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Governo gaúcho reúne lideranças do agro para alinhar estratégias de superação dos desafios do setor
Rio Grande do Sul tem sofrido com um padrão de eventos meteorológicos extremos e cada vez mais intensos nos últimos anos.

Em reunião realizada no Palácio Piratini, na última semana de março, representantes do Governo do Rio Grande do Sul e as principais entidades ligadas à agricultura gaúcha alinharam estratégias para enfrentar a crise contínua no setor rural, que tem sofrido com um padrão de eventos meteorológicos extremos cada vez mais intensos.
O encontro focou na demanda ao governo federal por medidas emergenciais, em especial em relação às dívidas dos produtores, e também por estratégias para construir um futuro mais resiliente para o agronegócio gaúcho.
Durante o encontro, foram discutidas propostas para transformar o modelo produtivo atual em um sistema mais adaptado às novas realidades climáticas. “Não estamos aqui para apenas resolver problemas do passado, mas para construir o futuro do Rio Grande do Sul com um agro mais sustentável. Estamos diante de um cenário no qual eventos meterológicos extremos não são mais exceção, mas uma realidade com a qual precisamos aprender a conviver. Não se trata de resolver apenas uma safra, mas o futuro”, destacou Leite.
A comitiva incluiu representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro) e de outras entidades ligadas ao setor.
Os participantes enfatizaram que, embora a enchente histórica de maio de 2024 tenha tido grande visibilidade nacional, o Estado continua sofrendo severamente com a estiagem. Um dos pontos cruciais debatidos foi a dificuldade de se implementar soluções estruturantes, como sistemas de irrigação, enquanto os produtores enfrentam alto endividamento.
“Não conseguimos avançar com a irrigação se o produtor está endividado. É preciso resolver essa questão”, pontuou Leite.
Quanto à securitização das dívidas, tema que tem mobilizado o setor, o grupo reconheceu os desafios envolvendo a proposta e a necessidade de buscar alternativas.
“A securitização pode ser um caminho, mas precisamos também trabalhar com outras possibilidades para encontrar uma solução que dê mais sustentação ao setor”, ponderou o governador.
Ficou definido que uma articulação política ampla será intensificada para avançar com as propostas. A ideia é buscar apoio com diferentes setores que possam contribuir para a aprovação das medidas necessárias.
“Vamos trabalhar para reunir todos os atores políticos e econômicos que possam nos ajudar nessa missão. Esta não é uma pauta sobre dívidas do passado, mas uma necessidade para o futuro do Rio Grande do Sul e, por consequência, do Brasil”, enfatizou Leite.
Também participaram do encontro o vice-governador Gabriel Souza e os secretários Artur Lemos (Casa Civil), Ernani Polo (Desenvolvimento Econômico), Clair Kuhn (Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação), Vilson Covatti (Desenvolvimento Rural) e Caio Tomazeli (Comunicação), além do líder do governo na Assembleia, Frederico Antunes, e do deputado federal Pedro Westphalen.

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Família, sucessão e agricultura definem trajetória de produtor em Mato Grosso
Cláudio Schons relembra dificuldades da migração do Sul, aposta na carreira solo desde 2020 e envolve os filhos na lida no campo.

Mato-grossense de coração, o gaúcho Cláudio Luís Schons encontrou em Lucas do Rio Verde uma oportunidade de continuar exercendo o ofício repassado pelo pai. Em 1988, com 11 anos, ele chegou ao estado e a família deu início à vida na agricultura com a fabricação de farinha de mandioca e erva-mate. Após alguns anos, migraram para o cultivo da soja e do milho. Associado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Schons ressaltou a importância da agricultura para o mundo e destacou o orgulho em ser produtor rural.
No início, Mato Grosso foi marcado por resistência dos que vieram buscar novos horizontes para trabalhar. Com Cláudio Schons não foi diferente, ele destacou algumas das principais dificuldades enfrentadas naquela época.
“Na mudança do Rio Grande do Sul para cá, a maior dificuldade que encontramos foi que não tinha energia elétrica no interior, lá no sul já era um advento comum. Além disso, onde eu morava, eu podia escolher duas ou três escolas, morava bem no entroncamento, podia escolher as escolas e aqui em Mato Grosso teve essa dificuldade da educação”, relembrou.

Foto: Gilson Abreu
O produtor rural administrou uma propriedade com o pai e a irmã, por 22 anos, mas em 2020 que surgiu uma oportunidade de gerenciar uma fazenda com a esposa, Lucimeire Mattos Schons. “De 2020, devido à pandemia, nós repensamos e resolvemos tocar a carreira solo. Então, desde 2020, minha esposa, que era concursada na prefeitura, largou o concurso e veio me ajudar na parte fiscal da fazenda e eu fiquei com a parte prática aqui do dia a dia. E conseguimos interagir com os filhos, trazendo os filhos junto”, contou.
Mesmo com a mudança, a família Schons seguiu contribuindo com o crescimento local através da agricultura. Ao olhar para toda a sua trajetória na agricultura, Cláudio destacou o orgulho de estar contribuindo com o desenvolvimento de Mato Grosso e também de estar fornecendo alimentação ao mundo.
Após a “carreira solo” na agricultura, Cláudio começou a introduzir mais os filhos nos cuidados com a propriedade, ele explicou que o filho mais novo, Vitor de Mattos Schons, vai herdar os cuidados com a lavoura, já que a filha mais velha, Maria Eduarda Mattos Schons, seguiu carreira na área da Saúde.
Durante a conversa, Cláudio também falou sobre a importância da Aprosoja MT em divulgar de forma responsável as informações aos produtores rurais. A associação colabora com a prevenção de problemas, ajudando a superar possíveis obstáculos. “A Aprosoja MT com esses eventos anuais, reuniões, passa um conhecimento amplo do que acontece no estado ou algum problema que tenha que a gente pode estar prevenindo. Então, foi bom se associar porque foi um ponto positivo que é trazer a notícia mais rápido”, destacou.
Histórias como a de Cláudio Luís Schons fazem com que a Aprosoja MT siga acreditando na força da produção rural do estado e busque fortalecer ainda mais o setor.
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Coreia do Sul sinaliza avanços para importação de ovos, carne suína e bovina do Brasil
Missão oficial registra progresso nas tratativas sanitárias e comerciais entre os dois países.

Amissão oficial brasileira à Coreia do Sul registrou, nesta segunda-feira (23), avanços nos processos para a abertura e ampliação de mercados para produtos da agropecuária nacional. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou, conforme mencionado pelo presidente sul-coreano, a etapa final para a exportação de ovos, a previsão de auditorias para uva e carne bovina e ampliação dos estados a serem avaliados para a exportação de carne suína ao país asiático.
Nos últimos dois anos, o Brasil já contabiliza a abertura de 538 mercados internacionais para produtos agropecuários.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo sul-coreano confirmou o recebimento da documentação necessária para a abertura do mercado de ovos brasileiros, e a emissão do certificado deve ocorrer nos próximos dias. “O presidente sul-coreano confirmou que recebeu toda a documentação para a abertura do mercado do ovo brasileiro para a Coreia do Sul. Aguardamos nos próximos dias a emissão do certificado”, afirmou o ministro.
Também foi confirmada a realização de auditoria por técnicos sul-coreanos para viabilizar a entrada da uva brasileira no país. A medida integra as tratativas para diversificar a pauta exportadora brasileira no mercado asiático.
Na área de proteínas, houve avanço para aceite dos processos de ampliação dos estados brasileiros autorizados a exportar carne suína. Estados reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal como livres de febre aftosa e de peste suína clássica poderão ter suas análises avaliadas pela Coreia do Sul. “Um avanço importante para a nossa suinocultura”, declarou Fávaro.
A carne bovina também avançou nas negociações. O Brasil busca a abertura desse mercado desde 2008 e, de acordo com o ministro, a Coreia do Sul confirmou que realizará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras. “Cumprimos todos os protocolos e o presidente Lee garantiu de forma expedita que vai fazer auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”, disse.
As medidas fazem parte da agenda da missão oficial brasileira no país e ampliam a cooperação sanitária e comercial entre Brasil e Coreia do Sul, abrindo caminho para o avanço das exportações do setor agropecuário.
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Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço global imposto por Trump
Por 6 votos a 3, maioria conclui que presidente norte-americano extrapolou autoridade ao criar tarifas sem aval do Congresso e invalida núcleo da estratégia comercial adotada desde 2025.

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, medida conhecida como tarifaço.
Por 6 votos a 3, a maioria concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral.
O presidente da Corte, John Roberts, relator da decisão, afirmou que Trump precisa de autorização clara do Congresso para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. Votaram contra Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh.
A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Outras tarifas, como as impostas sobre aço e alumínio com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, continuam em vigor.
Na prática, o núcleo da estratégia tarifária do segundo mandato de Trump foi invalidado.



