produção leiteira brasileira segue marcada por um forte protagonismo dos maiores produtores, que aceleram a modernização e elevam a eficiência do setor. É o que revela o levantamento Top 100, estudo anual elaborado pela MilkPoint Ventures em parceria com a Abraleite, que reuniu as fazendas de maior produção do país.
Em 2024, essas propriedades alcançaram uma média diária recorde de 32.555 litros de leite por fazenda, crescimento de 13,28% em relação ao ano anterior — o maior avanço registrado desde o início do levantamento, em 2001. Na comparação com a primeira edição, o aumento acumulado chega a cerca de 400%, enquanto a produção formal total do Brasil cresceu apenas 90% no mesmo período.

Foto: Fernando Dias
O grupo das 100 maiores fazendas concentra 3,2 milhões de litros diários, o equivalente a 4,74% do volume total de leite formalmente inspecionado no país. Em números absolutos, quase 1,2 bilhão de litros foram comercializados pelas propriedades integrantes do ranking. Entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 11,5%, impulsionado especialmente pelos 10 maiores produtores, cuja média diária chegou a 74.287 litros — 7,4% acima do ano anterior.
Para Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures, os dados evidenciam o papel central dos grandes produtores no fortalecimento da cadeia leiteira. “Essas fazendas estão muito acima da média nacional, investindo continuamente em tecnologia, genética e gestão profissional, consolidando-se como líderes na expansão e modernização do setor”, afirma.
Crédito e modernização: motores da expansão
Roberto Jank Jr., vice-presidente da Abraleite e diretor da Agrindus (fazenda em Descalvado-SP), destaca que o acesso ao crédito é fundamental para a intensificação da produção. “Médios e grandes produtores têm utilizado linhas de financiamento para modernizar equipamentos, melhorar instalações e adotar novas tecnologias, o que eleva a produtividade e viabiliza maiores investimentos”, explica.
Segundo Jank Jr., essa dinâmica ajuda a explicar a estagnação da produção leiteira nacional nos últimos anos, na qual pequenos produtores deixam a atividade por falta de recursos, enquanto grandes fazendas compensam com aumento de escala e eficiência.
Destaques regionais e concentração produtiva
A região Sudeste continua sendo o principal polo da produção leiteira de grande escala, com 48 fazendas no Top 100 e volume de 611 milhões de litros, o que representa 51,3% da produção total do levantamento — um aumento de 15% em relação a 2023. Minas Gerais lidera em número de propriedades, seguido por Paraná e São Paulo.
O Sul concentra 34 fazendas, com crescimento de 12% na produção, destacando a evolução da produtividade na região. Cidades do Paraná, como Castro e Carambeí, figuram entre as maiores produtoras, beneficiadas pela presença de cooperativas que facilitam o acesso a insumos, tecnologia e crédito.
Sistemas modernos dominam produção

O regime de confinamento predomina entre as maiores fazendas, presente em 86% delas — um avanço frente aos 84% do levantamento anterior. O sistema free-stall é o mais utilizado, presente em 53% das propriedades, seguido pelo compost barn (33%). Apenas 6% usam piquetes em pastagem rotacionada.
A raça Holandesa domina o rebanho, presente em 82% das fazendas, com maior concentração no Sul e Sudeste, enquanto o Girolando ganha espaço especialmente em regiões de clima mais quente, como o Nordeste.
Produtividade e custos
A produtividade média do rebanho no Top 100 alcançou 34,8 litros por vaca por dia, aumento de 4,5% em relação a 2023. O Sul lidera com 38,3 litros, seguido pelo Centro-Oeste e Sudeste. O custo médio de produção registrado é de R$ 2,28 por litro, com leve alta de 2% sobre o ano anterior.
Produtores com produção acima de 7 mil litros diários conseguem preços médios de R$ 2,82 por litro, significativamente superiores à média nacional, refletindo bonificações por volume e qualidade e maior poder de negociação.
Expectativas de crescimento
O levantamento indica que 42 dos maiores produtores planejam ampliar sua produção entre 20% e 50% nos próximos três anos, enquanto outros 36 esperam crescimento mais moderado, de até 20%. A aposta está na inovação, eficiência alimentar e gestão otimizada para manter o ritmo de expansão.
Entre os destaques do ranking estão a Fazenda Colorado (Araras-SP), que lidera pelo 12º ano consecutivo com média diária de 98.921 litros, seguida pela Melkstad Agropecuária (Carambeí-PR), com 94.782 litros, e a Granja São Pedro (Morrinhos-GO), terceira colocada com 84.870 litros.

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ACNB divulga calendário das exposições Ouro dos Rankings Nelore 2025/2026
Eventos obrigatórios para os rankings nacionais ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em seis estados e devem reunir mais criadores e animais, com foco na evolução genética e no rigor técnico das avaliações.

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) anuncia o cronograma das exposições Ouro da edição 2025/2026 dos Rankings Nacionais Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens. De participação obrigatória para os criadores que concorrem às classificações nacionais, os eventos ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. São elas:
Ranking Nacional Nelore: abril, em Londrina (PR) ou, em caso de impedimento, em março, em Avaré (SP). Na sequência, estão programadas exposições em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e em São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Mocho: fevereiro, durante a Expoinel Minas, em Uberaba (MG). As etapas seguintes acontecem em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Pelagens também Expoinel Minas, em Uberaba (MG), em fevereiro. O calendário segue por Dourados (MS), em maio; Rio Verde (GO), em julho; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
“O Ranking Nacional 2025/2026 foi estruturado para garantir ainda mais consistência técnica e representatividade. As exposições Ouro são obrigatórias para os criatórios que lideram a evolução genética do Nelore”, destaca Victor Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil.
Os julgamentos das exposições Ouro serão conduzidos por comissões julgadoras tríplices, indicadas pela Diretoria da ACNB.
A expectativa da ACNB é de crescimento do número de expositores e de animais participantes do Ranking Nacional 2025-2026. Na edição 2024/2025, os três rankings nacionais registraram crescimento de participação e elevação do nível técnico. “Esse desempenho cria uma base sólida para o próximo ciclo e amplia a responsabilidade técnica dos rankings. A edição 2025/2026 tende a ser ainda mais competitiva e criteriosa, com maior profundidade de avaliação e participação qualificada dos criadores. Os rankings nacionais refletem não apenas resultados de pista, mas um processo contínuo de evolução genética, planejamento e consistência produtiva que vem sendo construído ao longo dos anos”, complementa Fernando Barros, diretor técnico da ACNB.
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