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Geada acende alerta para perdas na safra de inverno
Produtores ainda avaliam impactos nas lavouras de milho, trigo e hortaliças. Sistema Faep orienta municípios a registrarem ocorrência para acessar recursos.

A onda de frio que avançou sobre o Paraná entre os dias 23 e 25 de junho acendeu o alerta para possíveis perdas nas lavouras de milho, trigo, hortaliças e pastagens. As baixas temperaturas atingiram cultivos em diferentes fases de desenvolvimento. Diante desse cenário, o Sistema Faep orienta os municípios atingidos a registrarem as ocorrências para acessar recursos. Os sindicatos rurais podem auxiliar nesse processo.
A frente fria concentrou-se especialmente na metade Leste do Estado, com forte incidência nas regiões Centro-Sul, Sudeste, Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e litoral. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), na madrugada do dia 25 foram registradas as menores temperaturas do ano em pelo menos 29 municípios. Em 20 deles, os termômetros marcaram valores negativos. “O produtor rural paranaense já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de superação diante das adversidades climáticas. Neste momento, é fundamental monitorar os impactos e buscar medidas para reduzir os prejuízos no campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep.

Foto: Ana Tigrinho
Segundo Bruno Vizioli, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade, já existe um trabalho para dimensionar a extensão dos danos. “As perdas estimadas são de 30% no milho e de 20% a 25% no trigo. Hortaliças e café, por serem mais sensíveis, podem ter perdas acima de 90% quando atingidos por geadas intensas”, afirma o técnico, destacando que o impacto varia conforme a fase de desenvolvimento das culturas e a intensidade do frio.
No Norte e Noroeste, as estações meteorológicas da Cocamar Cooperativa Agroindustrial registraram temperaturas de zero grau em municípios como Sertanópolis, Tamarana, Doutor Camargo, Apucarana, Sabáudia, Iporã e Primeiro de Maio. Já em Maringá, a mínima foi de -1,4°C; em Ivatuba, -1,9°C; em Cambé, -1,8°C; e em Floresta e no distrito de Serrinha, em Londrina, -1°C.
No Vale do Ivaí, o presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã, Marco Antonio Esquiçato, relata que a geada atingiu a região em dois momentos. “No dia 23 tivemos uma geada leve, mas no dia 24 foi bem mais forte”, afirma. O trigo, cultivado em cerca de 25 mil hectares na região dos municípios atendidos pelo sindicato, tem 25% da área em fases suscetíveis, como o emborrachamento e o florescimento. O milho, cultivado em 30 a 35 mil hectares, também pode registrar perdas de até 25% da área, conforme dados da Coamo Agroindustrial Cooperativa. “As perdas ainda estão sendo avaliadas. Só saberemos com mais precisão se houve abortamento pelo caule nos próximos dias”, complementa.
Segundo a Cocamar, o frio também castigou pastagens em praticamente todo o Estado, especialmente entre pecuaristas que ainda dependem de pasto nativo. A horticultura também sofreu, com prejuízos mais severos para os produtores de folhosas e frutas sensíveis ao frio.
Orientações

Foto: Valdelino Pontes
Diante do cenário, o Sistema Faep orienta os municípios que registraram danos ou prejuízos causados pelas geadas quanto aos procedimentos para registrar as ocorrências: sem decretação ou prosseguimento do processo com decretação de situação de emergência.
Confira as orientações específicas para cada caso:
Registro de ocorrência (sem decretação de situação de emergência)
- O município poderá optar por realizar apenas o registro documental da ocorrência, preenchendo o Formulário de Informações do Desastre (Fide), sem a necessidade de decretar situação de emergência e sem obrigatoriedade de apresentação de laudos técnicos.
- O analista da Defesa Civil Estadual responsável pela análise estabelecerá um prazo adequado para a conclusão do preenchimento do Fide.
Consequências e utilidades do registro
- Não há liberação de recursos estaduais ou federais.
- O Fide pode ser utilizado como documento comprobatório junto a seguradoras, que normalmente aceitam esse registro da Defesa Civil Municipal.
- O documento pode auxiliar na solicitação de prorrogação ou refinanciamento de dívidas junto a instituições financeiras.
- Cada instituição possui sua própria política. Algumas aceitam apenas o Fide como comprovante; outras exigem a decretação e o reconhecimento federal da situação de emergência.
Prosseguimento do processo com decretação de situação de emergência
- Caso o município deseje seguir com o processo completo, incluindo a decretação de situação de emergência, será necessário atender aos requisitos legais estabelecidos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec).
- O município terá o prazo máximo de 10 dias corridos a partir da data do desastre para concluir todas as etapas do processo nas esferas estadual e federal.
Consequências e benefícios da decretação
- Permite ao município solicitar apoio estadual ou federal, conforme critérios legais e disponibilidade orçamentária.
- Gera condições para que bancos públicos federais (como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) possam conceder prorrogação ou renegociação de dívidas rurais, conforme regulamentações próprias.
- Pode ser exigido por algumas instituições financeiras ou programas federais como requisito para liberação de benefícios específicos.

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Linha de crédito de R$ 10 bilhões amplia acesso à tecnologia no campo
Recursos serão operados pela Finep e voltados à compra de máquinas e implementos agrícolas por produtores rurais pessoas físicas e jurídicas.

O Governo Federal publicou, na quarta-feira (01º), a Medida Provisória nº 1.374, que autoriza a destinação de até R$ 10 bilhões para uma linha de financiamento voltada à adoção de tecnologias baseadas em máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil. A iniciativa integra o programa Move Agricultura e tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito para modernização da produção rural.

Foto: Shutterstock
A MP altera o artigo 15-A da Lei nº 11.540/2007 e permite, de forma extraordinária no exercício de 2026, a criação da nova linha de financiamento. A gestão dos recursos ficará sob responsabilidade da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com operação por meio de crédito descentralizado, executado por agências de fomento, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras oficiais credenciadas.
O financiamento será destinado a projetos de disseminação tecnológica baseados em equipamentos agrícolas inovadores nacionais. Poderão acessar a linha produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, com enquadramento como crédito rural conforme a legislação vigente.
Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a ampliação do acesso ao crédito é central na política pública. “A verdadeira grandeza de uma política pública está na sua capacidade de fazer esse crédito chegar a mais brasileiros. Ampliamos o acesso à linha de financiamento para que não apenas pessoas jurídicas, mas também produtores rurais pessoas físicas possam adquirir máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil”, afirmou.

Foto: Divulgação/Freepik
Com a inclusão de pessoas físicas entre os beneficiários, a medida amplia o alcance da política e permite que produtores de diferentes portes tenham acesso a equipamentos modernos, voltados à mecanização e à inovação no campo.
O Move Agricultura, que integra a nova linha de financiamento, foi lançado durante a 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O programa prevê crédito para aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas, com juros de até 9,2% ao ano, prazo de até 60 meses e carência de 12 meses. A proposta é acelerar a modernização da frota agrícola e estimular o desenvolvimento de tecnologias nacionais.
A Medida Provisória também autoriza a concessão de apoio financeiro, por meio de subvenção econômica, a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. O benefício é destinado a reduzir impactos de prejuízos associados à tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou a eventos climáticos extremos.
A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizada na terça-feira (30).
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Acordo entre EUA e Irã reduz risco logístico no mercado global de fertilizantes
Estreito de Ormuz tem reabertura parcial após avanço diplomático, enquanto a ureia recua US$ 360 toneladas desde abril, com maior oferta no Golfo e retomada parcial das exportações da China.

O conflito no Oriente Médio teve um novo desdobramento em 14 de junho, com o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, seguido pela assinatura eletrônica do documento no dia 15. Apesar disso, o texto final do acordo ainda deve ser divulgado na sexta-feira, mantendo incertezas no cenário.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
O Estreito de Ormuz foi parcialmente reaberto e há expectativa de liberação total até o fim da semana, embora o fluxo ainda não esteja normalizado. A região é considerada estratégica para o transporte de matérias-primas usadas na produção de fertilizantes.
No mercado de nitrogenados, a ureia registrou queda expressiva de cerca de US$ 360 por tonelada desde o fim de abril, retornando a patamares anteriores ao conflito. O movimento foi influenciado por um excesso pontual de oferta, com estoques acumulados no Golfo e o retorno parcial da China como exportadora. As cotações CFR Brasil recuaram para cerca de US$ 445/t, com negócios sendo fechados em níveis ainda mais baixos.
Nos fosfatados, o cenário segue mais pressionado. O enxofre, insumo essencial para a produção de MAP e SSP, avançou para cerca de US$ 1.250/t. Já o MAP permanece próximo de US$ 900/t CFR Brasil. Do lado da oferta, a China segue praticamente fora do mercado de fósforo, enquanto a Rússia opera com restrições ligadas a danos de infraestrutura decorrentes da guerra. No Oriente Médio, há impactos logísticos, e o Marrocos enfrenta limitação de capacidade associada à escassez de enxofre.
Nos potássicos, o mercado apresenta maior estabilidade. O KCl oscila em torno de US$ 405/t CFR Brasil, sustentado por um equilíbrio maior entre oferta e demanda globais, sem mudanças estruturais relevantes no período.
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Finep destina R$ 220 milhões para inovação na agricultura familiar
Editais vão apoiar o desenvolvimento de tecnologias em parceria com cooperativas rurais e da aquicultura.

Dois editais públicos, lançados na terça-feira (30) pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), preveem o pagamento de R$ 220 milhões para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a agricultura familiar e a aquicultura no país. A iniciativa faz parte do programa CooperaMais Brasil Tecnologia no contexto do Plano Safra voltado a agricultores familiares. 

Para acessar os recursos, os candidatos deverão atuar obrigatoriamente em parceria com cooperativas da agricultura familiar ou da aquicultura.
Política pública

Foto: AEN
Os editais integram uma política pública liderada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em articulação com os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Fazenda.
O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, destacou que o Plano Safra incorpora, com os editais, a inovação como instrumento permanente e fundamental de desenvolvimento para os trabalhadores.
Segundo ele, o programa tem como objetivo promover a difusão de inovações que ampliem a produtividade, agreguem valor à produção e garantam a inclusão socioprodutiva e a segurança alimentar no país.
Ciência e desenvolvimento

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
O primeiro edital (ICTs, no valor de R$ 100 milhões) é voltado a instituições científicas, tecnológicas e de inovação para o desenvolvimento de soluções integradas, transferência tecnológica, capacitação e extensão no campo.
O outro (Empresas, de R$ 120 milhões) é relacionado ao desenvolvimento industrial de maquinários e insumos específicos de pequeno porte, como tratores, implementos agrícolas, máquinas para plantio e colheita de culturas essenciais à agricultura familiar.
A íntegra das chamadas públicas e os critérios de participação vão ser disponibilizados no portal da Finep.
Crédito

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 somará investimentos de R$ 97,3 bilhões para programas de crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural.
Desse total, R$ 85,2 bilhões serão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um aumento de quase 9% do crédito, comparado à última safra.



