Peixes
Governo amplia em 324 toneladas cota da tainha para emalhe liso no Sul e Sudeste
Nova regra eleva limite para 2.394 toneladas após análise técnica indicar que a exploração da espécie permanece dentro de níveis sustentáveis.

O Governo Federal ampliou em 324 toneladas a cota de captura da tainha (Mugil liza) na modalidade de emalhe costeiro de superfície, conhecida como emalhe liso, nas regiões Sul e Sudeste do país. A medida, publicada em portaria conjunta dos ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), eleva o limite de captura da modalidade para 2.394 toneladas na safra de 2026.

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A decisão foi baseada em análises técnicas da temporada de pesca, dados científicos atualizados, na avaliação mais recente do estoque da espécie e nas informações do Sistema PesqBrasil – Monitoramento. Segundo o governo, os estudos apontam que, mesmo com o aumento da cota, a exploração da tainha permanece dentro dos limites considerados sustentáveis, preservando margem de segurança em relação ao Rendimento Máximo Sustentável (RMS).
A ampliação ocorreu após a modalidade atingir o gatilho previsto para encerramento da atividade, conforme estabelecido pela Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026.
A nova cota também contempla 88 embarcações originalmente autorizadas para a modalidade de emalhe anilhado, que poderão operar com emalhe liso, desde que respeitem as condições, os limites de captura e os mecanismos de controle previstos na regulamentação.
De acordo com o governo, a medida busca equilibrar a conservação dos estoques de tainha com a continuidade da atividade pesqueira, considerada importante para

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a geração de renda, a segurança alimentar e a manutenção das comunidades tradicionais do litoral. A decisão também levou em conta o comportamento migratório da espécie, que percorre a costa no sentido Sul-Norte, fazendo com que o acesso aos cardumes ocorra em momentos diferentes entre estados e municípios.
Apesar da ampliação da cota, permanecem inalterados os mecanismos de monitoramento, fiscalização e controle das capturas. O acompanhamento continuará sendo realizado pelo Sistema PesqBrasil – Monitoramento, responsável pelo registro da produção ao longo da safra.
Segundo o MPA e o MMA, a medida integra a estratégia de gestão pesqueira baseada em critérios científicos e no monitoramento contínuo dos estoques, com o objetivo de conciliar a sustentabilidade da espécie com a atividade econômica da pesca.

Peixes
Captura de tainha atinge 81% da cota e pesca se aproxima de suspensão
Modalidade de emalhe anilhado será encerrada quando as capturas alcançarem 85% do limite de 1.094 toneladas fixado para a temporada de 2026.

O aumento da captura da tainha na safra de 2026 colocou a temporada de pesca na modalidade de emalhe anilhado perto do encerramento. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) publicou a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 64 informando que a cota da espécie já atingiu 81% do limite estabelecido para este ano.
A modalidade possui uma cota total de 1.094 toneladas em 2026, conforme definido pela Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026. Com o percentual divulgado, cerca de 886 toneladas da espécie já foram capturadas.
Os números são atualizados por meio do Painel de Monitoramento da Temporada, plataforma oficial do Governo Federal que acompanha diariamente a evolução das capturas e subsidia a gestão da atividade pesqueira.
Pelas regras em vigor, a pesca será encerrada quando a captura alcançar 85% da cota autorizada. O critério está previsto no artigo 23 da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, o que indica que a suspensão da atividade pode ocorrer nos próximos dias, caso o ritmo de desembarques seja mantido.
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, novas atualizações serão divulgadas conforme a evolução das capturas registradas pelo sistema de monitoramento.
A limitação da captura integra as medidas de gestão voltadas ao uso sustentável dos estoques de tainha, espécie de grande relevância econômica para a pesca artesanal e industrial, além de sua importância ambiental para os ecossistemas costeiros brasileiros.
Peixes
Aquicultura na América Latina cresce acima da média global
Produção aquícola na região avança 7,2% ao ano, mais que os 4,9% globais, e chega a 4,4 milhões de toneladas em 2024, com Chile, Equador e Brasil concentrando 79% do volume produzido.

A aquicultura na América Latina e no Caribe segue em trajetória de expansão acelerada e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos, impulsionada principalmente por espécies de alto valor comercial, como salmão e camarão.

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Segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor aquícola na região cresceu em média 7,2% ao ano, desempenho superior à média global de 4,9%. Em termos absolutos, a produção passou de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024, dentro de um total mundial de 103 milhões de toneladas.
Apesar do avanço, a participação da região ainda é relativamente modesta no cenário global, embora estratégica em determinados nichos produtivos.
O crescimento da aquicultura latino-americana está fortemente concentrado na América do Sul. Em 2024, três países responderam por 79% de toda a produção aquícola regional: Chile, com 1,4 milhão de toneladas; Equador, com 1,2 milhão de toneladas; e Brasil, com 0,9 milhão de toneladas.
Esses países se consolidam como polos produtivos e exportadores, com destaque para o Chile, líder regional e referência global na produção de salmão.
Expansão inclui novas fronteiras como as algas
O relatório aponta ainda que os países da América Latina e do Caribe continuam ampliando seus sistemas de produção aquícola, com atenção crescente ao cultivo de

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algas, segmento considerado promissor por sua aplicação em alimentos, ração e bioeconomia.
O Chile lidera também esse nicho emergente, seguido por Venezuela e Brasil, que começam a estruturar cadeias produtivas ainda em fase inicial de desenvolvimento.
Pesca marinha ainda domina o emprego no setor
Apesar do avanço da aquicultura, a pesca marinha segue como principal fonte de emprego no setor primário. Em 2024, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam globalmente na pesca e aquicultura, sendo 35% na aquicultura e 56% na pesca de captura.
Na América Latina e no Caribe, mais de 3 milhões de pessoas atuam no setor, o que representa cerca de 5% da força de trabalho global ligada à atividade.

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A pesca marinha responde por 73% dos empregos regionais, sustentando comunidades costeiras e rurais. A pesca de pequena escala também permanece central para a segurança alimentar, a renda local e a identidade cultural de populações tradicionais.
Consumo ainda abaixo da média global
Apesar de ser a segunda maior região produtora de alimentos aquáticos, a América Latina e o Caribe ainda apresentam consumo abaixo da média mundial.
Em 2023, a disponibilidade per capita de alimentos de origem aquática foi de 10,1 kg na região, contra 21,1 kg no mundo. Embora tenha havido crescimento desde 2000, o avanço anual médio de 1,8% resultou em aumento per capita limitado, de apenas 0,8% ao ano.
Perspectiva de expansão até 2034
As projeções da FAO indicam que a produção global de animais aquáticos deve crescer cerca de 8% até 2034, com a aquicultura liderando a expansão, com alta

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estimada de 26%.
Nesse cenário, a América Latina e o Caribe devem manter a posição de segunda maior região produtora de aquicultura, respondendo por cerca de 5% da produção global. “O trabalho da FAO na região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, afirma Orellana Halkyer.
Os dados integram o relatório “O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura 2026”, da FAO, que reúne estatísticas globais sobre produção, comércio, emprego e disponibilidade de alimentos aquáticos, além de análises sobre tendências e sustentabilidade do setor.
Peixes
Doença em peixes pode se espalhar pela água entre viveiros, aponta pesquisa inédita da Embrapa
Parceria entre Brasil e Itália desenvolve modelo de alerta precoce que mapeia riscos sanitários na piscicultura e pode reforçar a prevenção de surtos em diferentes espécies.

A conectividade entre viveiros inseridos em uma mesma bacia hidrográfica pode favorecer a disseminação de doenças em peixes. A constatação é resultado de uma pesquisa da Embrapa Pesca e Aquicultura, que aplicou pela primeira vez no Brasil uma metodologia italiana voltada ao monitoramento sanitário de organismos aquáticos. O estudo abre caminho para o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce capazes de fortalecer a biosseguridade da aquicultura nacional.
O trabalho é fruto de uma cooperação técnico-científica entre a Embrapa e o Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), da Itália. A iniciativa utilizou ferramentas de Sistema de Informações Geográficas (SIG) para analisar a influência do território, da rede hidrográfica e da proximidade entre unidades produtivas na propagação de enfermidades.

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Como resultado, os pesquisadores elaboraram mapas capazes de classificar os viveiros em áreas de alto, médio ou baixo risco de contaminação, permitindo uma atuação mais rápida em situações de emergência sanitária.
A metodologia foi originalmente desenvolvida pelo instituto italiano para apoiar programas de vigilância em saúde animal e no controle de emergências sanitárias, incluindo a influenza aviária. No Brasil, ela foi adaptada para estudar o acantocéfalo, considerado um dos principais parasitas que afetam o tambaqui (Colossoma macropomum), espécie de grande importância para a piscicultura nacional.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Patricia Oliveira Maciel, a escolha da enfermidade ocorreu pela disponibilidade de informações acumuladas ao longo dos anos. “Escolhemos trabalhar com o acantocéfalo porque já tínhamos muitos dados sobre essa doença no tambaqui e também por ser a principal enfermidade que acomete a espécie. Além disso, em 2015 houve um surto em Rondônia, o que reforçou a necessidade de compreender melhor sua dinâmica de propagação”, explica.
Território influencia a saúde dos peixes
Para o geógrafo Rodrigo Macario, pesquisador do IZSVe, o estudo demonstra que a saúde animal na aquicultura vai além dos limites de uma propriedade. “Não se trata apenas de produzir mapas ou utilizar ferramentas digitais. O objetivo é compreender de forma estruturada como o território e as relações espaciais podem influenciar a saúde dos animais aquáticos”, afirma.
De acordo com ele, fatores como fluxo de água, rede hidrográfica, proximidade entre produtores, características ambientais e organização do espaço produtivo

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podem desempenhar papel decisivo na ocorrência e na disseminação de doenças. “Essa experiência mostrou, de forma concreta, como geografia, Sistemas de Informação Geográfica e saúde animal aquática podem dialogar dentro de uma abordagem territorial estruturada”, acrescenta.
Modelo pode ser aplicado a outras espécies
Além de aumentar a capacidade de prevenção, detecção precoce e resposta rápida a surtos, os pesquisadores destacam que a metodologia é flexível e pode ser utilizada em diferentes sistemas produtivos e espécies aquícolas.
A conclusão do estudo é que os Sistemas de Informação Geográfica representam uma ferramenta promissora para fortalecer programas de vigilância epidemiológica e saúde animal aquática, contribuindo para uma aquicultura mais sustentável, segura e preparada para enfrentar desafios sanitários futuros.
Metodologia italiana validada no Brasil
O estudo começou quando a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Ana Paula Oeda, participou de um congresso da World Aquaculture Society (WAS). Na ocasião, ela conheceu um pesquisador italiano que trabalhava com análise espacial aplicada à aquicultura. O IZSVe, instituição à qual ele estava vinculado, já tinha um histórico consolidado no uso de ferramentas geoespaciais para mitigação de doenças, incluindo a influenza aviária, e havia desenvolvido um protocolo para conter surtos sanitários com base em análises de conectividade hídrica.

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Na época, o instituto italiano tinha um projeto em andamento, cujo objetivo era desenvolver protocolos baseados em SIG para contenção de doenças em animais aquáticos, e precisava de um estudo de caso real para validar a metodologia em ambientes terrestres, como pisciculturas interligadas pela mesma hidrologia.
A pesquisadora especialista em sanidade, Patricia Maciel, e a geógrafa da Embrapa Amazônia Oriental, Marta Ummus, mestre em Sensoriamento Remoto, lideraram o estudo, escolhendo como objeto de pesquisa a transmissão do acantocéfalo.
O parasita tem um ciclo de vida relativamente conhecido. Seus ovos são eliminados nas fezes dos peixes infectados e, uma vez na água, são ingeridos por ostracodes, pequenos crustáceos que atuam como hospedeiros intermediários. Os peixes sadios se infectam ao se alimentar desses ostracodes contaminados. O ciclo completo dura cerca de dois meses. “O impacto econômico da infecção é significativo. Estima-se que peixes parasitados deixem de ganhar até 20% do peso esperado em comparação com animais saudáveis, o que, em escala comercial, representa perda considerável de produtividade e elevação dos custos de produção”, destaca Ummus, ressaltando: “Para um produtor da Amazônia, que já enfrenta desvantagens logísticas em relação a outras regiões do país, cada ponto percentual de perda faz diferença no orçamento”.
Dificuldade no levantamento de dados oficiais
Se a escolha do patógeno foi relativamente simples, o mesmo não se pode dizer da obtenção dos dados. A aplicação do protocolo SIG demanda informações

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georreferenciadas de ocorrência da doença, idealmente fornecidas pelos órgãos estaduais de defesa sanitária animal. No entanto, não foi possível obter os dados primários por questões de segurança e política institucional dos órgãos envolvidos.
Diante desse entrave, a solução foi recorrer a dados secundários. A equipe utilizou informações de um artigo científico recém-publicado, que trazia pontos georreferenciados de ocorrência de acantocéfalo em tambaqui no estado de Rondônia, a mesma região onde a equipe pretendia realizar o estudo.
A situação acendeu um alerta entre os pesquisadores. Sem políticas públicas que garantam o compartilhamento de dados sanitários entre órgãos oficiais e instituições de pesquisa, o desenvolvimento de ferramentas de vigilância e alerta precoce fica bastante limitado. “Precisamos de uma política de dados mais transparente”, defende Ummus. “Na Itália, ao contrário do Brasil, há um controle maior no georreferenciamento de pisciculturas e seus problemas de sanidade. Aqui há muitas criações funcionando na informalidade, o que prejudica o acesso a dados espaciais e sanitários”, pontua.

Foto: Aliny Melo
Segundo Macario, na Itália e na União Europeia, esse tema é tratado dentro de um sistema regulatório estruturado de sanidade animal. No caso da aquicultura, o produtor tem responsabilidades sanitárias específicas. “Em situações como mortalidade anormal, sinais graves de doença ou queda significativa da produção sem causa conhecida, ele deve acionar um veterinário para que a situação seja avaliada e, se necessário, encaminhada aos serviços oficiais”, explica.
Como funciona o protocolo SIG
O protocolo validado no estudo confirmou que a água é um grande vetor de transmissão de patógenos, mesmo a longas distâncias. As análises consideram as direções por onde correm as águas de uma corrente fluvial: jusante é quando seguem o fluxo normal, em direção à foz, e montante é quando se dirigem à nascente, ou seja, contracorrente. Se uma propriedade está a montante de outra e há conectividade hídrica entre elas, o fluxo de água carrega consigo ovos, cistos, bactérias ou vírus, dependendo do agente infeccioso.
O estudo mapeou exatamente quais propriedades estavam em cada categoria de risco na região analisada, gerando um retrato inédito da vulnerabilidade sanitária da cadeia aquícola local.
De acordo com Ummus, o mapeamento começa com a identificação e a localização de todas as propriedades aquícolas em uma bacia hidrográfica. Em seguida,

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calcula-se a conectividade hídrica entre elas, isto é, quais propriedades estão ligadas pelo mesmo curso d’água e em que posição (montante ou jusante) cada uma se encontra.
De posse dessas informações, o sistema classifica as propriedades em categorias de risco:
- Alto risco: propriedades a jusante de uma fonte de infecção confirmada, diretamente conectadas pelo fluxo hídrico.
- Médio risco: propriedades em áreas de conectividade indireta ou sazonal.
- Baixo risco: propriedades sem conectividade hídrica com focos conhecidos da doença.
“No caso de Rondônia, na Bacia do Rio Machado, há uma particularidade importante. Assim como em outros locais da região amazônica, é comum que os tanques sejam escavados diretamente no leito dos igarapés. Isso cria uma conectividade hídrica praticamente permanente entre as propriedades, o que, do ponto de vista sanitário, aumenta significativamente o risco de propagação de patógenos”, destaca Maciel.
Um sistema de alerta precoce para a aquicultura
A validação do protocolo abre caminho para aplicações práticas de alto impacto. A principal delas é a criação de um sistema de alerta precoce para doenças em animais aquáticos. “O raciocínio é o seguinte: uma vez confirmado um caso de determinada doença em uma propriedade aquícola, o protocolo SIG permite identificar imediatamente quais outras propriedades estão em risco e em que grau com base na conectividade hídrica”, ressalta Ummus, enfatizando: “Com essa informação em mãos, os serviços de defesa sanitária podem direcionar recursos de vigilância e contenção para as áreas mais críticas, otimizando o uso de equipes, insumos e laboratórios”.

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Uma vez detectado um foco de infecção, as propriedades a jusante devem ser monitoradas por um período de até dois meses, tempo equivalente ao ciclo de vida do acantocéfalo. Para patógenos com ciclos diferentes, o período de monitoramento pode ser ajustado proporcionalmente.
Outro ponto destacado pela equipe é a necessidade de um melhor controle da movimentação de peixes, especialmente de alevinos (formas jovens), e a água do transporte entre as propriedades. O trânsito de animais vivos é uma das principais rotas de disseminação de doenças na aquicultura, e sua regulação ainda é incipiente em grande parte do território nacional.
Caráter universal do protocolo
Um dos pontos positivos da ferramenta validada é a sua universalidade. Embora o estudo de caso tenha focado no acantocéfalo, o protocolo SIG é neutro em relação ao agente infeccioso. Desde que o modo de transmissão seja pela água, a metodologia se aplica. “Cada um exigirá ajustes nos parâmetros, tempo de sobrevivência no ambiente, período de incubação, dose infectante mínima, mas a estrutura básica de análise espacial permanece a mesma”, esclarece Ummus.
Para a equipe de pesquisa, esse caráter genérico é o que confere ao protocolo o seu maior potencial de impacto. Ele não é uma solução para um problema específico,

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mas uma plataforma metodológica que pode ser empregada continuamente, adaptada a diferentes contextos e patógenos, e incorporada a políticas públicas de sanidade aquícola.
Adversidades a serem enfrentadas
Apesar do avanço representado pela validação do protocolo, os pesquisadores apontam os desafios que ainda precisam ser superados para que a ferramenta chegue efetivamente ao campo.
O primeiro deles é a já mencionada restrição de acesso a dados primários. Sem a colaboração ativa dos órgãos estaduais de defesa sanitária, qualquer sistema de alerta precoce irá operar com informações incompletas ou defasadas.
O segundo é a informalidade na aquicultura amazônica e de regiões fronteiriças. Muitos produtores da região não possuem licenciamento ambiental, nem registro nos órgãos competentes, o que os coloca à margem dos sistemas oficiais de vigilância.
O terceiro ponto é a falta de integração vertical na cadeia produtiva. Diferentemente de setores como o de frangos e suínos, onde a integração entre produtores e indústria permite rastreabilidade sanitária, a aquicultura amazônica opera majoritariamente de forma fragmentada. Cada elo da cadeia: produção de alevinos, engorda, abate e processamento funciona de maneira independente, o que dificulta o fluxo de informações sanitárias e a implementação de medidas coordenadas de contenção. “A aquicultura brasileira tem potencial para crescer de forma sustentável e competitiva, mas isso passa necessariamente pelo fortalecimento dos sistemas de vigilância sanitária. E, nesse campo, a inteligência geográfica pode ser uma aliada poderosa, desde que haja dados, política pública e vontade institucional para colocá-la em prática”, frisa Ummus.



