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Governo do Espírito Santo autoriza diferimento do ICMS nas importações de milho
Decisão foi tomada como uma alternativa para evitar que o Estado tivesse dificuldades com relação ao fornecimento do milho

Uma das pautas mais debatidas e solicitadas pela AVES e ASES ao Governo do Espírito Santo neste momento de contingenciamento por conta da pandemia de Coronavírus, o diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas importações de milho foi aprovado, na última quarta-feira (03), pelo governador Renato Casagrande.
Por meio de uma videoconferência, o governador abriu a cerimônia de assinatura do decreto destacando que a decisão foi tomada como uma alternativa para evitar que o Estado tivesse dificuldades com relação ao fornecimento do milho, muito por conta dos altos custos ocasionados especialmente pelo frete e por fatores especulativos que acabam elevando, demasiadamente, o valor do insumo, como aconteceu no início da pandemia.
“São duas medidas importantes que ajudam os produtores na importação de milho e ajuda a indústria de carne de nosso Estado, ajudando a aumentar a competitividade do Espírito Santo. Para nós é um momento de apreensão e dificuldade. No mês passado, o Estado teve uma queda de 30% na arrecadação. Se diminuiu, é porque a atividade econômica também diminuiu. Não é somente no Espírito Santo, mas em todo o mundo. Este mês também não teremos um resultado melhor”, disse Casagrande.
Na sequência, o secretário de Estado da Fazenda, Rogelio Pegoretti, explicou mais sobre o diferimento do ICMS e apresentou uma medida (confira mais abaixo) voltada para o setor da indústria de carnes. “Nós sabemos que o Espírito Santo não tem a produção de milho suficiente para atender a demanda dos nossos produtores de proteínas, e nós temos a possibilidade de trazer esse insumo seja da região Centro-Oeste do país ou do exterior. Com esse decreto, não haverá cobrança de ICMS na importação de milho, e o mesmo só será pago quando o produto for vendido por parte dos produtores, sem nenhum acréscimo”, detalhou Pegoretti.
Já secretário de Estado da Agricultura, Paulo Foletto, enfatizou o pedido feito pela AVES e ASES por essa demanda e parabenizou ambos os setores por esse decreto. “É um momento muito importante para os avicultores e suinocultores capixabas que enfrentaram um aumento significativo no valor do milho no começo da pandemia do novo coronavírus. Esta redução vai beneficiar os dois setores e garantir competitividade no mercado, além de um preço mais acessível do grão, que é um componente fundamental na alimentação dos animais”, ressaltou Foletto.
O presidente da AVES, Ademar Kerckhoff, agradeceu o governador pela assinatura e também em nome do presidente da ASES, José Puppin, destacou que os setores avícola e suinícola vêm buscando melhorar suas atividades a cada dia, seja no aspecto sanitário, sócio ambiental e no bem-estar.
“Tenho a certeza de que isso nos ajudará a trabalhar mais uma alternativa de abastecimento. O Estado tem o custo de milho mais caro do país, e isso fica agravado quando precisamos buscar produtos a quase três mil quilômetros de distância no período de entressafra. Da mesma forma o setor de carnes vem buscando assegurar sua competitividade e fornecer para os capixabas cada vez mais proteínas de qualidade produzidas aqui no Estado”, acentuou Kerckhoff.
Em sua fala, o diretor-executivo da AVES e ASES, Nélio Hand, apresentou alguns dados e destacou a importância de tornar o decreto uma medida permanente. “Os dois setores consomem 75 mil toneladas de milho por mês. Junto com outros segmentos consumidores esse volume está próximo a 100 mil toneladas mensais. O custo de importação está quase próximo da viabilidade com o mercado interno, mas vemos que logo será viável, especialmente com a baixa de dólar. É importante manter esse decreto permanentemente assim como outros estados que estão distantes do grão. Hoje, o milho do mercado interno está ameno, R$ 55,00 a saca, mas, no começo do último mês de abril, chegou a R$ 65,00, sendo 37% a mais do que no mesmo período do ano passado. O farelo de soja que custava em torno de 1.320,00 em abril do ano passado, atingiu 1.930,00 em abril, 46% a mais”, completou Nélio.
O presidente do Sindicato da Indústria do Frio do Estado do Espírito Santo (Sindifrio), Evaldo Mario Lievore, comemorou a oficialização do decreto. “Hoje o nosso setor está trabalhando com 50% da capacidade, mas nós temos condições de produzir mais, atender o Estado com segurança. Nós agradecemos ao senhor (governador) por essa medida e queremos manter os postos de trabalho alavancando o nosso setor”, relatou Evaldo.
Participando da cerimônia, o deputado estadual, Adilson Espindula, ressaltou que a iniciativa do governador é um reconhecimento da importância da avicultura e da suinocultura como fortes setores produtivos para a economia capixaba. “A visão governamental, neste momento crítico para a economia, ao deferir o ICMS incidente sobre a importação do milho, dando condição de viabilizar mais uma alternativa de fornecimento de insumos para avicultores e suinocultores, especialmente em épocas de escassez e custos altos para deslocar produto interno, direciona para a manutenção dos empregos que o setor oferece, além de diminuir os custos de produção, proporcionando a oferta de ovos, carnes de frangos e de suínos, com custos mais competitivos no mercado, resultando como beneficiários, os consumidores”, finalizou Adilson.
O encontro virtual também contou com a participação da vice-governadora, Jacqueline Moraes; da deputada federal e presidente da Comissão da Agricultura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Janete de Sá; do prefeito de Domingos Martins, Wanzete Kruger; e de alguns produtores e empresários ligados aos dois setores.
Incentivo para a indústria de carnes local
A cadeia de indústrias de carnes também recebeu uma boa notícia durante a videoconferência por meio do secretário de Estado da Fazenda, Rogelio Pegoretti. O titular da pasta explicou que o governo capixaba vai excluir das operações realizadas por empresas credenciadas como substitutos, para efeitos de recolhimento do ICMS – Substituição Tributária, produtos como carnes e derivados provenientes de outros Estados.
“Queremos ampliar a competitividade da indústria local de carne, seja qualquer proteína. Com essa medida, não será permitido o credenciamento como substituto tributário na compra de carnes de fora do Espírito Santo. Então, as empresas que trouxerem carnes de fora do Estado precisarão pagar a Substituição Tributária antecipadamente na entrada do produto. Isso dará mais incentivo comercial para os nossos frigoríficos e para nossa produção local, haja vista que nós temos cerca de 50% da capacidade ociosa nos nossos abatedouros”, lembrou Rogelio.
Sobre esse ponto, o diretor-executivo da AVES e ASES, Nélio Hand, destacou que a produção anual de frango no Estado é de 75 milhões de aves, com um total de 14.700 toneladas de abate por mês e um consumo de 15 mil toneladas de frango por mês.
Já no setor de suínos, Nélio lembrou que a produção é de 340 mil suínos por ano, com o número anual de abates chegando a 2.600 toneladas e tendo um consumo mensal no Estado de 5.500 toneladas.
Ele ainda ressaltou que essa medida poderá se refletir na diminuição da ociosidade do setor de carnes. “Essa ociosidade que é relevante tem possibilidade de ser reduzida com esse decreto das carnes. O setor de indústrias segue fazendo investimentos e calculamos que o mesmo gera – direta e indiretamente – 25 mil empregos (produção e indústria)”, finalizou Nélio.

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Brasil e Costa Rica concluem etapas para implantar certificado fitossanitário eletrônico
Intercâmbio do e-Phyto deve agilizar liberação de cargas vegetais e dar mais previsibilidade às exportações.

Na última semana, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pelo secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, esteve na Costa Rica em missão oficial. Entre os objetivos da agenda estiveram medidas práticas para facilitar o comércio agropecuário entre os dois países. Brasil e Costa Rica assinaram um Acordo Complementar de Cooperação Técnica e avançaram em encaminhamentos para dar mais previsibilidade às operações, reduzir custos e reforçar a segurança sanitária, conjunto de regras e controles que garante que produtos de origem animal e vegetal possam circular com confiança entre os mercados.
Um dos pontos centrais foi a conclusão das etapas técnicas para viabilizar o intercâmbio do certificado fitossanitário eletrônico (e-Phyto) entre os dois países. Na prática, trata-se da versão digital do documento que acompanha produtos vegetais na exportação e comprova que a carga atende às exigências do país importador. A expectativa é que a digitalização reduza a burocracia, diminua o tempo de tramitação e agilize a liberação de cargas.
Outro encaminhamento relevante foi o agendamento de auditoria do Serviço Nacional de Saúde Animal (Senasa) da Costa Rica, prevista para o próximo mês, com foco em farinhas de produtos de origem animal. Essa visita funciona como uma inspeção técnica: autoridades costarriquenhas avaliam se plantas brasileiras cumprem os requisitos sanitários exigidos. A etapa é necessária para a habilitação de estabelecimentos e pode abrir caminho para o início das exportações nesse segmento.
A missão também tratou de requisitos fitossanitários para a possível abertura do mercado brasileiro a estacas de Vanilla planifolia (baunilha) originárias da Costa Rica.
Durante a missão oficial, foram inauguradas as novas instalações da Adidância Agrícola do Brasil na Costa Rica, em San José, com a participação da adida agrícola do Brasil no país, Priscila Moser. Participaram do encontro representantes da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), além de autoridades do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), do Ministério da Agricultura e Pecuária da Costa Rica, do Servicio Fitosanitario del Estado (SFE, órgão de controle fitossanitário), do Senasa, da Promotora del Comercio Exterior de Costa Rica (Procomer, agência de promoção comercial), do corpo diplomático e de importadores locais.
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Brasil tem sexto maior crescimento no ranking das economias do G20
PIB brasileiro de R$ 12,7 trilhões avançou 2,3% em 2025.

A expansão de 2,3% da economia brasileira em 2025 posiciona o Brasil na sexta posição do ranking de crescimento do G20, grupos das maiores economias do mundo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na terça-feira (03) que o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB é o conjunto de bens e serviços produzidos no país e serve como indicador do comportamento da economia. No ano passado, a agropecuária foi o principal motor do PIB nacional.
Logo após a divulgação do resultado pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda publicou um ranking com o desempenho do PIB entre as 16 economias do G20 que já divulgaram os dados consolidados de 2025. A lista é liderada pela Índia, que apresentou um salto de 7,5% na comparação com 2024. O Brasil aparece imediatamente à frente dos Estados Unidos, maior potência econômica do mundo.
Confira o ranking:
1º) Índia: 7,5%
2º) Indonésia: 5,1%
3º) China: 5%
4º) Arábia Saudita: 4,5%
5º) Turquia: 3,6%
6º) Brasil: 2,3%
7º) EUA: 2,2%
8º) Canadá: 1,7%
9º) União Europeia: 1,6%
10º) Reino Unido: 1,4%
11º) Japão: 1,1%
12º) Coreia do Sul: 1%
13º) França: 0,9%
14º) Itália: 0,7%
15º) México: 0,6%
16º) Alemanha: 0,4%
Crescimento com desaceleração
O desempenho do PIB brasileiro em 2025 marcou o quinto ano seguido de expansão. No entanto, o resultado aponta desaceleração, isto é, perda de ímpeto. Em 2024, o crescimento havia sido de 3,4%.
Os técnicos do Ministério da Fazenda atribuem a perda de ritmo à política de juros altos. “Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto”, afirma o estudo.
Na linguagem dos economistas, hiato do produto é um indicador sobre a capacidade de produção da economia sem gerar pressão inflacionária. O fechamento do hiato citado pelo boletim da SPE indica que os juros altos desestimularam o consumo a ponto de diminuir a alta de preços.
Como juros agem
A política monetária contracionista, isto é, juros em patamar elevado, foi a ferramenta do Banco Central (BC) para conter a inflação, que ficou praticamente todo o ano de 2025 acima da meta do governo, de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC impôs trajetória de alta à Selic ─ taxa básica de juros ─ fazendo-a bater 15% ao ano em junho de 2025 e assim permanecendo até os dias atuais. É o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.
A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos. “A perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro”, aponta o boletim da SPE. Apesar do cenário restritivo, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.
Previsão para 2026
O Copom já anunciou que pretende cortar a Selic na próxima reunião do colegiado, nos dias 17 e 18 de março. Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impactar a redução dos juros.
A SPE estima que o PIB deve crescer 2,3% em 2026.“A expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços”, projeta a SPE.
Os técnicos enxergam que a provável redução de juros dará fôlego à indústria e à construção. A isenção de cobrança de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, que entrou em vigor na virada do ano, é outro incentivo de crescimento, de acordo com a SPE. “Para os serviços, a expectativa também é de maior crescimento, impulsionado pela reforma da tributação sobre a renda e pela expansão do crédito consignado para o trabalhador privado, além da resiliência do mercado de trabalho”, sustenta o boletim.
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Novo silo biorreator promete elevar padrão sanitário do milho no pós-colheita
Equipamento combina armazenamento e ambiente controlado para eliminar fungos, pragas e resíduos químicos em escala industrial.

A Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável e inovadora, capaz de garantir que grãos usados na produção de ração animal estejam livres de toxinas, além de aumentar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio. Desenvolvido em parceria com a empresa Nascente (NCT), o novo silo biorreator batizado de SiloBio (foto ao lado) é uma solução exclusiva para higienização de grãos em larga escala, que amplia a segurança sanitária e o valor agregado da produção.
O silo biorreator é um equipamento que combina a funcionalidade de armazenamento de um silo com o ambiente controlado de um biorreator, para tratar grãos em escala industrial.
No caso do SiloBio, ele utiliza a ação natural do gás ozônio, tecnologia que elimina micotoxinas, fungos, pragas e demais resíduos químicos, para garantir uma ração segura, sustentável e de alto desempenho.
O desenvolvimento da tecnologia começou com a validação de um processo de aplicação de gás ozônio. Essa técnica, realizada por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, visa à redução de teores de micotoxinas em grãos de milho na pós-colheita.
O uso do gás ozônio para controlar as micotoxinas, processo conhecido como detoxificação, já era estudado há algum tempo e com potencial demonstrado na literatura. “A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel.
“Começamos esses estudos com a aplicação direta do gás ozônio nos grãos entre os anos 2012 e 2013. Essa técnica é chamada de aplicação a seco e, em escala de laboratório, utilizou estruturas (protótipos) que simulavam um silo”, comenta Pimentel, que é o líder desse projeto na unidade de pesquisa mineira.
Segundo o pesquisador, foram animadores os resultados obtidos, como a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. “Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, complementa.
Os resultados dessa primeira fase da pesquisa estão publicados em um artigo intitulado Ozone as a Fungicidal and Detoxifying Agent to Maize Contaminated with Fumonisins no periódico Ozone: Science & Engineering
Pimentel observa que o ponto de partida para o escalonamento da tecnologia do SiloBio, em parceria com a empresa Nascente, foram esses resultados promissores e o seu potencial para detoxificação de micotoxinas. Outra possibilidade é o uso como agente de controle de insetos e de oxidação de outras moléculas orgânicas que podem ser consideradas contaminantes, como inseticidas e demais agroquímicos.
Desenvolvimento do biorreator SiloBio
Um biorreator foi desenvolvido para uso nos experimentos voltados ao escalonamento. O equipamento tem como característica principal a movimentação dos grãos no seu interior, que é realizado por uma rosca helicoidal. No corpo do biorreator foram inseridos anéis com injetores de gás ozônio para promover maior homogeneidade de aplicação na massa de grãos. Nesse sistema houve vários experimentos com diferentes lotes de milho contaminados naturalmente com variados teores de fumonisinas.
Pimentel relata que uma das formas de medir a eficiência do processo foi determinar a redução percentual relativa dos teores de fumonisinas, após determinado período de aplicação do gás ozônio. Em seguida, os teores obtidos nos ensaios foram comparados com os Limites Máximos Tolerados (LMT) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou pelo setor produtivo, especialmente os admitidos nas cadeias de proteína animal e de alimentação humana.
A Anvisa estabelece LMT para fumonisinas totais em grão de milho não processado de até 5.000 microgramas por quilograma (μg/kg). Já em alguns segmentos das cadeias de produção de suínos e aves, existe uma indicação de limites mais restritivos, chegando ao máximo de 1.000 μg/kg, para matrizes e algumas fases específicas. A cadeia da indústria de alimentação humana também tem LMT nessa faixa ou até menores.
“Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, comenta o pesquisador. Os dados estão registrados no artigo Tecnologia para redução de fumoninisas em milho por meio da aplicação de gás ozônio.
Inovação para tratamento de milhares de toneladas de grãos
Lote de milho contaminado com fumonisinas
O uso do ozônio no tratamento de grãos não é uma novidade global. Por isso, Tuschi considera importante desmistificar esse ponto. “O mundo já trata diversos tipos de grãos, cereais e sementes com essa tecnologia. A inovação da NCT e da Embrapa está na engenharia do processo”, enfatiza.
“Com o SiloBio, demos um salto na forma de aplicar e escalonar esse tratamento. Pela versatilidade, o equipamento pode processar praticamente qualquer grão. No entanto, o nosso foco inicial e toda a pesquisa-base foi ancorada no milho. Escolhemos esse grão para atuar em um dos pontos mais sensíveis do mercado atual: a nutrição animal nas granjas de aves e suínos. Em paralelo, já temos avanços promissores com sorgo, soja e farelos processados de quaisquer grãos. Uma vez consolidada a solução na cadeia da proteína animal, expandiremos gradualmente para as outras culturas”, comenta o diretor.
Segundo ele, a perspectiva é prática: o produtor adere àquilo que traz retorno para o negócio. As visitas a campo possibilitaram validar que o SiloBio tem potencial de Retorno Sobre o Investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, com base na otimização financeira por reduzir o uso de químicos complementares e na melhoria da qualidade de vida dos animais.
“Essa análise é muito significativa para o mercado”, comenta Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo. “As tecnologias precisam entregar valor ao produtor e demonstrar viabilidade econômica comprovada. Isso aumenta o potencial de adoção pelo mercado”, afirma.
“A apresentação do SiloBio ocorrerá durante a celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. Ao longo de meio século, nossa missão tem sido transformar a ciência em soluções reais para o campo. Não poderíamos comemorar essa data de forma mais significativa do que entregando ao mercado uma inovação que redefine os padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio,” destaca o chefe-adjunto.
Botelho reforça que a finalidade primária da inovação é atuar na sanidade do grão, controlando fungos, degradando micotoxinas e inibindo pragas de armazenamento sem deixar resíduos. O SiloBio responde às exigências da sociedade moderna por processos mais limpos e alinhados aos conceitos de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) e Saúde Única. “Com isso, reafirma o compromisso da Embrapa com um agronegócio mais produtivo, seguro para o consumidor e respeitoso com o meio ambiente”, conclui.



