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Governo brasileiro acompanha decisão europeia que trava acordo com Mercosul
Pedido de avaliação jurídica paralisa a implementação do tratado. No Brasil, a expectativa do governo é que a internalização do acordo esteja aprovada até o segundo semestre pelo Congresso Nacional.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, na noite de quarta-feira (21), que tomou conhecimento e agora acompanha os próximos passos da decisão do Parlamento Europeu, que, por uma margem apertada de votos, decidiu pedir ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) uma avaliação jurídica sobre o acordo de parceria comercial do bloco com o Mercosul (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai).

Foto: Claudio Neves
O tratado, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes, foi assinado por representantes dos dois lados no último sábado (17), em Assunção, no Paraguai. “O governo brasileiro confere toda a prioridade à ratificação do Acordo Mercosul-União Europeia e seguirá trabalhando para acelerar seus trâmites internos de aprovação com vistas a garantir que todas as condições para sua plena entrada em vigor estejam satisfeitas com a máxima celeridade possível”, disse o ministério, em manifestação enviada à reportagem.
O pedido por um parecer jurídico sobre a legalidade dos termos do tratado, bem como sobre os procedimentos adotados para obter sua celebração, foi aprovado nesta quarta-feira pelos eurodeputados. Na prática, a medida paralisa o processo de implementação do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelos legisladores dos 32 países envolvidos (27 europeus e cinco sul-americanos).

Foto: Claudio Neves
Foram 334 membros do Parlamento Europeu a votarem favoráveis ao pedido de avaliação jurídica do Tribunal de Justiça. A proposta recebeu 324 votos contrários e 11 abstenções.
Pelos termos do que foi aprovado, o tratado comercial, prevê a eliminação de tarifas alfandegárias sobre a maior parte dos bens e serviços produzidos entre os dois blocos. O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

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Paraná aposta no biometano e estrutura mercado e rodovias para atender frotas pesadas
Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária.

O Paraná tem liderado em nível nacional algumas iniciativas verdes relacionadas ao transporte do futuro. Essa estratégia inédita no País busca acelerar a descarbonização do transporte de veículos comuns, com as eletrovias, e de cargas pesadas, criando condições para que o biometano produzido no campo substitua progressivamente o diesel nas rodovias.
Com uma cadeia produtiva estruturada do produtor rural ao caminhoneiro, o Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária. O resultado é o surgimento de um novo mercado energético que transforma os dejetos da produção de proteína animal em combustível limpo e mais barato.
Os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis têm como objetivo ampliar a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões, diversificando a matriz energética com soluções como eletrificação, etanol e biodiesel.

Foto: IDR
Em 2024, a Compagas iniciou a operação da primeira rota entre Londrina e Paranaguá, conectando Norte e Litoral e permitindo que veículos pesados circulem abastecidos com GNV e, futuramente, biometano. Hoje já são 13 postos preparados para caminhões em pontos estratégicos, possibilitando a integração com São Paulo e Santa Catarina e também com Mato Grosso do Sul e garantindo autonomia às frotas.
A segunda linha de atuação, em implementação, leva o biometano para o Interior do Estado, onde não há gasodutos e a produção rural de biomassa é abundante.
“O gás já está disponível nas principais rotas rodoviárias que interligam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda possui alto potencial para incorporar o gás na sua matriz de transporte rodoviário. Nossa estratégia é inserir amplamente o gás natural e o biometano nas rotas que movimentam a produção agroindustrial do Estado e obter um avanço significativo na descarbonização do setor, oferecendo economia para transportadoras, reduções dos custos de frete e ganhos em eficiência logística”, destaca o diretor-presidente da Compagas, Eudis Furtado Filho.
A Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN), vinculada à Secretaria do Planejamento, coordena a estratégia estadual de transição energética. O superintendente Sandro Vieira explica que os Corredores Sustentáveis resultam de uma evolução do conceito de mobilidade limpa.
“Quando surgiram as eletrovias, chamava-se corredor verde. Depois veio o gás natural, o corredor azul. Hoje chamamos de corredor sustentável porque não importa mais a fonte. O Paraná trabalha com eletromobilidade, biometano, etanol e biodiesel, e isso reforça a diversidade energética do Estado”, afirma.
O biometano é quimicamente idêntico ao gás natural, sendo intercambiável na infraestrutura existente. A diferença está na origem: enquanto o gás natural é fóssil, o biometano é obtido a partir da digestão de resíduos como dejetos suínos, frangos, bovinos, vinhaça de cana ou aterros sanitários.
O coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio da SUPEN, Thiago Olinda, resume o potencial dessa combinação. “Interpretamos o gás natural como um combustível de transição e um indutor do biometano. Aonde o gás natural chega, o biometano também se conecta. Por isso o desenvolvimento de postos pela Compagas é fundamental para dar capilaridade ao projeto”, diz.
O Estado também fortalece a produção de biometano por meio de programas como o RenovaPR, que oferece financiamentos e equalização de juros para implantação de biodigestores, e com incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. A justificativa é ambiental e econômica. A suinocultura, por exemplo, é um dos segmentos que mais geram biogás.
Segundo o coordenador do RenovaPR no IDR-PR, Herlon Almeida, o biometano fecha um ciclo virtuoso. Ele explica que os dejetos animais emitem metano, gás até 21 vezes mais agressivo que o CO2, se liberados na atmosfera. Com a biodigestão, o produtor trata o resíduo, reduz emissões, obtém licenciamento ambiental, gera energia e cria um ativo.
“Temos que criar um mercado demandante de biometano. O grande mercado é a substituição do diesel, como já ocorre nos Estados Unidos e Europa. Estamos iniciando uma caminhada cujo horizonte é 2035, quando o Paraná poderá substituir cerca de 15% do diesel consumido no Estado”, avalia.
Exemplos em andamento
No Oeste, esse novo mercado já é realidade. A cooperativa Primato, de Toledo, inaugurou em 2023 uma bioplanta que transforma 630 mil litros de dejetos suínos por dia em biometano e fertilizante organomineral, abastecendo seis caminhões da própria frota e permitindo que 13 produtores aumentem sua produção sem ampliar áreas de disposição de resíduos.

Foto: Copel
O diretor-executivo da Primato, Juliano Millnitz, destaca que a motivação inicial nasceu de um problema regional. “O maior plantel de suínos do Brasil está aqui. Percebemos que o nosso problema trazia uma oportunidade em um projeto de descarbonização. Hoje abastecemos caminhões com biometano e reduzimos em 30% a 35% o custo em relação ao diesel”, conta.
Para ele, o impacto ambiental ainda é maior que o econômico. “A parte ambiental desse projeto é muito forte. É economia circular. O dejeto vira adubo para milho e soja, que alimentam o suíno novamente. E ainda reduzimos emissões e abrimos mercado internacional para carne produzida de forma sustentável”, explica.
Outro exemplo de como o biometano está reunindo investimentos é com a Potencial. A empresa que tem planta na Lapa vai se tornar a segunda fabricante nacional de biodiesel a escoar parte de sua produção per meio de dutos. O projeto é parte de uma grande rodada de investimentos focados na expansão da oferta de gás natural e de biometano que está sendo realizado pela Compagas. No total, a empresa pretende investir R$ 200 milhões na iniciativa.
O plano é interligar a usina da Potencial em Lapa às distribuidoras localizadas no entorno da Refinaria Presidente da Getúlio Vargas (Repar) da Petrobras na cidade de Araucária, a cerca de 50 quilômetros de distância. A cidade conta com 13 bases de distribuição autorizadas pela ANP incluindo uma pertencente ao próprio Grupo Potencial.
Frota mais verde
Além das cooperativas, o Estado trabalha ao lado da demanda. A Secretaria da Indústria e Comércio (Seic) firmou parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) para estimular transportadoras a migrarem para veículos híbridos ou movidos integralmente a gás.
O assessor técnico da Seic, Rodrigo Becegato explica que o setor de transporte é responsável por 74% das emissões do setor energético no Paraná, principalmente devido ao diesel. “Nosso foco é fomentar o consumo e criar condições para que o transportador considere o biometano como alternativa viável. Os workshops que realizamos com os sindicatos mapeiam rotas, gargalos e perfis das frotas para entender a infraestrutura necessária. Vemos o modelo híbrido como um caminho seguro até a adoção de caminhões exclusivamente movidos a gás”, detalha.
O conjunto dessas ações faz com que o Paraná esteja entre os pioneiros na regulação e na operação em escala do biometano como combustível. O projeto está alinhado ao Programa Combustível do Futuro, à Lei Federal nº 14.993/2024 e ao Decreto nº 12.614/2025, que tratam da descarbonização e certificação de origem do biometano.
A expectativa é que o combustível possa reduzir em até 60% o custo do quilômetro rodado quando usado no modo puro, além de ampliar a competitividade da proteína animal paranaense no mercado internacional, devido às exigências ambientais.
Com infraestrutura de abastecimento se expandindo, incentivos à produção, parceria com transportadores e novas plantas anunciadas, o Estado enxerga no biometano um vetor de desenvolvimento. Para Herlon Almeida, trata-se de um novo ciclo econômico. “O Paraná tem uma nova cadeia produtiva altamente promissora. Ela gera emprego, movimenta a economia local, reduz emissões e diminui o custo do frete. É o que na economia chamamos de cadeia produtiva promissora”, pontua.
Eletrovias
O investimento do Paraná em diferentes soluções de mobilidade sustentável também acompanha o avanço acelerado do mercado de veículos eletrificados no Brasil. Segundo dados divulgados no início de janeiro pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em 2025 em comparação com 2024, saltando de 177.538 emplacamentos em 2024 para 223.192 neste ano.
Nesse contexto, o Estado conta hoje com uma das eletrovias mais robustas do País. A Copel faz a gestão de 12 pontos de recarga de veículos elétricos distribuídos ao longo da BR-277 e em áreas urbanas, formando uma eletrovia de 730 quilômetros que liga o Porto de Paranaguá às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Essa tecnologia também está instalada na BR-376. Apenas em 2025, os eletropostos operados pela companhia registraram 23.970 recargas, com consumo de 429 MWh de energia e tempo médio de 43 minutos por recarga.
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JBS acelera expansão na Arábia Saudita e fortalece estratégia no mercado agro global
Investimentos em Jeddah e Dammam ampliam produção de aves e consolidam atuação alinhada à Visão Saudita 2030.

A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, anunciou nesta quinta-feira, 22, uma grande expansão de suas operações na Arábia Saudita, reforçando seu compromisso de longo prazo com o mercado local e sua meta de posicionar o país como um centro de produção e exportação de alimentos halal, atendendo ao Oriente Médio, ao Sudeste Asiático e a outros mercados globais.
O investimento faz parte de um aporte de capital mais amplo, de US$ 85 milhões na Arábia Saudita, abrangendo as operações da Companhia em Jeddah e Dammam. A JBS opera localmente por meio da Seara, com fabricação de produtos, distribuição e vendas, atendendo a clientes do varejo, foodservice e atacado em todo o país.
A expansão inclui uma parceria estratégica com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (Entaj) para lançar uma linha de frangos inteiros e outros cortes de aves na Arábia Saudita. Esse novo passo representa um marco fundamental na estratégia de crescimento da JBS.
A nova fábrica, que opera desde 2025, já exporta para outros países da região, como Kuwait, Omã e Emirados Árabes. Com a expansão em andamento, vai duplicar sua produção ainda neste ano. O projeto está alinhado aos objetivos do programa Visão Saudita 2030, plano do país para produção local, segurança alimentar e crescimento das exportações não relacionadas ao petróleo.
A expansão em Jeddah tem impacto direto no mercado de trabalho, com a geração de 500 empregos diretos, levando o quadro total da JBS na Arábia Saudita para cerca de 950 colaboradores.
A JBS atua no país há mais de 30 anos com a exportação de aves dentro dos rigorosos requisitos de qualidade e padrões halal. Com os investimentos recentes, a empresa vem construindo um ecossistema de produção integrado na Arábia Saudita. Enquanto Dammam oferece uma ampla gama de produtos e se concentra em carne bovina, linguiças e salsicha de frango, mortadela e peito de aves, o complexo em Jeddah expande o portfólio em diversas categorias, em especial produtos de frango de valor agregado.
“A Arábia Saudita é um mercado de crescimento prioritário para a Seara, e essa expansão reflete nosso compromisso de longo prazo com o país e com a região MENA em geral”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS: “Ao investir na produção local em Jeddah, fortalecemos a segurança alimentar, expandimos a capacidade halal e a apoiamos a Visão 2030 através de cadeias de abastecimento resilientes e do desenvolvimento de talentos locais”.
“A expansão e a parceria que anunciamos hoje com a Entaj [a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment] são passos estratégicos para fortalecer a rede global de produção e fornecimento da JBS”, disse João Campos, presidente da Seara: “A Arábia Saudita nos permite contar com um centro halal escalável que aumenta a resiliência da cadeia de suprimentos e apoia o crescimento no Oriente Médio e Norte da África, em outros países do continente, e na Ásia, ao mesmo tempo em que reforça nosso compromisso com a segurança alimentar sustentável em todo o mundo”.
Com o avanço na atuação na Arábia Saudita, a JBS ocupa o terceiro lugar em market share de frango congelado, com 93% de awareness (conhecimento de marca) na categoria congelados na região do CCG, incluindo alimentos preparados, cortes e frangos inteiros.
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Abisolo reforça protagonismo em inovação e sustentabilidade no Fertilizer Latino Americano
Entidade participa como apoiadora institucional do evento internacional, com presença em painel técnico sobre fertilizantes especiais, novas tecnologias e os desafios ambientais e geopolíticos do setor.

O vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Gustavo Branco, será um dos palestrantes do Fertilizer Latino Americano (FLA), um dos principais eventos globais do setor de fertilizantes, que será realizado na Flórida (EUA). O encontro reúne anualmente lideranças, executivos e especialistas da América Latina e de outros mercados estratégicos.
A participação de Gustavo Branco acontece no dia 26 de janeiro de 2026, às 11h50, no painel “Fertilizantes especiais e inovação: novas tecnologias”. A Abisolo participa do evento como apoiadora institucional, reforçando sua atuação ativa nos debates internacionais sobre inovação, eficiência agronômica e sustentabilidade na agricultura.
Como palestrante, Gustavo Branco levará ao palco uma abordagem direta e provocativa sobre a evolução da agricultura, com foco no avanço dos fertilizantes especiais, dos aditivos e dos chamados produtos protegidos. Entre eles estão tecnologias como inibidores de urease, inibidores de nitrificação e soluções de liberação lenta e controlada. Segundo ele, a pressão por eficiência produtiva, aliada às exigências ambientais e à busca por rastreabilidade, tem acelerado a adoção dessas soluções.
Outro eixo da palestra será a discussão sobre transparência ambiental e o uso de créditos de carbono. Para o executivo, o conceito de neutralidade, da forma como é aplicado atualmente, ainda carece de critérios objetivos e técnicos. “Quando falamos em neutralidade, precisamos ser objetivos. Reduzir parte das emissões e ignorar o restante não resolve o problema. O que precisamos é tornar os processos cada vez menos poluentes, com adoção real de tecnologias mais eficientes, e não apenas discursos ou médias estatísticas”, destaca.
Gustavo Branco também pretende abordar os efeitos da geopolítica no mercado global de fertilizantes, marcados pela regionalização das cadeias produtivas, aumento de custos e incertezas. Nesse cenário, o Brasil se destaca como um dos países que mais rapidamente incorporam novas tecnologias, com as especialidades já representando cerca de 22% do mercado nacional de nutrição vegetal, frente a uma média global próxima de 5%.
Com um tom assumidamente crítico, Gustavo Branco afirma que o objetivo de sua participação é provocar reflexões e estimular debates mais profundos sobre o futuro da agricultura, da tecnologia e da sustentabilidade. A proposta é olhar além de interesses imediatos e de modelos que já não respondem às demandas atuais do setor.



