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Avicultura

Frango avança para R$ 111 bilhões em 2025, mas perde participação no VBP total do agro

Redução ocorre porque outras cadeias, especialmente soja, bovinos e milho, cresceram em ritmo mais acelerado e ampliaram sua influência no resultado geral.

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O Valor Bruto da Produção (VBP) da avicultura de corte deve atingir R$ 111,2 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um aumento de R$ 4,7 bilhões frente aos R$ 106,5 bilhões registrados em 2024, uma alta aproximada de 4,4% no faturamento da cadeia.

Apesar do crescimento nominal, os frangos perderam participação no VBP total do agro brasileiro. A atividade encerrou 2024 respondendo por 8,40% do VBP nacional, mas em 2025 sua fatia caiu para 7,88%. A redução ocorre porque outras cadeias, especialmente soja, bovinos e milho, cresceram em ritmo mais acelerado e ampliaram sua influência no resultado geral.

Ainda assim, a avicultura de corte segue entre os setores mais relevantes do país, sustentada pela competitividade internacional e pelo abastecimento interno. O Brasil permanece como maior exportador global de carne de frango, o que contribui para um fluxo constante de demanda externa e fortalece a receita do setor.

No recorte por estados, o Paraná continua líder absoluto, com VBP projetado de R$ 38,7 bilhões em 2025, acima dos R$ 37,3 bilhões registrados no ano anterior. Santa Catarina aparece na segunda posição, com R$ 15,0 bilhões, seguida por São Paulo (R$ 13,2 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 10,5 bilhões). Goiás, com R$ 9,1 bilhões, completa o grupo das cinco principais regiões produtoras.

O histórico da série confirma a trajetória de expansão da avicultura: de R$ 75,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 111 bilhões em 2025. A cadeia mantém o perfil altamente tecnificado, com evolução contínua em genética, biosseguridade e eficiência produtiva, fatores que sustentam sua relevância econômica mesmo diante de oscilações no mercado de carnes.

Com crescimento moderado e leve retração na participação relativa, o setor de frangos fecha 2025 consolidado, competitivo e preparado para seguir contribuindo de forma decisiva para o agronegócio brasileiro.

O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Ceará amplia protagonismo na avicultura com produção em mais de 60 municípios

Segundo maior produtor de frangos e ovos do Nordeste, estado combina expansão da atividade, geração de empregos e ganhos logísticos com a aproximação da fronteira agrícola do Matopiba.

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Fotos: Divulgação/Aceav

A avicultura cearense figura como uma das principais cadeias de proteína animal do Nordeste e vem ampliando sua relevância apoiada em um parque produtivo distribuído por mais de 60 municípios, forte produção de ovos e frangos e investimentos em genética avícola. O setor gera cerca de 15 mil empregos diretos e outros 60 mil indiretos, ocupando a segunda posição regional tanto na produção de ovos quanto de carne de frango e entre os dez maiores produtores do país nos dois segmentos.

Em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Ceará respondeu por 4,62% do alojamento de pintainhos do Brasil, desempenho que contribuiu para que o Nordeste representasse 15,95% do total nacional. O estado também registrou participação nas exportações brasileiras de material genético avícola, com 257 toneladas embarcadas, equivalentes a 1,42% do volume exportado pelo país.

Na produção comercial, o setor mantém cerca de 13,2 milhões de aves alojadas para postura, responsáveis por aproximadamente 8,2 milhões de ovos por dia. Na avicultura de corte, são outros 14,5 milhões de aves alojadas e uma produção semanal de 6,25 milhões de quilos de carne. Além disso, o Ceará possui cerca de 800 mil matrizes voltadas à produção de material genético avícola.

Para o presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), João Jorge Reis, o desempenho reflete uma combinação de experiência produtiva e busca permanente por eficiência. “Temos uma vontade muito grande de crescer, de aperfeiçoar os processos e de melhorar a nossa produção”, afirma.

Dependência de grãos

Apesar dos indicadores positivos, a disponibilidade de insumos sempre figurou entre os principais desafios para a atividade. O consumo mensal da avicultura cearense alcança cerca de 62 mil toneladas de milho e 28 mil toneladas de soja, entre grão e farelo, volumes superiores à capacidade de produção agrícola local.

De acordo com Reis, esse cenário começou a mudar com a expansão do Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que ampliou de forma expressiva a oferta regional de grãos. “O Matopiba vem crescendo muito na produção dos grãos, que são os insumos mais importantes para a avicultura, reduzindo uma limitação histórica da cadeia”, enfatiza, destacando: “Os grãos já foram um grande gargalo que a gente tinha que trazer inclusive até de outros países, como a Argentina, e buscava em outros estados como Goiás e Mato Grosso”.

Ele acrescenta que a proximidade da nova fronteira agrícola modificou a logística de abastecimento. “Hoje estamos sendo bem abastecidos, com a expansão da fronteira agrícola temos acesso facilitado e mais próximo de grãos”, observa.

Segundo Reis, essa mudança também reduziu as distâncias percorridas pelos carregamentos de grãos. “Quando você precisa trazer os insumos de muito longe, o custo aumenta. Há alguns anos os grãos estavam a cerca de 2,5 mil quilômetros; hoje estão a aproximadamente mil quilômetros”, explica.

Ainda assim, ele avalia que a dependência externa deve permanecer no longo prazo. “Não vejo, em um horizonte curto, o Ceará produzir grãos em grande escala por conta da escassez hídrica. Vamos continuar dependendo da produção dos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins”, salienta.

Mesmo com a aproximação das áreas produtoras do Matopiba, a logística continua exercendo influência significativa sobre os custos da produção animal. Segundo o presidente da Aceav, despesas com frete e transporte elevam em aproximadamente 25% o custo dos grãos utilizados na formulação das rações. Como milho e farelo representam apenas parte da estrutura de custos, esse impacto corresponde a um aumento estimado de cerca de 10% no custo final de produção de aves e suínos.

Ele ressalta que essa diferença varia conforme a localização de cada polo produtivo e sua proximidade das regiões fornecedoras de insumos.

Produção diversificada e tradição no setor

Médico-veterinário há 50 anos, Reis atua na avicultura desde o início da carreira e há mais de três décadas conduz seus próprios empreendimentos no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em sua granja são produzidos cerca de 300 mil ovos por dia. Paralelamente, mantém uma operação de suinocultura com 700 matrizes, realizando todas as etapas do ciclo produtivo até a comercialização dos animais para abate.

Para ele, o desenvolvimento da avicultura acompanha um movimento mais amplo observado no estado. “O Ceará tem um dinamismo na produção de proteína animal, com uma avicultura bem desenvolvida e com crescimento nas cadeias de suínos e bovinos”, relata.

Entraves sanitários e estrutura industrial limitam expansão

Médico-veterinário e presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), João Jorge Reis: “O espírito empreendedor e a resiliência do empresário cearense foram fundamentais para construir uma avicultura competitiva mesmo convivendo com tantos gargalos”

Embora o cenário para a avicultura cearense tenha melhorado nos últimos anos, o setor ainda convive com obstáculos relacionados à infraestrutura e ao ambiente regulatório. Um dos avanços recentes ocorreu em agosto de 2025, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária autorizou a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) a ampliar sua atuação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), passando também a certificar carnes e derivados destinados ao comércio interestadual.

A medida representa um passo importante para a indústria local, já que o Sisbi-POA harmoniza os procedimentos de inspeção sanitária e permite que produtos certificados atendam aos mesmos padrões exigidos em todo o território nacional.

Na avaliação do presidente da Aceav, outras limitações históricas também vêm sendo gradualmente superadas. A disponibilidade de água, por exemplo, deixou de representar o entrave que já foi no passado. Apesar disso, a estrutura de processamento ainda é considerada insuficiente. Segundo Reis, o número reduzido de abatedouros no estado restringe o potencial de crescimento da cadeia produtiva, principalmente em razão do elevado custo para implantação de novas plantas industriais. “A construção de novos abatedouros é muito cara, então é preciso que haja mais investimentos nesse sentido”, menciona.

Mesmo diante desses desafios, o dirigente avalia que o Ceará reúne características capazes de atrair novos empreendimentos para a avicultura. O estado combina um mercado consumidor expressivo com um setor produtivo estabilizado, o que, em sua visão, exige decisões de investimento pautadas por planejamento e sustentabilidade econômica. “O setor está muito equilibrado em termos de produção e consumo, então é preciso ter os pés no chão para investir. Mas tenha certeza de que empresas grandes já estão de olho na região, visto que o Ceará é um grande centro de consumo”, afirma.

Outro fator apontado pelo dirigente como limitador ao desenvolvimento agropecuário regional é a permanência do Ceará na zona não livre de Peste Suína Clássica (PSC). O estado segue sob monitoramento sanitário e executa ações de controle e erradicação da enfermidade para buscar o reconhecimento como área livre.

Na avaliação de Reis, os reflexos ultrapassam a cadeia suinícola e afetam a percepção sobre o ambiente de investimentos em proteínas animais. “Por ser um estado que ainda não é livre da PSC, o registro dessa enfermidade nos suínos impede muito o crescimento de todas as outras proteínas”, avalia.

Por outro lado, o Ceará conquistou em 2025 um importante reconhecimento sanitário ao ser certificado internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação, resultado considerado estratégico para fortalecer a imagem do estado perante investidores e mercados. “Logicamente, quando se investe em um setor pensamos no mercado externo. Esses gargalos vêm sendo superados para que a gente possa crescer”, destaca.

Núcleo genético coloca Ceará em posição estratégica

Além dos indicadores de produção, o Ceará desempenha um papel singular na cadeia avícola brasileira ao sediar a única granja de avós e bisavós das regiões Norte e Nordeste. O núcleo genético abriga aves que dão origem às matrizes utilizadas na produção comercial e funciona como um importante elo do sistema nacional de melhoramento genético.

Segundo Reis, a localização isolada da unidade reforça sua importância para a segurança da cadeia produtiva. “Ela não é estratégica apenas para nossa região. Quem trabalha com genética precisa oferecer segurança ao mercado. Se houver algum problema em polos produtores como Minas Gerais ou São Paulo, o Ceará pode fornecer matrizes avós porque possui uma granja isolada. Isso faz dela um componente importante para a segurança da cadeia avícola nacional”, enaltece.

O dirigente afirma que o setor continua buscando oportunidades de expansão, sempre condicionado à evolução da demanda e à viabilidade econômica dos investimentos.

Cinco décadas de transformação tecnológica

Ao completar 50 anos de atuação como médico-veterinário e mais de três décadas como empresário do setor, João acompanhou uma profunda mudança na forma de produzir aves no estado. Segundo ele, a atividade deixou para trás um modelo predominantemente rudimentar para incorporar automação, melhorias de ambiência, aperfeiçoamento do manejo, ferramentas de prevenção de doenças e práticas voltadas ao bem-estar animal. “Hoje acredito que a avicultura cearense produz em nível equivalente ao de qualquer grande polo do país”, afirma.

Esse processo também foi acompanhado pelo fortalecimento das medidas de biosseguridade. Conforme o presidente da Aceav, as granjas adotam protocolos destinados a reduzir riscos sanitários e impedir a introdução de agentes patogênicos nos plantéis.

Escassez de trabalhadores estimula adoção de tecnologia

A dificuldade para contratar mão de obra aparece entre as principais preocupações dos produtores. De acordo com o médico-veterinário, empresas do setor enfrentam obstáculos para preencher vagas mesmo oferecendo remuneração competitiva. “Existe atualmente uma escassez imensa de mão de obra. As empresas procuram, oferecem bons salários, mas há um déficit muito grande de trabalhadores. Esse é um problema em diversas atividades econômicas”, expõe.

Na avaliação do dirigente, diferentes fatores contribuem para esse cenário. Entre eles, Reis cita mudanças no mercado de trabalho e faz críticas às políticas de assistência social do governo federal, sustentando que parte dos beneficiários evita empregos formais para preservar o acesso aos programas sociais. Diante desse quadro, a adoção de tecnologias e de processos automatizados vem sendo utilizada como alternativa para reduzir a dependência de mão de obra.

Consumo interno impulsiona novos investimentos

O crescimento do consumo de proteínas avícolas também sustenta as perspectivas do setor. Reis destaca que o ovo ganhou espaço na alimentação dos brasileiros por reunir qualidade nutricional, preço competitivo e versatilidade. “O ovo é um produto saudável, uma proteína de boa qualidade, nutritiva e acessível. Isso alavancou o consumo e acredito que ainda existe espaço para crescer”, reforça.

Na carne de frango, ele relaciona a demanda ao interesse crescente dos consumidores por proteínas magras e de menor custo. Com consumo superior a 46 quilos por habitante ao ano no Brasil, o segmento desperta atenção de empresas interessadas em ampliar sua participação no mercado nordestino.

Energia e logística acompanham necessidades atuais

O presidente da Aceav considera que o fornecimento de energia elétrica atende às demandas atuais da cadeia produtiva, embora ressalte que a expansão deve ocorrer de forma planejada. No Ceará, a matriz elétrica é predominantemente baseada em fontes renováveis, especialmente energia eólica e solar.

Na área logística, o dirigente acredita que a conclusão da Ferrovia Transnordestina poderá reduzir a dependência do transporte rodoviário e aumentar a eficiência no deslocamento de cargas. Ele observa, contudo, que investimentos contínuos na malha viária permanecem necessários para acompanhar o crescimento da atividade.

Resiliência empresarial

Na visão do dirigente, três fatores explicam a evolução da avicultura cearense nas últimas décadas. O primeiro é a capacidade de adaptação dos empresários locais diante dos desafios estruturais enfrentados pelo estado. “O espírito empreendedor e a resiliência do empresário cearense foram fundamentais para construir uma avicultura competitiva mesmo convivendo com tantos gargalos”, evidencia.

O segundo elemento é o tamanho do mercado consumidor regional, que garante demanda para a produção local. Já o terceiro está relacionado à posição geográfica do estado, considerada estratégica para futuras operações de comércio exterior em razão da proximidade com mercados internacionais.

Atuação da Aceav

Nesse contexto, a Aceav mantém atuação concentrada em temas considerados essenciais para a cadeia produtiva, como defesa sanitária, orientação técnica aos produtores, acompanhamento das mudanças no perfil de consumo, relações trabalhistas e segurança no abastecimento de grãos.

A entidade também incentiva a ampliação da produção de frangos processados em frigoríficos, acompanhando uma tendência de substituição gradual do abate artesanal por sistemas industriais.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Avicultura nordestina ganha escala com expansão em frangos, ovos e genética

Investimentos ampliam a capacidade produtiva da região, enquanto Bahia e Ceará se destacam no avanço da cadeia avícola nacional.

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A avicultura do Nordeste vive um novo ciclo de crescimento impulsionado pela expansão da produção de frangos de corte e pelo aumento da produção de ovos. Embora a região ainda tenha participação modesta no abate nacional de frangos, os investimentos em alojamento de aves indicam uma capacidade produtiva crescente, com destaque para a Bahia, que se consolida como um dos principais polos de desenvolvimento da atividade.

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que a Bahia alojou 150 milhões de pintinhos de corte em 2025. No mesmo período, a produção estadual de ovos aumentou 16,3%, desempenho que coloca o estado entre os mercados de maior crescimento do país.

Para 2026, a expectativa do setor é de continuidade desse movimento, sustentado pela ampliação dos plantéis, investimentos em integração, modernização das granjas e fortalecimento da cadeia produtiva.

A expansão baiana ocorre em um momento em que a avicultura nordestina amplia sua relevância dentro da produção nacional. Em 2025, a região respondeu por 15,95% de todo o alojamento de pintainhos de corte realizado no Brasil, percentual significativamente superior à sua participação no abate, o que sinaliza aumento da capacidade produtiva instalada.

Pernambuco lidera o alojamento regional, com 7,63% do total nacional, seguido por Ceará, com 4,62%; Bahia, com 1,86%; e Paraíba, com 1,84%.

Abate ainda concentrado no Sul

Apesar da expansão dos investimentos, o abate de frangos permanece concentrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em 2025, o Brasil abateu 5,706 bilhões de frangos sob inspeção federal. Desse total, o Nordeste respondeu por 118,4 milhões de aves, equivalentes a 2,08% da produção nacional.

Pernambuco lidera o abate de frangos no Nordeste, com 62,1 milhões de cabeças em 2025, o equivalente a 1,09% da produção brasileira. A Bahia vem na sequência, com 34,8 milhões de aves e participação de 0,61%, enquanto a Paraíba registra 21,5 milhões de cabeças abatidas, respondendo por 0,38% do total nacional. A diferença entre a participação regional no alojamento e no abate evidencia um mercado em fase de expansão, no qual parte dos investimentos recentes ainda está sendo incorporada ao sistema produtivo.

Produção de ovos ganha força

Na postura comercial, a Bahia apresenta um ritmo de crescimento superior à média observada em diversos estados brasileiros. O aumento de 16,3% na produção de ovos em 2025 reflete a expansão do consumo interno, a ampliação das granjas e o fortalecimento da produção destinada ao abastecimento regional.

A evolução da atividade acompanha a diversificação da avicultura nordestina, tradicionalmente mais concentrada na produção de carne de frango.

Ceará se destaca em genética avícola

Além da produção de carne e ovos, o Nordeste também participa da cadeia de genética avícola. Em 2025, o Ceará respondeu sozinho pelas exportações regionais de material genético, embarcando 257 toneladas, volume equivalente a 1,42% das exportações brasileiras desse segmento.

Embora represente uma parcela reduzida do total nacional, o resultado demonstra a presença do estado em uma etapa de maior valor agregado da cadeia avícola, voltada ao fornecimento de material genético para mercados internacionais.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Editorial

A granja adoece antes de parecer doente

Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta.

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Na avicultura, o prejuízo raramente começa no dia em que o problema fica evidente. Antes da mortalidade subir, da conversão alimentar piorar, da produção de ovos cair ou do frigorífico registrar mais condenações, a granja costuma emitir sinais menores. Às vezes estão no consumo de água, na resposta vacinal, na cama, na ambiência, no comportamento das aves, na uniformidade do lote ou em alterações discretas de desempenho. Quem espera o problema aparecer por completo, normalmente já chegou tarde.

Essa lógica é especialmente verdadeira quando se fala em sanidade. Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta. A avicultura intensiva trabalha com alta densidade, ciclos curtos, margens pressionadas e forte dependência de regularidade. Nesse sistema, prevenir não é discurso técnico: é condição econômica.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

A laringotraqueíte infecciosa é um exemplo claro de como a granja pode adoecer antes de parecer doente. A circulação do agente, a movimentação de pessoas, falhas nos protocolos de acesso, risco de disseminação entre propriedades e demora na resposta sanitária podem transformar um problema localizado em ameaça regional. Quando os sinais clínicos ficam evidentes, o vírus pode já ter encontrado caminhos para avançar.

Por isso, biosseguridade não pode ser tratada como checklist de auditoria. Ela precisa ser rotina de produção. Controle de acesso, vazio sanitário, limpeza, desinfecção, qualidade da água, manejo de cama, vacinação, diagnóstico laboratorial, rastreabilidade e treinamento das equipes são partes de uma mesma engrenagem. Nenhum desses pontos funciona isoladamente quando o restante da operação falha.

A avicultura brasileira construiu competitividade porque aprendeu a produzir com método. Mas o método precisa ser atualizado todos os dias, dentro da granja, antes que a planilha mostre a perda. O futuro sanitário da atividade dependerá menos da capacidade de apagar incêndios e mais da disciplina para identificar riscos quando eles ainda parecem pequenos.

A granja avisa. A questão é se a cadeia está preparada para ouvir antes que o problema vire prejuízo.

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Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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