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Genômica permite até dobrar a produção em apenas uma geração

A produção e comercialização de peixes geneticamente editados variam de região para região no mundo, com cada país adotando suas próprias regulamentações e políticas em relação a esses organismos modificados.

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Foto: Imagem criada por IA por Giuliano De Luca

A crescente exploração da tecnologia de edição genômica, como a CRISPR, está abrindo novas perspectivas na piscicultura brasileira. Os peixes pelas características da fisiologia reprodutiva são candidatos ideais para a aplicação dessas técnicas inovadoras. A prolificidade inerente aos peixes é um dos fatores que facilitam o uso desta tecnologia. Com a capacidade de liberar milhares de ovos em cada desova, os peixes oferecem uma ampla gama de oportunidades para experimentação genética.

Médica-veterinária, mestre em Reprodução Animal, PhD em Biologia Celular e pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Fernanda Loureiro de Almeida O’Sullivan: “É de suma importância proporcionar maior acesso à informação sobre edição genômica à população” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

A fertilização externa, com protocolos já estabelecidos ao longo do tempo, simplifica ainda mais o uso desta tecnologia. “A domesticação de cada espécie levou ao desenvolvimento de protocolos de reprodução, eliminando a necessidade de adaptação para aplicar a edição genômica. As principais espécies já têm a reprodução dominada pela fertilização externa. Os reagentes da CRISPR têm que ser injetados nos oócitos e sêmen coletados quando o ovo ainda está na fase unicelular para fazer a ruptura do DNA. Após esse processo todas as células daquele embrião vão manter a mesma mutação”, explicou a médica-veterinária, mestre em Reprodução Animal, PhD em Biologia Celular e pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Fernanda Loureiro de Almeida O’Sullivan, durante o Inovameat, um dos principais eventos de proteína animal do Paraná, realizado no início de abril, em Toledo, na região Oeste.

O tamanho dos ovos é outro aspecto que favorece a manipulação genômica em peixes. Com ovos visíveis a olho nu em muitas espécies, não são necessários equipamentos sofisticados para a injeção dos reagentes da CRISPR. Além disso, o desenvolvimento embrionário e larval ocorre fora do corpo da mãe, eliminando a necessidade de receptoras, como nos mamíferos. “A injeção dos componentes genéticos seguida pela incubação dos ovos aproveita protocolos já estabelecidos na piscicultura”, salienta a pesquisadora.

Outro aspecto que ajuda bastante, principalmente na geração das linhagens, é o ciclo de vida curto, que faz com que o intervalo entre gerações seja muito menor, acelerando a fixação do fenótipo das linhagens geradas. “Tem sido muito utilizada a edição genômica em peixes principalmente por estas características, lembrando que nós temos quase 500 espécies de peixes em cultivo produzidas comercialmente e, para cada uma temos que fazer um estudo específico”, ressalta.

De acordo com a médica-veterinária, os principais países impulsionadores da edição genômica na piscicultura são a China e o Chile, sendo que o país asiático está na vanguarda do desenvolvimento desta tecnologia. “No Brasil, pesquisas de edição genômica são realizadas apenas em espécies de relevância econômica, com muitos trabalhos sendo desenvolvidos com a tilápia”, aponta a especialista.

Os fenótipos mais abordados nos estudos incluem reprodução, pigmentação, desenvolvimento muscular, resistência a doenças, toxinas e infecções virais, resposta imune, biomarcadores (como GFP) e metabolismo de ômega 3.

Exemplos de edição genômica na aquicultura

A PhD em Biologia Celular expõe que um dos avanços mais expressivos na edição genômica animal é explicado pela raça bovina Belgian Blue, conhecida por seu fenótipo de musculatura dupla. “O estudo do genoma dessa raça revelou a ausência de um gene que codifica a proteína miostatina, responsável por regular o crescimento muscular estriado. Quando ausente, resulta em uma regulação reduzida, permitindo um crescimento muscular contínuo e exponencial”, aponta a palestrante.

Essa descoberta tem sido aplicada em diversas espécies de peixes, com resultados promissores para o knockout da miostatina na carpa comum, bagre do canal, linguado oliva (coreano), dourada, dourada de Wuchang, bagre amarelo e tilápia do Nilo. “Na carpa comum foram observadas um aumento significativo de 49% na hiperplasia muscular. Esse aumento é evidente desde a fase juvenil, com peixes editados exibindo uma massa muscular consideravelmente maior em comparação com os peixes não editados da mesma idade e desova”, avalia Fernanda.

Médica-veterinária, mestre em Reprodução Animal, PhD em Biologia Celular e pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Fernanda Loureiro de Almeida O’Sullivan: “Estratégias avançadas como a coinjeção de genes relacionados ao albinismo e à miostatina estão sendo exploradas em espécies como o tambaqui”

Em outros casos, como na dourada de Wuchang, a pesquisadora conta que o knockout da miostatina resultou em um aumento de 11% na densidade muscular, enquanto no bagre amarelo, os peixes editados chegaram entre 1.3 a 1.4 vezes mais peso do que os não editados, principalmente devido ao aumento no número de fibras musculares. E a tilápia editada para o knockout da miostatina por CRISPR/Cas9 apresentou quase o dobro do ganho de peso de uma tilápia não editada. “Todos os peixes de corte que passaram pela edição genômica estão explorando a edição da proteína miostatina, e isso é essencial”, destaca a pesquisadora. “Ao considerar uma produção mais eficiente e uma maior produtividade por hectare de lâmina de água, a edição da miostatina desempenha um papel essencial nesse avanço”, ressalta.

Coloração

Outro avanço da indústria da aquicultura é a manipulação genômica da coloração em diversas espécies, incluindo a carpa prussiana branca, a botia, o salmão do Atlântico e a tilápia vermelha, esta altamente valorizada na Malásia. “Esta variedade de tilápia alcançou uma eficiência de 98.9% na edição genômica”, expôs Fernanda, complementando: “Estratégias avançadas como a coinjeção de genes relacionados ao albinismo e à miostatina estão sendo exploradas em espécies como o tambaqui, que já aos sete dias de vida se observa a manifestação inicial da pigmentação, sinalizando a possibilidade de supressão da miostatina”.

Fernanda relata que na parte de reprodução, a esterilidade já foi trabalhada com a edição genômica na tilápia do Nilo, no bagre do canal e no salmão do Atlântico. E adiantou que está em andamento um projeto para estudo no tambaqui, principal espécie nativa brasileira, uma vez que as espinhas intermusculares representam cerca de 20% de perdas no processo de beneficiamento da espécie. “É um fenótipo interessante para se estudar e tentar aplicar na principal espécie nativa brasileira para a remoção das espinhas intermusculares”, menciona.

A mestre em Reprodução Animal conta que uma pesquisadora chinesa realizou modificações genéticas na carpa prussiana, na carpa crussiana e na dourada de Wuchang, todas pertencentes à família dos ciprinídeos, interrompendo na terceira geração o desenvolvimento das espinhas em forma de Y desses peixes. “A tecnologia CRISPR é uma técnica altamente eficiente e o ciclo de vida desses peixes é curto acelera ainda mais o processo de obtenção de linhagens com fenótipo definitivo, uma vez que essas mutações são herdáveis. Quando um peixe mutado produz espermatogônias e óvulos, essas características são transmitidas para a prole, facilitando assim o estabelecimento das linhagens de peixes”, aponta.

Fernanda diz ainda que uma outra aplicação da edição genômica pode ser feita em linhagens celulares in vitro. “As células-tronco de uma espécie são coletadas para realizar a mutação nas células, seguida pelo transplante. O genoma de um oócito ou embrião em estágio unicelular é ‘desativado’ e um núcleo é transplantado para uma placa que contenha várias células, realizando assim a edição genômica. São numerosas as aplicações que podemos explorar com a tecnologia CRISPR/Cas9”, enfatiza a pesquisadora.

Da edição genômica à mesa

Foto: Jefferson Christofoletti

A produção e comercialização de peixes geneticamente editados variam de região para região no mundo, com cada país adotando suas próprias regulamentações e políticas em relação a esses organismos modificados. “O Brasil se destaca como um país avançado nesse campo, com uma estrutura consolidada para lidar com organismos geneticamente modificados e transgênicos. Enquanto isso, a Europa tende a ser mais cautelosa e restritiva em relação a essas tecnologias, resultando em diferentes regulamentações e legalizações de acordo com o país”, compara Fernanda.

Em alguns países europeus, a pesquisadora menciona que a edição genômica pode ser usada apenas para fins de pesquisa, não sendo permitida para cultivo comercial.

Atualmente, apenas duas espécies de peixes geneticamente modificados estão disponíveis no mercado para o consumidor final, ambas produzidas e regulamentadas no Japão: o fugu (similar ao baiacu) e o pargo vermelho japonês (Madai 22).

Vantagens

A edição genômica na aquicultura oferece diversas vantagens, destacando-se pela sua aplicação fácil, de baixo custo e oferece uma abordagem sustentável (redução de ração, esterilidade, diminuição de resíduos e manutenção da sanidade). “A técnica CRISPR/Cas9 representa uma revolução na edição genômica devido à sua alta eficiência. Além de cortar precisamente a dupla fita de DNA, sua precisão é excepcionalmente alta, ao contrário de técnicas mais antigas que ocasionalmente resultavam em cortes incorretos. Agora, com a CRISPR/Cas9, ao desenhar uma guia, é possível realizar cortes exatos no local desejado do genoma, permitindo a criação de fenótipos específicos. Uma das maiores vantagens dessa técnica é a sua velocidade, pois pode dobrar a produção em apenas uma geração, representando um avanço considerável e não apenas um efeito cumulativo”, destaca Fernanda.

Desafios

Fernanda relata que ainda existe muita confusão entre o paralelismo do melhoramento genético e a seleção genômica. Ela enfatiza que não é possível realizar edição genômica em material genético que já foi selecionado, pois este já possui características de produção superiores. “É essencial compreender que ambas as modalidades de aprimoramento e aumento da produção devem progredir de forma simultânea. É importante ressaltar que trabalhamos com genes únicos; portanto, quando se deseja um efeito fenotípico que envolve múltiplos genes ou é somático e aditivo, é necessária a aplicação do melhoramento genético. Assim, é fundamental alinhar essas duas tecnologias. No entanto, ainda persiste a falta de compreensão por parte de muitas empresas e pesquisadores em relação à convergência dessas duas abordagens”, pontua.

Foto: Jefferson Christofoletti

A pesquisadora também aponta uma série de desafios, incluindo segurança biológica, contaminação e competição com estoques naturais, bem-estar animal, regulamentação, registro e legalização de linhagens como gargalos do setor. “No Brasil essas questões já estão estabelecidas por meio de leis existentes, além da necessidade de aceitação pelo mercado consumidor, que ainda possui pouco conhecimento sobre essa técnica e suas potenciais vantagens. É de suma importância proporcionar maior acesso à informação sobre edição genômica à população”, salienta.

Trabalhos em andamento

Em 2023, foi criado o Núcleo de Edição Genômica para Peixes de Aquicultura (CNPASA) e em 2024 a Embrapa realizou a produção dos primeiros tambaquis geneticamente modificados.

Atualmente, o centro de pesquisa está envolvido em dois projetos com as espécies de tambaqui e tilápia. Conforme detalha Fernanda, o primeiro visa a criação de tambaquis sem espinhas intermusculares (IBs), identificando o gene responsável para sua supressão, considerando que as perdas chegam a 20% no rendimento de filés, representando um dos principais desafios enfrentados pela indústria, e fazer o nocaute da miostatina, visando um crescimento acelerado e maior rendimento de filé.

E para a tilápia, o foco do trabalho também está voltado ao nocaute da miostatina, visando um crescimento mais eficiente e rendimentos superiores de filé. “Embora já existam linhagens de tilápia disponíveis no mercado com edição genômica, nosso objetivo é desenvolver genéticas adaptadas pela Embrapa para diferentes regiões do Brasil”, reforça.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor da piscicultura brasileira acesse a versão digital de Aquicultura, que pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Tenha uma boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Suinocultura apresenta soluções tecnológicas, manejo e produtos no Show Rural Coopavel

Setor reúne equipamentos para granjas, debates sobre biosseguridade e ambiência, além de ações voltadas à valorização da carne suína durante a feira agropecuária em Cascavel, no Oeste do Paraná.

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Foto: Gabriel Rosa

Degustação, comercialização de cortes in natura, temperados e defumados e a apresentação de um robô que simula o consumo de ração em granja. Esses serão alguns dos atrativos do setor da suinocultura durante o 38º Show Rural Coopavel, que acontece entre os dias 09 e 13 de fevereiro, em Cascavel, na região Oeste do Paraná.

Foto: Gilson Abreu

A programação foi pensada para integrar conhecimento técnico, inovação, troca de experiências e contato direto de criadores e visitantes com tecnologias que impactam a produtividade e a eficiência das criações, informa o gerente da Suinocultura, Mauro Turchetto.

Na área da indústria, instalada no pavilhão da pecuária em conjunto com o setor de aves, peixes e bovinos, os visitantes poderão participar de degustações, acompanhar palestras técnicas e conhecer equipamentos voltados à produção.

O setor de suínos também vai trabalhar com a valorização de produtos derivados da carne, oferecendo aos visitantes preparos especiais de panceta, sobrepaleta, linguiças e joelho, que serão preparados e servidos ao longo do evento. Haverá comercialização de produtos industrializados, defumados, bacon, cortes in natura, linguiças e outros.

Neste ano, conforme Turchetto, o setor de fomento contará com um espaço ampliado em relação às edições anteriores. No local, haverá local ao fomento campo e para a Unidade de Produção de Leitões (UPL), fortalecendo a integração entre produção, indústria e mercado.

Palestras técnicas

O fomento será abordado por meio de palestras técnicas de curta duração, com aproximadamente 20 minutos cada, destinadas a

Foto: Gabriel Rosa

associados da Coopavel das áreas de abrangência da cooperativa. Os temas incluem biosseguridade, ambiência e diagnósticos precoces para tratamento, sempre com a participação de técnicos especializados. Haverá palestras também no Espaço Impulso.

No dia 10 de fevereiro, o Espaço Impulso concentra uma série de atividades técnicas. Às 10 horas, o gestor técnico e administrativo da suinocultura da Coopavel, Marcos Sipp, apresenta a palestra “Biosseguridade no Conceito Coopavel”, abordando as práticas adotadas pela cooperativa para a prevenção de doenças e a manutenção da sanidade nas granjas. Na sequência, às 10h40, o fiscal de Defesa Agropecuária da Adapar, Tales Amaral Perufo, conduz a palestra “O elo mais forte: a biosseguridade como atitude e cultura na granja”, com foco na importância do comportamento e da rotina dos produtores na proteção sanitária das criações.

Ainda no dia 10, às 14h15, está previsto o painel “Como alcançar o potencial genético na avicultura?”, que reunirá representantes da Coopavel e de empresas de tecnologia. Participam do debate Eduardo Vilas Boas Leffer, da Coopavel, Mahuan Abdala, da startup STAC, Ricardo Antonello, da Smart Pixel, e Lucas Ivar Primo, da Biohanusch, discutindo estratégias para maximizar desempenho produtivo por meio de genética, manejo e inovação.

Foto: Divulgação

Já no pavilhão pecuário, a programação técnica ao longo da feira será dedicada aos temas de biosseguridade e problemas respiratórios, com palestras realizadas diariamente em diferentes horários. As atividades ocorrem no dia 09, às 10 horas e às 14 horas; no dia 10, às 14 horas; no dia 11, às 10 horas e às 14 horas; no dia 12, também às 10 horas e às 14 horas; e no dia 13, nos mesmos horários, ampliando o acesso dos visitantes às informações técnicas durante todo o período do evento.

Equipamentos

Entre os equipamentos e modelos em exposição, além do robô que simula o consumo de ração, os visitantes vão poder conhecer um modelo de cela de maternidade com escamoteador e grade, dois comedouros em inox para terminação, painel de ambiência com bicos de nebulização e ventilador, linha de gotejo, entre outras soluções voltadas ao bem-estar animal e à eficiência produtiva.

Turchetto salienta que o espaço foi planejado para oferecer informações práticas e aplicáveis ao dia a dia das propriedades. “As novidades e os equipamentos que serão apresentados permitirão que integrados e criadores agreguem informações importantes, capazes de contribuir para a melhoria contínua da performance de suas criações”, destaca.

Fonte: Assessoria Show Rural Coopavel
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Suínos

Mercado de suínos inicia 2026 em ajuste após um ano de exportações recordes

Queda sazonal nas cotações convive com cenário externo aquecido e margens mais favoráveis ao produtor.

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Foto: Shutterstock

Depois de um fim de ano atípico em 2025, onde a estabilidade dos preços do suíno foi evidente no último trimestre, demonstrando ajuste entre oferta e procura, a primeira quinzena de 2026 apresentou queda nas cotações, movimento normal de início de ano, quando o pagamento de impostos e outras despesas dominam o orçamento do consumidor.

As cotações do suíno vivo e da carcaça atingiram o valor máximo no ano em setembro de 2025 (Gráfico 1), justamente no mês em que houve recorde histórico de exportações. Chama a atenção, no mesmo que, desde março de 2025 as cotações do suíno vivo em São Paulo ultrapassaram Minas Gerais, posição que se mantém até hoje.

Entre setembro e novembro do ano passado o Paraná ultrapassou Minas Gerais. Esta inversão entre Minas Gerais e São Paulo demonstra diferenças regionais de demanda, visto que Minas Gerais, cuja produção cresceu significativamente no ano passado, é um mercado mais fechado, enquanto São Paulo busca boa parte do abate em outros estados, muitas vezes disputando com grandes empresas exportadoras que, com mercado externo aquecido, complementam seu abate buscando animais no mercado spot. A tendência é que esta situação se prolongue enquanto o mercado de exportação estiver em crescimento.

Gráfico 1 – Preço médio mensal Suíno Vivo em Minas Gerais, Paraná e São Paulo (R$/kg), e da carcaça especial em São Paulo, de janeiro de 2025 até 20 de janeiro de 2026. Destaque para o mês de março de 2025, cuja cotação do suíno vivo em São Paulo ultrapassou Minas Gerais. Eixo da esquerda preço suíno vivo e eixo da direita preço da carcaça. Elaborado por Iuri Machado, com dados do Cepea.

Os números de exportação de 2025 estão consolidados e confirmam um crescimento bastante significativo dos embarques. Conforme a Tabela 1, a seguir, a carne suína e seus derivados exportados (in natura e processados) representaram quase 1,5 milhão de toneladas, um crescimento de 11,62% em relação ao ano anterior, totalizando uma receita de mais de 3,5 bilhões de dólares.

Tabela 1 – Exportações brasileiras de carne suína totais (in natura e processados) em 2024 e 2025, em toneladas e em US$ 1.000. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

A Tabela 2, a seguir, apresenta a relação dos principais destinos das exportações de carne suína in natura, ao longo de 2025, comparado com o mesmo período de 2024.

Destaque para o crescimento das vendas para as Filipinas, Japão, México e Argentina e o recuo dos embarques para a China que, embora no acumulado do ano tenha terminado na segunda colocação, no mês de dezembro de 2025 ficou em quinto lugar, com somente 7% dos volumes do mês (Tabela 3).

Tabela 2 – Exportação brasileira de carne suína in natura por destino em 2025 (em toneladas e em US$) comparado com 2024. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura por destino em dezembro de 2026 (em toneladas e em US$) comparado com o mesmo período de 2024. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

O Gráfico 2, a seguir, apresenta a evolução mensal das exportações brasileiras para os cinco principais destino de 2025, demonstrando o crescimento expressivo das Filipinas, a estabilidade do Chile e o encolhimento do mercado chinês.

Gráfico 2 – Toneladas mensais de carne suína in natura brasileira embarcadas para os cinco principais destinos, mês a mês, em 2025. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

Não somente a carne suína foi destaque no crescimento da exportação, mas também a carne bovina, no segundo semestre de 2025 bateu recordes mensais sucessivos (Tabela 4), o que ajudou a escoar o crescimento expressivo do abate de bovinos.

A carne de frango que começou 2025 com ritmo de exportação muito bom foi prejudicada pelo foco de Influenza aviária, ocorrido em maio, no Rio Grande do Sul, mas terminou o ano voltando a crescer, depois que caíram praticamente toda as barreiras sanitárias decorrentes do foco.

 Tabela 4 – Exportações brasileiras de carnes in natura bovina, de frango, suína e somatório das três, em toneladas, mês a mês, de janeiro a dezembro de 2025, comparado com o mesmo período de 2024. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

Ainda sem dados oficiais e definitivos de abate do último trimestre de 2025, já é possível estimar o balanço geral da suinocultura do ano passado e projetar o ano de 2026 (Tabela 5).

Tabela 5 – Evolução do balanço da produção de suínos no Brasil de 2022 a 2026. *Dados de 2025 estimados. **Dados de 2026 projetados. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex e IBGE.

A safra de verão, depois de uma implantação relativamente conturbada, com irregularidade de chuvas em regiões importantes, agora segue com boa perspectiva e estimativa de novo recorde de volume de colheita de soja. Ainda é cedo para projetar volumes precisos de produção de milho, mas tudo indica que a janela de plantio da segunda safra, na grande maioria das regiões, será favorável, bem como o clima nas fases mais críticas do cereal.

O mercado de milho e farelo de soja tem respondido com estabilidade, sem grandes oscilações, o que tem garantido ao suinocultor uma boa relação de troca (Gráfico 3) e permitiu, ao longo de 2025, margens financeiras médias melhores que 2024 (Tabela 6).

 Gráfico 3 – Relação de troca Suíno: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de dezembro de 2023 a dezembro de 2025. Relação de troca considerada ideal, acima de R$ 5. Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Elaborado por Iuri Machado com dados do Cepea – preços estado de São Paulo.

 Tabela 6 – Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a dezembro de 2025 e a média anual de 2024. Elaborado por Iuri Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno).

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o ano começou relativamente calmo no mercado doméstico, quando comparado com as sucessivas notícias que vêm de fora, como taxação por parte da China da carne bovina brasileira, estabelecimento de cotas para a nossa carne suína por parte do México, PSA na Espanha, além de ocorrências no cenário mundial que ameaçam a estabilidade econômica e política de todos os países. “O mercado brasileiro iniciou 2026 dando sinais de ajuste entre demanda e oferta de carne suína, o que deve determinar mais um ano de oscilações menos frequentes e de menor amplitude, desde que não haja fatos inesperados pelo caminho”, pontua.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

Queda nos preços pressiona mercado de suínos no início do ano

Menor demanda durante as férias escolares e maior oferta de animais e carne explicam o movimento de baixa, aponta o Cepea.

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Foto: Jaelson Lucas

As cotações de praticamente todos os produtos da cadeia suinícola vêm recuando de forma expressiva em quase todas as praças acompanhadas pelo Cepea.

Agentes consultados pelo Centro de Pesquisas indicam que o movimento de baixa está atrelado ao período de férias escolares e à consequente menor demanda, além da maior oferta tanto de animais vivos quanto da carne.

No mercado atacadista da carne, com as quedas domésticas, frigoríficos priorizaram os envios externos, visando maior rentabilidade.

Esse cenário foi confirmado pelo Cepea a partir de dados da Secex, com a média diária de embarques nesta parcial de janeiro se mantendo próxima da observada ao longo de 2025, a 5,1 mil toneladas.

Fonte: Assessoria Cepea
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