Bovinos / Grãos / Máquinas Para pesquisador da Embrapa
Gestão é caminho para dobrar produção de carne no Brasil
Para pesquisador Armindo Kichel, intensificar os sistemas produtivos e profissionalizar as fazendas são fundamentais para quem quer continuar na atividade pecuária nos próximos anos

A produção nacional de carne bovina é uma das mais importantes do planeta. De acordo com o USDA, departamento dos Estados Unidos similar ao Ministério da Agricultura no Brasil, em 2019 os pecuaristas brasileiros devem produzir cerca de 10,2 milhões de toneladas, mantendo o posto de segundo maior produtor do mundo, atrás apenas norte-americanos, que devem chegar, neste ano, a cerca de 12,7 milhões de toneladas. O detalhe é que enquanto o Brasil tem mais de 230 milhões de cabeças de gado, os estadunidenses mantêm cerca de 95 milhões. Mesmo com o dobro de animais – o número engloba também o gado leiteiro -, o Brasil ainda produz menos. A diferença é o que pode se chamar de eficiência – ou deficiência – produtiva.
No Brasil, a produtividade de arrobas por hectare, índice mais confiável para saber se a pecuária de corte está sendo bem conduzida, varia de região, até de fazenda para fazenda vizinha, mas de modo geral é inferior a outros países produtores, como Argentina e Estados Unidos. De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, doutor em Agronomia, Armindo Neivo Kichel, a média fica em torno de 5 arrobas por hectare ao ano (5@/ha/ano), índice que, em sua opinião, poderia ser bem maior se o produtor intensificasse a produção. De acordo com ele, o país poderia, em pouco tempo, dobrar a produção de carne ao mesmo tempo em que diminuiria a área utilizada para a atividade. De acordo com ele, as palavras de ordem são intensificação e gestão.
Intensificação
Os ganhos com a intensificação, de acordo com o pesquisador, acontecem em duas frentes: por animal e por área. “Temos grandes oportunidades para os pecuaristas, mas também temos ameaças. Hoje é possível dobrarmos a produção de carne bovina com muita facilidade”, disparou em palestra que fez a produtores durante o Show Rural Coopavel, que aconteceu no início de fevereiro, em Cascavel, PR. “A grande saída do produtor é ele intensificar, quer dizer, ter mais ganho por animal e mais ganho por área. Com o animal é preciso aproveitar o potencial genético que temos, ganhando mais peso por dia, por mês, por ano”, aponta. “O produtor sai de 3, 4 arrobas para 5, 6, 7, até 8 arrobas em um animal de recria por ano”, garante o pesquisador, que também é pecuarista em Mato Grosso do Sul.
Ainda em relação ao animal, outro detalhe é a precocidade, cada vez mais exigida pelo mercado. “É preciso ter uma carne mais precoce. Faz parte da intensificação. Se eu tenho uma fazenda que abate com quatro anos e baixar para três anos eu já estou intensificando. Tudo depende do nível de intensificação, da região, do clima, do potencial da fazenda, entre outros fatores. Depende também do nicho de mercado, mas hoje é possível abater com 12, 18, 24, 30 meses. Eu diria que atualmente, uma pecuária sem restrição alimentar, com forragem de boa qualidade e gado suplementado, é possível abater fêmeas com 18 e machos com 24, mas muitas vezes observamos o abate entre 18 a 32 meses, mas tem que ser com qualidade de carne, visando exportação. Nosso caminho é melhorar a nossa qualidade”, sustenta.
A lotação, na opinião de Kichel, é um índice que precisa ser bastante melhorado no Brasil. De acordo com ele, as fazendas brasileiras possuem, de maneira geral, baixa lotação, muitas vezes por conta das pastagens degradadas e falta de profissionalismo no setor. Primeiro a gente ganha por animal, com mais peso e tendo uma carne mais precoce. Depois a gente ganha aumentando o número de animais por área. Então vou ter um ganho por animal e também por área. Intensificando o produtor pode sair de uma lotação de meio animal para 2, 3, até 8 animais por hectare, dependendo do sistema intensivo que ele vai usar”, argumenta, destacando que na pecuária de corte não existe uma fórmula que se aplique a duas fazendas. “Não existe pacote tecnológico na pecuária de corte. Cada propriedade vai se ajustar a um determinado nível tecnológico. Tem para todos os níveis tecnológicos”, argumenta.
Para ele, ganhar em peso por animal e em animal por área é a chave do sucesso para a pecuária do futuro. “Esse é o potencial da pecuária de corte do Brasil. Queremos ganhar mais por animal para ter mercado interno e externo e aumentar a produção por área”, sustenta.
“Estamos em busca de uma pecuária precoce, com carne de qualidade. Com a intensificação podemos liberar espaço da pecuária para outras atividades, como a produção de grãos, de florestas, de bicombustíveis. O Brasil pode dobrar a produção de carne bovina e aumentar em 40% a produção atual de grãos praticamente sem abrir novas áreas, usando apenas as pastagens degradadas, as áreas que já estão abertas, intensificando a bovinocultura”, menciona o pesquisador da Embrapa.
Gestão profissional
Para Kichel, a intensificação planejada somente vai acontecer se o produtor de carne do Brasil se profissionalizar. “A pecuária também precisa ser profissional como as lavouras são. A lavoura não profissional tem poucos anos de vida e o produtor acaba saindo do sistema. Se o produtor quiser ficar na atividade tem que ser mais pecuarista e menos proprietário. Precisamos que o proprietário se transforme em pecuarista, que entenda do sistema, que se associe. Hoje não intensifica quem não quer, porque acesso à informação, à tecnologia, assistência técnica o produtor á tem. Não intensifica quem não quer ganhar dinheiro”, argumenta.
A falta de uma gestão eficiente da fazenda, de acordo com o doutor Kichel, é o principal limitante para a intensificação do sistema produtivo de carne bovina. “A intensificação passa primeiramente pela gestão da propriedade. É preciso ter planejamento, capacitação da equipe, controle, fazer as contas de custos, ver gargalos, observar ameaças e oportunidades”, aponta.
De acordo com ele, é preciso lançar mão de tecnologias, que estão acessíveis ao produtor. “Para intensificar a pecuária nós temos forrageiras de qualidade, não falta genética, não falta nutrição, não falta sanidade, não falta suplementação alimentar, não falta semiconfinamento nem confinamento. Não está faltando nada para dobrarmos a produção. O que nos falta é tradicionalismo. Ainda temos pessoas que não conhecem o que precisam conhecer para fazer isso (produzir carne)”, sugere o especialista.
Ainda conforme o estudioso, é importante o pecuarista se atentar à escala para que o retorno sobre o investimento seja certo. “Um detalhe importante na intensificação é a escala. Se eu vou investir em tecnologia, adquirir infraestrutura, tenho que ter escala de produção para cobrir o investimento nessa estrutura. A escala é muito importante”, pontua. “Sabemos que dois bons funcionários conseguem recriar e engordar, dependendo da topografia, dois mil animais. Então, se eu tenho dois mil, consigo diluir os custos. Se tenho mil animais, vou diluir os custos desses dois funcionários pelos mil”, exemplifica.
O confinamento, de acordo com Kichel, precisa ser curto, pois esse modelo torna o custo de produção mais alto. “O confinamento tem que ser curto, de 40 a 90 dias, só para botar aquelas três arrobas faltantes. Não pode se empolgar ter um confinamento muito longo porque o custo é alto. As vezes o que o animal ganha no confinamento vai empatar ou dar um pequeno prejuízo (pelo custo confinado)”, diz. “Cada produtor vai escolher o sistema mais indicado”, sugere.
Mudanças em curso
Apesar do alerta dado pelo pesquisador, ele acredita que o Brasil está buscando cada vez mais a intensificação e que novos modelos de negócios, mais profissionais e eficientes, estão aparecendo nas regiões produtoras. “A pecuária brasileira vem mudando muito. Aos poucos a gente consegue observar que está tendo mais profissionalismo. As empresas investem e querem lucro, fazem as contas”, explica.
Em sua visão, uma das alternativas mais viáveis para ampliar os índices de eficiência na pecuária de corte e na produção de grãos é a integração entre lavoura e pecuária (ILP). “Hoje temos uma revolução que é a integração lavoura pecuária. A pecuária vai potencializar muito a área agrícola. Quem planta em cima de lavoura pecuária (palhada) vai colher melhor porque (a planta) sofre menos com o estresse hídrico. A produção chega a ser de cinco a 15 sacas (de soja) a mais quando por hectare quando se usa a ILP”, aponta o pesquisador. “Esses sistemas estão potencializando a pecuária de corte e leite”, amplia.
Para o produtor e pesquisador da Embrapa, além de intensificar, o produtor tem a oportunidade de diversificar sua propriedade para se manter competitivo no agronegócio. “Quem tem baixa produtividade e baixa eficiência, vai ter baixa lucratividade e vai apenas ficar na sobrevivência. Se o produtor quer ser rentável tem que partir para a intensificação, usando pecuária com lavoura, ou com suínos e aves, pecuária silvipastoril. Ele tem que buscar, dentro da propriedade, uma atividade para potencializar a outra”, assinala Armindo Kichel.
Mercado futuro
Para o pesquisador e também pecuarista, os preços baixos estão apertando as margens de lucro do produtor de carne bovina, mas esse cenário tende a melhorar a partir desse ano. Ele acredita, no entanto, que 2019 mostra um cenário para se preparar para 2020, ano em que sua opinião o pecuarista vai ganhar mais com a atividade. “Hoje estamos vendendo animais com o preço da arroba que vendíamos a quatro anos atrás, com um custo 30% maior. Aumentou os custos em todos os setores, dólar, insumos, mão de obra. Mas a gente tem uma tendência de recuperação. Espero bons preços para 2020. Temos que nos preparar agora em 2019, nos estruturar, para ganhar mais dinheiro em 2020”, sugestiona o especialista.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019 ou online.

Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações de carne bovina batem recorde em 2025
Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).
Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.
Dezembro
No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).



