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Governo de Fiji visita o Brasil e planeja importar genética da raça Girolando
Grupo acompanhou o julgamento da raça na Expointer 2025.

Uma missão de técnicos do Ministério da Agricultura de Fiji, país localizado na Oceania, que está em visita ao Brasil, conheceu as características e vantagens da raça Girolando para produção de leite. O gerente do Brazilian Girolando e técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Marcello Cembranelli, reuniu-se com o grupo no último sábado, 30 de agosto, em Esteio (RS), durante a Expointer 2025. Ele apresentou os avanços genéticos da raça, que corresponde a 80% do leite produzido no Brasil, e as tecnologias disponíveis dentro do Programa de Melhoramento Genético de Girolando (PMGG).
O objetivo do governo de Fiji é desenvolver a pecuária local, obtendo exemplos de sucesso no Brasil. De acordo com Cembranelli, eles têm interesse em importar embriões e sêmen. “Lá, o perfil da pecuária é de pequenas propriedades rurais. Eles querem elevar a produtividade dos rebanhos leiteiros. Como Fiji tem temperaturas mais elevadas ao longo do ano, a raça Girolando é ideal por conseguir manter alta produção de leite nessas condições climáticas”, informa o gerente do Brazilian Girolando.
A missão de Fiji também está visitando propriedades rurais, abatedouros, e instituições de controle e pesquisa nos Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O grupo está sendo acompanhado pelo representante do Ministério da Agricultura do Brasil, Lucas Fiuza. Integram a comissão o diretor de Saúde e Produção Animal, Avinesh Dayal, o oficial agrícola do setor de Carnes, Samuel Kunal Prasad, o oficial agrícola do setor de Genética, Jovilisi Mosese Tabuyaqona, o oficial agrícola do setor de Extensão Rural, Penaia Donuca.

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Reinserção de produtores ganha corpo como alternativa para manter pecuaristas no setor
Webinar da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável debate impactos práticos, critérios adotados e desafios para ampliar a requalificação comercial no setor.

A reinserção de produtores na cadeia formal da carne deixou de ser apenas um conceito e já começa a mostrar efeitos práticos no campo. Esse foi o principal ponto do segundo webinar da trilha de diálogos promovida pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS), realizado na última quinta-feira (29), que reuniu representantes do setor privado, do poder público e de organizações técnicas para discutir onde o processo está hoje e quais resultados já vêm sendo observados.
O debate faz parte das ações do Grupo de Trabalho de Terra da entidade e teve como foco a reinserção como um caminho intermediário para produtores que enfrentam restrições comerciais, especialmente ligadas a critérios socioambientais. A proposta não substitui a regularização ambiental de longo prazo, mas busca oferecer uma alternativa mais rápida para o retorno ao mercado formal, com regras claras e acompanhamento contínuo.
Durante o encontro, os participantes detalharam como a reinserção vem sendo estruturada na prática: definição de critérios objetivos, uso de evidências técnicas, monitoramento permanente e divisão de responsabilidades entre produtores, empresas compradoras e poder público. A avaliação é de que o modelo contribui para reduzir riscos na cadeia e apoiar o cumprimento gradual do Código Florestal.
Segundo a coordenadora técnica da MBPS, Beatriz Pressi, o processo tem mostrado ganhos para além do produtor individual. “A reinserção gera impactos positivos tanto para quem está no campo quanto para a cadeia como um todo, ao criar previsibilidade e critérios mais consistentes”, afirmou.
Representantes do setor privado apresentaram dados e experiências que indicam fortalecimento das relações comerciais com fornecedores reinseridos. Para Jay Neto, coordenador de pecuária sustentável da MBRF, o foco exclusivo na exclusão tende a fragilizar a cadeia. “Quando estruturamos caminhos de apoio ao produtor, conseguimos reduzir riscos, melhorar a governança e manter uma base de fornecimento alinhada aos compromissos socioambientais”, destacou.
Do lado do poder público, o debate reforçou a necessidade de integrar critérios ambientais com políticas de inclusão produtiva, especialmente em regiões com maior dificuldade de regularização. Para Indará Aguilar Roumiê, diretora da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA), a reinserção transforma um bloqueio comercial em oportunidade. “Com acesso à informação, assistência técnica e incentivos, o produtor consegue retornar ao mercado formal, o que gera benefícios ambientais, econômicos e sociais”, avaliou.
Além das análises, o webinar trouxe exemplos concretos de produtores que retomaram a comercialização, ampliaram a previsibilidade da renda e passaram a ser mais valorizados dentro da cadeia. Entre os efeitos sistêmicos citados estão a redução de riscos socioambientais, maior consistência nos critérios de compra e avanço na governança do setor.
Para Stefannie Leffler, coordenadora do Grupo de Trabalho e gerente de produtos da Agrotools, o desafio agora é dar escala à iniciativa. “Reinserir é transformar exclusão em requalificação. Com critérios claros e acompanhamento ao longo do tempo, é possível garantir a permanência do produtor no mercado formal”, afirmou.
Como próximos passos, o grupo apontou a necessidade de ampliar a disseminação de informações, fortalecer a assistência técnica no campo, alinhar ações entre iniciativas públicas e privadas e dar maior visibilidade a casos de sucesso, para que o modelo possa ser replicado em outros territórios.
O diálogo completo está disponível no canal da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável no YouTube.
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Demanda interna firme e avanço das exportações sustentam valorização do boi gordo
Levantamento do Cepea aponta que embarques de carne bovina já superam volumes registrados em janeiro do ano passado.

Em janeiro, os valores médios do boi gordo registraram apenas pequenas oscilações frente aos de dezembro/25, apontam pesquisas do Cepea. No entanto, agora em fevereiro, as médias parciais já estão acima das do mês anterior.
De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de janeiro, os valores do boi gordo foram sustentados pelo bom desempenho das vendas internas e pelo expressivo avanço das externas. Ressalta-se que dados parciais da Secex apontam que as exportações brasileiras de carne in natura já superam as de janeiro do ano passado, quando os embarques haviam sido recordes para o mês.
Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que chuvas favoreceram a recuperação de boa parte das pastagens, permitindo aos pecuaristas segurarem os animais no pasto por mais tempo.
Dessa forma, a oferta de animais permaneceu reduzida em janeiro, assim como as escalas de abate, que variaram entre 3 e 10 dias. Agora em fevereiro, compradores precisam ceder e ofertar preços mais elevados para conseguirem completar as escalas.
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Polo do Leite ganha protagonismo como hub de inovação do setor lácteo no Brasil
Agência atua desde 2007 conectando ciência, startups e indústria para impulsionar tecnologia, novos negócios e competitividade na cadeia do leite e derivados.

A Agência de Inovação de Leite e Derivados (Polo do Leite), criada com o suporte do Governo de Minas Gerais, vem se consolidando como uma das principais estruturas de articulação tecnológica do setor lácteo brasileiro. Com atuação iniciada em 2007, a instituição tem como foco o desenvolvimento tecnológico, econômico e social da cadeia do leite e derivados, conectando competências técnicas, científicas e empresariais para fomentar inovação e novos negócios.

Foto: Isabele Kleim
A proposta da agência é atuar de forma integrada no Sistema Agroindustrial do Leite, promovendo o desenvolvimento local, regional e nacional, com base em princípios de inclusão e sustentabilidade. Ao longo de quase duas décadas, o Polo do Leite ampliou sua presença e fortaleceu parcerias estratégicas, tornando-se referência em inovação aplicada ao setor.
Entre as principais linhas de atuação, destaca-se o modelo de Open Innovation, que promove a interlocução com a comunidade científica e tecnológica por meio de iniciativas como o Sistema InovaLácteos, a Rede Ciência, Tecnologia e Inovação em Leite e Derivados e instituições parceiras. A agência também atua na elaboração e gestão de projetos voltados a editais de fomento, junto a instituições como Finep, Fapemig, Fapesp e Faperj, além de projetos de transferência tecnológica.
Outro eixo relevante é a conexão com o ecossistema de inovação, por meio de desafios tecnológicos e da aproximação com startups, buscando soluções para gargalos reais da indústria de leite e derivados e o aumento da competitividade do setor.

Foto: Wenderson Araujo
Estrutura
A estrutura do Polo do Leite inclui ainda uma ampla rede de análises laboratoriais e parcerias institucionais, com acesso a plataformas de inovação e pesquisa vinculadas a instituições como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Instituto de Laticínios Cândido Tostes, Embrapa Gado de Leite, Parque Tecnológico de Uberaba e FAZU.
Na área tecnológica, a agência atua no desenvolvimento de sensores e instrumentação customizada, com aplicações de Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial, voltadas às necessidades específicas da cadeia láctea.
A presença acadêmica também é um diferencial da instituição, que integra a Rede Ciência, Tecnologia e Inovação em Leite e Derivados e participa do Mestrado Profissional em Leite e Derivados, fortalecendo a formação de recursos humanos e a aplicação prática do conhecimento científico.
Núcleos de Inovação
Atualmente, o Polo do Leite conta com quatro Núcleos de Inovação, localizados em Juiz de Fora, Viçosa, Lavras e Uberaba, envolvendo 15 instituições de ciência e tecnologia. O ecossistema já contabiliza 83 startups pré-aceleradas, mais de 160 empreendedores qualificados e 26 startups incubadas.
Um dos principais instrumentos dessa atuação é o Sistema InovaLácteos (SIL), hub de inovação que reúne parceiros institucionais e

Foto: Ari Dias
tecnológicos para promover soluções inovadoras em toda a cadeia agroalimentar do leite. O objetivo é ampliar o número de empresas de base tecnológica e gerar respostas concretas aos desafios dos diferentes segmentos do setor, com foco especial na competitividade da cadeia láctea de Minas Gerais.
O SIL é executado pelo Polo do Leite em parceria com o Governo de Minas Gerais, por meio das Secretarias de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e de Desenvolvimento Econômico (Sede), com apoio da Fapemig, além de parques tecnológicos e universidades vinculadas.
Com atuação integrada entre ciência, mercado e políticas públicas, o Polo do Leite se posiciona como um elo estratégico para transformar conhecimento em inovação, reforçando o papel do Brasil na modernização e no fortalecimento sustentável da cadeia do leite e derivados.



