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Governo do Estado investe R$ 24 milhões para incentivar o cultivo de grãos em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a estiagem prolongada e a cigarrinha do milho contribuíram para uma redução de 20% na safra do grão

Santa Catarina quer ampliar a produção de grãos para abastecer o setor produtivo de carnes. O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, irá investir R$ 24 milhões para incentivar o cultivo de milho e cereais de inverno, trazendo mais competitividade para o agronegócio catarinense. As medidas foram anunciadas pelo governador Carlos Moisés e o secretário da Agricultura Altair Silva, nesta terça-feira, 16, durante o Fórum Mais Milho exibido pelo Canal Rural.
“O setor produtivo de Santa Catarina é extremamente eficiente, tanto que 30% do nosso PIB e 70% das nossas exportações têm origem no agronegócio. Para apoiar a produção catarinense, nós ampliamos o Programa Terra Boa, que possibilita a distribuição de sementes de milho de alta produtividade. Além disso, seguimos investindo em energia elétrica para o meio rural e na melhoria de infraestrutura para escoar a produção, dar mais agilidade e otimizar a logística em nosso estado”, destaca o governador Carlos Moisés.
Com o Programa Terra Boa, o Governo do Estado irá apoiar a aquisição de 200 mil sacas de semente de milho em todo o estado. Serão R$ 23 milhões em recursos para disponibilizar sementes de médio a altíssimo valor genético, que geram um rendimento maior por hectare plantado. A intenção é diminuir o deficit do grão em Santa Catarina, trazendo mais competitividade para as agroindústrias instaladas no estado e mais renda ao produtor rural.
“Estamos fazendo de tudo para que os produtores tenham acesso à tecnologia e possam ampliar a produção de milho e também investir na produção de cereais de inverno. Precisamos encontrar soluções para nossas dificuldades reais. Nossa intenção é, já neste ano, aumentar a produção de cereais de inverno”, ressalta o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva.
Quebra na safra de milho em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a estiagem prolongada e a cigarrinha do milho contribuíram para uma redução de 20% na safra do grão. O estado espera colher 2,2 milhões de toneladas e importar mais de cinco milhões de toneladas de milho em 2021. Com a alta nos preços dos insumos, os pecuaristas catarinenses sofrem com o aumento no custo de produção.
O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Júnior, explica que o milho responde por 40% do custo final de produção das aves e a cotação do grão deixa o setor em um momento crítico. “Nós temos que buscar alternativas para que possamos superar esse momento. O setor não suporta toda essa pressão de custos somada à alta da energia elétrica e do combustível. A iniciativa privada e o setor público têm buscado, juntos, alternativas urgentes para que possamos entrar em uma situação de equilíbrio”.
Em sua fala, a vice-governadora Daniela Reihner destacou os grandes desafios do setor produtivo e também a importância das ações do Governo do Estado para fomentar o aumento na produção. “Acompanho de forma muito próxima os pontos levantados no Fórum como fundamentais para o crescimento de mercado da proteína animal em Santa Catarina e entendo que a infraestrutura do Estado precisa acompanhar a capacidade produtiva catarinense. O investimento em logística será determinante para alcançarmos o abastecimento necessário de grãos para os animais”, declarou.
A Secretaria da Agricultura concentra seus esforços também na busca de alternativas para reduzir a dependência de milho e diminuir os custos de produção. A intenção é reforçar o apoio para o plantio de trigo, triticale e cevada no estado.
Produção de cereais de inverno
Santa Catarina já desenvolve um Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno, que pretende ampliar a área plantada com esses grãos no estado. Será investido R$ 1 milhão em pesquisas nessa área, em uma parceria entre Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Epagri.
Segundo o chefe-geral da Empraba Trigo, Osvaldo Vasconcelos Vieira, a região Sul do Brasil tem a oportunidade de abrir uma nova fronteira agrícola: a safra de inverno. “Cultivamos apenas 2,5 milhões de hectares no inverno, numa área disponível de 14 milhões de hectares de terra disponíveis em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Temos uma grande oportunidade de desenvolver essa estrutura que já existe e que é do conhecimento do produtor”.
Em Santa Catarina a área potencial para a produção de trigo, triticale, aveia e cevada é de 600 mil hectares e, com o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno, os produtores contam um subsídio do Governo do Estado por hectare plantado.
“Temos um papel estratégico de motivar a cadeia produtiva em Santa Catarina. Desde 2019 estamos trabalhando na elaboração de uma política pública para, junto com entidades, cooperativas e agroindústrias, estabelecer contratos futuros com produtores de cereais de inverno. E o Governo do Estado dará um subsídio, na forma de seguro, de até R$ 200 por hectare. Encontrar alternativas para o abastecimento de grãos é a bandeira número um da Secretaria da Agricultura”, afirma o secretário adjunto Ricardo Miotto.
Outras ações para abastecimento de grãos em Santa Catarina
O incentivo para produção de cereais de inverno vem complementar outras ações desenvolvidas pelo Governo do Estado para aumentar o fornecimento de insumos. Santa Catarina trabalha para viabilizar a Rota do Milho, trazendo o grão do Paraguai diretamente para o Oeste, além de manter contato com o Ministério da Agricultura para ampliar os estoques da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

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De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



