Avicultura
Genética mais eficiente reduz margem para erros no manejo de frangos
Aves mais responsivas exigem controle ambiental rigoroso, biosseguridade elevada e decisões rápidas para manter desempenho e sanidade.

A evolução genética do frango de corte elevou a produtividade da avicultura a patamares inéditos, mas também reduziu a margem para erros no manejo dentro das granjas. Com ciclos produtivos cada vez mais curtos, falhas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a comprometer diretamente o desempenho, a uniformidade dos lotes e a rentabilidade do sistema.
De acordo com o médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães, o avanço genético foi determinante para consolidar a carne de frango como a proteína animal mais consumida no mundo, mas trouxe novas exigências ao setor. “Evoluímos muito em genética, nutrição, manejo e biosseguridade, mas o grande desafio agora é equilibrar eficiência produtiva com bem-estar animal, sustentabilidade ambiental, qualidade da carne e segurança alimentar”, enfatizou em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães: “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”
Ele vai tratar do tema no Painel Manejo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, programado para ocorrer entre os dias 07 e 09 de abril, em Chapecó (SC), onde deve abordar a relação entre potencial genético, ambiente e execução de manejo nas granjas.
Para o profissional, a ave moderna responde de forma mais intensa às condições oferecidas no campo, o que amplia tanto o potencial de desempenho quanto os riscos associados a falhas. “O frango de corte moderno é extremamente responsivo ao ambiente. Se eu forneço boas condições, ele expressa seu máximo potencial genético. Se erro, o impacto aparece rapidamente”, afirma.
Guimarães ressalta que a redução do tempo entre a eclosão e o abate é um dos principais fatores que elevam a sensibilidade do sistema produtivo. “O manejo passou a ser um processo sequencial e irreversível, no qual cada etapa influencia diretamente o resultado final. O tempo entre a eclosão e o abate é curto, o que reduz a margem para correções. Um erro de um dia em um ciclo de 42 dias representa quase 2,5% da vida do animal. Em ciclos mais curtos, esse impacto é ainda maior”, explica.
Nesse contexto, práticas consideradas básicas ganham peso estratégico. Controle de temperatura, ventilação, densidade, qualidade de cama, iluminação e acesso a água e alimento deixaram de ser rotinas operacionais e passaram a determinar a conversão do potencial genético em resultado produtivo. “Atualmente apenas bons índices zootécnicos não são suficientes. Não adianta ter sanidade sem nutrição adequada, nem nutrição sem ambiência de qualidade. O manejo precisa integrar todos esses fatores”, ressalta.
Ambiente define consumo, saúde intestinal e desempenho
A interação entre temperatura, ventilação e qualidade do ambiente tem efeito direto sobre o consumo alimentar, o desenvolvimento intestinal e a resposta imunológica das aves.
Na fase inicial, o desafio central é garantir condições que estimulem o consumo. “Temperatura sozinha não resolve. É preciso combinar temperatura adequada com qualidade de ar, controle de umidade e níveis corretos de gases. Isso estimula o consumo de ração e água, que é fundamental para o desenvolvimento intestinal”, salienta Guimarães, enfatizando que os primeiros dias de vida são determinantes para a formação do trato gastrointestinal. “Entre 4 e 10 dias ocorre crescimento intestinal acelerado. Um intestino bem desenvolvido melhora a resposta imunológica e o desempenho ao longo do ciclo”, diz.
Na fase final, o desafio muda para a dissipação de calor. “Quando não conseguimos retirar o calor do aviário, o animal entra em estresse térmico e reduz o consumo de alimento. Isso gera desequilíbrio, piora a condição intestinal e compromete o desempenho”, pontua.
Falhas básicas persistem

Apesar dos avanços tecnológicos, erros simples de manejo ainda são recorrentes nas granjas. Entre os principais, o especialista cita falhas no ajuste de temperatura sem considerar umidade e velocidade do ar, além de problemas na regulagem de comedouros e bebedouros. “Não podemos mais falar apenas de temperatura. Precisamos considerar sensação térmica, o que o animal está sentindo. Muitas vezes o produtor tem a informação, mas não executa corretamente o manejo”, menciona o profissional.
Ele destaca que a avicultura comercial em grande escala exige atenção constante aos detalhes, especialmente em sistemas mais industrializados. “A diferença está no nível de cuidado. O produtor que se destaca vai além do básico e entende o sistema como um todo”, destaca.
Pressão sanitária exigem rigor operacional
Além do manejo, o cenário sanitário reforça a necessidade de controle rigoroso nas granjas. A manutenção da biosseguridade em níveis elevados é apontada como prioridade, especialmente diante do risco de Influenza aviária e da circulação de outros patógenos. “Nosso principal desafio é manter a biosseguridade elevada. Não podemos baixar a guarda. O objetivo é impedir a entrada de qualquer patógeno”, frisa.
O médico-veterinário também cita impactos econômicos associados a enfermidades como bronquite infecciosa e reovírus, que têm gerado aumento de condenações em frigoríficos. “Muitas vezes o problema não aparece no campo, mas reduz o aproveitamento no abate e compromete a margem”, expõe.
A intensificação da produção em regiões com alta concentração de granjas também amplia o risco sanitário, especialmente quando há redução de intervalos entre lotes ou aumento de densidade. “Quando pressionamos o sistema produtivo, o resultado cai. O ganho de volume pode vir acompanhado de perdas”, aponta.
Tecnologia exige uso efetivo dos dados
O avanço de sensores, automação e monitoramento amplia a capacidade de controle nas granjas, mas o uso eficiente dessas informações ainda é um desafio. “A coleta de dados é fundamental. Primeiro coletamos, depois analisamos e então tomamos decisões. O problema é que muitas vezes o setor coleta muito e utiliza pouco essas informações”, ressalta Guimarães.
Segundo ele, a tendência é de sistemas mais integrados e responsivos, com uso crescente de automação e inteligência artificial para interpretar dados de ambiente e comportamento animal. “A integração entre sensores e análise de comportamento deve permitir ajustes mais rápidos e precisos no ambiente”, diz.
Equilíbrio produtivo e execução definem resultado
Para o profissional, não há soluções simplificadas para os desafios da avicultura comercial. O foco deve estar na execução consistente do manejo e no equilíbrio entre produtividade, sanidade e bem-estar. “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”, afirma, ressaltando que o avanço genético amplia a necessidade de precisão técnica. “O ganho de peso diário continua aumentando e a idade de abate reduzindo. Isso aumenta a velocidade do sistema e o impacto dos erros. O manejo bem executado é o que garante resultado”.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



