Notícias Com redução de juros
Governo Federal anuncia R$ 76 bilhões em crédito rural no Plano Safra da Agricultura Familiar
Financiamento de máquinas agrícolas de pequeno porte, ampliação do microcrédito rural e criação de fundos que ampliam o acesso ao crédito estão entre as medidas anunciadas. Ao todo, são R$ 85,7 bilhões para alavancar a agricultura familiar brasileira.

Mais agroecológico, com juros menores, recorde de recursos e mais garantias de acesso, o novo Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025 foi anunciado nesta quarta-feira (03), em evento no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Governo Federal dará ainda mais incentivos às agricultoras e aos agricultores familiares que querem produzir alimentos imprescindíveis no prato da população brasileira.

Foto: Divulgação/Freepik
Quem produzir arroz, por exemplo, encontrará juros reduzidos para 3%, no caso do convencional, e 2% no orgânico. Cerca de 10 linhas de financiamento de crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tiveram redução de taxas. O valor para o Pronaf será de R$ 76 bilhões), 43,3% maior do que anunciado na safra 2022/2023 e 6,2% maior do que o da safra passada. Ao todo, serão R$ 85,7 bilhões em ações do Governo Federal para a agricultura familiar, crescimento de 10%.
Foram 1,7 milhão de contratos celebrados no último Plano Safra da Agricultura Familiar. Em relação à safra anterior houve um aumento de 18% no número de operações e 12% em relação ao volume contratado. Agora, com o volume ainda maior de recursos equalizados (R$ 45,4 bilhões), o objetivo é ampliar o número de agricultores familiares beneficiados e incentivar a produção sustentável de alimentos saudáveis.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/25 também é mais agroecológico. A taxa de juros para a produção orgânica, agroecológica e de produtos da sociobiodiversidade será de 2% no custeio e 3% no investimento. Outro destaque será o lançamento do edital do programa Ecoforte, em seu maior valor histórico, para apoiar projetos de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica.
A Secretaria-Geral da Presidência da República, que coordena a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), firmaram um Acordo de Cooperação Técnica com o BNDES e a Fundação Banco do Brasil no valor inédito de R$ 100 milhões para o edital do Programa Ecoforte. São recursos que irão beneficiar 40 redes e 30 mil agricultores familiares.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel
Para reforçar as ações, o Governo Federal também lança a iniciativa do Campo à Mesa, um edital de R$ 35 milhões voltado a fomentar iniciativas que promovam a transição agroecológica.
Redução de taxas
Com taxas que variam de 0,5% a 6%, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025 vem com juros ainda menores. Dez linhas de financiamento tiveram redução, duas de custeio e oito de investimento:
- Pronaf Custeio – produtos da sociobiodiversidade (como babaçu, jambu, castanha do Brasil e licuri): de 3% para 2%.
- Pronaf Custeio – produção de alimentos como feijão, arroz, mandioca, leite frutas e verduras: de 4% para 3%.
- Pronaf Floresta (Investimento): de 4% para 3%.
- Pronaf Semiárido (Investimento): de 4% para 3%.
- Pronaf Mulher (Investimento) – para as agricultoras com renda familiar bruta anual de até R$ 100 mil: de 4% para 3%.
- Pronaf Jovem (Investimento): de 4% para 3%.
- Pronaf Agroecologia (Investimento): de 4% para 3%.
- Pronaf Bioeconomia (Investimento) de 4% para 3%.
- Pronaf Produtivo Orientado (Investimento): de 4% para 3%.
E no âmbito do Pronaf Mais Alimentos (Investimento): Redução de 5% para 2,5% para compra de máquinas de pequeno porte, que ganhou uma sublinha dentro do Pronaf Mais Alimentos. Além das seguintes atividades: aquisição e instalação de estruturas de cultivo protegido, inclusive os equipamentos de automação para esses cultivos, construção de silos, ampliação e construção de armazéns e câmaras frias destinados à guarda de grãos, frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças e fibras, aquisição de tanques de resfriamento de leite e ordenhadeiras, aquicultura e pesca, que tiveram redução de 4% para 3%.
Arroz
O Plano Safra da Agricultura Familiar vem com uma nova estratégia nacional para ampliação da produção de arroz da agricultura familiar. A estratégia prevê sete eixos principais: crédito, acompanhamento técnico, sementes, beneficiamento, comercialização e contratos de opção (estabelecimento de um preço mínimo do produto pelo Governo Federal para garantir ao produtor a comercialização a um valor justo, de acordo com o mercado). A taxa de custeio para produção será de 3% para o arroz convencional e 2% para o arroz orgânico.
Máquinas
Outra grande novidade é a criação de uma linha destinada à aquisição de máquinas e implementos agrícolas de pequeno porte, como microtrator, motocultivador e roçadeira, no âmbito do Programa Mais Alimentos. Para essa nova linha, os juros serão de apenas 2,5% a.a, metade da taxa de juros praticada no programa. A linha será destinada às famílias com renda anual de até R$100 mil reais e financiará máquinas de até R$ 50 mil.
O objetivo é aumentar a tecnificação da agricultura familiar, tornando o trabalho no campo menos penoso e aumentando a produtividade das famílias. Ao todo, o Mais Alimentos deve destinar R$ 12 bilhões entre recursos equalizados e dos fundos constitucionais para compra de máquinas para a agricultura familiar nesta safra.
Na última safra, o programa já financiou 10 bilhões, 29% a mais que na safra anterior, entre tratores, colheitadeiras e outros implementos agrícolas. Para as máquinas de maior porte, incluindo tratores de até 70 cv, o limite será de R$ 250 mil com 5% de juros e sete anos para pagar.
Resultado de um amplo trabalho interministerial liderado pelo MDA e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), de ações que visam o incentivo à produção nacional de máquinas, gerando emprego na cidade e qualidade de vida no meio rural.
Microcrédito
As famílias agricultoras com renda até R$ 50 mil por ano poderão acessar até R$ 35 mil pelo Pronaf B (ou Agroamigo, ou, ainda, microcrédito rural), a linha com taxa de juros de apenas 0,5% e desconto de até 40% para quem paga em dia. A ampliação de limite de crédito para as famílias passou de R$ 10 mil para R$ 12 mil e, para as mulheres, de R$ 12 mil para R$ 15 mil. Um destaque importante foi a criação de um limite independente para jovens rurais no Pronaf B, no valor de R$ 8 mil. Dessa forma, a juventude poderá desenvolver projetos produtivos específicos, incentivando a autonomia e a permanência do jovem no campo.
Ampliação
O Governo Federal também anuncia a inclusão da agricultura familiar em três importantes fundos garantidores da União:
1: Apresentação de projeto de lei que permite a inclusão dos agricultores familiares e suas cooperativas no Fundo de Garantia de Operações (FGO) para a cobertura das operações contratadas no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O Fundo Garantidor é um instrumento financeiro essencial para reduzir riscos e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos produtores que enfrentam dificuldades em oferecer garantias reais.
2: Fundo de Amparo às Micros e Pequenas Empresas do Sebrae (para cooperativas)
3: Fundo Garantidor para Investimentos – FGI/BNDES (para cooperativas)
Cooperativismo
Além da nova cobertura pelos fundos garantidores, as cooperativas da agricultura familiar também passarão a contar com um programa de fortalecimento. O Coopera Mais Brasil

Foto: Divulgação/Freepik
apoia a integração das cooperativas aos mercados, facilitando a comercialização dos produtos da agricultura familiar. Para 2024, estão previstos o investimento de R$ 55 milhões para o apoio à gestão de 700 cooperativas. O objetivo principal é fomentar a organização coletiva dos agricultores familiares por meio do fortalecimento das cooperativas, associações e empreendimentos solidários. O Programa irá estruturar e modernizar a gestão dos grupos organizados da produção familiar, estimular a agroindustrialização e impulsionar as práticas de comércio justo e solidário e as redes e arranjos produtivos locais. Entre suas principais ações estão o crédito facilitado, o acesso aos fundos garantidores e a assistência técnica para melhoria da gestão das cooperativas e acesso aos mercados.
Regularização fundiária
Financiamento de todas as etapas do processo de regularização fundiária de imóveis rurais, incluindo despesas com serviços de georreferenciamento, tributos, emolumentos e custas cartoriais.
- » Limite de financiamento: R$ 10 mil
- » Taxa de juros: 6% ao ano
- » Prazo de pagamento: 10 anos
- » Incluídos 3 anos de carência
O que é?
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2024-2025 é um conjunto de medidas do Governo Federal que visa fortalecer a agricultura familiar para promover a produção sustentável de alimentos saudáveis para o Brasil. O plano oferecerá linhas de crédito diferenciadas, assistência técnica e extensão rural, seguros e capacitação, além de promover a pesquisa e inovação em tecnologias e contribuir para a transição agroecológica.
Anúncios e entregas da cerimônia:
Projeto de lei – Fundo Garantidor
Projeto de Lei que objetiva a inclusão dos agricultores familiares do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e suas cooperativas no rol de beneficiários do Fundo Garantidor de Operações (FGO), bem como o aumento da participação do Poder Executivo Federal no respectivo Fundo. O FGO fornece garantias complementares às operações de crédito, mitigando os riscos para as instituições financeiras. O Projeto de Lei propõe alteração na Lei nº 13.999/2020, estabelecendo a autorização de aumento de aporte no Fundo por parte da União, bem como explicita os detalhes de como o aporte adicional será implementado nos próximos anos.
Decreto florestas produtivas
Institui o Programa Nacional de Florestas Produtivas com a finalidade de recuperação de áreas que foram alteradas ou degradadas para fins produtivos, com vistas à adequação e à regularização ambiental da agricultura familiar e à ampliação da capacidade de produção de alimentos saudáveis e de produtos da sociobiodiversidade.
Decreto cooperativismo
Institui o Programa Nacional de Fortalecimento do Cooperativismo, Associativismo e Empreendimentos Solidários da Agricultura Familiar (Programa Coopera Mais Brasil), que tem entre seus principais objetivos fomentar as cooperativas, associações e empreendimentos solidários, incentivando a organização coletiva dos agricultores familiares. Como forma de fortalecer a agricultura familiar e promover o bem-estar e crescimento socioeconômico local, o Programa se propõe a qualificar os envolvidos na produção familiar, estimular a agroindustrialização e promover a organização de produtores.
Decreto PAA
A principal medida do Decreto é a alteração dos limites de aquisição de agricultores familiares e suas organizações no PAA Compra Direta em situações de calamidade, inicialmente para atender o Rio Grande do Sul, e ampliado para outros casos de calamidade. A medida facilita ampliar a aquisição para atender as medidas emergenciais como as Cozinhas Solidárias, entre outras. A proposta de alteração do regulamento centra-se em quatro pontos:
- » Adequação de redação do art. 5º, o qual trata da modalidade do PAA-Leite, esclarecendo que o referido artigo trata da execução via Termo de Adesão e Adequação do art. 17 com a mesma indicação de execução via Termo de AdesãO
- » Alteração dos limites das modalidades de Compra com Doação e Simultânea e Compra Direta (itens 1 e 2 da alínea “a” do inciso I do art. 6º) de R$ 15 mil para R$ 30 mil por unidade familiar, por ano, desde que por tempo determinado e para atendimento de situações especiais ou emergenciais, devidamente reconhecidas
- » Alteração dos limites da modalidade Compra com Doação e Simultânea e Compra Direta (itens 1 e 2 da alínea “a” do inciso II do art. 6º) de R$ 1,5 milhão para R$ 6 milhões por organização fornecedora, por ano, desde que por tempo determinado e para atendimento de situações especiais ou emergenciais devidamente reconhecidas
- » Indicação de suspensão excepcional, até 31 de dezembro de 2024, na aplicação dos limites para a modalidade Compra Direta, nas aquisições de alimentos destinadas ao atendimento das famílias afetadas pela calamidade pública no estado do Rio Grande do Sul.
Portaria CAF
Ajustes de normatização das condições e procedimentos gerais para inscrição no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar. Popularmente conhecida como “rebate”, a alteração propõe aumentar a dedução aplicada sobre a renda fora do estabelecimento. O objetivo do novo valor é garantir que famílias de baixa renda, que precisam diversificar a renda familiar com a entrada de alguns membros no mercado de trabalho, possam acessar o CAF e as políticas públicas da Agricultura Familiar.
Selo Integração Sustentável
O Selo Integração Sustentável da Agricultura Familiar (SEISAF) tem o objetivo de reconhecer os integradores que promovem a inclusão da agricultura familiar em seus sistemas de integração sustentáveis em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável preconizados pela Organização das Nações Unidas no Brasil.
Edital Ecoforte
O edital Ecoforte é viabilizado por uma parceria entre a Fundação BB e o BNDES (via Fundo Social e Fundo Amazônia) voltado ao apoio a projetos territoriais de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica, visando intensificação de práticas de manejo sustentável de produtos da sociobiodoversidade e de sistemas produtivos orgânicos e de base agroecológica. O público a ser beneficiado é composto por agricultores familiares e demais beneficiários nos termos da Lei 11.326/06, assentados da reforma agrária, produtores orgânicos, juventude rural e mulheres beneficiários do plano nacional de agroecologia e produção orgânica. O investimento será de até R$ 100 milhões em projetos com valores entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões.
Acordos de Cooperação Técnica
MDA e Fundação Banco do Brasil
O objeto é a promoção da agregação de valor e da comercialização da produção da agricultura familiar, bem como em outras etapas do processo produtivo, a ser executada nacionalmente.
MDA e Sebrae
Parceria entre o MDA e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional) para desenvolvimento de estratégias voltadas à inovação das políticas públicas nacionais de promoção do empreendedorismo e estruturação produtiva da agricultura familiar, de forma a estimular a organização econômica e o desenvolvimento de cadeias produtivas, considerando a abordagem territorial como estratégia de implementação das ações a serem executadas em território nacional.
Editais:
Quintais produtivos
Selecionar organizações da sociedade civil interessadas em celebrar termo de fomento que tenha por objeto a execução do Projeto “Estruturação de quintais e da organização produtiva das mulheres rurais”, no valor de R$ 30 milhões.
Mulheres rurais
Objetiva selecionar organizações da sociedade civil interessadas em celebrar termo de fomento que tenha por objeto a execução do Projeto “Fortalecimento das organizações produtivas e econômica das mulheres rurais”, no valor de R$ 30,2 milhões.
Do campo à mesa
Selecionar organizações da sociedade civil interessadas em celebrar termo de fomento que tenha por objeto a execução de projetos voltados ao fortalecimento e ampliação de sistemas de produção agroecológica da Agricultura Familiar e suas organizações, no valor de R$ 25 milhões.

Notícias
Bioinsumos quintuplicam faturamento e alcançam R$ 4,5 bilhões no Brasil
Em cinco anos, o mercado saltou de R$ 675 milhões para R$ 4,5 bilhões, já responde por 4% da indústria de insumos agrícolas e tem projeção de superar R$ 9 bilhões até 2030, impulsionado por avanço regulatório, inovação e adoção crescente no campo.

O mercado brasileiro de bioinsumos deixou de ocupar um espaço marginal no manejo agrícola para se consolidar como um dos vetores mais dinâmicos da inovação no campo. Em um intervalo de apenas cinco anos, o faturamento do segmento avançou em ritmo acelerado, multiplicando-se por mais de cinco e alcançando R$ 4,5 bilhões em 2024, segundo dados da CropLife Brasil. O salto evidencia uma mudança estrutural na forma como o produtor rural vem conduzindo a proteção e a nutrição das lavouras.
Esse avanço ocorre em um contexto mais amplo de crescimento da indústria de insumos agrícolas. No ano passado, defensivos, sementes e bioinsumos movimentaram juntos R$ 114,1 bilhões no país. Embora os produtos químicos ainda concentrem a maior fatia desse mercado, os biológicos ganham relevância ao ampliar sua participação e, sobretudo, ao se posicionarem como ferramentas complementares dentro de sistemas produtivos cada vez mais técnicos e integrados.

Foto: Divulgação/OP Rural
A trajetória recente ajuda a explicar o atual patamar. Entre 2019 e 2020, o segmento já havia registrado uma expansão expressiva, com crescimento próximo de 80% em receita. Desde então, o ritmo se manteve elevado, impulsionado pela adoção em larga escala nas principais culturas e pelo amadurecimento das soluções disponíveis. A projeção é de continuidade dessa curva ascendente, com estimativas que apontam para um faturamento superior a R$ 9 bilhões até o final da década.
O protagonismo brasileiro nesse movimento também se reflete no cenário internacional. Em um mercado global de bioinsumos agrícolas estimado entre US$ 13 bilhões e US$ 15 bilhões, o Brasil figura entre os principais polos de expansão, tanto pelo tamanho de sua área cultivada quanto pela capacidade de absorver rapidamente novas tecnologias. Essa combinação transforma o país em referência para empresas, centros de pesquisa e investidores do setor.
Outro elemento decisivo para a consolidação do mercado foi o avanço regulatório. A partir do final de 2024, o país passou a contar com uma legislação específica para bioinsumos, estabelecendo regras claras para produção, registro, comercialização, transporte e destinação de resíduos, com aplicações que vão da agricultura à pecuária, aquicultura e florestas. O novo marco trouxe maior previsibilidade jurídica, estimulou a inovação e criou um ambiente mais favorável à entrada de novos produtos e empresas.
No campo, a adoção dos bioinsumos deixou de ser pontual e passou a integrar estratégias de manejo mais amplas. Produtores têm combinado soluções biológicas e químicas para elevar a eficiência das aplicações, reduzir custos operacionais e preservar o potencial produtivo das lavouras. A profissionalização crescente da agricultura brasileira, aliada à busca por sistemas mais sustentáveis, acelerou esse processo.
Esse conjunto de fatores que envolve expansão da demanda, base científica sólida, ambiente regulatório mais moderno e competitividade do agronegócio explica por que o Brasil se destaca entre os mercados que mais crescem no mundo. Mais do que uma tendência passageira, os bioinsumos se firmam como um componente estrutural do futuro da produção agrícola no país, atraindo investimentos e redesenhando a lógica do manejo nas lavouras.
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Alimentos no Brasil atingem nível recorde de conformidade em resíduos de agrotóxicos
Estudo feito pela Anvisa aponta ausência de risco crônico ao consumidor e redução do potencial risco agudo em produtos de origem vegetal analisados em todo o país.

A presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos está no centro do debate público sempre que se discute saúde, produção agrícola e confiança do consumidor. Em um país que figura entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, o tema ganha contornos ainda mais sensíveis, ao envolver tanto a segurança da dieta da população quanto a credibilidade do sistema regulatório que autoriza, fiscaliza e monitora o uso desses insumos no campo.
É nesse contexto que o monitoramento oficial conduzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária se consolida como um dos principais instrumentos de acompanhamento da qualidade dos alimentos que chegam às prateleiras dos supermercados.
Criado para avaliar se os agrotóxicos são utilizados dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) acompanha, há mais de uma década, produtos de origem vegetal amplamente consumidos no país.
As amostras são coletadas diretamente no varejo, em diferentes regiões, e submetidas a análises laboratoriais com métodos reconhecidos internacionalmente, o que permite à agência não apenas verificar o cumprimento dos limites legais, mas também estimar potenciais riscos à saúde humana, tanto de curto quanto de longo prazo.
Além de funcionar como termômetro da segurança alimentar, os dados do PARA subsidiam decisões regulatórias, orientam ações de fiscalização e servem de base para revisões de limites máximos de resíduos, restrições de uso e recomendações ao setor produtivo. Ao cruzar os resultados das análises laboratoriais com informações de consumo da população, o programa busca responder a uma pergunta central para o consumidor: os alimentos disponíveis no mercado brasileiro oferecem risco à saúde?
Foi a partir desse arcabouço que a Anvisa apresentou, na quarta-feira (17), os resultados do ciclo 2024 do PARA, detalhando um conjunto amplo de dados que aponta avanços inéditos nos indicadores de conformidade e segurança dos alimentos monitorados no país. No período, foram analisadas 3.084 amostras de 14 alimentos de origem vegetal, coletadas em 88 cidades brasileiras.
O levantamento mostra que 79,4% das amostras estavam em conformidade com os limites legais de resíduos de agrotóxicos, o maior percentual já registrado na série histórica do programa. Segundo a agência, os resultados indicam ausência de risco crônico ao consumidor e redução do potencial risco agudo, identificado em apenas 0,39% das amostras, abaixo dos 0,67% observados no ciclo anterior.

Fonte: Anvisa. Elaboração e Divulgação: CropLife Brasil
Para a Anvisa, os números refletem a consolidação das ações regulatórias adotadas ao longo dos últimos anos. “Os resultados 2024 indicam que a maioria das amostras se encontram em conformidade, com situações de risco agudo pontuais e ausência de risco crônico, reforçando a efetividade das ações regulatórias adotadas”, afirmou o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle.
Segundo ele, a comparação com 2023 mostra evoluções discretas, porém consistentes, com redução das amostras insatisfatórias e diminuição do potencial risco agudo. “É um relatório robusto que oferece dados e subsídios qualificados para aperfeiçoamento da atuação regulatória. Os resultados reafirmam o compromisso da Anvisa com a segurança dos alimentos e a proteção da saúde da população”, pontuou.
Alimentos monitorados
O conjunto de alimentos analisados inclui cereais como trigo, milho e aveia; frutas como maçã, uva, banana, pera, laranja e mamão; hortaliças folhosas e não folhosas, como couve, pepino e abobrinha; além de cebola e soja. De acordo com a Anvisa, esses produtos respondem por 36,9% do consumo de alimentos vegetais no Brasil.
No laboratório, as amostras foram submetidas à busca de resíduos de 338 pesticidas diferentes, incluindo substâncias nunca autorizadas ou já banidas no país. As coletas são feitas diretamente nas prateleiras de supermercados, de forma aleatória, em todas as regiões, e analisadas por métodos científicos reconhecidos internacionalmente.
O foco principal é verificar se os resíduos encontrados ultrapassam o Limite Máximo de Resíduos (LMR), parâmetro legal que indica se o uso do agrotóxico seguiu as boas práticas agrícolas. A avaliação de risco à saúde é realizada separadamente, a partir da estimativa de ingestão do alimento em comparação com a dose de referência aguda, conhecida como ARfD.
Os resultados do relatório foram apresentados durante a 21ª reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa de 2025, pela gerente de Monitoramento e Avaliação do Risco da agência, Adriana Torres.
Risco agudo pontual

De acordo com o relatório, nenhuma situação de risco crônico foi identificada em 2024. Já o potencial risco agudo apareceu em 12 amostras, o equivalente a 0,39% do total analisado. Esse tipo de risco está associado ao consumo do alimento em uma única refeição ou em um intervalo de até 24 horas.
As ocorrências foram identificadas em amostras de uva (6), laranja (5) e abobrinha (1). Para a avaliação do risco crônico, a Anvisa considera não apenas os dados do ciclo atual, mas também informações acumuladas ao longo dos últimos dez anos do programa, cruzadas com dados de consumo alimentar do IBGE.
Do total de amostras analisadas em 2024, 2.448 foram classificadas como satisfatórias. Dentro desse grupo, 791 amostras, o equivalente a 25,6%, não apresentaram qualquer resíduo detectável, enquanto 1.657, ou 53,8%, continham resíduos em concentrações iguais ou inferiores ao LMR.
Outras 636 amostras, correspondentes a 20,6%, foram consideradas insatisfatórias em relação à conformidade com o limite legal. Segundo a Anvisa, esse é o menor índice desde 2017 e não significa, necessariamente, que haja risco à saúde do consumidor.
Avaliação do setor produtivo
Para representantes da indústria de defensivos agrícolas, os resultados refletem uma melhora gradual no cumprimento das regras. “Os resultados do ciclo 2024 apresentam visível melhoria com menor percentual de amostras insatisfatórias”, afirmou o especialista regulatório de defensivos químicos da CropLife Brasil, Rafael Cordioli.
De acordo com ele, o avanço decorre do empenho de diversos entes da cadeia de produção de alimentos, seja a indústria, agricultor e autoridade regulatória. “Do ponto de vista da saúde humana, as análises de risco dietético reforçam, mais uma vez, a segurança existente quanto aos alimentos produzidos e consumidos no Brasil”, salientou.
Série histórica sem risco crônico
A Anvisa monitora resíduos de agrotóxicos em alimentos vegetais há 11 anos. Inicialmente, as análises eram feitas por ciclos, mas passaram a ser anuais nos últimos três anos. Nesse período, segundo a agência, não houve identificação de extrapolação da Ingestão Diária Aceitável (IDA), parâmetro utilizado para avaliar o risco crônico.
Entre 2013 e 2024, foram avaliados 345 ingredientes ativos em 28.113 amostras de 36 alimentos. Esses produtos correspondem, em sua maioria, aos que mais contribuem para a exposição alimentar de origem vegetal no país, cerca de 80% do consumo desses alimentos.
“Os dados reforçam uma trajetória positiva e consistente”, avaliou a gerente regulatória de defensivos químicos da CropLife Brasil, Ana Cândido, destacando que o programa passou por um processo contínuo de evolução, incorporando aprimoramentos técnicos, metodológicos e ações mitigatórias.
Por sua vez, a diretora da Anvisa Daniela Marreco destacou o papel do PARA na formulação de políticas públicas. “Os resultados têm um papel fundamental na nossa regulação, porque essas análises orientam a revisão de limites máximos de resíduos, restrições ou proibições de uso e podem apoiar também ações de fiscalização conduzidas de forma integrada entre saúde, agricultura e vigilância sanitária”, frisou.
Segundo ela, o relatório também gera recomendações a produtores, empresas e órgãos de assistência técnica, com foco em boas práticas agrícolas, rastreabilidade e comunicação adequada à população.
Notícias
Alta de 28,6% nas exportações para a China compensa tarifaço americano
Vendas para os Estados Unidos caíram 25% desde agosto, mostra FGV.

O avanço das exportações brasileiras para a China compensou a queda causada pelo tarifaço americano, iniciado em agosto, com sobretaxa de até 50% sobre as vendas brasileiras para os Estados Unidos.

De agosto a novembro, o valor das exportações para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024, ao passo que o das destinadas aos Estados Unidos recuou 25,1%.
Comportamento parecido é observado em relação ao volume das vendas externas. Quando o destino são os portos e aeroportos chineses, a expansão chega a 30%. Já para os Estados Unidos, queda de 23,5%. O que diferencia o comportamento dos valores e dos volumes é o preço dos produtos exportados.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Os dados fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo é uma análise dos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. De acordo com o Icomex, a participação da China, que recebe cerca de 30% das exportações brasileiras, contribuiu para compensar a queda das vendas para os Estados Unidos. “[O presidente americano Donald] Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”, afirma o relatório.
Setores impactados
Os setores que tiveram os maiores tombos na exportação para os Estados Unidos no período de agosto a novembro foram:
- Extração de minerais não-metálicos: -72,9%
- Fabricação de bebidas: -65,7%
- Fabricação de produtos do fumo: -65,7%
- Extração de minerais metálicos: -65,3%
- Produção florestal: -60,2%
- Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos: -51,2%
- Fabricação de produtos de madeira: -49,4%
Comportamento anual
A pesquisa da FGV nota que o volume de vendas para os Estados Unidos cresceu seguidamente de abril a julho, sempre que a comparação é com o mesmo mês de 2024. No entanto, com a entrada em vigor do tarifaço, se seguiram quatro meses de retração.
Variação no volume de exportação para os Estados Unidos em 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024:
- Abril: +13,3%
- Maio: +9%
- Junho: +8,5%
- Julho: +6,7%
- Agosto: -12,7%
- Setembro: -16,6%
- Outubro: -35,3%
- Novembro: -28%
Já as exportações para a China apresentaram um salto depois que o tarifaço começou:
- Abril: +6,4%
- Maio: +8,1%
- Junho: +10,3%
- Julho: −0,3%
- Agosto: +32,7%
- Setembro: +15,2%
- Outubro: +32,7%
- Novembro: +42,8%
A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls aponta que um dos fatores que levaram ao avanço das exportações chinesas foi o embarque de soja, que ficou concentrado neste segundo semestre. “Na hora que está caindo a exportação para os Estados Unidos, foi o momento que começou a aumentar mais a exportação para a China e teve um impacto na exportação global do país”, explicou à Agência Brasil.
No acumulado até novembro, o aumento das exportações totais do Brasil foi de 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.
Argentina
O Icomex mostra também o desempenho das exportações para o nosso terceiro principal parceiro comercial, a Argentina. De agosto a novembro, as vendas para o país cresceram 5% em valor e 7,8% em volume, em relação ao mesmo período do ano passado.
Lia Valls pontua que esse aumento não é determinante para compensar efeitos dos tarifaços. “A participação da Argentina na pauta brasileira é muito pequena. A Argentina é muito focada na exportação de automóveis, e a gente praticamente não exporta automóveis para os Estados Unidos”, assinala.
Entenda o tarifaço

O tarifaço do presidente americano, Donald Trump, entrou em vigor em agosto de 2025. Ao elevar taxas sobre produtos importados, o governo dos Estados Unidos afirma que pretende proteger a economia americana, já que, com taxação, os americanos tendem a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior.
No caso Brasil, que sofreu com uma das maiores taxas, o presidente americano chegou a alegar também que se tratava de retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que Trump considerava ser perseguido, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado.
Desde então, os governos brasileiro e americano negociam formas de buscar acordos para a parceria comercial, inclusive com conversas diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No último dia 20, Trump retirou taxação adicional de 40% em cima de 269 produtos, sendo 249 do setor da agropecuária, como carnes e café. “Os efeitos dessa remoção só ficarão visíveis a partir de dezembro e janeiro”, aponta o Icomex.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 22% das exportações para os Estados Unidos permanecem sujeitas às sobretaxas.



