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Gestão de Salmonella em rações e fábricas

As medidas de controle precisam ser práticas e realizáveis

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natalia Vicentini, gerente de Serviços Técnicos da Kemin América do Sul

Produtores de ração para animais tem como objetivo produzir alimentos que atendam às expectativas do cliente, incluindo atingir continuamente metas de produção dos animais. O descumprimento dos critérios de qualidade pode comprometer o desempenho dos animais e tornar a ração inadequada a finalidade. No entanto, para que uma ração seja considerada adequada deve-se incluir “segurança”. A “ração segura” engloba o uso de ingredientes considerados seguros juntamente com a fabricação, armazenamento e distribuição da ração, visando garantir a segurança dos animais consumindo a ração e, claro, segurança para pessoas que consomem produtos de origem animal.

É necessário identificar os perigos que podem causar efeitos adversos nos animais ou pessoas, e análise dos riscos em termos de probabilidade de ocorrência e gravidade dos efeitos.

O controle dos riscos de segurança dos alimentos pode implicar na prevenção, eliminação ou redução de riscos. A produção de “ração segura” deve aplicar-se a fabricantes de rações comerciais e não comerciais.

As medidas de controle precisam ser práticas e realizáveis, com ações preventivas eficazes que envolvam múltiplos obstáculos sendo preferíveis corrigir não-conformidades logo após sua ocorrência.

Salmonella

Riscos biológicos incluem contaminantes microbiológicos, tais como mofo e Salmonella. A Salmonella é um risco biológico notório devido ao seu potencial na contaminação de alimentos. A Salmonella pode ser ingerida pelo animal, multiplicada no intestino e, em seguida, espalhar-se e persistir no meio ambiente tornando-se assim uma fonte para outros animais.

Rações e fábricas de ração

Pontos de entrada Salmonella incluem ingredientes, detritos, água, estoques, caminhões, meio ambiente, pragas, animais selvagens e domésticos, equipamentos e pessoas. A ração tem sido referida como uma “fonte importante de introdução ”de Salmonella em produção comercial. Programas de gestão da qualidade baseados sobre APPCC (Análise de Perigos e Ponto de Controle Crítico), BPF (Boas Práticas de Fabricação) e Boas Práticas de Higiene desempenham um importante papel na redução de incidência de Salmonella em matérias primas, equipamentos de processamento de ração e rações finais.

Três elementos são essenciais em um Programa de controle de Salmonella:

  1. Evitar contaminação na entrada da fábrica

Sem tratamento por calor na produção de ração farelada, a gestão de matérias primas é primordial. Sistemas de gestão de fornecedores de matérias primas, incluindo monitoramento por Contagem Total de Enterobactérias (TEC) e Salmonella, é necessário. Monitoramento e higiene de caminhões de entrega também são necessários. Animais domésticos ou selvagens não devem ser permitidos dentro do limite da fábrica de ração, pois eles também podem transportar Salmonella.

  1. Reduzir a multiplicação dentro do ambiente da fábrica

São requeridos procedimentos eficazes de higiene da fábrica para manter cada ponto ao longo do processo de produção seco e limpo, com acúmulo mínimo de poeira. Telhado, teto e paredes não devem permitir entrada de água. Embora os procedimentos regulares de limpeza devam ser agendados, a limpeza física deve ser um componente normal de funções de trabalho diárias. Cada ponto ao longo do processo de produção requer o seu próprio conjunto de prevenção de Salmonella e ações corretivas.

Um programa de amostragem asséptico de poeira e rações, incluindo suabe de superfície, em pontos estratégicos ao longo do processo de produção para análises de TEC e Salmonella, é necessário a fim de determinar onde a contaminação e multiplicação microbiana estão ocorrendo de modo que ações corretivas e preventivas possam ser direcionadas e implementadas.

  1. Ter procedimentos em vigência para controle

Produtos líquidos a base de ácidos orgânicos e formaldeído apropriadamente formulados podem ser utilizados para tratar ingredientes contaminados e de maior risco. Exposição ao tratamento térmico no processo de peletização pode matar Salmonella, mas a eficácia depende de vários fatores incluindo temperatura, umidade e o tempo exposto à temperatura.

Produtos inibidores de Salmonella são úteis em rações fareladas e também em ração peletizadas/trituradas como um complemento de apoio a etapa de exposição ao calor, durante a peletização. Inibidores em pó podem ser pulverizados ou adicionados em pontos ao longo do processo de produção para contribuir com a higiene das fábricas de rações. Equipamentos de pulverização também podem ser utilizados para distribuir o produto inibidor de Salmonella em pó em locais fechados como silos, lugares de difícil acesso ao longo do processo e superfícies, tais como áreas de armazenamento planas.

O baixo nível de participação na fábrica de ração e higiene alimentar está associado a maiores riscos de Salmonella.

Níveis crescentes de participação e intervenção estão associados a riscos progressivamente reduzidos. Medidas preventivas e corretivas apropriadas e ações são necessárias para controlar Salmonella nas rações e no ambiente da fábrica de ração.

O programa preventivo deve criar impedimento a Salmonella, com a combinação certa de obstáculos ajudando a garantir a produção de ração livre de Salmonella.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos

Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.

O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural

Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.

Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

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Foto: Ari Dias/AEN

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.

As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos

A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.

“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.

Fonte: ANBA
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Avicultura

Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025

Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

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Foto: Rodrigo Fêlix Leal

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal

A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.

No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%).  “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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