Notícias Pesquisa, tecnologia e inovação
Governo do Paraná vai apresentar soluções e tecnologias voltadas ao campo durante o Show Rural
Secretarias de Estado, autarquias e empresas públicas participam da edição 2022 da feira promovida pela Coopavel, em Cascavel. Estão previstas apresentações de serviços e tecnologias com foco no agronegócio, como uma estrutura eólica para a geração de energia apresentada pelo IDR-Paraná. Evento vai de 07 a 11 de fevereiro.

O Governo do Paraná prepara uma série de atividades que serão desenvolvidas ao longo da 34ª edição do Show Rural, feira promovida pela Coopavel, em Cascavel, que começa nesta segunda-feira (07) e vai até sexta-feira (11). Secretarias de Estado, autarquias e empresas públicas vão participar com apresentação de tecnologias e serviços voltados para o agronegócio, com foco também no desenvolvimento sustentável.
A abertura oficial será domingo (06), às 11 horas, com missa campal. De 07 a 11 de fevereiro, o parque estará aberto à visitação das 08 às 17 horas, com acesso gratuito.
Iniciado em 1989, o Show Rural Coopavel, proporciona inúmeras atrações aos visitantes. Na edição de 2022, algumas estruturas de grande impacto serão inauguradas, como um hub de inovação para o agronegócio, um centro de tecnologia para a avicultura e um novo pavilhão para abrigar a agroindústria familiar.
Os visitantes poderão conhecer, ainda, novas soluções que chegam com força ao campo, como uma estrutura eólica para a geração de energia apresentada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater (IDR-Paraná). Empresas mundiais de tecnologia e insumos para os setores da pecuária, suinocultura e avicultura também vão expor seus produtos em uma área de 720.000 metros quadrados.
Veja o que o Governo do Paraná vai oferecer durante a edição 2022 do Show Rural:
Iapar/Emater
Os mais de 100 técnicos e pesquisadores do IDR-PR preparam o lançamento de cinco novas cultivares. São três cultivares de soja para cultivo orgânico, direcionadas a produtores interessados no mercado de alimentação saudável, uma nova opção de maracujá-amarelo e outra de mandioca para a indústria. As novidades serão apresentadas na quarta-feira (9), em evento dirigido a produtores, técnicos, dirigentes e lideranças do agronegócio.
Também foi construído um barracão com 450 metros quadrados em parceria com a Coopavel, Fetaep e Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, onde os produtos serão expostos e comercializados por 30 expositores entre cooperativas e associações. Os profissionais organizam 13 setores com tecnologias modernas que são possíveis de serem adotadas pelos agricultores na produção agropecuária.
Os visitantes poderão observar, na prática, as alternativas de produção de energias limpas, com o funcionamento de usina eólica, fotovoltaica e da biomassa. No espaço será possível conversar com os integrantes do Programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR), dando início a viabilização de projetos. Além de conhecer as linhas de crédito disponíveis, como o Banco do Agricultor Paranaense.
Quem passar pelo barracão do IDR ainda terá acesso aos sistemas de produção de alimentos orgânicos, com valores agregados, com tecnologias de baixo custo e adaptados para as diferentes modelos de produção sustentáveis.
Com o foco na produção com qualidade e com o reduzido uso de agroquímicos serão apresentados diferentes tipos de cultivos, enfatizando o sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH). Receberão uma atenção especial as espécies de olerícolas com alto valor nutritivo e valor agregado em ambiente protegido.
A pecuária de corte e a produção de bovinos de leite estão no centro das atenções, mas a área também terá aplicações na produção de pasto, mostra de forrageiras e os sistemas integrados lavoura-pecuária. A criação de bezerras e novilhas, manejo, nutrição, sanidade e bem-estar para a obtenção de leite de qualidade será tratada em parceria com laticínios da região.
Ainda há ações voltadas para as áreas de promoção social e cidadania, piscicultura, paisagismo, turismo rural, fruticultura, plantas medicinais, produção de grãos de corma sustentável e pesquisa.
Agricultura e Abastecimento
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) Norberto Ortigara fará atendimento a prefeitos e estará à disposição para esclarecer dúvidas dos gestores municipais sobre programas e ações da pasta.
Ele participará do lançamento das novas cultivares do IDR-Paraná, na quarta-feira (09), às 9h. No mesmo dia, às 10 horas, a SEAB e a Copel têm reunião agendada com representantes do agronegócio, membros do Programa Oeste em Desenvolvimento, Associação dos Municípios do Oeste do Paraná e Associação Comercial e Industrial de Cascavel. O objetivo é divulgar os investimentos da Copel e o Programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR).
Também vai se reunir, ao longo da semana, com cooperativas e organizações do agronegócio. Além disso, está programada na quinta-feira (10), às 15h, agenda com o Banco do Brasil, com foco em ações dos programas Banco do Agricultor e Trator Solidário.
BRDE
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) vai assinar 20 contratos com empresas, cooperativas e produtores rurais do Paraná e Mato Grosso do Sul. Os projetos englobam modernização e expansão de atividades agroindustriais, melhorias e investimentos em estrutura de fazendas de produção agrícola, irrigação, armazenagem, logística, geração e transmissão de energia. Os investimentos somam R$ 200 milhões.
As operações envolvem parcerias, financiamentos, linhas de crédito, e produtos e serviços do BRDE no setor do agronegócio, que movimentou 60% das contratações em 2021, ano em que o banco atingiu R$ 1,4 bilhões de contratos.
Também está programa uma reunião da Diretoria do BRDE com os diretores dos três estados do Sul; um repasse de R$ 558 mil por meio do PRONON e Pronas, via lei de incentivos fiscais, ao Hospital do Câncer UOPECCAN; e a assinatura do Protocolo de Intenções no Parque da Aves, numa linha de financiamento realizado com o BRDE, com R$ 3 milhões em capital de giro pelo Fungetur.
Celepar
A empresa de tecnologia terá um estande destinado ao atendimento a prefeitos, que poderão conhecer soluções tecnológicas voltadas aos municípios. Além disso, patrocinará mais uma edição do Pitch Celepar,
A Celepar estará presente na Arena Hackathon Paraná, área idealizada junto com a Sanepar e a Fomento Paraná. A empresa de tecnologia promoverá o Pitch Celepar, ação que busca conectar o Estado com o ecossistema de inovação do Paraná, num formato em que ideias empreendedoras são avaliadas e podem evoluir para novas soluções de empresas que elevem a qualidade de vida do cidadão paranaense. As apresentações iniciarão dia 09 de fevereiro. As inscrições encerraram no dia 31 de janeiro. Elas podem ser feitas no site da Celepar.
A companhia é corresponsável pela atração Sharks no Agro, na praça de inovação, oportunidade em que os empreendedores do reality Shark Tank Brasil falarão sobre o mercado, posicionamento e estratégia de startups e empresas “unicórnios”.
Copel
Em seu estande, a concessionária terá informações sobre os programas que estão sendo executados como parte do pacote de R$ 1,634 bilhão em investimentos previstos para o ano de 2022.
Mais de um quarto desse valor será aplicado na construção de novas subestações e linhas de distribuição que vão tornar o sistema elétrico do Paraná mais robusto. O investimento previsto em 19 subestações soma R$ 437 milhões.
Também faz parte desse pacote o Rede Elétrica Inteligente, maior programa de modernização da gestão e da distribuição de energia elétrica no Estado em execução no País. Os medidores atuais estão sendo substituídos por medidores digitais que se comunicam diretamente com o Centro Integrado de Operação da Distribuição, permitindo o controle de toda a cadeia, desde a subestação até o consumidor final.
O Paraná Trifásico representa outro investimento de porte que a companhia está realizando para modernizar 25 mil quilômetros de redes de distribuição rural. A espinha dorsal das redes está sendo trifaseada, substituindo a tecnologia monofásica existente hoje e melhorando a qualidade do fornecimento de energia tanto para o pequeno agricultor como para grandes cooperativas.
Sanepar
A Companhia de Saneamento do Paraná demonstrará os benefícios e usos das águas residuárias do esgoto doméstico tratado para a agricultura. Em parceria com o IDR-Paraná, foi montada uma maquete com o Caminho das Águas, numa área de 200 m².
As águas residuárias são produto do processo de tratamento de esgoto. Em vez de serem lançadas ao rio, elas passam a contribuir com a produção agrícola, propiciando a melhoria na produtividade e redução de custos com fertilizantes, uma vez que esta água é rica em nitrogênio e fosforo.
A fertirrigação com as águas resultantes do processo de tratamento de esgoto pode ser aplicada em pomares, culturas que não são consumidas cruas, forrageiras, áreas de reflorestamento e plantações florestais. Essas águas ainda podem ser utilizadas na área urbana, na irrigação paisagística e nas limpezas de ruas e vias.
O município de Matelândia, na região Oeste do Estado, terá projeto-piloto de aplicação dessas águas no meio rural e urbano a partir de abril deste ano. A Companhia já destina lodo de esgoto para a agricultura.
Paranacidade
O Serviço Social Autônomo Paranacidade, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, integrará a estrutura da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP). No espaço, será realizado o atendimento de prefeitos e gestores públicos sobre ações ligadas à promoção do desenvolvimento urbano.
Os técnicos apresentarão os programas estaduais disponíveis aos municípios, com foco em pavimentação asfáltica, iluminação, construção da arena Meu Campinho e aquisição de equipamentos e máquinas. A construção de estruturas municipais vicinais, como escolas, postos de saúde, prédios da administração direta das prefeituras, teatros e paços municipais, por exemplo, também será abordada.
Os gestores municipais poderão verificar o estágio da tramitação de pedidos de recursos. Eles terão a oportunidade de indicar soluções para possíveis exigências documentais que precisam ser apresentadas pelas prefeituras, visando dar prosseguimento às análises e, em consequência, aprovar a liberação dos recursos por transferência voluntária ou por financiamento.
Paraná Turismo
Seguindo o compromisso de disseminar as belezas naturais e atrações turísticas do Estado, a Paraná Turismo manterá uma van no local, com a intenção de divulgar as campanhas, “O Paraná ao Paranaense” e “Paraná, seu próximo destino”. O visitante poderá esclarecer dúvidas e ter acesso às informações necessárias para escolher o seu próximo destino.
Ciência, tecnologia e ensino superior
A Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) planejou uma série de atividades para a 34ª Edição do Show Rural. Considerando que o evento representa uma vitrine tecnológica para o Setor Rural, pesquisadores das universidades estaduais do Oeste do Paraná (Unioeste), de Londrina (UEL), do Centro-Oeste (Unicentro) e do Norte do Paraná (UENP) vão apresentar pesquisas científicas e tecnológicas voltadas ao aumento da produtividade de pequenas, médias e grandes propriedades agropecuárias.
Entre as várias iniciativas científicas, serão expostos projetos de biofungicida termoestável, cerveja artesanal enriquecida com bioativos para diabéticos e de controle biológico para ferrugem asiática da soja. O projeto Seda Brasil, que movimenta a cadeia produtiva da seda no Paraná também será atração do estande da Ciência e Tecnologia, a fim de incentivar novos empreendedores para o desenvolvimento sustentável dessa matéria-prima.
Com investimento de R$ 5,6 milhões, Unioeste inaugura centro de pesquisas em biologia e saúde
Além de projetos de extensão, a Unioeste vai apresentar iniciativas de pesquisas científicas e tecnológicas dos cinco campi da instituição na região oeste paranaense, envolvendo mais de 10 mil acadêmicos, entre pesquisadores, professores e estudantes. Entre os projetos está o sorvete de tilápia, uma inovação tecnológica na área de processamento de pescados.
A Seti vai divulgar, ainda, o Programa de Apoio à Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), uma iniciativa governamental lançada no ano passado, que visa transformar pesquisas acadêmicas em produtos e serviços para a população. Na ocasião, empreendedores beneficiados pelo Prime em 2021 vão conversar com o público visitante sobre a experiência com o programa.
Fundação Araucária
Por fim, o diretor científico, tecnológico e de inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, foi convidado pelo Biopark e vai ministrar uma palestra no stand da instituição durante o Show Rural.. Ela será no dia 08, a partir das 15h. O tema é “Como captar recursos para Inovação e Pesquisa Científica e Tecnológica por meio da Fundação Araucária”. Desta forma, a instituição repassará informações que podem contribuir com as empresas do ecossistema da região.

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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural
Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa
A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.
André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.
O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa
meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.
Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa
O que diz o ACT
Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.
Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.
O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná
Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação
Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.
O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado
Avaliação rigorosa
Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes
Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.
Próximos passos
Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.
Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.
Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.
Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN
cooperativas competirem com grandes players do mercado.
Coopera Paraná
Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.
No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.
O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).



