Bovinos / Grãos / Máquinas
Frísia monitora 23,5 mil bovinos de leite com inteligência artificial
Projeto Monitore acompanha saúde, reprodução e bem-estar dos animais em 109 propriedades do Paraná, garantindo mais eficiência e bem-estar no leite.

A Frísia Cooperativa Agroindustrial monitora atualmente 23,5 mil vacas leiteiras com o uso de inteligência artificial (IA). Os animais estão distribuídos em 109 propriedades do Paraná e fazem parte do Projeto Monitore, iniciativa voltada ao acompanhamento contínuo de saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico do rebanho. As propriedades participantes do Monitore representam mais de 50% dos produtores de leite da Frísia e aproximadamente 68% do volume diário entregue à indústria.
O sistema utiliza colares eletrônicos instalados em vacas das raças Holandesa e Jersey em lactação, no período seco (sem produção leiteira) e também em novilhas com 30 dias pré-parto, categorias consideradas mais sensíveis do ponto de vista sanitário e reprodutivo. O projeto integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Segundo Eduardo Ichikawa, gerente executivo de Pecuária da Frísia, a decisão de implantar o sistema da Cowmed foi construída com os próprios cooperados, pelo Comitê Pecuário. “O foco é termos, junto com os cooperados, mais saúde e mais produção das vacas. O monitoramento permite agir antes que o problema se agrave”, afirma. Ele destaca que não há distinção por tamanho de propriedade. “Independentemente de quanto produz, o importante é estar no projeto”, conta.
Para a implementação do projeto Monitore, a Frísia subsidiou parte do investimento em infraestrutura, como o custo de instalação das antenas nas propriedades. O cooperado, então, paga uma mensalidade por animal monitorado, equivalente a cerca de um terço do valor praticado no mercado.
Detecção precoce
Os colares funcionam como um dispositivo de monitoramento contínuo do comportamento das vacas. Eles registram dados de movimentação, ruminação, frequência e tempo de consumo, tempo de descanso, padrões de ofegação, entre outras medições. As informações são enviadas para antenas instaladas nas propriedades e processadas em plataforma digital, acessível, inclusive, por celular pelo cooperado e equipe técnica da Frísia.
De acordo com Anderson Radavelli, supervisor de Zootecnia da cooperativa, os primeiros resultados percebidos pelos produtores foram na reprodução e na saúde dos animais. “A detecção de cio foi um dos principais ganhos iniciais, porque antes dependia muito da observação visual. Agora, o produtor recebe o alerta no momento adequado para a inseminação”, explica.
O sistema também identifica alterações sutis no comportamento que podem indicar início de doenças. “Muitas vezes, o alerta vem antes dos sinais clínicos visíveis. Isso permite medidas preventivas, tratamento mais cedo e redução no uso de medicamentos”, diz Radavelli.
Na reprodução, os dados também têm refletido em desempenho. Há propriedades cooperadas registrando taxas de prenhez acima de 35%, patamar considerado elevado. Em geral, os índices médios de taxa de prenhez no Brasil costumam variar entre 18% e 24%.
Conforto térmico

Outro ponto monitorado é o estresse por calor. Os colares registram o tempo de ofegação e o período em que a vaca permanece em pé comportamentos que aumentam quando o animal tem dificuldade de dissipar calor. “Com essas informações, o produtor pode ajustar ventilação, sombra e manejo para reduzir o impacto do calor. Isso preserva o bem-estar e evita perdas de produção”, afirma o supervisor de Zootecnia.
Os dados de ruminação e tempo de cocho também funcionam como indicadores diretos de consumo alimentar. “Conseguimos acompanhar desde a ruminação até quanto tempo a vaca passa no cocho. Se o animal reduzir a ingestão, o sistema sinaliza rapidamente. Isso permite corrigir dieta e manejo”, explica Radavelli.
Tecnologia embarcada
A tecnologia é desenvolvida pela empresa brasileira Cowmed. Segundo o vice-presidente e cofundador, Leonardo Guedes da Luz Martins, o sistema opera como um “smartwatch da vaca”. “A coleira acompanha o animal 24 horas por dia, registrando comportamento em alta frequência. É como se o produtor tivesse alguém observando cada vaca o tempo todo”, afirma.
Cada dispositivo realiza 25 amostragens por segundo do comportamento do animal. Os algoritmos analisam os dados e geram alertas automáticos de saúde e cio, além de alterações nutricionais ou de bem-estar. “Nas análises que fazemos, a precisão dos alertas de saúde pode chegar acima de 95%”, diz Martins.
Para ele, o projeto também estabelece uma comunicação direta com o mercado. “Quando a cooperativa investe em monitoramento, está mostrando ao consumidor que há interesse em desenvolvimento, eficiência e bem-estar animal. É uma forma de dar transparência ao sistema de produção”, destaca o cofundador da Cowmed.

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Pequenas propriedades concentram 80% da pecuária de corte em Mato Grosso
Levantamento do Indea mostra que quatro em cada cinco fazendas de bovinocultura de corte no estado têm até 320 hectares, evidenciando o peso dos pequenos produtores na liderança nacional do rebanho bovino.

Apesar de abrigar o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada majoritariamente por pequenas propriedades. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostram que, das 106.009 fazendas dedicadas à atividade no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.
Além da liderança nacional em número de bovinos, a pecuária de corte também é a atividade econômica com maior número de estabelecimentos em Mato Grosso. O segmento responde por 9,36% de todas as empresas registradas no estado, superando setores como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário, o transporte rodoviário de cargas e a construção civil.

Foto: Fabiano Bastos
A estrutura da atividade inclui ainda 12.583 propriedades de médio porte, que representam 11,8% do total, e 8.417 grandes fazendas, correspondentes a 7,9%.
Entre os municípios com maior número de propriedades voltadas à bovinocultura de corte, Colniza ocupa a primeira posição, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051).
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números evidenciam que a competitividade da pecuária estadual está apoiada em uma ampla base de produtores. “Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirma.
Segundo Andrade, a presença da bovinocultura em praticamente todas as regiões do estado contribui para o desenvolvimento econômico dos municípios e fortalece a cadeia produtiva. “Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, salienta.
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Integração entre lavoura e pecuária transforma prejuízo de US$ 215 por hectare em resultado positivo
Estudo de 25 anos mostra que a diversificação da produção reduz os impactos das quebras de safra, aumenta a estabilidade da renda e melhora as condições do solo.

A integração entre lavoura e pecuária pode reduzir os impactos das oscilações climáticas sobre a produção agrícola, aumentar a rentabilidade das propriedades e melhorar a qualidade do solo. A avaliação é do professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho, que apresentou resultados de pesquisas conduzidas ao longo de décadas no Sul do Brasil.

Professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho
Segundo o pesquisador, os levantamentos mostram que a região convive com uma elevada variabilidade climática e com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, cenário que amplia os riscos para os sistemas produtivos. Nos últimos 30 anos, o Rio Grande do Sul registrou frustração de safra em 44% das lavouras de soja e em mais de 50% das de trigo. Para Carvalho, os dados demonstram que a diversificação da produção é uma das principais estratégias para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.
Um experimento de longa duração, conduzido durante 25 anos no estado, evidencia os ganhos da integração. Em sistemas exclusivamente agrícolas, a produtividade da soja variou de mais de 70 sacas por hectare em anos favoráveis para menos de 10 sacas por hectare em períodos de seca. Quando o gado é incorporado ao sistema para o pastejo das plantas de cobertura no inverno, a renda obtida com a pecuária é convertida em equivalente de produção de soja, elevando o resultado médio para 73 sacas por hectare.

Foto: Rodrigo Alva
O impacto econômico também é expressivo. Em anos de clima favorável, o sistema integrado proporciona receita superior ao dobro da obtida apenas com a agricultura. Já em anos de quebra de safra, enquanto a lavoura isolada registra prejuízo de US$ 215 por hectare, a integração entre agricultura e pecuária gera resultado positivo de US$ 189 por hectare.
Para Carvalho, a presença dos animais reduz a exposição da propriedade às oscilações do mercado e do clima. Enquanto a produtividade da soja apresenta variações superiores a 30%, a pecuária registra oscilações inferiores a 10%, funcionando como um fator de estabilidade para o sistema produtivo.

Foto: Gabriel Faria
As pesquisas também mostram benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo. Utilizando técnicas de análise tridimensional, os pesquisadores verificaram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água. O efeito resulta em aumento de 14% na capacidade de retenção hídrica.
Outro resultado observado foi o incremento de 140% na ocorrência de fungos benéficos em áreas manejadas com integração lavoura-pecuária. Esses microrganismos favorecem a absorção de fósforo pelas plantas, contribuindo para o aumento gradual da produtividade da soja ao longo dos anos.
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Angus desenvolve base genética inédita para cruzamento industrial
Projeto em parceria com a Embrapa vai coletar seis mil amostras de bovinos meio-sangue para desenvolver modelos capazes de identificar touros Angus com maior potencial para transmitir qualidade de carne aos descendentes.

A pecuária de corte brasileira terá, pela primeira vez, uma população de referência genética formada exclusivamente por bovinos meio-sangue. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, pretende desenvolver modelos capazes de identificar quais touros Angus apresentam maior potencial para transmitir características ligadas à qualidade da carne quando utilizados no cruzamento com matrizes de outras raças, como o Nelore.

Foto: Agência Result/Feicorte
O projeto representa uma das primeiras pesquisas conduzidas pela entidade após sua certificação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), obtida em 2026. Entre os resultados esperados está o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), incluindo uma voltada à maciez da carne, característica ainda inexistente nas avaliações genéticas brasileiras.
A fase de campo começa na terça-feira (14) e prevê a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue certificadas pelo Programa Carne Angus Certificada. O orçamento dessa etapa já está assegurado.
Para viabilizar o estudo, pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para retirar amostras de tecido muscular diretamente de carcaças resfriadas. A técnica adapta um método empregado anteriormente apenas na coleta de cartilagem da orelha para análises genéticas. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação.
Genética voltada ao cruzamento industrial
Hoje, as avaliações genéticas relacionadas à qualidade de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são baseadas em animais de raça pura e utilizam principalmente informações obtidas por ultrassonografia.

Foto: Gustavo Rafael
Com o novo projeto, os dados fenotípicos coletados nos frigoríficos serão integrados às informações genéticas dos animais. A partir desse banco de dados, pesquisadores da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa desenvolverão modelos estatísticos específicos para bovinos oriundos de cruzamento industrial.
Na prática, a ferramenta permitirá identificar touros com maior capacidade de transmitir atributos ligados à qualidade da carne aos descendentes, oferecendo ao pecuarista maior segurança na escolha da genética e aumentando a eficiência dos programas de melhoramento.
Ganhos produtivos e novas etapas da pesquisa
Além dos efeitos sobre a qualidade da carne, a seleção mais precisa de reprodutores pode reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate. Com melhor conversão alimentar, o sistema tende a utilizar menos recursos naturais por quilo produzido e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por animal ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação/Angus
Em uma segunda etapa, condicionada à captação de novos recursos, a Associação pretende ampliar a população estudada para dez mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne.
Os exames irão avaliar parâmetros como teor de gordura, pH, coloração e força de cisalhamento (shear force), indicador utilizado para medir objetivamente a maciez da carne. Essas informações servirão de base para o desenvolvimento de novas predições genéticas, incluindo uma DEP específica para maciez, inédita no país.



