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Frigorífico que negligenciou normas de segurança do trabalho terá que ressarcir cofres do INSS
Decisão judicial aponta falhas em manutenção, falta de sinalização e violação de normas de segurança no trabalho. Empresa terá de restituir valores pagos a título de pensão por morte e assumir mensalidades futuras.

A Advocacia-Geral da União (AGU) garantiu o ressarcimento de pelo menos R$ 135 mil aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos gastos que a autarquia teve com o pagamento de benefício de pensão por morte a dependentes de vítima de acidente de trabalho por culpa do empregador. A atuação da AGU também garantiu o pagamento de todas as mensalidades que vierem a ser pagas pelo INSS no futuro.

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Na ação, a AGU explicou que o acidente que deixou uma vítima aconteceu em 2016 na sala de desossa do frigorífico Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos (Frialto), localizada em Matupá (Mato Grosso), em virtude de vazamento de gás amônia após manutenção inadequada de evaporadores que são utilizados no sistema de refrigeração. A vítima, assim, foi morta por inalação do gás.
A AGU explicou que a vítima, que exercia cargo de supervisor, não foi informada que havia sido realizada uma manutenção nos evaporadores no setor no final de semana e, portanto, que poderia haver problemas durante o início dos trabalhos no dia do acidente.
A AGU sustentou, assim, que houve negligência por parte da empresa ao não comunicar a manutenção em área de risco, bem como o descumprimento de procedimentos de segurança por não sinalizar adequadamente a área, não emitir informativos internos, e nem mesmo controlar o acesso ao local. Além disso, foi constatada a violação a três Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho e Emprego, que são relacionadas à Segurança e Medicina do Trabalho (SST). A AGU juntou ao processo outros 22 autos de infrações atribuídas à empresa.
O juízo da 1ª Vara Federal Cível e Criminal da Seção Judiciária de Sinop determinou o pagamento de todas as despesas com prestações e

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benefícios de pensão por morte até o momento da liquidação da sentença, bem como a pagar mensalmente ao INSS cada prestação mensal que a autarquia despender.
O procurador federal do Núcleo de Atuação Prioritária (NAP) da 1ª Região, Rui Morais, explica a importância da decisão, enfatizando que ela vai além do ressarcimento ao erário. “A referida decisão judicial também ostenta um papel pedagógico importante na proteção da segurança do empregado, pois penaliza as empresas que não cumprem com as regras básicas de segurança do trabalhado”, frisou, acrecentando: “Assim, a economia em detrimento da segurança do trabalhador pode, ao final, sair bem mais caro para a empresa, a qual será responsável por ressarcir os cofres públicos em caso de acidente que gere a concessão de algum benefício previdenciário”.

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Em 20 anos, Mato Grosso quase dobra abate de bovinos jovens e amplia produção em 42,9%
Estado passa de 5,2 milhões para 7,4 milhões de cabeças abatidas, vê participação de animais de até 24 meses saltar de 2% para 43% e exporta 978,4 mil toneladas de carne para 92 países.

A pecuária de corte de Mato Grosso passou por uma transformação estrutural nas últimas duas décadas. Entre 2006 e 2025, o estado ampliou em 42,9% o volume de abates, saindo de 5,2 milhões para 7,4 milhões de cabeças, ao mesmo tempo em que alterou de forma significativa o perfil dos animais destinados ao frigorífico.

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Em 2006, bovinos com até 24 meses representavam apenas 2% do total abatido. Em 2025, essa participação chegou a 43%, reflexo direto da intensificação dos sistemas produtivos e da adoção de tecnologias voltadas ao ganho de eficiência, redução do ciclo de produção e melhor aproveitamento da área.
A mudança é resultado de uma combinação de investimentos que se difundiram de forma consistente no estado, como suplementação nutricional, confinamento e semiconfinamento, maior rigor no controle sanitário, recuperação de pastagens degradadas e a expansão dos sistemas de integração entre agricultura e pecuária.
Esses avanços permitiram elevar a produtividade sem a necessidade de ampliar a área destinada à atividade. “A pecuária brasileira passou por uma transformação profunda nas últimas duas décadas. Hoje, produzimos mais carne em menos tempo, com melhor uso da terra, maior eficiência produtiva e avanços consistentes em tecnologia, genética e manejo”, afirma Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Os efeitos da modernização também se refletem no desempenho externo. Em 2025, Mato Grosso exportou 978,4 mil toneladas de carne

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bovina para 92 países, com uma receita aproximada de US$ 4 bilhões. O valor médio da tonelada embarcada ficou em torno de US$ 5.460, indicador que reforça a competitividade da carne produzida no estado.
Para Andrade, o atual estágio da atividade coloca Mato Grosso em posição estratégica no mercado global de proteína animal. “O que vemos hoje é uma pecuária mais moderna, mais produtiva e preparada para atender mercados exigentes, sem abrir mão da responsabilidade socioambiental. Estamos evoluindo com base em dados, ciência e gestão”, destaca.
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Preço do milho recua com avanço da colheita e demanda interna enfraquecida
Maior oferta no início do ano, clima favorável e postura cautelosa dos compradores pressionam as cotações nas principais praças do Brasil.
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Brasil e Uruguai unem esforços para padronizar diagnóstico de resistência de carrapatos
Capacitação no Rio Grande do Sul integra projeto global da FAO e reforça o papel do IPVDF como referência regional em sanidade animal.

Técnicos do laboratório oficial de Medicina Veterinária do Ministério da Agricultura do Uruguai participaram, nesta semana, de uma capacitação prática em bioensaios no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), no Rio Grande do Sul. O treinamento é voltado ao diagnóstico de resistência de carrapatos a produtos carrapaticidas, um desafio crescente para a pecuária da América do Sul.
A iniciativa integra um projeto multicêntrico global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que tem como objetivo a harmonização dos métodos de diagnóstico da resistência de carrapatos. O programa prevê ações presenciais de capacitação, intercâmbio técnico entre países e validação conjunta de metodologias laboratoriais.
Segundo o pesquisador Guilherme Klafke, do IPVDF, o trabalho busca consolidar o laboratório gaúcho como centro de referência regional na área. “A intenção é padronizar protocolos. Queremos que os laboratórios da América do Sul, como os do Uruguai, da Argentina e da Colômbia, trabalhem da mesma maneira, com resultados comparáveis e confiáveis”, afirma.
A preocupação é compartilhada pelos dois países. Assim como ocorre no Rio Grande do Sul, o Uruguai já registra casos relevantes de resistência dos carrapatos aos produtos utilizados no controle do parasita. “No Norte do país, praticamente toda a população de carrapatos é multirresistente. Por outro lado, temos uma zona livre de carrapatos no Sul do Uruguai, que precisamos proteger”, explica Diana Martinez, do Ministério da Agricultura uruguaio.
De acordo com a técnica, o trabalho no país é conduzido em áreas de controle e erradicação, com foco na proteção sanitária, no uso correto dos produtos carrapaticidas e na mitigação de problemas relacionados a resíduos, garantindo a segurança alimentar e a sustentabilidade da produção pecuária.
O Uruguai disponibiliza aos produtores rurais, há cerca de quatro anos, o biocarrapaticidograma, teste que avalia a resistência dos carrapatos aos princípios ativos disponíveis no mercado. No Rio Grande do Sul, esse serviço é oferecido gratuitamente há quatro décadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do IPVDF, reforçando a longa trajetória do Estado na sanidade animal e no apoio técnico aos produtores.
Detalhes sobre o teste, e como solicitá-lo, estão disponíveis na Carta de Serviços do Governo do Rio Grande do Sul.






