Peixes
Genética de ponta transforma a produção de tilápia e encurta ciclos de cultivo
Pesquisas indicam desempenho robusto mesmo no inverno e maior eficiência alimentar em comparação a linhagens nacionais.

O mercado brasileiro de tilápia passa por um momento de transformação, impulsionado pelos avanços genéticos que vêm aumentando o crescimento, a eficiência alimentar e o rendimento de filé dos peixes. Pesquisas recentes com linhagens de genética internacional, denominadas aqui como genética 1, mostram que a adoção de materiais genéticos de ponta pode reduzir o ciclo de produção, elevar o ganho de peso diário (GPD) e tornar a piscicultura mais competitiva e sustentável
As análises foram apresentadas pelo médico-veterinário Rodrigo Zanolo, especialista em Ciência Animal, durante o 4º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado em julho na cidade de Toledo (PR). Segundo ele, a genética 1 tem uma trajetória consolidada globalmente, com experiência acumulada em frangos e salmões, e agora aplica seu conhecimento em tilápias, com foco no rápido crescimento e alto desempenho industrial.
A genética 1 chegou ao Brasil recentemente, trazendo material completamente distinto do existente no país. Estudos de genotipagem indicam que não há parentesco com linhagens nacionais, preenchendo uma lacuna de quase 20 anos sem importação de material genético. Segundo Zanolo, essa novidade tem potencial de transformar a cadeia produtiva de tilápia, aumentando produtividade e reduzindo o consumo de água e insumos.

Médico-veterinário Rodrigo Zanolo, especialista em Ciência Animal: “Investir em genética de ponta, aliado a manejo eficiente, é um caminho para elevar a produção de tilápia a novos patamares”
Para avaliar o desempenho da genética 1, foi desenvolvido um projeto técnico colaborativo em Palotina (PR), envolvendo médicos-veterinários, biólogos e engenheiros de pesca. Durante cerca de um ano, os animais foram comparados com uma genética nacional, desde a fase de larva até o processamento industrial. Foram aplicadas duas metodologias: o Common Garden, em que animais de ambas as genéticas vivem juntos em um mesmo viveiro, e o método de Réplicas, com tanques separados para cada linhagem, permitindo comparações diretas.
Os resultados da prova são expressivos. No Common Garden, após 212 dias, a genética 1 atingiu peso médio de 1,141 kg, enquanto a genética nacional alcançou 897 gramas, um crescimento 27% superior. O GPD foi consistentemente maior para a genética 1, especialmente no inverno, quando o ganho de peso diário chegou a ser 32% superior, mostrando a robustez do animal mesmo em temperaturas mais baixas. A sobrevivência foi competitiva para ambas as linhagens (91% genética 1 vs. 89% nacional), demonstrando equilíbrio entre desempenho e rusticidade. Além disso, no frigorífico, a genética 1 entregou 2% a mais de filé bruto e 1% a mais de filé limpo.
Na metodologia de Réplicas, a genética 1 também se destacou. O ciclo de cultivo foi 24 a 32 dias mais curto para atingir o peso alvo, com conversão alimentar mais eficiente – FCR de 1,35 frente a 1,37 da genética nacional – e maior voracidade alimentar, indicando que o potencial do animal ainda poderia ser explorado com ajustes nutricionais adequados.
Segundo Zanolo, o sucesso de uma genética de ponta depende de boas práticas de manejo, densidade adequada, gestão alimentar correta e cuidado com o bem-estar animal. “O produtor precisa oferecer condições para que o animal expresse todo o seu potencial”, reforça.
A genética 1 é caracterizada por uniformidade biológica, conformidade corporal superior, alta docilidade e forte impulso alimentar. Cerca de 75% de sua seleção genética é voltada para crescimento e rendimento de filé, enquanto 25% mantêm rusticidade, garantindo adaptabilidade a diferentes ambientes. “Estudos como este mostram que a inovação genética pode ser transformadora. Ao reduzir o ciclo de produção em até 40 dias além de aumentar a produtividade, também melhora a sustentabilidade da atividade, reduzindo o uso de recursos naturais e ampliando a competitividade da piscicultura brasileira. Para o setor, a mensagem é clara: investir em genética de ponta, aliado a manejo eficiente, é um caminho para elevar a produção de tilápia a novos patamares”, salienta Zanolo.
O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
Governo passa a exigir nota fiscal como comprovação de origem do pescado
Nova portaria dos ministérios da Pesca e da Agricultura reforça rastreabilidade na cadeia, substitui norma de 2014 e cria mecanismo para regularização de embarcações no RGP.

Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicaram, na última sexta-feira (10), a Portaria Interministerial nº 54, que estabelece a Nota Fiscal como documento oficial de comprovação de origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A nova norma revoga a Instrução Normativa Interministerial MPA/Mapa nº 4/2014, e atualiza os mecanismos de controle, com o objetivo de fortalecer a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
A medida busca conferir maior segurança jurídica e previsibilidade às atividades do setor, ao alinhar os procedimentos de comprovação de origem às práticas atuais da pesca e da aquicultura no país. A adoção da Nota Fiscal como documento oficial contribui para ampliar a transparência das operações comerciais, aprimorar os mecanismos de fiscalização e valorizar o pescado brasileiro.
A portaria é resultado de um processo de construção conjunta entre o MPA e o Mapa, com base em discussões técnicas e diálogo com o setor produtivo. Participaram das tratativas representantes da Câmara Setorial da Produção e da Indústria de Pescados, além de auditores fiscais do Mapa. A iniciativa buscou garantir que a regulamentação atenda às necessidades operacionais do setor e seja aplicada de forma eficiente e uniforme em todo o território nacional.
Entre as novidades, a norma institui o anexo “Autodeclaração de Solicitação de Atualização de Dados junto ao MPA”. O instrumento visa resguardar o interessado

Foto: Divulgação
que já protocolou pedido de atualização cadastral de embarcação no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), mas que ainda aguarda análise administrativa.
A autodeclaração permitirá que o proprietário comprove sua regularidade durante esse período, evitando prejuízos à atividade produtiva e conferindo maior previsibilidade ao processo. De acordo com os ministérios, a medida está alinhada à modernização administrativa, à inovação regulatória e à garantia de direitos dos usuários dos sistemas públicos.
Com a nova regulamentação, a Nota Fiscal passa a ocupar papel central na comprovação de origem do pescado, reforçando o compromisso do governo federal com a modernização da gestão pesqueira e aquícola e com o desenvolvimento sustentável do setor.
Peixes
Tilápia mantém estabilidade de preços nas principais regiões produtoras
Cotações ao produtor variaram até 0,23% na última semana. Oeste do Paraná registra maior alta e segue com menor valor por quilo.

Os preços da tilápia permaneceram praticamente estáveis nas principais regiões produtoras do país na semana de 6 a 10 de abril, com variações discretas tanto de alta quanto de baixa, conforme levantamento do Cepea.

Foto: Shutterstock
No Oeste do Paraná, principal polo produtivo nacional, o valor pago ao produtor independente atingiu R$ 8,94 por quilo, com leve alta de 0,23% na comparação semanal, a maior variação positiva entre as regiões monitoradas. Apesar do avanço, a região segue registrando o menor preço médio entre os mercados acompanhados.
No Norte do Paraná, a cotação ficou em R$ 10,45/kg, sem variação na semana, indicando estabilidade nas negociações. Já na região dos Grandes Lagos, que abrange o noroeste de São Paulo e áreas próximas à divisa com Mato Grosso do Sul, o preço médio foi de R$ 10,04/kg, com leve alta de 0,16%.
Em Minas Gerais, os movimentos foram de ajuste negativo. Em Morada Nova de Minas, referência na produção aquícola do estado, o valor recuou 0,05%, para R$ 9,82/kg. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda foi de 0,06%, com o preço médio em R$ 10,22/kg.
Os dados consideram o preço à vista pago ao produtor independente e indicam um mercado de baixa volatilidade no curto prazo, com oscilações pontuais entre as regiões.
Peixes
Câmara derruba mudanças do Senado e mantém novas regras do seguro-defeso
Texto que segue para sanção prevê cadastro mais rígido, pagamento em até 60 dias após regularização e R$ 7,9 bilhões reservados para o benefício em 2026.

A Câmara dos Deputados rejeitou na última quinta-feira (09) as alterações feitas pelo Senado Federal na Medida Provisória 1323/25, que define novas regras para o pagamento do seguro-defeso. Com a decisão, permanece o texto aprovado pelos deputados na última terça-feira (07). A proposta segue agora para sanção presidencial.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O seguro-defeso é pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca para reprodução dos peixes. As mudanças têm como foco o endurecimento dos critérios de controle e identificação dos beneficiários.
A medida estabelece que:
- parcelas pendentes poderão ser quitadas em 2026, desde que o pescador cumpra os requisitos;
- haverá direito ao recebimento de anos anteriores, caso o pedido tenha sido feito dentro do prazo legal;
- o pagamento ocorrerá em até 60 dias após a regularização cadastral;
- passam a valer novas exigências de cadastro e identificação.
Para 2026, a previsão orçamentária do benefício, desconsiderando valores atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Na véspera, os senadores haviam aprovado mudanças que incluíam a exigência de comprovação de contribuição ao INSS por ao menos seis meses no período de um ano, a criação de limite de renda para acesso ao benefício e a retirada do pagamento retroativo referente a 2025.
Todas essas alterações foram rejeitadas pelos deputados.



