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Governo de São Paulo anuncia regularização fundiária e investimentos no setor durante a Feicorte 2026

Solenidade de abertura da feira foi marcada pela entrega de títulos rurais, liberação de recursos para municípios e a doação definitiva do Recinto Jacob Tosello à prefeitura de Presidente Prudente

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Autoridades durante a cerimônia oficial de abertura da Feicorte 2026 - Fotos: Agência Result

A cerimônia oficial de abertura da Feicorte 2026 — Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, realizada nesta terça-feira (23/6) na Arena Feicorte, em Presidente Prudente (SP), foi palco para o anúncio de um pacote de investimentos para o desenvolvimento rural paulista.  Durante o encontro, o governador Tarcísio de Freitas realizou a entrega simbólica de títulos rurais, fortalecendo a regularização fundiária no estado, que atingiu a marca de mais de 6,3 mil títulos rurais emitidos e 270 mil hectares regularizados nessa gestão. No Pontal do Paranapanema, foram 4.347 títulos, cobrindo 75% da região.

Homenagem ao ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, responsável pela ida da Feicorte a Presidente Prudente – Fotos: Agência Result

Além do governador, estiveram presentes o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho; o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro; o deputado e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, além de deputados federais, estaduais e prefeitos da região.

Ao destacar o aporte de R$ 1,2 bilhão em linhas de crédito estaduais, Geraldo Melo Filho, afirmou que a produtividade média da pecuária de corte no estado de São Paulo é cerca de 300% superior à média nacional. “Queremos mais confinamento, mais tecnologia, mais produção sustentável e maior inserção internacional”, frisou.

“A Feicorte precisava voltar para o interior, onde o agro acontece de verdade. O Pontal do Paranapanema será uma nova fronteira de desenvolvimento, marcada pela prosperidade e pela segurança jurídica. O produtor precisa de estabilidade e previsibilidade nas políticas públicas e é isso que estamos garantindo em São Paulo”, salientou o governador Tarcísio de Freitas.

 

Infraestrutura e conexão com a sociedade consolidam o evento na região

A solenidade de abertura do evento contou com o anúncio da assinatura da Escritura de Doação definitiva do Recinto de Exposições Jacob Tosello, onde ocorre a Feicorte, para a prefeitura de Presidente Prudente. O prefeito Milton Carlos de Mello (Tupã) celebrou a conquista e anunciou o destino imediato do espaço para modernização. “A partir do momento em que a escritura estiver registrada, a Prefeitura de Presidente Prudente publicará o edital para a reforma do recinto de exposições. Será uma obra estimada em cerca de R$ 4 milhões, que vai modernizar o espaço e fortalecer ainda mais a realização de eventos como este”, adiantou o prefeito.

A integração de diversas frentes do setor pecuário com a comunidade foi apontada pela organização como o pilar de sustentação da feira no município. “A Feicorte já não é mais apenas um evento: ela se tornou um movimento da cadeia produtiva da carne. Conseguimos abordar desde a genética até a carne brasileira de qualidade e o grande objetivo é divulgar esse setor para que todos entendam como funciona nosso sistema produtivo”, ressaltou a CEO da Verum e organizadora da feira, Carla Tuccilio, que fez uma homenagem ao ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, responsável pela ida da Feicorte a Presidente Prudente.

A cerimônia contou com a doação especial de uma camiseta do Brasil autografada pelo governador para o Leilão Pecuária Solidária, marcado para sexta-feira (26/6), às 19h. A arrecadação do remate será destinada ao Núcleo Ttere, instituição voltada à qualificação profissional e à inclusão social de pessoas em situação de vulnerabilidade, em Presidente Prudente.

Fonte: Assessoria

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Muçarela sobe 11,7% e sustenta preços dos lácteos no Brasil

Leite UHT recua após pico de R$ 4,8/litro e spot cai 14,2%, enquanto leite em pó permanece estável e muçarela avança 11,7%, evidenciando maior assimetria entre os derivados.

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Foto: Divulgação

 

O mercado brasileiro de lácteos encerrou maio de 2026 com perda de tração no movimento de recuperação de preços observado nos primeiros meses do ano e um quadro de maior assimetria entre os diferentes derivados. A leitura é do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, que aponta desaceleração das vendas no atacado e no varejo e maior seletividade no repasse de preços pela indústria.

O mercado de leite UHT no atacado em São Paulo passou por um ciclo recente de forte volatilidade, segundo dados do Cileite, com queda no início do ano, rápida recuperação na primavera e posterior correção parcial.

Foto: Divulgação

O preço do litro chegou a recuar de forma gradual até janeiro/fevereiro de 2026, quando atingiu cerca de R$ 3,2 a R$ 3,3. A partir desse patamar, o mercado mudou de direção e registrou uma forte valorização em abril e maio, com cotações avançando para a faixa de R$ 4,7 a R$ 4,8 por litro.

Na sequência, houve perda de fôlego, com o leite UHT recuando para cerca de R$ 4,2 a R$ 4,3 no fim do período analisado. Apesar da correção, o nível atual ainda se mantém acima do piso observado no início do ano.

Na comparação mais recente, o movimento indica alta de 2,9% em relação a maio de 2025, mas queda de 11,2% frente a abril de 2026, quando foi registrado o pico do ciclo.

No conjunto, os dados apontam para um mercado ainda sensível a ajustes de oferta e demanda no curto prazo, com oscilações rápidas e recomposição parcial de preços após o pico registrado no meio do período.

Muçarela sustenta preços dos queijos

O mercado de muçarela no atacado em São Paulo apresentou um ciclo recente de valorização com recuperação expressiva a partir do segundo trimestre, segundo dados do Cileite.

No início do período, os preços oscilaram em torno de R$ 31 a R$ 32 por quilo, antes de entrarem em trajetória de queda até janeiro/fevereiro, quando recuaram

Foto: Geraldo Bubniak

para cerca de R$ 27 a R$ 28. Esse movimento marcou o ponto mais baixo do ciclo.

A partir de março/abril, houve uma reversão consistente, com forte alta e retorno dos preços para a faixa de R$ 34 a R$ 35 por quilo. Desde então, o mercado passou a operar em um patamar elevado, com manutenção em torno de R$ 35.

Na comparação mais recente, o preço registra alta de 11,7% em relação a maio de 2025 e leve elevação de 2,1% frente a abril de 2026, indicando que, apesar da estabilidade recente, o nível de preços permanece sustentado em faixa superior à observada no início do ciclo.

No conjunto, os dados apontam para um mercado de muçarela com forte recomposição de preços após o vale no início do ano e posterior estabilização em patamar elevado.

Leite em pó opera em equilíbrio após ajuste de preços

 

O mercado de leite em pó em sachê no atacado em São Paulo apresentou um ciclo de ajuste com queda no início do período, recuperação parcial no meio do ano e posterior estabilização, segundo dados do Cileite.

Foto: Shutterstock

No começo da série, os preços estavam em torno de R$ 31 a R$ 32 por quilo, mas entraram em trajetória de recuo gradual até janeiro/fevereiro, quando atingiram cerca de R$ 27,5 a R$ 28, configurando o ponto mais baixo do ciclo.

A partir de março/abril, houve recuperação moderada, com retorno dos preços para aproximadamente R$ 31 por quilo. Desde então, o mercado passou a operar em estabilidade, com pequenas oscilações em torno de R$ 30 a R$ 31.

Na comparação mais recente, o produto registra leve queda de 3,1% em relação a maio de 2025 e praticamente estabilidade frente a abril de 2026 (+0,1%), indicando equilíbrio no curto prazo após o período de correção.

No conjunto, os dados sugerem um mercado de leite em pó menos volátil que outros derivados, com ajuste inicial mais prolongado, recuperação parcial e posterior consolidação em faixa intermediária de preços.

Leite spot volta a cair

O mercado de leite spot em Minas Gerais apresentou elevada volatilidade ao longo do período analisado, com forte ciclo de queda, recuperação rápida e nova correção, segundo dados do Cileite.

No início da série, os preços estavam em torno de R$ 2,7 a R$ 2,8 por litro, mas entraram em trajetória de forte recuo até janeiro, quando atingiram o piso de R$ 1,7

Foto: Arnaldo Alves

a R$ 1,8, refletindo um momento de pressão intensa no mercado.

Na sequência, houve uma reversão acentuada, com recuperação rápida até abril, quando as cotações chegaram a aproximadamente R$ 3,2 por litro, configurando o pico do ciclo.

Após esse movimento, o mercado voltou a perder força, registrando nova queda e retornando para a faixa de R$ 2,7 a R$ 2,9 por litro.

Na comparação mais recente, o leite spot apresenta leve recuo de 0,2% em relação a maio de 2025 e queda mais expressiva de 14,2% frente a abril de 2026, quando foi registrado o nível mais alto do período.

No conjunto, os dados indicam um mercado altamente sensível no curto prazo, com oscilações rápidas e forte influência de ajustes de oferta, resultando em ciclos curtos de queda, recuperação e nova correção.

Fonte: O Presente Rural
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Prêmio Queijos do Paraná chega à 3ª edição em 2026 com nova categoria

Concurso reforça a consolidação da cadeia queijeira no Estado e inclui, pela primeira vez, a categoria Queijo Colonial, com avaliação também voltada à versatilidade gastronômica.

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Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

Foi lançada na terça-feira (23), no Mercado Municipal de Curitiba, a 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná, iniciativa que já se consolida como vitrine da qualidade e da evolução da cadeia queijeira no Estado. A organização projeta a participação de mais de 600 produtos nesta edição, número que reforça o avanço em especialização, diversidade e excelência da produção paranaense.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O concurso tem como objetivo valorizar a pecuária leiteira do Paraná, reconhecendo os melhores queijos inscritos por meio da concessão de medalhas nas categorias Super Ouro, Ouro, Prata e Bronze. Mais do que uma premiação, a iniciativa busca estimular a qualificação da produção e dar visibilidade aos diferentes perfis de queijos elaborados no Estado.

A principal novidade deste ano é a inclusão da categoria Queijo Colonial, ampliando o escopo da avaliação e contemplando um dos produtos mais tradicionais da produção regional.

A análise dos queijos seguirá critérios sensoriais rigorosos, com avaliação de atributos como sabor, textura, aroma e aparência. Na nova categoria, haverá uma etapa adicional: além da degustação técnica, os jurados também irão avaliar a versatilidade gastronômica do queijo, considerando seu desempenho em preparações culinárias e em harmonizações com bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O evento de lançamento contou com a presença do vice-governador do Paraná, Darci Piana. Para ele, a união de diversas categorias é a responsável pelos bons resultados da produção de lácteos do Estado. “Com a valorização do trabalho da nossa gente, agora exportamos queijos. A harmonia entre produtores, federações, técnicos, entre outros, faz com que o nosso produto seja valorizado”, destacou.

Lançamento de livro

A cerimônia também marcou o fechamento do ciclo anterior com o lançamento do livro da 2ª edição do prêmio, que registra as histórias dos produtores vencedores, a trajetória da premiação e conteúdos técnicos sobre a produção de lácteos.

A organização do prêmio é realizada por um comitê gestor composto pelo Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Sebrae/PR, Senac-PR e Sindileite-PR.

Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a iniciativa funciona como uma grande vitrine para o setor e consolida o Estado como referência de

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Era um sonho fortalecer essa cadeia e hoje esse sonho chega à terceira edição” – Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

excelência. “Era um sonho fortalecer essa cadeia e hoje esse sonho chega à terceira edição. No nosso primeiro evento, tivemos 291 queijos participantes. No segundo, foram 477 inscrições de 77 municípios. Isso mostra a força e a pujança do queijo do Paraná, não só para nós, mas para o mundo”, explicou.

A fase final e a cerimônia de premiação estão agendadas para os dias 02 e 03 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A programação do evento vai incluir palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas e harmonizações gastronômicas.

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) faz parte do grupo gestor do prêmio, mas também auxilia os produtores desde a formulação de dieta dos animais, até a parte da regularização das queijarias, tecnologia dos processos e comercialização desses produtos. “O trabalho em conjunto traz uma alternativa de renda para nossos produtores rurais, que são premiados internacionalmente. Com esse incentivo, nós conseguimos colocar técnicos em todas as regiões paranaenses. É a mão do Estado ajudando o produtor rural”, reforçou o diretor-presidente do IDR-Paraná, Altair Sebastião Dorigo.

Reconhecimento

No ano passado, o queijo colonial Aroma do Campo foi um dos medalhistas Super Ouro da 2ª edição do Prêmio Queijos do Paraná. De sabor suave e aroma frutado,

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

o produto é produzido com flores por Solange Liller, fundadora da empresa Tia Nena Produtos Coloniais, no município de Cantagalo, no Centro-Oeste do Estado.

A produtora detalha que o queijo foi criado após uma viagem técnica para a França, que a queijaria ganhou em 2023. “Lá, conheci muitos queijos e me inspirei em um deles para criar o Aroma do Campo. Me inscrevi no prêmio para aprimorar as técnicas; foram várias tentativas até chegar à versão final”, explicou. “Quando me inscrevi, só queria que os técnicos me mostrassem o que poderia melhorar. Nunca imaginei que ganharia o Super Ouro”, finalizou Solange.

Hoje, o queijo maturado com ervas e flores de calêndula, perpétua, fada azul e camomila é vendido em diversos municípios do Paraná.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

Prêmio Queijos do Paraná

Criado para estimular a pecuária leiteira, agregar valor à matéria-prima e projetar os derivados lácteos no mercado nacional, o prêmio atua diretamente no fortalecimento de uma cadeia produtiva presente em todos os 399 municípios do Paraná. O concurso aproxima o produtor do mercado consumidor, alcançando desde lojas especializadas, empórios e supermercados até as mesas das famílias paranaenses.

Para se inscrever no Prêmio Queijos do Paraná, os produtores artesanais ou agroindústrias devem preencher um formulário no site do Sistema Faep. 

Presenças

Também estiveram presentes no evento o presidente do Sindileite-PR, Elias José Zydek; o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta; o diretor regional do Senac/PR, Sidnei Lopes de Oliveira; o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, Leverci Silveira Filho; entre outros representantes da categoria.

Fonte: AEN-PR
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Do laboratório ao tanque: como Rondônia derrubou em até 76% a carga bacteriana do leite

Parceria entre Embrapa, produtores e indústria eleva padrões higiênico-sanitários, reduz contaminação e transforma a cadeia leiteira no estado ao longo de sete anos de estudos.

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Um esforço conjunto entre pesquisa científica da Embrapa, produtores rurais, técnicos e o setor industrial vem promovendo uma transformação consistente na pecuária leiteira de Rondônia.

Estudos iniciados em 2013 mostram uma evolução significativa na qualidade do leite entregue às indústrias do estado. A conformidade dos tanques em relação ao limite de contagem padrão em placas (CPP), indicador da carga bacteriana, no período chuvoso, passou de 36% em 2015 para 72,6% em 2022.

Foto: Rafael Alves da Rocha

Essa melhora é acompanhada por uma redução expressiva da média de contagem bacteriana, que caiu 69,1% no período das águas e 76,7% na estação seca. Ao todo, foram avaliados 566 tanques em 2015 e 536 em 2022, distribuídos pelas principais microrregiões produtoras de Rondônia.

Os resultados apontam para uma maior efetividade na execução do Programa Nacional da Qualidade do Leite (PNQL), com avanço na adoção de práticas e processos mais adequados às exigências higiênico-sanitárias previstas em normativas oficiais.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Juliana Alves Dias, que coordenou os estudos, parte dos avanços está associada à atualização regulatória, especialmente com a implementação das Instruções Normativas 76 e 77, do Ministério da Agricultura, em 2019. Ela destaca também o papel da articulação entre os diferentes elos da cadeia produtiva e das ações de transferência de tecnologia. “Nesse contexto, os estudos e as ações convergiram para dar subsídios ao estado. Trabalhamos na identificação dos principais desafios e no direcionamento de estratégias específicas, mostrando que a parceria entre o setor público e privado é o caminho para a efetividade das ações”, afirma.

As pesquisas seguem em andamento e vêm gerando diagnósticos detalhados sobre a cadeia leiteira, incluindo fatores de risco e propostas de solução para a melhoria

Foto: Rafael Alves da Rocha

contínua da qualidade do leite. O objetivo é apoiar produtores e gestores na adequação aos padrões sanitários exigidos pela legislação brasileira.

Os resultados estão consolidados no documento técnico “Contribuições da pesquisa e transferência de tecnologia à execução do Programa Nacional de Qualidade do Leite (PNQL) em Rondônia”, publicado pela Embrapa. A iniciativa também está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 12), da ONU, que trata de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Desafios logísticos e higiênico-sanitários

A cadeia produtiva do leite em Rondônia reúne cerca de 26 mil famílias, com predominância de pequenos e médios produtores. O estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional de produção leiteira e, em 2024, registrou 619 milhões de litros produzidos, o maior volume da Região Norte, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para chegar a esse diagnóstico e identificar os principais fatores de risco no campo, as pesquisas saíram do ambiente laboratorial e avançaram para análises epidemiológicas e de geoprocessamento. Foram considerados indicadores higiênico-sanitários do leite, como contagem bacteriana, contagem de células somáticas (CCS), presença de patógenos associados à mastite bovina e resíduos químicos.

Foto: Rafael Alves da Rocha

Os resultados apontam que o principal gargalo regional está no controle da contagem bacteriana, associado, sobretudo, a falhas na adoção de boas práticas de ordenha e à deficiência na logística de refrigeração do leite.

Entre os pontos críticos identificados está o uso de “carretinhas”, transporte intermediário entre a propriedade e o tanque coletivo. Atrasos no resfriamento e falhas na higienização dos latões utilizados nesse percurso contribuíram para o aumento da carga bacteriana. Atualmente, 78% dos produtores do estado estão vinculados a sistemas de tanques coletivos. A pesquisa também indica que tanques com mais de cinco produtores apresentam maior risco de contaminação, o que levanta a necessidade de reavaliação desse modelo por parte da indústria.

Segundo Juliana, falhas no manejo sanitário dentro das propriedades também elevam o risco de mastite no rebanho. Um dado que chama atenção é que sistemas mais tecnificados, incluindo ordenha mecânica e uso de animais especializados, apresentaram maior probabilidade de ocorrência da doença.

Esse cenário é reforçado pelo monitoramento da contagem de células somáticas (CCS) em tanques vinculados às indústrias. A comparação entre 2015 e 2022 indica tendência de aumento da média de CCS em todo o estado, sinalizando novos desafios para o controle da saúde do úbere. “Esses resultados indicam que o setor enfrenta novos desafios que exigem ações mais efetivas de prevenção e controle da saúde do úbere, especialmente em rebanhos mais tecnificados”, destaca a pesquisadora.

Para chegar a essas conclusões, além do acompanhamento temporal e espacial dos dados de tanques industriais, foram conduzidos dois estudos em nível de propriedade: um em 2013, com 267 rebanhos em 11 municípios da microrregião de Ji-Paraná, e outro entre 2018 e 2019, envolvendo 178 rebanhos ligados a agroindústrias familiares em seis microrregiões do estado.

Projeto piloto avalia impacto das boas práticas nas propriedades

A pesquisa realizada em Rondônia indica que a adoção de práticas simples tem papel decisivo na transformação da qualidade do leite no estado. Entre 2017 e 2018,

Foto: Juliana Alves Dias

quatro propriedades representativas dos principais sistemas de produção da região foram selecionadas para um estudo de validação de protocolos de higiene. A amostra foi definida a partir de levantamentos anteriores e contemplou diferentes realidades produtivas, desde a ordenha manual em piquetes abertos até o sistema mecanizado “balde ao pé”.

Segundo a pesquisadora Juliana Dias, o objetivo foi identificar os principais pontos de contaminação bacteriana durante a ordenha, incluindo baldes, latões, tetos dos animais, ordenhadeiras, água utilizada e as mãos dos ordenhadores. A partir desse diagnóstico, foram propostas práticas adaptadas às condições locais.

Com a adoção do conjunto de boas práticas, como o preparo adequado do úbere e a higienização rigorosa de utensílios e equipamentos, as propriedades registraram uma redução superior a 95% na carga bacteriana do leite, independentemente do nível tecnológico adotado.

Para viabilizar a transferência desse conhecimento ao campo, foram produzidos materiais educativos, como vídeos, notas técnicas e documentos orientadores, destinados a técnicos, produtores e indústrias. Os resultados também foram disseminados em cursos, treinamentos, oficinas e palestras em diferentes regiões do estado. Ao todo, mais de cinco mil pessoas foram alcançadas em 42 municípios, o que representa cerca de 80% do território rondoniense.

A melhoria da qualidade do leite é atribuída a um conjunto integrado de ações, que vai desde a estruturação de laboratórios e diagnósticos da cadeia produtiva até a definição de recomendações técnicas e a aplicação prática das boas práticas nas propriedades.

Foto: Shutterstock

Juliana destaca que a parceria com as indústrias lácteas foi determinante para transformar os resultados da pesquisa em ganhos concretos de qualidade, por meio da análise estratégica de dados, capacitação de equipes de campo e comunicação direta com os produtores.

Além das indústrias, participaram dos projetos a Secretaria de Agricultura de Rondônia (Seagri), a Emater-RO, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), além de unidades da Embrapa, como a Embrapa Gado de Leite, a Embrapa Agricultura Digital e a Embrapa Acre. As ações também contaram com a participação de técnicos e produtores vinculados ao Programa Balde Cheio, coordenado pela Embrapa Pecuária Sudeste.

Qualidade do leite se converte em renda

A adoção de bonificações por qualidade do leite tem funcionado como um incentivo direto à implementação de boas práticas no campo. Em Rondônia, o Laticínio Joia, parceiro da Embrapa, passou a pagar, a partir de 2015, um adicional por litro de leite que atende aos padrões estabelecidos pelo Programa Nacional de Qualidade do Leite (PNQL). A medida contribuiu para melhorar a qualidade da matéria-prima e também a eficiência industrial, estabelecendo uma relação de ganho mútuo entre produtor e agroindústria.

Segundo o proprietário do laticínio, Alessandro Rodrigues, a melhoria na qualidade do leite impacta diretamente o rendimento industrial. “Valorizamos o trabalho do produtor rural que queira se adequar e, quando o leite chega com qualidade à indústria, nós temos uma maior rentabilidade em quilo de massa de queijo produzido. Se antes eu precisava de dez litros de leite para produzir um quilo de queijo, hoje produzo um quilo de queijo com 9,2 litros de leite. Isso em escala, por dia, impacta muito. É uma parceria em que todos se beneficiam”, afirma.

Dados do IBGE indicam que atualmente 92,5% do leite processado em Rondônia é oriundo de indústrias sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que garante maior controle sanitário ao produto que chega ao consumidor final.

De acordo com Juliana, durante o desenvolvimento dos estudos também foi avaliada a qualidade do leite proveniente de rebanhos vinculados a cerca de 85% das

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agroindústrias familiares do estado com Selo de Inspeção Estadual. Nesse processo, foram capacitados 52 fiscais agropecuários e 57 técnicos da Emater/RO, que passaram a atuar como multiplicadores das boas práticas voltadas à qualidade do leite.

Boas práticas elevam produtividade e reduzem perdas

A integração entre pesquisa e extensão rural em Rondônia confirmou que a adoção de boas práticas tem impacto direto na rentabilidade das propriedades. Para o técnico do Programa Balde Cheio, Abner Guimarães, a capacitação focada na qualidade do leite é determinante para o retorno econômico do produtor. “A abordagem técnica permitiu aos produtores a compreensão do quanto a mastite pode ser economicamente importante dentro de uma propriedade; assim, incentivou a adoção de práticas de higiene e o uso correto de antimicrobianos”, explica.

O produtor Ademir Reolon, de Vilhena (RO), relata que as orientações técnicas contribuíram para a redução da contagem padrão em placas (CPP) e da contagem de células somáticas (CCS), o que resultou em bonificações pagas pela indústria. “A partir das orientações, começamos a realizar o monitoramento da mastite subclínica e a adoção da linha de ordenha, em vez de realizar o tratamento com antibióticos”, afirma.

Na avaliação do médico veterinário da Emater/RO, Samuel Borges, a aplicação de protocolos adequados e o acompanhamento em tempo real foram decisivos para a mudança de comportamento nas propriedades.

Ele explica que a mastite clínica exige descarte do leite, gerando perdas diretas e custos com tratamento. Já a forma subclínica, mais difícil de identificar, pode reduzir significativamente a produção sem sinais visíveis. “Dependendo do grau de infecção do rebanho, a queda na produção de leite pode chegar a 18%. Esse é um prejuízo difícil de mensurar, mas é uma realidade. E, por fim, pode chegar ao ponto de descarte dos animais”, complementa.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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