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Genética e manejo correto no trigo economizam até R$ 400 por hectare

A economia em sementes por área deve incentivar o uso de sementes certificadas

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Joseani Antunes e Diogo Zanatta

Estudo conduzido pela Embrapa Trigo (RS) e a Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL) no Rio Grande do Sul mostrou que a associação entre genética de qualidade e manejo eficiente da cultura do trigo é capaz de reduzir os custos de produção em aproximadamente R$ 400,00/ha sem prejudicar o potencial produtivo dos grãos. A utilização de cultivares de alto padrão genético oferece ao produtor a possibilidade de ajustar o volume de sementes no plantio, ao mesmo tempo em que otimiza o uso de fungicidas, mantendo a rentabilidade do cultivo.

A pesquisa avaliou duas linhas de manejo no trigo na safra 2020: uma visando à redução da população de plantas, e outra com o uso racional de fungicidas, aproveitando fatores da genética das cultivares como aliados. A economia de R$ 400,00 por hectare é resultado da soma de R$ 140,00/ha em sementes e R$ 275,00/ha em fungicidas. Considerando o preço da saca de trigo comercializado em 2020 (R$ 70,00/sc) e a média CEPEA de 10 anos (R$ 40,00/sc), a redução de custos representa o valor de seis a dez sacas de trigo por hectare.

Se o cálculo for ampliado para os 900 mil hectares de trigo cultivados no RS em 2020, a economia chegaria a R$ 360 milhões com sementes e fungicidas, valor que poderia ser reinvestido em tecnologias capazes de promover o potencial produtivo das lavouras, como o uso de fertilizantes, que além de aumentar a produtividade do trigo também podem ser aproveitados na cultura subsequente, como a soja no verão, melhorando a rentabilidade em todo o sistema de produção

O investimento em sementes e fungicidas tem sido fundamental para garantir a produtividade no trigo. Entretanto, ambos os dispêndios são rentáveis até um limite. Quando em excesso, os supostos benefícios podem se transformar apenas em custos de produção. “Excessos no uso de insumos em determinadas situações levaram a uma falsa imagem de que o trigo não gera renda. Queremos desmistificar essa crença, provando que é possível ganhar dinheiro com o cultivo do trigo, estimulando os produtores a investirem na cultura de modo assertivo”, conta o engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Giovani Faé.

“Com a pesquisa, mostramos que é possível gerar renda no inverno com a cultura do trigo, fazendo uso de boa genética, manejo eficiente e uso de semente de qualidade”, resume o engenheiro agrônomo da RTC/CCGL Geomar Corassa.

Densidade de plantas não garante maior rendimento de grãos

Para demonstrar que é possível diminuir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura, foram instaladas faixas de população de plantas em 20 áreas expositivas, em 17 municípios do Rio Grande do Sul. A cultivar utilizada foi a BRS Belajoia, instalada nas áreas com três densidades de semeadura: 40, 60 e 80 plantas por metro de fileira. Em cada local, a área total chegou a três hectares, destinando um hectare para cada faixa de população.

Para avaliar a resposta do rendimento de grãos à densidade de plantas, as lavouras expositivas foram instaladas em regiões mais quentes, que sofrem mais com os estresses do ambiente, e em regiões de clima mais ameno, que possibilitam maiores produtividades nos cultivos de inverno. Dessa forma, a pesquisa contemplou toda a metade norte do RS, onde está concentrada grande parte da produção de trigo no estado. As semeaduras seguiram o calendário indicado pelo zoneamento agrícola para cada local, com as operações efetuadas entre 25 de maio a 27 de julho, em época considerada ideal para a expressão do potencial produtivo da cultura.

A pesquisa mostrou que o aumento na densidade de plantas não representou ganhos significativos no rendimento final de grãos, mesmo em diferentes ambientes de produção. A média de rendimentos variou de 64 a 67 sacos por hectare, mas os custos quase dobraram, passando de R$ 234,00/ha na densidade de 43 pl/m para R$ 415,00/ha na densidade de 76 pl/m. “Esses resultados demonstram que os custos no aumento do volume de sementes não se reverteram em lucro financeiro”, explica Faé.

Lógica de plantio deve ser por metro linear, como na soja

“Em geral, o produtor tem adotado 150 quilos de sementes de trigo por hectare, mas na soja e no milho o cálculo é efetuado em plantas por metro linear. Queremos mostrar nesse trabalho que a implantação do trigo também deve seguir essa lógica de plantas por metro linear, e não a de quilos por hectare”, esclarece o engenheiro agrônomo da CCGL, explicando que o ajuste considera a variação de PMS (Peso de Mil Sementes) e a germinação nos lotes, que podem impactar no volume de sementes e reduzir custos de produção. “Para que o posicionamento seja assertivo, é importante que o produtor conheça a qualidade da sua semente”, recomenda.

Para o pesquisador da Embrapa Trigo Eduardo Caierão, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando para definir a densidade de semeadura: “O produtor tende a investir numa densidade maior por segurança, considerando os riscos de um ambiente desfavorável à cultura. A partir do histórico da área, como qualidade do solo, problemas mais recorrentes de pragas e doenças, associados às previsões climáticas, é possível definir o quanto pode arriscar reduzindo a população de plantas, ajustando os custos tanto em cenários de alta produtividade, quanto num cenário de ambiente menos favorável ao trigo”, pontua.

Segundo ele, uma média bastante segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado. “É preciso destacar que estamos falando de semente de qualidade. Temos visto que o produtor aumenta o volume de sementes porque não garante a qualidade”, complementa Caierão, lembrando que a taxa de uso de semente certificada de trigo no RS ainda é baixa, próximo a 60%.

O custo da semente de trigo no RS foi em média de R$ 2,20/kg na safra 2020. Considerando a população recomendada de 43 pl/m (ou 250 sementes/m², cerca de 86 kg/ha), quando comparado aos 150 kg de sementes/ha tradicionalmente utilizados nas lavouras gaúchas, a redução de custos chega a R$ 140,00/ha. Além de reduzir custos, o ajuste na densidade de sementes também reduz o risco de acamamento em cultivares mais altas, permitindo o aumento das doses de fertilizantes nitrogenados que potencializam o rendimento na lavoura.

A redução no desembolso em insumos pode, num primeiro momento, inquietar empresas e profissionais que historicamente investem na cultura do trigo. Por isso, antes da divulgação da pesquisa, a Embrapa Trigo convidou sementeiros que atuam no mercado de trigo gaúcho para discutir os resultados do trabalho. Para o diretor administrativo da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), Jean Carlos Cirino, o tema necessita de muito estudo e discussão: “É preciso deixar claro que a recomendação de população de plantas, assim como o completo posicionamento da cultivar, cabe ao obtentor vegetal. São vários os fatores e implicações técnicas para se chegar ao posicionamento de uma cultivar de trigo e seu desenvolvedor é o maior interessado em ser assertivo”.

A expectativa da Embrapa Trigo é que a redução nos custos de produção possa servir de incentivo ao aumento da área com trigo na Região Sul, movimentando também a comercialização de semente certificada.

Manejo fitossanitário

Para validar a tese de que é possível diminuir o número de aplicações de fungicidas sem perder potencial produtivo de grãos, o grupo de pesquisa conduziu um ensaio em cinco locais no Rio Grande do Sul (Passo Fundo, Cruz Alta, Sarandi, Santa Maria e Campo Novo), visando avaliar a resposta genética ao manejo fitossanitário em trigo. Esse estudo foi realizado com aplicação de fungicidas em parcelas subdivididas com três repetições e três tratamentos: sem fungicida, aplicação de fungicida focada na proteção da espiga, e quatro aplicações calendarizadas (perfilhamento à floração). Foram utilizadas oito cultivares de trigo com representatividade em áreas comerciais, apresentando grande variação quanto à resistência genética para as principais doenças.

Manejo na aplicação de fungicidas nos experimentos:

Na avaliação do manejo fitossanitário, foram observadas variações com relação à sanidade genética em algumas cultivares. Por exemplo, em Passo Fundo o melhor desempenho foi da cultivar da Embrapa BRS Belajoia que produziu 71 sc/ha mesmo sem nenhuma aplicação de fungicida. Já em Cruz Alta houve resposta de até oito sc/ha na produtividade quando se fez uso de quatro aplicações de fungicida, especialmente em cultivares mais suscetíveis ao oídio.

Nesse sentido, a fitopatologista da CCGL Caroline Guterres explica que o resultado se deve ao ano mais seco, sob influência de La Nina, quando a doença predominante na safra de inverno 2020 foi o oídio. Para a decisão do número e do momento de realizar as aplicações de fungicidas em trigo, ela destaca três pontos: conhecer a cultivar que está sendo utilizada e sua reação frente às principais doenças; entender quais doenças podem ocorrer em função das condições de ambiente; e monitorar a lavoura a fim de identificar focos precoces de doenças. “Ao aliar esses três fatores, o manejo de doenças fica mais assertivo e, por consequência, mais econômico”, conclui Caroline.

O ensaio que contou com quatro aplicações de fungicidas ao longo da safra representou um dispêndio de R$ 390,00/ha – com base nos preços dos defensivos em 2020, ao custo de R$ 25,00/ha cada aplicação. Com o monitoramento da lavoura, foi possível fazer uma única aplicação de fungicida, visando prevenir a giberela no espigamento, ao custo de R$ 115,00/ha.

Geomar Corassa, da CCGL, chama a atenção quanto aos resultados do ensaio com fungicidas: “É importante considerar que o conhecimento sobre a cultivar é fundamental para permitir esse tipo de prática. Atualmente, para a obtenção de altos tetos produtivos, algumas cultivares exigem pacotes fitossanitários robustos, enquanto outras permitem a economia. Esse resultado foi confirmado no estudo”, explica.

“Temos que considerar que 2020 foi um ano seco, que não favoreceu a incidência de doenças fúngicas. De qualquer forma, o monitoramento da lavoura permite a redução de custos em anos secos ou o controle mais eficiente em anos úmidos”, explica a fitopatologista da Embrapa Trigo Cheila Sbalcheiro.

Percepções do setor produtivo

Para gerar os resultados da pesquisa sobre redução de custos no trigo, a Embrapa Trigo e a RTC/CCGL contaram com o apoio de parceiros desde a instalação das lavouras até a condução dos experimentos e registro de dados. Foram diversas cooperativas, pesquisadores, produtores e assistentes técnicos trabalhando em 20 áreas expositivas de 17 municípios do Rio Grande do Sul. Veja algumas percepções dos participantes:

Em Sarandi, o engenheiro agrônomo Nazaré Piran conduziu a avaliação na área de pesquisa da Cotrisal. “Trabalhamos com produtores há 18 anos e a recomendação no trigo sempre foi 150 kg de sementes por hectares, cerca de 400 plantas por metro quadrado. Mas vemos que a produtividade não está aumentando. Da mesma forma que na soja tivemos que diminuir a população para alcançar um maior potencial produtivo, eu acredito que no trigo esse ajuste também é necessário”, diz Piran, explicando que a redução no número de plantas pode favorecer a fotossíntese, evitando a disputa pela luz. “O ajuste na população pode diminuir custos de produção ou mesmo alocar os recursos na adubação”, orienta o agrônomo.

Na ZT Sementes, de Cruz Alta, o produtor Zeca Scapin busca retomar a rentabilidade econômica do trigo a partir de tecnologias que permitam reduzir os custos de produção e os riscos da cultura: “Investir numa cultivar de alto potencial produtivo, mas de baixa resistência a doenças não vai trazer lucro no trigo, principalmente num ano de primavera com clima severo”, alerta Scapini, lembrando que produtividade e custos de produção não podem subir juntos, senão o rendimento final não se traduz em lucro.

Em Espumoso, o experimento foi conduzido pela Planeja Agrícola e surpreendeu o consultor técnico Jeferson Moras: “Ficamos com receio de reduzir a população porque sempre adensamos mais nos cultivos de inverno para controlar a infestação de azevém nas áreas. Mas aceitamos o desafio e fomos surpreendidos com o resultado. A cultivar de trigo BRS Belajoia permitiu uma economia de 70 kg de sementes por hectare e apresentou o mesmo rendimento da maior população, além de promover um melhor perfilhamento que rapidamente fechou o espaço na lavoura e ajudou a controlar as plantas daninhas”. Ele destaca ainda que o posicionamento das cultivares visando ajustes na população de plantas é indispensável no cenário atual de alta nos custos de produção: “O produtor precisa acertar a quantidade de sementes para uma boa produção dentro da expectativa de cada cultivar. Isso precisa ser avaliado no local, dentro de cada realidade”, conclui.

Fonte: Embrapa Trigo

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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