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Governo federal anuncia medidas para aliviar dívidas de produtores no Rio Grande do Sul
Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, confirma liberação de R$ 136 milhões para prorrogação de débitos rurais e defende avanço no seguro rural e em políticas estruturantes para enfrentar eventos extremos.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou na última quarta- feira (28) que o governo ajustou o orçamento para prorrogar dívidas dos produtores rurais do Rio Grande do Sul. Ele participou de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.

Deputado Luciano Zucco: “Talvez as pessoas se esqueçam de quanto recurso foi liberado no ano passado pelo governo para a reconstrução do Rio Grande do Sul, em todas as áreas”, acrescentou Carlos Fávaro” – Foto: Câmara dos Deputados
O deputado Zucco (PL-RS), que pediu a audiência, disse que os produtores do seu estado estão “esmagados” pelas tragédias climáticas, pelo endividamento e pela omissão do Estado, e citou o suicídio de 16 produtores.
Ele relatou que esteve no gabinete do ministro no dia 29 de abril, quando Fávaro teria prometido respostas aos produtores, incluindo a criação de um grupo de trabalho com integrantes do governo e parlamentares da bancada gaúcha para discutir medidas para o agro do estado. Zucco cobrou essas respostas do ministro. “O senhor afirmou publicamente que o Conselho Monetário Nacional publicaria uma resolução prorrogando os créditos rurais do Rio Grande do Sul. Por que essa medida tão aguardada pelos produtores não foi editada?”, questionou.

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro: “Nós estamos abertos ao diálogo, mas não temos clima para fazer a repactuação ampla e irrestrita no Brasil, porque são casos pontuais, mas muito graves, que precisam de ação” – Foto: Vinicius Loures
“Porque se precisou criar o orçamento necessário para essa prorrogação”, respondeu o ministro.
Segundo ele, a questão orçamentária foi equacionada, o texto está pronto e deve ser convocada reunião extraordinária do conselho para a votação da resolução. O custo será de R$ 136 milhões neste ano. “Talvez as pessoas se esqueçam de quanto recurso foi liberado no ano passado pelo governo para a reconstrução do Rio Grande do Sul, em todas as áreas”, acrescentou Carlos Fávaro.
Ele lembrou que só para o setor agropecuário foram liberados mais de R$ 3 bilhões para a repactuação das dívidas dos produtores gaúchos com as cooperativas. Ele reconheceu, porém, que as medidas ainda não surtiram todos os efeitos.
Crise dos produtores rurais

Presidente da comissão, o deputado Rodolfo Nogueira: “Essa repetição de quebras de safra tem efeito devastador, ministro. A situação do endividamento dos produtores rurais do Mato Grosso do Sul (MS) é alarmante e exige medidas urgentes para garantir a sustentabilidade do setor agropecuário” – Foto: Divulgação/FPA
Presidente da comissão, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) pediu a inclusão dos produtores rurais do seu estado na prorrogação das dívidas. Segundo ele, os produtores acumulam prejuízos de anos consecutivos de safras frustradas devido à estiagem. “Essa repetição de quebras de safra tem efeito devastador, ministro. A situação do endividamento dos produtores rurais do Mato Grosso do Sul (MS) é alarmante e exige medidas urgentes para garantir a sustentabilidade do setor agropecuário”, disse.
Ele citou dados do Serasa mostrando que o número de pedidos de recuperação judicial cresceu mais de 600% no MS e solicitou ao ministro apoio para proposta de prorrogação das dívidas no estado. Segundo o deputado, a proposta poderia ser replicada em outros estados. “Nós estamos abertos ao diálogo, mas não temos clima para fazer a repactuação ampla e irrestrita no Brasil, porque são casos pontuais, mas muito graves, que precisam de ação”, respondeu o ministro.
Fávaro afirmou que as recuperações judiciais não podem ser banalizadas para estados que não sofreram adversidades, já que os efeitos voltam ao produtor, por meio de restrições ao crédito, e não há fonte orçamentária para isso. Conforme ele, as medidas de repactuação de dívidas previstas para o Rio Grande do Sul podem ser estendidas para estados que efetivamente precisarem.
Fundagro e seguro rural

Deputada Daniela Reinehr: “Eu defendo que seja obrigatório para todos os produtores que acessarem o crédito subsidiado. Quem busca recurso com subvenção do governo, que equaliza taxa de juros, que barateia a taxa de juro tem obrigação de fazer seguro”
A deputada Daniela Reinehr (PL-SC), que também pediu a audiência, pediu apoio do ministro para a aprovação do PL 711/22 , do ex-deputado Jerônimo Goergen (RS), que cria o Fundo Nacional de Defesa Agropecuária (Fundagro), para permitir resposta imediata a eventos climáticos ou sanitários extremos, como no caso da gripe aviária no Rio Grande do Sul.
O ministro defendeu a universalização e a reformulação do seguro rural, para evitar as dívidas dos produtores por intempéries climáticas. “Eu defendo que seja obrigatório para todos os produtores que acessarem o crédito subsidiado. Quem busca recurso com subvenção do governo, que equaliza taxa de juros, que barateia a taxa de juro tem obrigação de fazer seguro”, afirmou.
Inflação de alimentos
No debate, Carlos Fávaro disse também que as medidas tomadas pelo governo para conter a inflação de alimentos foram cautelosas, mas surtiram efeitos. Entre essas medidas, ele citou redução a zero das tarifas do imposto de importação de 11 alimentos, anunciadas em março.
“O último IPCA-15 [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15] mostrou o melhor índice dos últimos cinco anos – 0,36%, ainda positivo, mas já numa decrescente. Era mais de 1% ao mês em abril, agora em maio 0,36%, com destaque para a redução do preço do arroz (-4%), frutas (-2%), tomate (-7%), feijão preto (-7%) e ovos de galinha (-2%)”, anunciou.
“Comparando abril de 2025 com abril de 2024, houve um aumento na importação de café torrado (4% a mais), massas alimentícias (aumento de 2% na importação), carne bovina (121% a mais), bolachas e outros; foi um aumento de importação que ajudou no equilíbrio dos preços no Brasil”, acrescentou.
Selo Arte

Deputado Evair Vieira de Melo – Foto: Zeca Ribeiro
O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), também autor do requerimento de debate, lembrou de lei de sua autoria – a Lei do Selo Arte, que permite a comercialização em todo o País de produtos artesanais com origem animal, como queijos e embutidos. De acordo com o deputado, mais de 2 mil estabelecimentos já estão operando o selo.
O parlamentar pediu ao ministro que avalie minuta de proposta de sua autoria para que todos os produtos artesanais de origem animal com selo de inspeção municipal ou estadual recebam de forma automática o Selo Arte pelo prazo de um ano para vender em todo o país e, caso nesse período faça as adequações necessárias, obtenha o Selo Arte de forma definitiva.
Carlos Fávaro informou que o decreto com essa medida já está em análise na Casa Civil e conta com o apoio do presidente Lula. O ministro concordou com o deputado que a medida ajudar a ampliar a oportunidade de mercado para os produtores e ajuda a combater a inflação de alimentos.

Notícias Oscar da água
Sanepar é finalista da categoria Campeões do ODS 6 no Global Water Awards
Indicação da Companhia se deve ao programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética, em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec. Vencedores serão revelados em 19 de maio, em Madri, durante um dos principais eventos do setor.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é uma das finalistas da categoria Campeões do ODS 6 do Global Water Awards, premiação promovida pela Global Water Intelligence (GWI) e pela Global Water Leaders Group (GWLG). Os vencedores serão escolhidos pelos assinantes da GWI e a revelação acontecerá em 19 de maio, em Madri, na Espanha, durante o Global Water Summit 2026, um dos principais eventos do setor.

Foto: Maurilio Cheli/Sanepar
A Sanepar foi indicada pelo programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética. Com alto retorno socioambiental, a iniciativa fortalece a universalização, a perenidade dos serviços de saneamento e a segurança operacional na geração de energia.
A categoria Campeões do ODS 6 reconhece iniciativas, empresas e governos que avançam na implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU, que visa assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todas as pessoas até 2030.
Com investimentos superiores a R$ 184 milhões, e em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, foram construídos e aprimorados sistemas de coleta e tratamento de esgoto em seis municípios próximos ao Lago de Itaipu.
Os empreendimentos contaram com a expansão de 230 km de redes de esgoto e redução, por ano, de mais de 3.000 toneladas de DBO (parâmetro que indica poluição das águas) e mais de 300 toneladas de carga de nutrientes na bacia do Paraná 3, beneficiando cerca de 100 mil pessoas e gerando mais de 3.000 empregos diretos, indiretos e induzidos.
A proteção da qualidade da água do reservatório de Itaipu ainda salvaguarda diretamente a produção de 10% da energia total do Brasil e 88%

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
da energia total do Paraguai. Cada real investido na iniciativa gera um retorno estimado de mais de quatro reais em resultados socioambientais para a bacia, conforme estudo específico baseado em condições regionais.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley; o diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior, e o especialista em Pesquisa e Inovação, Gustavo Possetti, representarão a Companhia na solenidade de revelação dos escolhidos. A Sanepar já foi premiada na mesma categoria em 2024.
Bley também participará do encontro dos 300 Water Leaders, iniciativa do GWLG focada em garantir o acesso a serviços de água para 300 milhões de pessoas até 2030, e ministrará a palestra “Saneamento 5.0: hype ou sobrevivência das concessionárias?”.
Inovar para universalizar

Foto: Divulgação/Itaipu Binacional
A Companhia busca as melhores práticas do mundo e tem atuado com instituições de referência para impulsionar o Sanepar 5.0, programa que reforça o compromisso com a inovação, a eficiência e a sustentabilidade para garantir e aprimorar o serviço de saneamento. “Esta indicação reconhece os resultados do esforço de toda a Companhia para internalizar o conceito de inovação digital e sustentável na nossa infraestrutura, operação e gestão. Focamos em acelerar a transformação digital e fortalecer a inteligência hídrica no Paraná para alcançarmos a universalização do saneamento nos municípios que atendemos”, destaca Bley.
Para Risden, a Sanepar é uma empresa inovadora e a busca por parcerias estratégicas e iniciativas no que diz respeito ao meio ambiente é uma ação disruptiva. “A parceria profícua com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, e a busca por alternativas adaptadas ao contexto regional como as soluções baseadas na natureza demonstram que a Sanepar está no caminho correto. Nunca esquecemos da inovação ou da inovabilidade, que une a sustentabilidade e a inovação”, afirma.
Carlos Carboni, diretor de Coordenação da Itaipu, afirma que a parceria com a Sanepar reflete a filosofia de trabalho da binacional, de atuar em rede e por meio de parcerias para amplificar o resultado dos projetos. “A água é matéria-prima para a geração de energia e para os usos múltiplos do reservatório. Para assegurar esse recurso no longo prazo, é essencial que cuidemos dos usos da água e do solo no território e isso passa pelo saneamento”, afirma.
Gustavo Possetti ressalta que o projeto é uma referência na busca por universalização dos serviços de saneamento ambiental, com benefícios

Foto: Edino Krug/Itaipu Binacional
socioambientais e para a saúde pública. Além dos ganhos operacionais tanto para a Sanepar quanto para a Itaipu Binacional. “Esse projeto é um exemplo e muito nos orgulha participar dele, não apenas pelos ganhos e pela geração de valor para a sociedade, mas principalmente ao sabermos que a comunhão de esforços faz com que, de fato, os resultados sejam apresentados respeitando as melhores práticas da ciência, da tecnologia e da engenharia”, acrescenta.
Finalistas ODS 6
Além da Sanepar, outras quatro empresas concorrem ao prêmio:
- Aguas Nuevas, do Chile: implementou um programa estratégico de redução de perdas de água.
- Bangalore Water Supply and Sewerage Board, da Índia: expandiu o acesso à água segura para 1,7 milhão de pessoas, com forte impacto social e urbano.
- Indah Water Konsortium, da Malásia: implementou soluções com energia solar em 16 ETEs, ampliando a sustentabilidade do sistema nacional de esgotamento sanitário.
- Sanasa, do Brasil: desenvolveu iniciativa inovadora de redução de perdas com financiamento da Microsoft baseado em créditos de água.

Foto: Divulgação/Sanepar
Global Water Intelligence
A GWI é a principal empresa de inteligência de mercado, análise de dados e eventos do setor internacional de água, sendo considerada uma fonte confiável para auxiliar a tomada de decisões estratégicas por empresas, governos e investidores no setor de água e saneamento.
É responsável pela organização do Global Water Summit, evento de entrega da premiação Global Water Awards, que reconhece projetos e iniciativas inovadoras de destaque mundial.
Global Water Leaders Group
O GWLG é um grupo internacional de elite formado por CEOs de empresas de saneamento e demais líderes do setor, com foco em inovação e desempenho para superar desafios globais da água, aprimorar a gestão de recursos e ampliar o acesso ao saneamento básico.
Notícias Na Grande São Paulo
Diferença entre carcaças bovina e suína atinge R$ 14,26 por quilo
Com carne suína a R$ 10,06/kg após queda de 2,8% e bovina a R$ 24,32/kg com alta de 2,6%, relação é a maior desde abril de 2022 em termos reais.

O movimento oposto dos preços das carnes suína e bovina em março ampliou a competitividade da carcaça suína frente à bovina ao maior nível desde abril de 2022, em termos reais corrigidos pelo IPCA em fevereiro. Levantamentos do Cepea mostram que a carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo teve média de R$ 10,06 por quilo em março, recuo de 2,8% em relação a fevereiro.
Segundo o Cepea, a desvalorização esteve ligada à baixa liquidez tanto no mercado do animal vivo quanto no da carne, reflexo do período da Quaresma, encerrado no início de abril.
No sentido oposto, a carne bovina registrou alta. Ainda conforme o Centro de Pesquisas, a valorização esteve associada à oferta restrita de animais prontos para abate e à demanda internacional aquecida pela proteína brasileira. A carcaça casada bovina negociada na Grande São Paulo apresentou média de R$ 24,32 por quilo em março, avanço de 2,6% frente a fevereiro.
Com esses movimentos, o diferencial entre as carcaças bovina e suína alcançou R$ 14,26 por quilo em março, elevação de 6,8% sobre fevereiro. Trata-se da maior diferença em quatro anos. Em abril de 2022, essa relação havia sido de R$ 14,66 por quilo, também em termos reais.
Notícias
Incerteza externa, petróleo volátil e frete caro reduzem liquidez no mercado de milho
Vendedores se afastam do spot, Indicador em Campinas volta a se sustentar e queda externa do cereal acompanha recuo do petróleo.

O mercado brasileiro de milho registrou baixa liquidez na última semana. Segundo pesquisadores do Cepea, o ambiente externo incerto, a volatilidade do petróleo e o encarecimento dos fretes no país levaram vendedores a se afastarem do mercado spot. Com isso, as negociações envolvendo o cereal foram limitadas e os preços apresentaram apenas pequenas variações.

Foto: Shutterstock
Em Campinas (SP), o Indicador Esalq/BM&FBovespa, que havia recuado na semana anterior, voltou a se sustentar ao longo da semana passada, refletindo a menor disposição de venda por parte dos ofertantes.
No campo, as condições climáticas favoreceram o avanço da colheita do milho de primeira safra nas principais regiões produtoras e também a semeadura da segunda temporada, indicando ritmo adequado nas atividades agrícolas.
No mercado externo, por outro lado, as cotações do milho recuaram. Conforme o Cepea, especulações sobre um possível encerramento do conflito militar no Irã pressionaram os preços do petróleo e, por consequência, os do milho, especialmente na última quarta-feira (1º).



