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Goiás tem clima e área favoráveis à piscicultura, mas tributação é entrave

Proximidade com os grãos é um diferencial, contudo a falta de isonomia tributária entre os estados do Centro-Oeste e as constantes mudanças na legislação dificultam a expanssão do setor.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Goiás possui um potencial significativo para o desenvolvimento da piscicultura, com condições geográficas, climáticas e econômicas altamente favoráveis. A proximidade com o Distrito Federal e a forte produção de grãos, como milho e soja, ajudam a reduzir os custos com alimentação, tornando a atividade mais competitiva. No entanto, o crescimento da produção ainda é tímido, e desafios como a falta de isonomia tributária entre os estados do Centro-Oeste e as constantes mudanças na legislação impedem uma evolução mais expressiva do setor.

Fotos: Jaelson Lucas

O presidente da Comissão de Aquicultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), Paulo Roberto Silveira Filho, reforça que o estado tem todos os fatores necessários para ampliar sua participação no mercado nacional de pescado. Ele destaca que a oferta de insumos essenciais, aliada ao clima propício, favorece principalmente a produção de tilápia, que representa a maior parte da piscicultura goiana.

Em 2024, Goiás produziu 30.730 toneladas de pescado, um crescimento de 2,95% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Peixe  (Peixe BR). Apesar do avanço, os números demonstram uma oscilação na produção nos últimos anos. Em 2020, foram registradas 30.062 toneladas, com quedas e recuperações nos períodos seguintes, evidenciando os desafios enfrentados pelo setor.

A tilápia segue como a espécie mais cultivada, com 23.200 toneladas produzidas em 2024, seguida pelos peixes nativos, que somaram 7.300 toneladas. Outras espécies, como carpa, truta e panga, tiveram produção mais modesta, totalizando 230 toneladas.

Infraestrutura

Além da produção, Goiás se destaca pela infraestrutura voltada à piscicultura. O estado possui uma área total de 7.336 hectares de viveiros, distribuídos em 30.569 unidades. Além disso, há 5.648 tanques-rede, o que evidencia a diversidade de sistemas produtivos empregados pelos piscicultores goianos, conforme levantamento da plataforma Bussola.farm.

Entre os municípios, Niquelândia lidera o ranking dos maiores produtores de pescado, seguido por Inaciolândia, Quirinópolis e Gouvelândia. Outros municípios como Luziânia, Colunas do Sul e Morrinhos também se destacam na atividade, conforme dados preliminares da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.

Desafios 

Apesar das vantagens competitivas, a piscicultura goiana ainda enfrenta desafios que impedem um crescimento mais acelerado. Um dos principais entraves é a falta de harmonização tributária entre os estados vizinhos, o que gera distorções no mercado e impacta os produtores locais.

Além disso, a legislação ambiental, que já é amplamente cumprida pelos piscicultores goianos, sofre atualizações constantes, dificultando a adaptação dos pequenos e médios produtores.

O cenário indica que, para consolidar a piscicultura como uma atividade de maior expressão econômica em Goiás, é necessário avançar na simplificação das normas e na criação de políticas públicas que favoreçam o setor.

Enquanto isso, os produtores seguem buscando eficiência para superar os desafios e ampliar a participação do estado no mercado nacional de pescado.

Fonte: O Presente Rural com informações da Peixe BR

Colunistas

Como uma alga marinha ajuda plantas a enfrentar o estresse climático

Extratos de Ascophyllum nodosum favorecem o desenvolvimento das culturas, melhoram o aproveitamento de água e nutrientes e aumentam a tolerância das plantas a condições adversas.

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Foto: Divulgação

A agricultura precisa aumentar continuamente a produção de alimentos para atender à população global crescente ao mesmo tempo em que enfrenta desafios cada vez mais complexos relacionados às mudanças climáticas e pragas. Eventos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor, chuvas intensas e outras irregularidades climáticas, têm impactado diretamente a produtividade das lavouras e exigido novas estratégias para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Nesse cenário, a busca por tecnologias que aumentam a resiliência das culturas ganha relevância. Entre elas, os bioestimulantes à base da alga marinha Ascophyllum nodosum se destacam por contribuir para o desenvolvimento das plantas e a adaptação da agricultura aos novos tempos.

Originária das águas frias e limpas do Atlântico Norte, especialmente das regiões costeiras do Canadá, essa alga desenvolveu mecanismos naturais de sobrevivência para suportar condições ambientais extremas. Durante seu ciclo natural, Ascophyllum nodosum permanece exposta diariamente às marés, enfrentando congelamento durante o inverno, com temperaturas próximas de -20°C, e aquecimento intenso durante a maré baixa no verão, quando pode atingir 40°C.

Essa capacidade de tolerar variações climáticas estimula a produção de compostos bioativos que ajudam a protegê-la contra o estresse. Esses compostos são preservados em processos de extração específicos e podem ser aproveitados na agricultura para auxiliar as plantas a enfrentar situações adversas.

Os extratos de Ascophyllum nodosum contêm combinação de substâncias naturais, como aminoácidos, antioxidantes e outros compostos bioativos que atuam em diferentes processos fisiológicos das plantas e contribuem para desenvolvimento radicular, absorção de água e nutrientes, além de auxiliar o equilíbrio metabólico das culturas e aumentar sua tolerância aos estresses hídrico e térmico.

Esses benefícios têm sido percebidos pelos produtores rurais no campo. Em diversas culturas, como soja, milho, trigo, café, cana-de-açúcar, frutas e hortaliças, os bioestimulantes têm proporcionado maior uniformidade das lavouras, incremento do desenvolvimento radicular, melhoria da eficiência no aproveitamento dos fertilizantes e maior estabilidade produtiva, dependendo da cultura, do manejo e das condições ambientais, além de melhorias na qualidade dos frutos e grãos e maior retorno sobre o investimento.

Além dos benefícios diretamente relacionados às plantas, o uso de tecnologias baseadas em algas marinhas está alinhado ao conceito de agricultura sustentável. O aumento da eficiência do aproveitamento dos recursos disponíveis no solo e a melhoria das condições fisiológicas das culturas contribuem para sistemas produtivos mais equilibrados e preparados para os desafios futuros.

À medida que os desafios climáticos se intensificam, cresce a importância de soluções que ajudam os produtores a proteger o potencial produtivo sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.

Ao longo de décadas de pesquisa com Ascophyllum nodosum, observa-se que a natureza pode oferecer respostas valiosas para os desafios do campo. Mais do que uma tendência, os bioestimulantes de origem natural se consolidam como ferramentas estratégicas para promover sistemas mais eficientes e produtivos, sustentáveis e preparados para os desafios de hoje e do futuro.

Fonte: Artigo escrito por Bruno Carloto, gerente de Marketing Estratégico da Acadian Sea Beyond na BU Atlantic.
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Peixes

Mercado da tilápia fecha junho com preços em baixa e exportações em alta

Consumo doméstico enfraquecido reduziu as cotações, enquanto o dólar valorizado e a antecipação de embarques favoreceram as vendas externas.

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Fotos: Shutterstock

A desaceleração da demanda pelo mercado interno pressionou as cotações da tilápia em junho, levando à queda dos preços em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo o Centro de Pesquisas, em algumas praças, um movimento de baixa como o registrado no último mês não era observado desde agosto de 2025.

De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o mercado operou em ritmo lento ao longo de junho. Embora a oferta de peixes não tenha apresentado crescimento significativo, o consumo enfraquecido reduziu o volume de negócios e dificultou as negociações entre produtores e compradores, refletindo diretamente na formação dos preços.

Mesmo diante da retração das cotações, o cenário foi mais favorável ao produtor em relação ao custo de produção. Conforme o Cepea, o poder de compra dos tilapicultores apresentou melhora no período.

No mercado externo, o desempenho foi oposto ao observado no consumo doméstico. As exportações de tilápia e de seus produtos secundários alcançaram, em junho, o maior volume embarcado e a maior receita de 2026.

Segundo o Cepea, o resultado pode estar relacionado à antecipação de embarques para os Estados Unidos, diante da expectativa de novas taxações sobre os produtos. A estratégia dos exportadores também foi favorecida pela combinação entre a baixa demanda no mercado interno e a valorização do dólar, fatores que aumentaram a atratividade das vendas ao exterior.

Fonte: Assessoria Cepea
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Peixes

Rios amazônicos entram no debate climático com gestão feita por quem vive do território

Experiência no Tapajós combina conhecimento tradicional, monitoramento científico e participação comunitária para fortalecer acordos de pesca e ampliar a proteção dos ecossistemas de água doce.

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Foto: Denis Ferreira Netto

Os impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas de água doce aumentam a pressão sobre os rios amazônicos e sobre as comunidades que dependem deles para alimentação e renda. Alterações nos ciclos hidrológicos, períodos prolongados de seca e aumento da temperatura da água afetam a reprodução das espécies e modificam a dinâmica dos recursos pesqueiros.

Foto: Divulgação

Diante desse cenário, iniciativas que envolvem as populações locais na gestão dos rios ganham espaço como estratégias de adaptação climática baseadas na natureza. O modelo desenvolvido no Tapajós mostra que a combinação entre conhecimento tradicional e dados científicos pode ampliar a efetividade das ações de conservação.

A experiência também se conecta a compromissos globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente os relacionados à segurança alimentar (ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável) e à conservação dos ambientes aquáticos (ODS 14 – Vida na Água).

Conhecimento local orienta decisões sobre os rios

No Tapajós, o monitoramento participativo dos acordos de pesca reúne informações produzidas pelas próprias comunidades, com apoio técnico da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, organizações locais e universidades.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A coleta de dados permite acompanhar mudanças na ocorrência das espécies, identificar períodos de maior presença dos peixes e compreender como os ciclos de cheia e seca influenciam a dinâmica dos rios.

Para os moradores envolvidos no processo, a participação também representa uma forma de fortalecer a atuação das comunidades na defesa do território. “Esse projeto foi muito importante para a juventude porque nos incluiu diretamente como bolsistas, gerando uma renda e trazendo um olhar diferenciado para o nosso papel no território”, afirma Joseilton, jovem monitor local.

Segundo ele, o acompanhamento das pescarias ajudou a ampliar o conhecimento sobre os recursos disponíveis. “O monitoramento coopera muito com as comunidades porque nos ajuda a entender a dinâmica dos rios: quais peixes estão sumidos e o porquê, como eles se movimentam nas fases de cheia e de seca, e quais espécies aparecem em cada período”, explica.

Para o monitor, transformar essas informações em dados sistematizados fortalece as decisões tomadas pelas comunidades. “Gerar essas informações precisas fortalece a nossa luta em prol do território e ajuda a embasar o nosso acordo de pesca”, destaca.

Água doce precisa ganhar espaço nas políticas climáticas

Apesar da relevância dos rios para a biodiversidade e para a segurança alimentar das populações amazônicas, os ecossistemas de água doce ainda recebem pouca atenção nas estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Estudos apontam que grande parte das políticas ambientais tem priorizado a conservação da vegetação terrestre, enquanto rios, lagos e outros ambientes aquáticos permanecem menos contemplados.

A ampliação de modelos como o do Tapajós depende, segundo especialistas, da inclusão dos sistemas de água doce no planejamento climático da Amazônia, considerando o papel desses ambientes para a manutenção da biodiversidade e para a sobrevivência das comunidades ribeirinhas.

Fonte: O Presente Rural
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