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Governo do Paraná confirma reestruturação da Agricultura
Objetivo é imprimir agilidade, eficiência e menos burocracia ao sistema de Agricultura do Estado

O governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Júnior e o vice-governador Darci Piana prestigiaram a transmissão do cargo de secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado, na quinta-feira (03), na sede do Instituto Emater, em Curitiba. O economista Norberto Anacleto Ortigara tomou posse, em substituição ao empresário George Hiraiwa, que comandou a pasta nos últimos nove meses.
O governador e o secretário confirmaram a reestruturação administrativa da pasta, abrangendo as empresas vinculadas, para atender ao compromisso da atual gestão de reduzir a máquina pública e torná-la mais eficiente. “O objetivo é imprimir agilidade, eficiência e menos burocracia ao sistema de Agricultura”, afirmou o governador. Ele explicou que a ideia é modernizar as empresas sob uma única gestão, conforme modelo que está sendo estudado pela Fundação Dom Cabral.
Na área da agricultura deve haver a fusão das empresas vinculadas de assistência técnica e pesquisa agrícola como Instituto Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Centro Paranaense de Referência em Agroecologia, além da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar).
A fusão das vinculadas em uma única empresa não visa a diminuição de servidores. “Não podemos abrir mão desse capital humano que ajudou a construir a agricultura paranaense até agora. Temos planos para atrair investimentos ao setor e para isso precisamos de projetos executivos para atrair os recursos que precisamos”, afirmou o governador.
Ratinho Junior destacou que Norberto Ortigara é servidor de carreira do Governo do Paraná e profundo conhecedor da agricultura paranaense. “Tem perfil inovador e de trabalho para modernizar as autarquias. O objetivo é fazer o Paraná o protagonista na produção de alimentos no País”, enfatizou.
Mudanças
Segundo o secretário Norberto Ortigara, o estudo para fusão das empresas vinculadas vai fortalecer as áreas de assistência técnica e pesquisa e também o trabalho da Codapar. “Uma empresa que tem rigidez competitiva e que precisa ser modernizada para atuar com mais eficiência na adequação de estradas rurais”, disse.
“Nesse processo vamos chegar a uma proposta de consenso, ouvindo a sociedade, os servidores. Os tempos atuais impõem mudanças para um estado eficiente e nesse contexto que estamos estudando essa reforma”, antecipou Ortigara.
Aftosa
Ortigara falou também do avanço na questão sanitária que o Paraná pretende neste ano de 2019. Ele lembrou o compromisso assumido com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a antecipação do processo junto ao Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (Pnefa) para obter a declaração de estado livre de febre aftosa sem vacinação.
O secretário afirmou que isso é consequência dos investimentos iniciados em 2011 quando foi criada a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e que culminou com um longo tempo sem a manifestação clínica da enfermidade. Já foram feitas duas auditorias, que apontaram pequenas conformidades, quase todas trabalhadas e a ideia é fazer a última vacinação em animais jovens em maio de 2019.
“Mas haverá diálogo com setores que acham arriscado antecipar o processo porque nesse entendimento todos sairão ganhando e o Paraná estará forte em todos os mercados mundiais”, enfatizou.
Servidor
Norberto Anacleto Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar. Foi servidor público da Secretaria da Agricultura e Abastecimento por 40 anos, onde construiu carreira, tendo ocupado as funções de pesquisador gerente, coordenador, analista, diretor do Deral por duas vezes, diretor-geral por duas vezes e secretário de Estado por 7 anos e 3 meses – o mais longevo da História.
Também foi secretário municipal de Abastecimento de Curitiba por cinco anos e por mais de 25 anos especializou-se em relações do Trabalho. É profundo conhecedor das Finanças Públicas do Estado.
Na posse, secretário anuncia equipe
Na solenidade, Ortigara anunciou a equipe que vai comandar com ele o processo de modernização do Sistema Estadual de Agricultura (Seagri):
Diretor-Geral – engenheiro agrônomo Rubens Niederheitmann
Chefe de Gabinete – engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo
Assessor Técnico do Gabinete – engenheiro agrônomo Paulo Roberto Meira
Diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) – economista doutorando Salatiel Turra
Diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável – engenheiro agrônomo Richardson de Souza
Diretora do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional – nutricionista Márcia Stolarski
Diretor do Departamento de Florestas Plantas – engenheiro agrônomo José Tarciso Fialho
Diretor-Presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – engenheiro agrônomo Natalino Avance de Souza
Diretor de Pesquisa – engenheiro agrônomo Doutor Rafael Fuentes Llanillo
Diretor de Extensão Rural – engenheiro agrônomo Doutor Nelson Harger
Diretora de Agroecologia – engenheira agrônoma Solange Maria da Rosa Coelho
Diretora de Engenharia Rural – engenheira agrônoma Debora Grimm
Diretor Administrativo e Financeiro – engenheiro agrônomo Diniz Doliveira
Diretor-Presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná – médico veterinário Otamir Cesar Martins
Diretor de Defesa Agropecuária – Engenheiro Agrônomo Manoel Luiz de Azevedo
Diretor Administrativo – Administrador de Empresas Adalberto Luiz Valliati
Diretor-Presidente das Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) – engenheiro agrônomo Richard Golba
Diretor Técnico – Eder Bublitz
Diretor Agrocomercial – Paulo Danova
Diretor de Administração e Finanças – João Luiz Buso

Notícias
Novo silo biorreator promete elevar padrão sanitário do milho no pós-colheita
Equipamento combina armazenamento e ambiente controlado para eliminar fungos, pragas e resíduos químicos em escala industrial.

A Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável e inovadora, capaz de garantir que grãos usados na produção de ração animal estejam livres de toxinas, além de aumentar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio. Desenvolvido em parceria com a empresa Nascente (NCT), o novo silo biorreator batizado de SiloBio (foto ao lado) é uma solução exclusiva para higienização de grãos em larga escala, que amplia a segurança sanitária e o valor agregado da produção.
O silo biorreator é um equipamento que combina a funcionalidade de armazenamento de um silo com o ambiente controlado de um biorreator, para tratar grãos em escala industrial.
No caso do SiloBio, ele utiliza a ação natural do gás ozônio, tecnologia que elimina micotoxinas, fungos, pragas e demais resíduos químicos, para garantir uma ração segura, sustentável e de alto desempenho.
O desenvolvimento da tecnologia começou com a validação de um processo de aplicação de gás ozônio. Essa técnica, realizada por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, visa à redução de teores de micotoxinas em grãos de milho na pós-colheita.
O uso do gás ozônio para controlar as micotoxinas, processo conhecido como detoxificação, já era estudado há algum tempo e com potencial demonstrado na literatura. “A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel.
“Começamos esses estudos com a aplicação direta do gás ozônio nos grãos entre os anos 2012 e 2013. Essa técnica é chamada de aplicação a seco e, em escala de laboratório, utilizou estruturas (protótipos) que simulavam um silo”, comenta Pimentel, que é o líder desse projeto na unidade de pesquisa mineira.
Segundo o pesquisador, foram animadores os resultados obtidos, como a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. “Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, complementa.
Os resultados dessa primeira fase da pesquisa estão publicados em um artigo intitulado Ozone as a Fungicidal and Detoxifying Agent to Maize Contaminated with Fumonisins no periódico Ozone: Science & Engineering
Pimentel observa que o ponto de partida para o escalonamento da tecnologia do SiloBio, em parceria com a empresa Nascente, foram esses resultados promissores e o seu potencial para detoxificação de micotoxinas. Outra possibilidade é o uso como agente de controle de insetos e de oxidação de outras moléculas orgânicas que podem ser consideradas contaminantes, como inseticidas e demais agroquímicos.
Desenvolvimento do biorreator SiloBio
Um biorreator foi desenvolvido para uso nos experimentos voltados ao escalonamento. O equipamento tem como característica principal a movimentação dos grãos no seu interior, que é realizado por uma rosca helicoidal. No corpo do biorreator foram inseridos anéis com injetores de gás ozônio para promover maior homogeneidade de aplicação na massa de grãos. Nesse sistema houve vários experimentos com diferentes lotes de milho contaminados naturalmente com variados teores de fumonisinas.
Pimentel relata que uma das formas de medir a eficiência do processo foi determinar a redução percentual relativa dos teores de fumonisinas, após determinado período de aplicação do gás ozônio. Em seguida, os teores obtidos nos ensaios foram comparados com os Limites Máximos Tolerados (LMT) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou pelo setor produtivo, especialmente os admitidos nas cadeias de proteína animal e de alimentação humana.
A Anvisa estabelece LMT para fumonisinas totais em grão de milho não processado de até 5.000 microgramas por quilograma (μg/kg). Já em alguns segmentos das cadeias de produção de suínos e aves, existe uma indicação de limites mais restritivos, chegando ao máximo de 1.000 μg/kg, para matrizes e algumas fases específicas. A cadeia da indústria de alimentação humana também tem LMT nessa faixa ou até menores.
“Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, comenta o pesquisador. Os dados estão registrados no artigo Tecnologia para redução de fumoninisas em milho por meio da aplicação de gás ozônio.
Inovação para tratamento de milhares de toneladas de grãos
Lote de milho contaminado com fumonisinas
O uso do ozônio no tratamento de grãos não é uma novidade global. Por isso, Tuschi considera importante desmistificar esse ponto. “O mundo já trata diversos tipos de grãos, cereais e sementes com essa tecnologia. A inovação da NCT e da Embrapa está na engenharia do processo”, enfatiza.
“Com o SiloBio, demos um salto na forma de aplicar e escalonar esse tratamento. Pela versatilidade, o equipamento pode processar praticamente qualquer grão. No entanto, o nosso foco inicial e toda a pesquisa-base foi ancorada no milho. Escolhemos esse grão para atuar em um dos pontos mais sensíveis do mercado atual: a nutrição animal nas granjas de aves e suínos. Em paralelo, já temos avanços promissores com sorgo, soja e farelos processados de quaisquer grãos. Uma vez consolidada a solução na cadeia da proteína animal, expandiremos gradualmente para as outras culturas”, comenta o diretor.
Segundo ele, a perspectiva é prática: o produtor adere àquilo que traz retorno para o negócio. As visitas a campo possibilitaram validar que o SiloBio tem potencial de Retorno Sobre o Investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, com base na otimização financeira por reduzir o uso de químicos complementares e na melhoria da qualidade de vida dos animais.
“Essa análise é muito significativa para o mercado”, comenta Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo. “As tecnologias precisam entregar valor ao produtor e demonstrar viabilidade econômica comprovada. Isso aumenta o potencial de adoção pelo mercado”, afirma.
“A apresentação do SiloBio ocorrerá durante a celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. Ao longo de meio século, nossa missão tem sido transformar a ciência em soluções reais para o campo. Não poderíamos comemorar essa data de forma mais significativa do que entregando ao mercado uma inovação que redefine os padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio,” destaca o chefe-adjunto.
Botelho reforça que a finalidade primária da inovação é atuar na sanidade do grão, controlando fungos, degradando micotoxinas e inibindo pragas de armazenamento sem deixar resíduos. O SiloBio responde às exigências da sociedade moderna por processos mais limpos e alinhados aos conceitos de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) e Saúde Única. “Com isso, reafirma o compromisso da Embrapa com um agronegócio mais produtivo, seguro para o consumidor e respeitoso com o meio ambiente”, conclui.
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Sementes sem comprovação de origem são apreendidas durante fiscalização no Rio Grande do Sul
Produtos permanecem retidos até julgamento dos autos de infração e podem ser condenados.

OMinistério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última semana, operação conjunta em Dom Pedrito (RS), que resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes de azevém com irregularidades documentais e operacionais.
Durante a fiscalização, duas empresas produtoras de sementes de espécies forrageiras de clima temperado e duas empresas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades constatadas motivaram a autuação dos responsáveis e a apreensão de produtos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.
Além da apreensão, motivada pela ausência de comprovação de origem e procedência da produção e pela prestação irregular de serviço de beneficiamento, os estabelecimentos foram devidamente autuados pelos órgãos de defesa agropecuária. Como, a princípio, as irregularidades constatadas não podem ser sanadas, os produtos permanecem apreendidos até o julgamento dos autos de infração, podendo ser condenados.
A operação ocorreu em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), por meio das Delegacias de Polícia Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete.
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Gargalos logísticos pressionam custos e desafiam a qualidade da produção no Mato Grosso
Pressão no corredor logístico da BR-163 tem aumentado preços dos fretes e prejudicado o escoamento de grãos.

A pressão operacional já aparece no frete e, para o produtor, isso significa menor margem em um cenário de preços internacionais mais comprimidos. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o quadro reforça a necessidade de melhorias estruturais de capacidade e previsibilidade logística.

Foto: RRRufino
O acesso atual aos terminais segue em processo de melhorias emergenciais, enquanto um novo acesso pavimentado, em traçado paralelo, está em construção com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao alto volume de caminhões e às limitações físicas do trecho.
De acordo com vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, o crescimento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias proporcionais na infraestrutura. “A produção aumenta ano após ano, mas as condições das rodovias continuam precárias. Há trechos finais de acesso que não são asfaltados e, em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros”, afirmou.
Segundo ele, o impacto econômico é direto na renda do produtor. “Hoje o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) gira em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada próxima de R$ 106 bruto, e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o custo logístico compromete significativamente a margem e reduz a competitividade do produtor”, destacou. Ilson Redivo também chama atenção para um problema estrutural adicional: a capacidade de armazenamento do estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga a comercialização e o escoamento em ritmo acelerado.
A produtora do município de Santa Rita do Trivelato, Katia Hoepers, acrescenta que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. “Para nós, o que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel, que pressiona toda a conta do transporte. O problema também está no porto em Miritituba, onde falta estrutura para receber os caminhões e tudo acaba travando. Além disso, houve expansão das áreas plantadas sem crescimento proporcional da armazenagem, o que gera longas filas nas tradings durante a colheita”, relatou.

Foto: Fernando Dias/Seapi
No campo, os efeitos são percebidos no dia a dia da operação. A incerteza quanto a prazos de entrega e a elevação do custo logístico impactam decisões de manejo, armazenamento e comercialização, além de ampliar riscos ao produto até a chegada ao porto.
Produtor no extremo norte do estado, Mateus Berlanda relata que as dificuldades começam ainda nas estradas regionais. “Nossa região tem alto índice de chuvas e solos com muita argila, o que dificulta o tráfego. Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados e, em períodos críticos, os caminhões simplesmente não conseguem avançar”, explicou. Ele acrescenta que o problema se estende à etapa seguinte da cadeia: “Mesmo quando conseguimos transportar a produção, enfrentamos filas de três a quatro dias nos armazéns, reflexo do déficit estrutural de capacidade e da pressão logística sobre toda a região”.
Berlanda, que produz na região de Alta Floresta, ressalta que a combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e limitações de armazenagem aumenta custos operacionais e amplia o risco de perdas indiretas. “O produtor da ponta do estado enfrenta uma sucessão de obstáculos desde a colheita até a entrega final, o que encarece o processo e aumenta a insegurança da operação”, afirmou.
A expectativa do setor produtivo é que a conclusão do novo acesso pavimentado traga maior fluidez ao corredor, reduzindo o tempo de viagem e contribuindo para estabilizar os custos logísticos. Até que as melhorias estruturais se consolidem, produtores de Mato Grosso seguem absorvendo os efeitos dos gargalos sobre a competitividade da produção destinada ao mercado internacional.
“O produtor contribui com o FETHAB esperando que os recursos sejam destinados à melhoria da logística e da infraestrutura das estradas. No entanto, esse retorno não tem chegado de forma efetiva à ponta. Reconhecemos os avanços promovidos pela atual gestão do governo do estado, mas, em um cenário de margens cada vez mais apertadas, é necessário reavaliar o FETHAB. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem perceber resultados concretos na infraestrutura fundamental para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Divulgação
Nesse cenário, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à armazenagem rural se apresenta como estratégia complementar para reduzir a pressão sobre o sistema logístico. Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, o produtor pode planejar melhor o escoamento e evitar a concentração do transporte no pico da colheita, quando a demanda por frete aumenta e o fluxo intenso de caminhões sobrecarrega os principais corredores de exportação.
Em uma perspectiva estrutural, a Ferrogrão, ainda não leiloada e distante da entrada em operação, é apontada pelo setor produtivo como um projeto estratégico e potencialmente disruptivo para o enfrentamento dos gargalos da BR-163. A migração de parte significativa das cargas para o modal ferroviário tende a reduzir o volume de caminhões nos acessos ao distrito de Miritituba, promovendo maior eficiência logística, melhor distribuição do fluxo de transporte e alívio da pressão sobre os principais corredores de exportação com destino aos portos do Arco Norte.



