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Governo federal vai reforçar infraestrutura para facilitar escoamento da safra

Novos leilões de rodovias e um de ferrovias deverão gerar mais de R$ 211 bilhões em investimentos para melhorar o escoamento da safra. Por outro lado, caminhoneiros avaliam greve devido ao aumento do diesel e questões trabalhistas.

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Fotos: Antônio Cruz

O governo federal planeja realizar nove leilões para a concessão de rodovias para a iniciativa privada e um leilão para ferrovias este ano. A iniciativa deve resultar em investimentos de R$ 91,4 bilhões em trechos que totalizam 5,5 mil quilômetros de estrada de Norte a Sul do país e de R$ 99,7 bilhões em 1.708 quilômetros da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

Foto: Divulgação/Mapa

Na área portuária, as concessões e os arrendamentos deverão viabilizar até o próximo ano R$ 20 bilhões em investimentos em 50 empreendimentos como canais para navegação comercial e terminais marítimos e hidroviários em todas as grandes regiões.

Essa infraestrutura atende à demanda de escoamento da produção agropecuária. Só para a produção de grãos da safra 2024/2025, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que haja recorde e que sejam necessários deslocar 322,47 milhões de toneladas. Se for considerada a produção de cana-de-açúcar, celulose, frutas e carnes, o volume a ser transportado ultrapassa 1,250 bilhão de toneladas.

Os números foram apresentados na última quarta-feira(5) em Brasília em cerimônia de anúncio de medidas para o escoamento da safra de grãos 2024-2025. Pelo terceiro ano consecutivo, o evento reuniu os ministros Carlos Henrique Fávaro (Agricultura e Pecuária), Renan Filho (Transportes) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).

Síndrome de vira-lata

Na avaliação do ministro Carlos Fávaro, os investimentos no setor de transportes asseguram o escoamento da produção rural crescente e com mais destinos no exterior. “Às vezes, a gente fala que a nossa infraestrutura logística é precária, é ruim, é deficiente. Isso, me perdoem, é síndrome de cachorro vira-lata. Se não fosse eficiente, nós não estávamos ganhando tanto mercado.”

Foto: Divulgação/Mapa

O ministro Renan Filho concorda com a avaliação: “A gente suporta exportar, porque a gente tem infraestrutura.”

O ministro Silvio Costa Filho acrescentou que “o agro brasileiro cresce e puxa o crescimento da infraestrutura. O inverso também é verdadeiro. A infraestrutura melhora e facilita o crescimento do agro.”

Na cerimônia, os ministros assinalaram que os investimentos na infraestrutura incrementam as condições de trabalho das pessoas ocupadas nos setores de logística, como os caminhoneiros.

Segundo o Ministério dos Transportes, o índice de conservação da malha rodoviária melhorou inclusive em estados da Amazônia Legal, onde a circulação rodoviária é historicamente apontada como crítica em estados como Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia.

Em 2024, 83% dos trechos monitorados no chamado “Arco Norte” foram considerados “bons”, percentual acima do verificado em 2022 (52%).

Greve de caminhoneiros

Brasília (DF), 05/02/2025 - Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ministro dos Transportes Renan Filho e o ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho durante anúncio do Plano de Escoamento da Safra 2024/2025. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

A despeito dos investimentos e resultados apresentados pelo governo, lideranças de caminhoneiros (transporte autônomo) prometem se reunir no próximo sábado (8) no Porto de Santos (SP) para discutir a possibilidade de fazerem greve. Em princípio, a razão para eventual paralisação seria o recente aumento do preço do diesel.

O governo tem tentado dissuadir os caminhoneiros de fazer greve. Em entrevista coletiva na semana passada, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva salientou que não autorizou o aumento. “Quem autoriza aumento de petróleo e derivados é a Petrobrás. Aprendi isso há muito tempo.”

A paralisação também pode ter como pano de fundo a insatisfação das empresas de transporte rodoviário de carga com a decisão do Supremo Tribunal Federal que em 2023 declarou inconstitucionais 11 pontos da Lei dos Caminhoneiros (Lei 13.103/2015), que afetam, por exemplo, a jornada de trabalho, pausas para descanso e o repouso semanal dos motoristas profissionais.

A decisão do STF teria caráter retroativo e poderia gerar impactos trabalhistas. Em agosto do ano passado,  confederações empresariais entraram com recurso na Corte para que modulasse a decisão tornando os efeitos válidos a partir da declaração das inconstitucionalidades.

Fonte: Agência Brasil

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Fertilizantes nitrogenados e fosfatados seguem com preços pressionados

Conflito no Oriente Médio e custos elevados mantêm mercado ajustado e volátil, enquanto potássio apresenta maior estabilidade.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O mercado de fertilizantes no Brasil e no mundo segue atento à escalada do conflito no Oriente Médio, que afeta principalmente nitrogenados e fosfatados, mantendo os preços pressionados. Por outro lado, os fertilizantes potássicos apresentam maior estabilidade, com preços sustentados e menor volatilidade no curto prazo, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Nos últimos dias, os fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia, registraram forte volatilidade. A situação na região do Golfo Pérsico comprometeu parte da produção e logística desses produtos, elevando também os custos com frete, seguros e energia.

A interrupção parcial das exportações internacionais veio justamente antes do pico de demanda do Hemisfério Norte e do avanço do calendário de compras no Brasil. No país, a ureia subiu 40% em apenas duas semanas, chegando a USD 660 por tonelada CFR.

Analista do Itaú BBA apontam que, enquanto não houver maior clareza sobre a duração do conflito e a normalização dos fluxos logísticos globais, os preços devem se manter firmes e com ajustes frequentes.

Foto: Claudio Neves

O mercado de fosfatados também enfrenta tensão. A região do Oriente Médio é estratégica para o fornecimento global de enxofre, essencial na produção desses fertilizantes. No Brasil, os preços subiram 7% nas últimas duas semanas, atingindo US$ 795 por tonelada CFR. A oferta restrita e a incerteza geopolítica combinadas ao aumento do custo de energia sustentam os preços elevados, mesmo com a demanda agrícola crescendo de forma gradual.

Já o mercado de fertilizantes potássicos apresenta maior equilíbrio. Rússia e Belarus continuam fornecendo volumes relevantes ao mercado internacional, o que ajuda a manter os preços estáveis, apesar dos impactos do cenário geopolítico e dos custos logísticos. No curto prazo, a demanda deve crescer gradualmente, acompanhando o calendário de compras do Hemisfério Norte e a reposição de estoques no Brasil, com preços sustentados e menos flutuações.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Embrapa inaugura Unidade Mista de Pesquisa e Inovação em Mato Grosso

Psicultura e horticultura estarão entre as prioridades do trabalho.

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Foto: Divulgação/APS

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai inaugurou no último sábado (21) uma nova unidade em Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, para impulsionar o desenvolvimento das comunidades rurais do Mato Grosso.

A Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) foi instalada em uma área da União onde funcionou a estação experimental de piscicultura da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).

A Embrapa da Baixada Cuiabana atuará em pesquisa e transferência de tecnologia voltadas para uma região com características desafiadoras para a agropecuária, como as condições de solo, a baixa altitude e as altas temperaturas durante todo o ano.

Segurança alimentar

O foco será em atividades como fruticultura, mandiocultura, piscicultura e horticultura, além de sistemas produtivos agroflorestais e da integração lavoura-pecuária-floresta.

A chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, Laurimar Vendrusculo, explica que essa unidade vai auxiliar uma população que corresponde a 30% do Mato Grosso, em uma região habitada por comunidades quilombolas e indígenas. Com a atuação, espera-se um aumento da produção local de hortifrutis e piscicultura para prover segurança alimentar.

“A Baixada Cuiabana abarca cidades com IDH (índice de desenvolvimento humano) muito baixo. Estimular as Pancs [plantas alimentícias não convencionais] e hortas comunitárias é o nosso objetivo no sentido de capacitar nossos produtores e fortalecer as cooperativas”, disse.

Fonte: Agência Brasil
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Mapeamento revela expansão geográfica das startups agropecuárias

Levantamento do Radar Agtech Brasil aponta crescimento proporcional das agtechs no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mostrando expansão além das regiões Sudeste e Sul.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O crescimento no número de empresas emergentes de base tecnológica no setor agropecuário desacelera e a concentração geográfica começa a diminuir com o avanço em regiões importantes da produção. Essas são algumas das conclusões da sexta edição do Radar Agtech Brasil. O levantamento feito pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens referente ao ano de 2025 retrata o ecossistema de inovação no agro, com foco em ambientes de inovação, startups e investidores.

Os dados mostram que o Sul ultrapassou o Sudeste, tornando-se a região com maior número de ambientes de inovação. Dos 390 ambientes mapeados no País, 37,18% estão no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 32,82% em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

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Fotos: Shutterstock

O destaque é o Rio Grande do Sul, com um aumento expressivo no número de incubadoras. De acordo com o coordenador do Radar Agtech e analista da Embrapa Aurélio Favarin, os dados mostram uma clara atuação do governo estadual em incentivo à inovação. “Incubadoras trabalham na fase inicial do processo de inovação. Faz sentido que um estado, pensando no desenvolvimento de um ecossistema, comece pelas incubadoras. A maior parte está vinculada às universidades estaduais. Há um planejamento para isso, para criar condições para que as startups iniciem”, analisa Favarin.

A Região Sudeste possui maior número de hubs, aceleradoras e ecossistemas com governança, o que mostra uma fase mais avançada de maturidade em relação à Região Sul. Enquanto uma está focada na aceleração e no desenvolvimento de negócios, a outra enfoca as etapas iniciais da formação das startups.

Desaceleração e maturidade

Em relação ao número, o levantamento contabilizou 2.075 agtechs em 2025 no Brasil, 5% a mais do que no ano anterior. O número indica uma desaceleração no crescimento quando comparada com a série histórica iniciada em 2019. De acordo com os autores do levantamento, o crescimento moderado indica maior maturidade do ecossistema e consolidação de modelos de negócio.

“Entre 2019 e 2021 houve um boom de ambientes de inovação e fundos de investimento, o que contribuiu para um grande aumento na quantidade de agtechs. Com o tempo essas iniciativas vão se acomodando, com permanência daquelas mais bem estruturadas. O ecossistema continua relevante, mas com um crescimento menos expressivo. É um comportamento esperado e que mostra a maturidade do ecossistema de inovação”, analisa o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo.

As regiões Sudeste e Sul concentram 79% das agtechs, com 55,2% e 23,7%, respectivamente. Porém, os dados mostram que, apesar da concentração histórica, há crescimento proporcional das agtechs nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em uma gradual expansão geográfica do ecossistema, aproximando-se de áreas importantes para a produção agropecuária. Em 2019, as Regiões Norte e Nordeste juntas tinham apenas 5% das agtechs. Atualmente a Região Norte tem 7,6% e a Nordeste 6,5%. A Região Centro-Oeste tem 7,1%.

De acordo com os dados, em 2025 o estado do Amazonas conta com 17 agtechs, Goiás com 15 e Mato Grosso com 14. Minas Gerais e Rondônia, que respectivamente dispõem de 13, foram os estados que mais ganharam agtechs. Registraram redução no número de agtechs Rio Grande do Sul (menos 27), Tocantins e Distrito Federal (menos 7) e São Paulo (menos 6).

“Essa tendência ocorre ao mesmo tempo em que cresce a proporção das agtechs atuando dentro das fazendas. Isso é um sinal positivo, de que as empresas estão em um nível de maturidade no qual já conseguem acessar diretamente o produtor rural”, avalia Mondo.

Áreas de atuação

As agtechs brasileiras estão predominantemente nos segmentos dentro da fazenda (41,1%) e depois da fazenda (40,5%). A categoria “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares” lidera o ranking das áreas de atuação, com 15% das agtechs. “Sistemas de gestão da propriedade rural” vem em segundo lugar com 8%, e “Plataformas integradoras de sistemas, soluções e dados” aparece em terceiro com 7,5% das startups analisadas.

A inteligência artificial é amplamente disseminada entre as agtechs — 83% das empresas utilizam IA em seus processos ou produtos, e 35% delas têm a IA como núcleo da proposta de valor. “Esse dado sinaliza que a tecnologia digital deixou de ser diferencial pontual e passou a constituir camada estrutural do modelo de negócio”, afirma Aurélio Favarin.

Inovação aberta

Além de trazer os dados do levantamento sobre os ambientes de inovação, agtechs e investidores, o Radar Agtech Brasil elenca casos de inovação aberta no setor agropecuário com atuação da Embrapa e uma experiência no Espírito Santo como exemplo de ação do poder público no incentivo local à inovação.

Neste ano, pela primeira vez, a versão em inglês será lançada junto à edição em português. Outra novidade é a disponibilização do conteúdo também em espanhol.

Todo o material pode ser acessado gratuitamente em radaragtech.com.br/

Fonte: Assessoria Embrapa Agricultura Digital
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