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Genoma do fungo da ferrugem asiática da soja revela pistas para ajudar no controle
Estudo descobriu que mais de 90% do genoma é composto por sequências repetitivas de DNA que podem mudar de posição no genoma. Esse achado seria a causa mais provável da alta variabilidade do fungo.

A Embrapa e outros membros do International Asian Soybean Rust Genome Consortium comemoram os avanços obtidos com o sequenciamento e montagem do genoma de três amostras (dois isolados obtidos no Brasil e um no Uruguai) do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja . O trabalho fornece algumas pistas sobre uma das características mais desafiadoras do microrganismo: sua alta variabilidade, que o faz se adaptar rapidamente e contornar diferentes medidas de controle. O estudo foi publicado na revista Nature Communications .
A ferrugem asiática da soja é um dos principais desafios fitossanitários da cultura, pois o fungo pode se adaptar às estratégias de controle, seja perdendo a sensibilidade a fungicidas, seja “quebrando” a resistência genética presente nas cultivares de soja. “A disponibilidade de um genoma de referência para o fungo é fundamental para o avanço no conhecimento da biologia e dos fatores envolvidos na adaptabilidade do fungo, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas estratégias de controle”, afirma o pesquisador da Embrapa Soja Francismar C. Marcelino-Guimarães , um dos autores do artigo.
O pesquisador explica que o conhecimento detalhado sobre o funcionamento do genoma de referência do fungo é fundamental para entender os fatores que estão envolvidos em sua adaptabilidade e que, assim, contribuem para dificultar seu controle. “Com base no genoma, descobrimos que cerca de 93% é composto por sequências repetitivas de DNA chamadas transposons, fragmentos de DNA que podem ‘pular’ ou mudar de lugar no genoma, o que pode contribuir para sua alta variabilidade”, explica o pesquisador. “Curiosamente, pudemos observar que alguns desses transposons se tornam ativos no fungo e saltam no genoma durante uma infecção, principalmente nas primeiras horas de contato com o hospedeiro. Eles se tornam ativos 24 a 48 horas após a infecção, juntamente com outros genes essenciais para o sucesso da infecção, conhecidos como efetores, que funcionam suprimindo a planta.
No estudo, também foi possível identificar o conjunto completo de efetores do fungo, compartilhado pelas três amostras do fungo, incluindo aquelas que estavam ativas ou expressas nos momentos cruciais da infecção. Alguns desses efetores foram caracterizados pela Embrapa Soja, mostrando sua ação ou ataque contra o hospedeiro durante o parasitismo. “Entender as estratégias de ataque do patógeno é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de controle”, afirma o pesquisador.
Guimarães revelou ainda que, com base no genoma disponível, os estudos de genômica comparativa com outras espécies de fungos também mostraram particularidades adaptativas decorrentes da contração ou expansão de famílias gênicas. “Comparando o genoma do patógeno da ferrugem da soja com o de 14 espécies de fungos, identificamos que a perda gênica é mais frequente em P. pachyrhizi . Essa característica explica sua alta dependência do tecido vegetal do hospedeiro vivo e, em alguns processos biológicos, o patógeno é totalmente dependente do hospedeiro”, relata, ao explicar que o conhecimento dos processos e elementos-chave envolvidos no parasitismo é essencial para desenvolver plantas hospedeiras menos atraentes ou mais tolerantes ao fungo.
A importância da pausa sanitária
As estratégias de manejo estão centradas em práticas como a pausa sanitária, período em que o campo fica sem plantas vivas de soja por pelo menos 90 dias. A prática reduz os inóculos fúngicos. No Brasil, a pausa sanitária começa em junho em vários estados produtores de soja. O calendário completo está aqui .
Além disso, outras estratégias de evasão da doença são: uso de cultivares de ciclo precoce e semeadura no início da época recomendada; a adoção de cultivares resistentes; observância do calendário de semeadura; e o uso de fungicidas. .
Segundo o pesquisador, eles também observaram a ocorrência de famílias gênicas expandidas – envolvidas na produção de energia e no transporte de nutrientes –, o que pode indicar certa flexibilidade no metabolismo e na aquisição de nutrientes. “Entender o estilo de vida do parasita em nível molecular é importante para identificar os genes que são essenciais durante o parasitismo da soja e, portanto, essenciais para a aquisição de nutrientes e sobrevivência do fungo”, explica.
Esses genes podem ser usados para o desenvolvimento de estratégias de controle (por exemplo, via edição de genes ou transgênicos), pois podem comprometer processos vitais como o parasitismo. “Estudos realizados na Embrapa também testaram a eficácia do silenciamento de alguns genes essenciais do fungo, estratégia com potencial para reduzir a gravidade da doença”, observa.
A análise do genoma também revelou um alto nível de diferenças (heterozigosidade) entre os dois núcleos que constituem o genoma do fungo. “Essa característica indica ausência de recombinação entre eles, favorecendo a propagação ou reprodução assexuada do fungo na América do Sul.
DNA
A chave para entender o comportamento e a evolução das espécies está no genoma: o conjunto de informações genéticas de um organismo. O genoma tem a missão de coordenar o funcionamento das células – construindo, reconstruindo e gerenciando a atividade das células individuais. Por outro lado, os genes representam seções funcionais desse genoma, que são relevantes para a atividade biológica.
Ferrugem asiática da soja
A ferrugem asiática da soja tem sido a doença mais grave a afetar o cultivo da soja desde sua identificação na década de 2000. A doença pode levar a perdas de até 80% se não for controlada, enquanto os custos de manejo para os agricultores brasileiros ultrapassam US$ 2 bilhões por ano-safra. O fungo pode se adaptar às estratégias de controle, seja perdendo a sensibilidade aos fungicidas ou “quebrando” a resistência genética presente nas cultivares de soja, de forma que o número de soluções práticas para o controle da doença ainda é limitado.
International Asian Soybean Rust Genome Consortium – Entre os anos de 2019 e 2021, a iniciativa internacional de pesquisa ASR Genome Consortium disponibilizou publicamente o sequenciamento e a montagem do genoma de referência de três isolados de P. pachyrhizi (os dados estão disponíveis publicamente para a comunidade científica aqui).
O consórcio internacional é composto por 12 instituições públicas e privadas: a Embrapa, as universidades alemãs de Hohenheim e RWTH Aachen, o Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas (INRA) da França e a Universidade de Lorraine, além do Joint Genome Institute (JGI) no EUA, Fundação 2Blades, Bayer, Keygene, Laboratório Sainsbury (Reino Unido), Syngenta e Universidade Federal de Viçosa (Brasil).

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.





