Avicultura Em Montenegro
Governo gaúcho intensifica ações para conter avanço da gripe aviária
Barreiras sanitárias e vigilância em propriedades rurais seguem protocolos nacionais e da OMSA.

O município de Montenegro (RS) segue no centro das atenções das autoridades sanitárias do Rio Grande do Sul nesta semana. Após a confirmação de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), mantém ações rigorosas para conter a disseminação do vírus.
De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA/Seapi), Rosane Collares, as medidas adotadas seguem o Plano Nacional de Controle e Erradicação da Influenza Aviária e as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A atuação ocorre em duas frentes principais:
Barreiras sanitárias reforçadas
A primeira frente concentra-se no controle do trânsito de veículos que transportam materiais orgânicos — como animais, rações, ovos, leite e cama de aviário. Barreiras de desinfecção foram instaladas em pontos estratégicos para reduzir o risco de propagação do vírus. “Esses veículos transitam entre diversas propriedades, o que exige uma atenção redobrada”, explica Rosane.
Vigilância em propriedades no entorno do foco
A segunda frente envolve a inspeção em propriedades localizadas em um raio de três a sete quilômetros do foco identificado. Médicos-veterinários realizam visitas para avaliar clinicamente os animais. Mesmo na ausência de sintomas, são preenchidos formulários sanitários e feita a vistoria das instalações.
Tecnologia a favor da resposta rápida
As equipes em campo utilizam a Plataforma de Defesa Sanitária Animal (PDSA-RS), ferramenta com geolocalização que otimiza a organização dos trabalhos. “A tecnologia permite dividir as propriedades por setores e acompanhar em tempo real o andamento das ações”, destaca Rosane. Com isso, é possível redirecionar equipes e reforçar áreas críticas de forma ágil.
A estratégia visa controlar o surto e garantir que o Brasil possa recuperar, o quanto antes, o status sanitário livre da doença, condição essencial para preservar a confiança dos mercados internacionais.
Tolerância zero
Desde 2022, com a chegada da gripe aviária na América do Sul, o Rio Grande do Sul adotou o conceito de tolerância zero para a doença. Isso significa que qualquer sinal respiratório, neurológico ou alteração de comportamento em aves gera coleta imediata de amostras para diagnóstico. Como resultado dessa vigilância ativa, o Estado ocupa a segunda posição em número de amostras coletadas no Brasil: foram 147 encaminhadas para análise laboratorial.
Detecção rápida e descarte seguro
As amostras são analisadas no laboratório de referência do Ministério da Agricultura, em Campinas (SP), por meio de convênio com a Fundesa. Resultados negativos costumam sair entre 24 e 48 horas. Em caso de suspeita, novas análises são realizadas até a confirmação do diagnóstico. Quando há confirmação da doença, o descarte dos animais é feito seguindo normas rigorosas de segurança ambiental e bem-estar animal. As valas sanitárias são escavadas com o aval de órgãos ambientais, e os métodos utilizados — como quebra cervical ou aplicação de CO₂ – variam conforme o porte das aves.
Segurança alimentar garantida
A população pode consumir carne de frango e ovos com segurança. Segundo Rosane, o risco de transmissão ao ser humano por meio do consumo desses alimentos é considerado insignificante, especialmente porque o hábito alimentar brasileiro envolve o preparo completo dos produtos. Ainda assim, recomenda-se adquirir alimentos com selo de inspeção oficial (municipal, estadual ou federal).
Retomada da condição sanitária e exportações
Para que o Estado recupere seu status sanitário e retome as exportações, é necessário cumprir todas as etapas dos protocolos de erradicação. O prazo mínimo é de 28 dias após a desinfecção do foco, o equivalente a dois ciclos de incubação do vírus. A liberação das exportações, no entanto, depende de negociações bilaterais e pode variar conforme o país importador.

Avicultura Editorial
Nordeste fortalece presença na avicultura brasileira com novos investimentos e expansão da produção
Região amplia participação em indicadores do setor e consolida operações que vão da genética à produção de ovos e frangos.

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



