Notícias Após estiagens bilionárias
Governo gaúcho aposta em cooperação com Nebraska para ampliar irrigação no campo
Cooperação com universidade norte-americana abre caminho para novas políticas de irrigação e modernização da gestão hídrica no Rio Grande do Sul.

Enquanto o Rio Grande do Sul ainda contabiliza prejuízos sucessivos provocados pelas estiagens, que já somam cerca de R$ 40 bilhões por ano, segundo estimativas do setor produtivo, uma comitiva oficial do governo estadual encerrou na última sexta-feira (24) uma missão técnica ao Nebraska, nos Estados Unidos, em busca de soluções práticas para transformar a forma como o Estado lida com a água.
A viagem, liderada pelo vice-governador Gabriel Souza (MDB), teve como foco o aprendizado em inovação agrícola, governança hídrica e manejo sustentável da irrigação, temas centrais para um Estado cuja dependência do regime de chuvas vem comprometendo a competitividade das lavouras de milho e soja.
O principal resultado foi a assinatura de um termo de engajamento com a Universidade do Nebraska, por meio do Daugherty Water for Food Global Institute (DWFI), centro de excelência mundial em gestão da água e alimentos. O acordo, firmado com apoio da Invest RS, prevê cooperação técnica, intercâmbio de dados, pesquisas conjuntas e uso de ferramentas de análise preditiva para planejamento hídrico no Rio Grande do Sul. “Firmamos uma cooperação técnica com uma das maiores referências mundiais em gestão da água e abrimos novas possibilidades de investimentos em irrigação”, afirmou Gabriel Souza, acrescentando: “O aprendizado nos ajudará a aprimorar políticas públicas e a atrair novas parcerias para garantir segurança hídrica e produtiva ao Estado.”
Parceria estratégica

Gabriel Souza destaca resultados da missão técnica ao Nebraska e reforça prioridade do governo em ampliar irrigação
A parceria com o DWFI deve servir de base para o desenvolvimento de um comitê único de governança hídrica, responsável por alinhar políticas públicas e otimizar programas de incentivo à irrigação, como o Irriga+RS e o Supera Estiagem.
Segundo o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, o grupo pretende também revisar legislações e aprimorar a gestão integrada dos recursos hídricos. “Esta é uma grande oportunidade para levar estratégias e ideias que possam ser implementadas no Rio Grande do Sul, fortalecendo políticas robustas e efetivas de irrigação e geração de renda”, disse o secretário de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti.
Tecnologia e investimento
Além do eixo acadêmico, a missão incluiu visitas às sedes das duas maiores empresas de irrigação do mundo, Valley e Lindsay, ambas com interesse em ampliar suas operações no Brasil. O vice-governador apresentou o potencial agrícola e tecnológico do Estado e destacou as políticas que subsidiam até 20% do valor dos projetos de irrigação, com limite de R$ 100 mil por produtor. “O Rio Grande do Sul é o mercado mais promissor do país em irrigação e o segundo maior em potencial mundial, atrás apenas dos Estados Unidos”, pontuou Souza.
A equipe gaúcha também mostrou as mudanças recentes no licenciamento ambiental para projetos de irrigação, que reduziram a burocracia e facilitaram a instalação de reservatórios e pivôs centrais.
Custos e retorno
Atualmente, menos de 4% das lavouras de milho e soja são irrigadas no Estado. O governo aposta na expansão dessa área como medida estratégica para mitigar perdas e estabilizar a produção. “Deixar de investir em irrigação custa muito mais caro do que investir. Cada real aplicado se traduz em produtividade, arrecadação e empregos. É uma política que se paga rapidamente e fortalece a base da nossa economia”, avaliou o vice-governador.
Comitiva plural
A missão reuniu representantes do governo, setor produtivo e instituições de pesquisa, reforçando o caráter técnico e colaborativo da iniciativa. Participaram da viagem, além de Souza e secretários estaduais, representantes da Emater/RS-Ascar, Irga, Famurs, Aprosoja, InvestRS, Fepam e da Assembleia Legislativa. “A presença dessas entidades é fundamental para conectar o aprendizado à realidade prática dos produtores e à elaboração de políticas públicas aplicáveis no Estado”, destacou Gabriel.
Com a assinatura do acordo e a abertura de diálogo com empresas globais, o governo gaúcho espera acelerar a transição para um modelo de agricultura mais resiliente às mudanças climáticas, com base em ciência, inovação e gestão eficiente da água.

Notícias
Governo atualiza regras de fiscalização de fertilizantes e cria nova faixa de infração
Decreto 12.858 regulamenta sanções previstas na Lei do Autocontrole, exige programas obrigatórios de autocontrole na cadeia de insumos e estabelece prazo de dois anos para adequação do setor.

O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (25), o Decreto 12.858 que trata da alteração do Anexo do Decreto nº 4.954/2004, que regulamenta a Lei nº 6.894/80, que dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, ou biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas destinados à agricultura.

Foto: Claudio Neves
A atualização tem como objetivo compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22 (Lei do Autocontrole), além de promover adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.
A principal alteração refere-se à regulamentação das sanções administrativas aplicáveis no âmbito da fiscalização de insumos agrícolas conduzida pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) como medidas cautelares, infrações e penalidades, conforme previsto na Lei nº 14.515/2022.
Entre as mudanças, destaca-se a inclusão da classificação de infração de natureza moderada, que se soma às já existentes naturezas leve, grave e gravíssima. As faixas de multas passam a seguir os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando a classificação do agente administrado de acordo com seu porte econômico.
No que se refere aos programas de autocontrole, estes deverão ser implementados e executados pelos agentes das cadeias produtivas

Foto: Divulgação/SAA SP
abrangidas pelo Decreto. Os programas deverão conter procedimentos e controles sistematizados que permitam monitorar, verificar e corrigir as etapas do processo produtivo, desde a aquisição das matérias primas até a distribuição dos produtos.
O Decreto também regulamenta o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, conforme previsto na Lei do Autocontrole. Enquanto o programa de autocontrole é obrigatório, o programa de incentivo será de adesão voluntária e concederá benefícios aos participantes, como a possibilidade de regularização por notificação nos casos de infrações classificadas como de natureza leve ou moderada. O regulamento estabelece ainda os objetivos do programa, os critérios de adesão, as obrigações para permanência e as hipóteses de suspensão e exclusão.
Os agentes registrados, cadastrados ou credenciados antes da regulamentação dos programas de autocontrole terão prazo de dois anos para se adequar às novas exigências.
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Com nova tarifa dos EUA, 46% das exportações brasileiras ficam livres de sobretaxa
Ordem executiva substitui alíquotas de até 50% por taxa uniforme, beneficia pescados, mel, tabaco e café solúvel e preserva quase metade da pauta embarcada ao mercado americano.

A ordem executiva publicada pelo governo dos Estados Unidos na última sexta-feira (20) alterou de forma significativa o regime tarifário aplicado às importações, com efeitos diretos sobre a pauta brasileira. Segundo nota técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, equivalentes a US$ 17,5 bilhões em 2025, deixam de estar sujeitas a qualquer sobretaxa adicional.

Foto: Divulgação
A medida revoga expressamente as ordens anteriores que impunham tarifas específicas de até 40% contra produtos brasileiros e também substitui as chamadas tarifas recíprocas por uma alíquota global de 10%, aplicável a todos os parceiros comerciais, com exceções pontuais. O governo norte-americano indicou a possibilidade de elevar esse percentual para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.
Pelos cálculos do MDIC, cerca de 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões,passam a estar sujeitas à nova tarifa uniforme de 10% (ou 15%, caso confirmada a elevação). Antes da mudança, aproximadamente 22% das vendas brasileiras enfrentavam sobretaxas que variavam de 40% a 50%.
Outros 29% das exportações, ou US$ 10,9 bilhões, permanecem submetidos às tarifas setoriais previstas na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, instrumento aplicado com base em argumentos de segurança nacional e que incide de forma linear entre países, a depender do produto.
Ganho de competitividade
Na avaliação do ministério, o novo regime amplia a competitividade de segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano.

Foto: Allan Santos/PR
Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar alíquotas de até 50% e passam a competir sob tarifa isonômica de 10%.
No agronegócio, pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10%, reduzindo a desvantagem frente a outros fornecedores internacionais.
Uma das mudanças mais relevantes envolve o setor aeronáutico. As aeronaves foram excluídas da incidência das novas tarifas e passam a contar com alíquota zero para ingresso no mercado norte-americano, antes sujeitas a 10%. O MDIC ressalta que o produto foi o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.
Relação comercial e ressalvas técnicas
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Foto: Divulgação
O ministério observa que os números são estimativos, uma vez que os códigos tarifários foram divulgados na nomenclatura HTS (Harmonized Tariff Schedule) e posteriormente consolidados ao nível de seis díígitos do Sistema Harmonizado (SH6), o que pode gerar variações nos valores apurados. Além disso, a aplicação efetiva das tarifas nos EUA pode depender de critérios adicionais, como destinação específica ou uso final do produto.
Em manifestação recente, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que a redução das sobretaxas abre espaço para ampliar a parceria comercial com os Estados Unidos, destacando o peso do mercado norte-americano para produtos manufaturados brasileiros.
A nova configuração tarifária elimina o tarifaço direcionado ao Brasil, mas consolida um modelo de tributação uniforme que mantém parte relevante da pauta exportadora sob incidência adicional. Para o governo, o saldo é de recomposição de competitividade relativa, sobretudo na indústria de maior valor agregado.
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O que prevê o acordo Mercosul-União Europeia
Tratado cria área de livre comércio entre os blocos, estabelece cronograma de até 30 anos para cortes de impostos de importação e inclui capítulos sobre sustentabilidade, propriedade intelectual e solução de controvérsias.








