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Gestão eficiente é mais determinante que volume na rentabilidade da produção leiteira

Estudo com fazendas mineiras mostra que produtividade e controle de custos são fatores-chave para o sucesso na atividade, independentemente do porte do produtor.

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Foto: Fernando Dias

A pecuária leiteira brasileira tem vivido um período de profundas transformações. Com avanços técnicos, aumento da produtividade por vaca e maior concentração da produção em propriedades de médio e grande porte, o setor também registra significativa reorganização fundiária. Segundo o Anuário do Leite 2025 da Embrapa Gado de Leite, há uma tendência clara de redução no número de produtores, ao passo que cresce o volume médio de leite por fazenda. Nesse novo cenário, surgem dúvidas cruciais: o aumento de escala garante, de fato, maior rentabilidade? E é possível ter lucro mesmo com uma produção modesta?

Para aprofundar essas questões, a consultoria Labor Rural analisou o desempenho de centenas de propriedades leiteiras em Minas Gerais ao longo de 2023. A pesquisa comparou os 25% produtores mais rentáveis e os 25% menos rentáveis em dois estratos de produção: até 500 litros por dia (pequenos produtores) e mais de 4.000 litros diários (grandes produtores). Os dados foram corrigidos pelo IGP-DI e cobrem o período de janeiro a dezembro de 2023.

Pequena escala, grandes resultados

Foto: Divulgação/Epamig

No grupo de produtores com menor volume, o estudo revelou que o tamanho da produção não é o principal fator de sucesso econômico. Os produtores mais rentáveis alcançaram uma taxa de remuneração do capital de 7,16% ao ano, chegando a 16,59% ao se desconsiderar o valor da terra. A margem líquida mensal média foi de R$ 6.267 — valor que se soma à remuneração já incluída da mão de obra familiar.

O grande diferencial esteve nos custos de produção: os mais eficientes gastaram, em média, 25,4% menos que os produtores menos rentáveis, mesmo vendendo o leite por um preço apenas 2,8% superior. Já os menos eficientes encerraram o ano com um prejuízo mensal médio de R$ 4.609, reflexo de baixos índices técnicos e altos custos operacionais.

Escala ajuda, mas não garante resultados

Entre os produtores com mais de 4.000 litros por dia, o padrão se manteve: maior eficiência técnica resultou em melhores indicadores econômicos. A diferença no preço do leite entre os dois grupos foi pequena — apenas 2,6% —, mas os mais rentáveis conseguiram reduzir seus custos em 22,3%, garantindo remuneração do capital de 19,9% ao ano (ou 30,82% sem considerar a terra).

Além disso, a margem líquida por hectare ao longo do ano foi próxima de R$ 13 mil, resultado expressivo frente a outras atividades agropecuárias. Já entre os menos rentáveis, o retorno sobre o capital investido não passou de 1% ao ano.

Produtividade: o verdadeiro diferencial

Tanto em pequenas quanto em grandes propriedades, os produtores mais rentáveis apresentaram índices superiores de produtividade animal, uso da terra, estrutura de rebanho e eficiência da mão de obra. Esses fatores, mais do que o preço do leite ou o volume total produzido, determinaram a rentabilidade da atividade.

Foto: Jaelson Lucas

Ainda segundo o Anuário da Embrapa, o setor leiteiro brasileiro vive um momento de profissionalização crescente. Propriedades que investem em gestão, tecnologia e controle de custos conseguem resultados econômicos expressivos, independentemente do porte.

O levantamento reforça que, embora a escala traga benefícios como bonificações por volume e diluição de custos fixos, a chave para o sucesso da pecuária leiteira está dentro da porteira. Produtores tecnicamente eficientes — mesmo em menor escala, têm plenas condições de competir e obter bons resultados financeiros.

Portanto, nem o volume nem o preço isoladamente explicam a lucratividade. É a soma de boa gestão, controle de custos e eficiência produtiva que assegura a sustentabilidade da atividade leiteira no Brasil de hoje.

Fonte: O Presente Rural com Anuário do Leite 2025 Embrapa Gado de Leite

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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