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Governo gaúcho apresenta resultados parciais de estudos sobre mensuração de gases de efeito estufa em campos e florestas

Dados preliminares apontam reduções de até 79% nas emissões de gases de efeito estufa em cultivo de arroz.

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Foto: Igor Almeida/Ascom Sema

Dando continuidade às atividades do Governo do Rio Grande do Sul na Expointer 2025, na terça-feira (02) a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) apresentou os resultados parciais dos estudos referentes ao monitoramento de gases de efeito estufa (GEE) nos Campos e nas Florestas.

O evento ocorreu no estande do Governo do Estado na feira. “Pela primeira vez, o Rio Grande do Sul está conseguindo reunir dados científicos consistentes sobre a redução de emissões na agricultura e na pecuária. Esse trabalho é fundamental para que possamos valorizar o esforço dos produtores que adotam práticas de baixa emissão de carbono e, ao mesmo tempo, inserir oficialmente os resultados nos inventários nacionais e internacionais”, afirmou a secretária da pasta, Marjorie Kauffmann. “O objetivo é consolidar o Estado como referência em sustentabilidade e mostrar que a agropecuária pode ser parte da solução para o enfrentamento da crise climática.”

O resultado é fruto de uma parceria entre a Sema e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), por meio de edital lançado em 2023 que repassou R$ 15 milhões para viabilizar os estudos. Cinco projetos foram contemplados:

  • Avaliação de tecnologias com potencial de mitigar gases de efeito estufa nos campos e nas florestas nativas e cultivadas do RS – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Pesquisadora: Teresa Cristina Moraes Genro;
  • Semeando sustentabilidade no Pampa: avaliação do impacto da utilização de boas práticas no cultivo de arroz sobre o balanço de gases de efeito estufa – Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Pesquisador: Felipe Costa;
  • Estudo micrometeorológico e medidas de gases de efeito estufa no Bioma Pampa: conexões com eventos climáticos extremos – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pesquisador: Michel Stefanello;
  • Monitoramento do carbono no solo e gases de efeito estufa em campos cultivos puros ou integrados e florestas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Pesquisador: Paulo Cesar de Faccio Carvalho;
  • Monitoramento das emissões de gases de efeito estufa e estoques de carbono visando mitigação e adaptação às mudanças climáticas em sistemas agropecuários e florestais do Rio Grande do Sul – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pesquisador: Sandro Giacomini.

Resultados parciais

Teresa Genro (Embrapa) informou que, em 2024, foram realizados testes com 24 animais e, em 2025, já são 160 avaliados. O trabalho vem permitindo identificar os animais reprodutores com menor emissão de GEE e maior eficiência na conversão alimentar. Além disso, estão em andamento ensaios metabólicos com diferentes dietas, estudos sobre subprodutos regionais e novas parcerias com instituições de pesquisa.

Já é possível projetar que o manejo correto do pasto tem potencial de mitigar 35% das emissões de metano (CH4); que a manipulação da fermentação ruminal causa queda de até 20%; e que o melhoramento genético tem potencial de reduzir até 38% de emissões de CH4.

Segundo Felipe Costa (Unipampa), com pesquisa realizada em Alegrete e em Manoel Viana, os estudos apontaram melhorias no modelo de mensuração da troca líquida de gás carbônico (CO2) – possibilitando medir, por meio de sensoriamento remoto, se o ambiente emite ou captura CO2. Os resultados parciais também apontam menores concentrações de CH4 em áreas com sistema de cultivo em taipas – um tipo de construção que usa uma estrutura de madeira ou bambu.

O pesquisador Michel Stefanello (UFSM) contou que foram instaladas unidades de monitoramento em propriedades rurais inseridas no bioma Pampa. Os resultados preliminares já apontam que o monitoramento contínuo permite compreender de forma mais precisa o impacto do clima, da pastagem e da carga animal sobre o equilíbrio dos ecossistemas, fornecendo dados essenciais para orientar práticas sustentáveis na pecuária e na conservação dos biomas.

Paulo Carvalho (Ufrgs) destacou que os dados preliminares apontam que sistemas de consórcio de culturas com arroz – que é o cultivo desse grão simultaneamente com outra espécie (ou espécies) na mesma área – reduzem significativamente as emissões de CH4. Os projetos de integração lavoura-pecuária demonstraram reduções de até 79% nas emissões de GEE.

Da UFSM, Sandro Giacomini explicou que a pesquisa aponta que a emissão para o óxido nitroso (N2O) da adubação nitrogenada – aplicação de nitrogênio (N) no solo para promover o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das plantas – com ureia representam menos do que 50% do valor padrão indicado pelo Painel Intergovernamental da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Entre os resultados, destaca-se a constatação de que determinadas práticas agrícolas, como a introdução de culturas específicas e o uso de fertilizantes adequados, contribuem diretamente para diminuir a volatilização de nutrientes e as emissões associadas. Os resultados finais estão previstos para serem divulgados em dezembro de 2026.

Fonte: Assessoria Ascom Expointer

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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