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Gerente da ABPA aponta estratégias para reter trabalhadores no setor avícola

Segundo pesquisa da Consultoria de Recrutamento Robert Half, o Brasil tem o maior índice de turnover do mundo, com um aumento de 56% nos últimos anos.

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A falta de mão de obra é um desafio crescente enfrentado pela avicultura brasileira e mundial, afetando desde a produção nas granjas até cargos gerenciais. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que existam mais de 20 mil vagas em aberto que as empresas não conseguem preencher no País.

O tema foi abordado pela engenheira agrônoma Isis Nogueira Sardella, gerente de Marketing e Promoção Comercial e coordenadora das Câmaras Temáticas da ABPA, durante o 22º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizado de 24 a 27 de março, em Ribeirão Preto (SP). Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, ela destacou os principais desafios e caminhos para captação e retenção de mão de obra no setor.

Foto: Jonathan Campos

Segundo pesquisa da Consultoria de Recrutamento Robert Half, o Brasil tem o maior índice de turnover do mundo, com um aumento de 56% nos últimos anos. “O setor avícola sente esse impacto, principalmente em funções operacionais e técnicas”, afirmou Isis.

De acordo com a profissional, entre os fatores que contribuem para essa dificuldade estão a remuneração e os benefícios abaixo do mercado, a falta de um plano de carreira estruturado e de reconhecimento por parte dos empregadores. “Somado a estes fatores, a nova geração prioriza qualidade de vida, muitas vezes não se identificando com o trabalho formal e buscando alternativas mais flexíveis”, expõe a engenheira agrônoma, acrescentando: “Para as vagas mais simples, os auxílios sociais também impactam, uma vez que acabam mantendo parte dos trabalhadores na informalidade, sem obrigação de jornada fixa e, muitas vezes, com uma remuneração igual ou até melhor”.

Diante da escassez de trabalhadores, a automação têm sido uma alternativa para manter a atividade em operação. Segundo dados do IBGE, o Brasil atingiu um recorde de escassez de mão de obra no segundo trimestre de 2024, o que leva as empresas a buscarem soluções tecnológicas para suprir a demanda não atendida.

Habilidades valorizadas no setor

Engenheira agrônoma, gerente de Marketing e Promoção Comercial e coordenadora das Câmaras Temáticas da ABPA, Isis Nogueira Sardella: “A falta de trabalhadores qualificados e o alto índice de turnover impõem desafios que exigem estratégias de inovação e gestão para garantir a sustentabilidade do setor avícola no Brasil” – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Para quem deseja ingressar na avicultura, é essencial ter habilidades como adaptabilidade a situações adversas, bom trabalho em equipe e senso de responsabilidade. “É preciso entender que cada função no setor contribui diretamente para levar proteína à mesa de brasileiros e consumidores ao redor do mundo”, salienta Isis.

Gestão de pessoas

Entre as estratégias para atrair jovens talentos, a avicultura tem investido na evolução da gestão de pessoas, com melhorias nos planos de carreira e um ambiente de trabalho mais saudável. “As empresas precisam parar, analisar o ambiente e os colaboradores, entender os comportamentos e definir estratégias para retenção”, destaca, ressaltando que isso inclui desde a revisão salarial até a criação de um sentimento de pertencimento e oferta de capacitação.

Áreas com maior demanda por profissionais

O maior número de vagas em aberto está nas linhas de produção, devido à alta demanda por mão de obra. No entanto, também há escassez de profissionais técnicos em diversas áreas. “A falta de trabalhadores qualificados e o alto índice de turnover impõem desafios que exigem estratégias de retenção e gestão de pessoas para garantir a sustentabilidade do setor avícola no Brasil”, ressaltou Isis.

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Fonte: O Presente Rural

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Queda de energia mata 20 mil frangos no Oeste do Paraná

Interrupção no fornecimento compromete ventilação de aviário em São Miguel do Iguaçu e causa prejuízo de R$ 150 mil.

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Foto: Reprodução

Uma interrupção no fornecimento de energia elétrica resultou na morte de 20 mil frangos de corte em uma granja de São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, na terça-feira (03). As aves tinham 26 dias de criação e estavam a menos de três semanas do envio para uma cooperativa da região. O prejuízo estimado pela proprietária da área, Sandra Bogo, é de R$ 150 mil.

A mortalidade foi identificada por volta do meio-dia. No mesmo dia, as aves foram recolhidas e descartadas conforme os protocolos de biosseguridade exigidos para esse tipo de situação.

De acordo com a produtora, a propriedade possui gerador de energia, mas a instabilidade no fornecimento comprometeu o funcionamento do equipamento, afetando o sistema de ventilação do aviário. No momento da ocorrência, os termômetros marcavam cerca de 35°C no município, com sensação térmica próxima de 40°C, conforme dados do Simepar.

As altas temperaturas, associadas à falta de ventilação, agravaram a situação. Conforme orientações da Embrapa Suínos e Aves, a faixa ideal de conforto térmico para frangos em fase final de criação varia entre 21°C e 24°C.

A granja possui três aviários de 1.500 metros quadrados cada, com 20 mil aves alojadas em cada estrutura. Apenas um dos galpões foi afetado. Segundo Sandra, o produtor responsável pela atividade conta com seguro que cobre danos estruturais e mortalidade de animais, mas a liberação de eventual indenização depende da análise técnica do laudo.

Em nota, a Copel informou que o desligamento na região de Nova Santa Rosa do Ocoy foi causado pelo rompimento de um cabo de energia. A empresa afirmou que o fornecimento ao cliente mencionado ficou interrompido por 17 minutos, entre 11h16 e 11h33, período em que equipes realizaram manutenção e manobras para restabelecer o serviço a partir de outra fonte. A companhia acrescentou que redes aéreas estão sujeitas a interferências externas, como contato com vegetação, e que vem investindo em tecnologias para reforçar a operação do sistema.

Fonte: O Presente Rural
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Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres

Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

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Foto: Divulgação/Seapi

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.

A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.

O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.

O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.

O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.

Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.

Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: Assessoria Ascom Seapi
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Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango

Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

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Foto: Shutterstock

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.

O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.

A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.

Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves

O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.

Petróleo e frete como vetores de transmissão

A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias

Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.

Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.

No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.

Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.

Fonte: O Presente Rural
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