Notícias
Frigoríficos mineiros participam de missão comercial em Buenos Aires, capitaneada pela ASEMG
A comitiva teve como objetivo a abertura de relações com o país porteño


Representantes do Frigorífco Saudali em rodada de negócios.
Entre os dias 16 e 17 de maio a Embaixada Brasileira em Buenos Aires recebeu a primeira missão comercial liderada um governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE) e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA) em conjunto com entidades de classe a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) e Associação dos Avicultores de Minas Gerais (AVIMIG). Representando a secretaria de Agricultura, o subsecretário João Ricardo Albanez destacou a importância da missão comercial. “Esta missão é uma oportunidade para o setor produtivo mineiro estreitar as relações comerciais e diversificar a pauta exportadora com a inclusão de produtos de maior valor agregado”, avaliou.
A empreitada contou com seis empresas dos setores de carnes de suínos (Adeel Alimentos, Nutrili Alimentos e Saudali Alimentos) pela ASEMG e aves convidadas da AVIMIG . A missão teve o objetivo de desenvolvimento de negócios entre empresas de ambos os países por meio do fomento da abertura de novos mercados para as empresas mineiras. “A missão vai de encontro ao trabalho de inteligência comercial e prospecção de mercados realizado pela DIPEX (Diretoria de Promoção de Exportações), que direciona a política estadual de promoção de exportações amparada em dois pilares: a diversificação de pauta exportadora e de destinos de exportação de nossos produtos” comentou Marcello Faria, diretor de Promoção de Exportações da SEDE/MG.
A incursão ao país vizinho nasceu do Seminário de Exportações para a Carne Suína, realizado de forma on-line em novembro de 2021, pela ASEMG em conjunto com a SEDE e a SEAPA, onde foi percebido a possibilidade de estreitamento de laços comerciais e de negócios importantes para ambos os países. “Entendemos que a ampliação das exportações de carne suína mineira é de suma importância para o bom andamento do mercado de compra e venda de suínos do nosso Estado, por isso nos empenhamos em dividir informação com as indústrias a respeito de diversas praças, durante o Seminário, e ao percebermos as reais oportunidades de negócio com a Argentina trabalhamos fortemente para que essa missão se tornasse uma realidade e estamos muito felizes com as perspectivas de novos negócios com o país vizinho” disse Bianca Costa, gerente executiva da ASEMG.
As ações preparatórias envolveram a realização de seminários de qualificação, realizados em parceria com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio da Embaixada em Buenos Aires, e também o Ministério da Agricultura por meio da Adidância Agrícola do Brasil em Buenos Aires.
O primeiro dia de atividades da Missão foi voltado para a realização de rodadas de negócios entre as empresas mineiras integrantes da comitiva e importadores argentinos, dentre os quais destacam-se distribuidores, importadores especializados e redes de supermercados.

Gabriel Palotti representante do Frigorífico Adeel participando da Rodada de Negócios.
As rodadas de negócios aconteceram dentro da Embaixada do Brasil em Buenos Aires com uma média de 14 reuniões por empresa mineira. No segundo dia, no período da manhã, foi realizado um seminário de potencialidades de exportação do estado de Minas Gerais para o mercado argentino. O evento foi voltado a entidades de classe argentinas que concentram um grande número de empresas importadoras e possuem grande capacidade de influência junto a parceiros estratégicos. Na ocasião, cada empresa e entidade participante da comitiva teve a oportunidade de se apresentar e falar um pouco de sua atuação e, no caso das indústrias, também sobre seus produtos. “Eu, particularmente, achei a missão sensacional! Conhecer pessoas que já estão nesse processo, que foram responsáveis para que todas as reuniões acontecessem em seus devidos horários e tornando a missão muito bem organizada. Nós da Adeel, saímos com ótimas expectativas, os argentinos estão descobrindo a carne suína, e na missão, tivemos a oportunidade de conversar com mais de 15 empresas que desejam trabalhar mais com nossa carne”, disse Gabriel Palotti, diretor Adeel.
No período da tarde, foi realizada uma visita técnica a um dos maiores grupos de varejo com atuação no mercado argentino, a rede Jumbo. O encontro serviu ao propósito para as empresas conversarem com um grande distribuidor sobre o processo de importação em larga escala, e quais são requisitos específicos aplicados pelas autoridades argentinas no processo.

Carlos Lana Júnior, consultor da Nutrili apresentando seus produtos durante a missão.
Esta visita também teve como objetivo de as empresas mineiras conhecerem como se dá a comercialização final dos produtos nas gôndolas dos supermercados, e a política de preços e cortes. “A missão foi muito boa e nos permitiu possibilidade de grandes negócios, pois nos permitiu ver o quanto devemos focar na Argentina. A Nutrili está passando por um processo de expansão, estamos, juntos ao Ministério da Agricultura, em busca da aprovação da habilitação para exportação, e por esse motivo, a missão e os contatos realizados vieram a calhar e foram muito importantes para a empresa” disse Carlos Lana Júnior, consultor da Nutrili.
Ao final do dia, o Diretor de Promoção de Exportações da SEDE, Marcello Faria, o Subsecretário de Economia Agrícola da SEAPA, João Ricardo Albanez, a Gerente Executiva da ASEMG, Bianca Costa e a Analista de Inteligência de Mercado da ABPA, Laiz Foltran; foram recebidos pelo Ministro Maurício Fávero da Embaixada do Brasil em Buenos Aires para uma reunião a respeito do balanço da missão, e a perspectiva de expansão e continuidade das atividades.
Os números ainda estão sendo apurados, mas há expectativa dos negócios que serão desenvolvidos ao longo do ano a partir das tratativas iniciadas na missão são extremamente positiva “Está missão nos proporcionou a possibilidade de contatos importantes, pois são contatos para a realização de trabalhos futuros. Saímos da missão com expectativas de concretizar negócios na Argentina em breve.” afirmou Adriano Pacheco, diretor comercial do Saudali.

Notícias
Conflito no Oriente Médio amplia risco de ataque a drones usados no campo
Especialista aponta que técnicas como jamming e spoofing podem desviar aeronaves usadas na pulverização e no mapeamento de lavouras, com risco de perdas financeiras e danos ambientais inclusive em países fora do conflito.

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã e seus adversários regionais, extrapolou o campo militar convencional e avançou sobre o ambiente digital. A intensificação de ações classificadas como guerra híbrida, com ofensivas cibernéticas e atuação de grupos hacktivistas alinhados a interesses geopolíticos, ampliou o alerta sobre a vulnerabilidade de sistemas conectados em diversos setores da economia.
No agronegócio, essa preocupação assume dimensão estratégica. Drones autônomos empregados na pulverização de defensivos, no monitoramento de lavouras e no mapeamento de áreas produtivas operam com base em GPS, conectividade remota e softwares embarcados. Essa arquitetura tecnológica, embora aumente eficiência e precisão, também amplia a superfície de ataque.
Relatos recentes indicam mobilização de grupos pró-Irã contra alvos nos Estados Unidos e em Israel, evidenciando que sistemas civis podem ser atingidos em cenários de escalada digital. “Em operações agrícolas, ataques como jamming, que bloqueia sinais de comunicação, e spoofing, que simula coordenadas falsas de GPS, podem comprometer o controle das aeronaves”, expõe o especialista em cibersegurança, Leonardo Cardoso.
Caso um drone agrícola tenha seu comando interceptado ou manipulado, as consequências vão além da interrupção operacional. Há risco de desvio de rota, aplicação irregular de defensivos e até uso deliberado do equipamento para danificar plantações. “O impacto imediato seria produtivo e financeiro, mas também ambiental, diante da possibilidade de contaminação de áreas sensíveis ou desperdício de insumos”, pontua Cardoso.
Em países diretamente envolvidos no conflito, muitos deles relevantes produtores agrícolas ou integrantes de cadeias globais de alimentos, um ataque dessa natureza poderia gerar efeitos sistêmicos no abastecimento internacional. “A interdependência logística e comercial amplia o alcance de eventuais disrupções”, ressalta.
Para o Brasil, potência agroexportadora e cada vez mais dependente de tecnologia embarcada no campo, o risco é indireto, mas concreto. A digitalização de operações rurais, com integração de máquinas, sensores e plataformas em nuvem, cria ganhos de produtividade, porém exige governança robusta de segurança da informação.
Cardoso avalia que drones e sistemas autônomos no campo devem ser tratados como infraestrutura crítica. “A adoção de protocolos de criptografia, atualização constante de softwares, segmentação de redes e monitoramento ativo de tráfego são medidas essenciais para reduzir vulnerabilidades”, ressalta.
Na avaliação do profissional, a segurança cibernética deixou de ser um tema restrito à tecnologia da informação e passou a integrar a gestão de risco do agronegócio. “Em um ambiente geopolítico instável, falhas digitais podem se converter em prejuízo econômico, dano ambiental e instabilidade nas cadeias de suprimento”, pontua.
Notícias
Chuvas irregulares e percevejos elevam alerta nas lavouras de soja gaúchas
Com menor capacidade de recuperação das plantas, erros de manejo podem custar mais caro ao produtor nesta safra.

A poucos dias da Expodireto Cotrijal, que ocorre de 09 a 13 de março em Não-Me-Toque (RS), produtores de soja no Rio Grande do Sul enfrentam maior pressão de percevejos nas lavouras. A combinação de chuvas irregulares ao longo do verão e aumento da população desses insetos reduziu a margem de segurança justamente na fase em que o potencial produtivo da cultura já está praticamente definido.
Com menor regularidade hídrica, os insetos sugadores encontraram condições favoráveis para se multiplicar. Os efeitos aparecem principalmente durante a formação e o enchimento de grãos. “O percevejo sempre esteve presente no sistema produtivo gaúcho. O que muda em um ano como este é que a planta perde capacidade de compensação, representando perda real de rendimento”, afirma o engenheiro agrônomo Rodrigo Rodrigues.

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Além do percevejo-marrom, tradicional nas lavouras do estado, o percevejo-barriga-verde tem ampliado sua presença na soja nas últimas safras. A ocorrência simultânea das duas espécies torna o controle mais complexo, especialmente em um sistema produtivo com menor intervalo entre culturas. Com menos períodos sem plantio, as pragas encontram alimento ao longo de praticamente todo o ano, o que favorece sua sobrevivência e migração entre áreas.
Em áreas onde a soja é cultivada após o milho, a pressão pode ser maior. Parte da população de percevejos migra da cultura anterior ou de áreas de soja vizinhas em estágio mais avançado. “Quando a lavoura sucede o milho, o inseto já chega com população formada. Se o acompanhamento falha nesse momento, a intervenção se torna mais difícil e mais onerosa”, explica Rodrigues.
Os danos provocados pelos percevejos não se limitam à redução de produtividade. O ataque pode causar abortamento de vagens, enchimento incompleto e redução do peso dos grãos. Em áreas destinadas à produção de sementes, os prejuízos também atingem o vigor e a germinação, comprometendo o valor comercial do lote.
Monitoramento no campo
Diante desse cenário, especialistas destacam a importância do monitoramento das lavouras. Como a restrição hídrica alterou o ritmo das aplicações de fungicidas nesta safra, o controle de percevejos deve ser baseado na densidade de insetos observada no campo, e não apenas no calendário de aplicações. “O resultado depende da entrada no momento certo. Quanto mais cedo a população é contida, maior a eficiência e menor o risco de prejuízo”, afirma Rodrigues.

Foto: Divulgação/Governo da Bahia
Nas fases finais do ciclo da soja, a própria estrutura da planta pode dificultar o controle. Com maior massa foliar e lavouras mais fechadas, o interior da planta fica menos acessível às gotas da pulverização, enquanto os percevejos permanecem protegidos nas partes inferiores. “Hoje o desafio não é aplicar mais, e sim aplicar melhor. Se o produto não alcança o inseto em concentração adequada, o efeito no campo simplesmente não se confirma”, destaca o engenheiro agrônomo.
Segundo Rodrigues, em uma safra marcada por menor previsibilidade climática e maior pressão de pragas, a eficiência das intervenções passa a ter impacto direto no retorno econômico da produção.
Notícias
Projeto quer garantir ressarcimento a produtores por perdas causadas por falta de energia
Medida ganha apoio do Sistema Faep em meio ao aumento de apagões e oscilações elétricas no meio rural do Paraná.

O Sistema Faep manifesta apoio ao Projeto de Lei (PL) 1.940/2024, que institui o ressarcimento aos produtores rurais por perdas de produtos perecíveis decorrentes da falta de energia elétrica. O posicionamento da entidade ocorre em meio ao agravamento das quedas e oscilações de energia no meio rural do Paraná. Nos últimos anos, agricultores e pecuaristas de todas as regiões do Estado acumulam prejuízos causados por interrupções frequentes no fornecimento, cenário que contrasta com o lucro líquido de R$ 2,66 bilhões registrado pela Copel em 2025.
De autoria do deputado federal Marx Beltrão (PP-AL), o projeto busca garantir indenização ao produtor rural quando houver prejuízo comprovado por falha no fornecimento de energia elétrica. Pela proposta, o agricultor deve formalizar o pedido diretamente junto à concessionária responsável pelo serviço, apresentando documentação técnica que comprove o dano causado pela interrupção ou pela instabilidade no fornecimento. O valor da indenização será calculado com base no valor de mercado dos itens na região.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O produtor rural não pode continuar assumindo sozinho os prejuízos causados por falhas na prestação de um serviço essencial” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
O texto também estabelece o prazo de 30 dias para que a concessionária analise o pedido e efetue o pagamento. Se o prazo for descumprido, está prevista a incidência de multa de 10% sobre o valor devido. “O produtor rural não pode continuar assumindo sozinho os prejuízos causados por falhas na prestação de um serviço essencial. Quando falta energia, os danos são imediatos e, muitas vezes, irreversíveis. Esse projeto traz segurança jurídica e previsibilidade aos nossos agricultores e pecuaristas, que produzem alimentos e movimentam a economia paranaense”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Além de estabelecer regras objetivas, prazo para análise e penalidade em caso de descumprimento, o PL abre espaço para aprimoramentos técnicos no procedimento de comprovação de danos, na simplificação da formalização dos pedidos de ressarcimento e no fortalecimento da articulação setorial junto às concessionárias e à Aneel.
Nesta semana, o Projeto de Lei foi aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara Federal, com o deputado federal Tião Medeiros (PP-PR) como relator. Agora, o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), antes de ser encaminhado para votação em plenário.
“O produtor rural não pode pagar pela deficiência no serviço prestado pelas empresas de energia elétrica. Elas precisam assumir a responsabilidade e os custos por sua ineficiência. Quem produz já sofre com as incertezas climáticas e não pode ser prejudicado pela má qualidade na distribuição de energia. Esse projeto vem ao encontro dessa necessidade, trazendo mais segurança e previsibilidade para quem produz e empreende”, ressalta o relator.
Para o Sistema Faep, a evolução do texto abre espaço estratégico para aprimoramentos técnicos no procedimento de comprovação de danos, para a simplificação da formalização dos pedidos de ressarcimento e para o fortalecimento da articulação setorial junto às concessionárias e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Apagões no Paraná
O apoio ao projeto ocorre em meio ao cenário crescente de insatisfação no meio rural do Paraná. Em todas as regiões do Estado, produtores relatam uma rotina marcada por interrupções frequentes no fornecimento de energia elétrica, oscilações bruscas de tensão e demora no restabelecimento do serviço. Em algumas localidades, as quedas ocorrem várias vezes ao longo do mesmo dia. Em outras, a energia permanece interrompida por períodos prolongados, chegando a durar dias consecutivos.
Os impactos vão além do transtorno operacional. Na avicultura e na suinocultura, falhas no fornecimento comprometem sistemas automatizados de ventilação e climatização, colocando em risco o bem-estar animal e provocando perdas imediatas. Na bovinocultura de leite, a interrupção da refrigeração leva ao descarte da produção. Na piscicultura, a falta de energia afeta sistemas de oxigenação, resultando em mortalidade de peixes. Em propriedades com irrigação, oscilações de tensão têm provocado a queima de bombas e motores, paralisando atividades e exigindo a reposição de equipamentos de alto custo.

Foto: Divulgação/Copel
Além das perdas diretas, produtores relatam aumento expressivo nas despesas para tentar reduzir riscos, com investimentos em geradores e maior consumo de diesel.
“Não é razoável que o risco operacional da concessionária seja transferido para dentro da porteira. O dever de indenizar fortalece a responsabilidade e cria incentivos para a melhoria na qualidade do serviço. Energia elétrica estável é condição básica para que o produtor invista, produza e gere renda no campo”, reforça Meneguette.
O Sistema Faep segue acompanhando a tramitação do PL 1.940/2024 e atuando para que a proposta avance nas comissões. Para a entidade, a previsão de ressarcimento em casos de prejuízos decorrentes da falta de energia elétrica representa um passo importante diante dos impactos enfrentados pelos produtores rurais paranaenses.



