Peixes Entrevista exclusiva
Francisco Medeiros exalta as conquistas da primeira década da Peixe BR
Presidente destaca os avanços da piscicultura brasileira e o quanto aumentou a representatividade e a competitividade do setor durante este período.

Em 2024, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) comemorou seus 10 anos de fundação, se consolidando seu papel como impulsionadora do crescimento da aquicultura no Brasil. Medeiros ressalta que, ao longo dessa década, a Peixe BR tem se dedicado a aumentar a representatividade e a competitividade do setor. “De 2014 a 2024 tivemos a maior taxa de crescimento entre as proteínas e isso está atrelada ao trabalho da Peixe BR, que busca constantemente solucionar gargalos do setor para trazer tranquilidade e solidez à cadeia produtiva”, afirma o presidente Francisco Medeiros, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Foto: Jefferson Christofoletti
Um dos marcos importantes foi a atuação da Peixe BR em relação à burocracia no setor. Desde 2003, o Brasil enfrentava uma legislação de águas da União para a produção de peixe com trâmites que poderia levar até 12 anos. Em 2020, a Associação liderou uma ação junto ao setor público e privado para resolver essa questão, e hoje a celeridade no processo é um diferencial: toda a burocracia é concluída em, no máximo, 12 meses. “Essa mudança trouxe maior confiança ao setor e os investimentos começaram a ser retomados”, salienta Medeiros.
A exportação também foi um dos pontos de destaque durante essa década. Em 2018, foi implementado o draw back, um benefício tributário exclusivo para exportações de tilápia e seus subprodutos. Na época, o Brasil exportava para 17 países, mas em 2023 esse número saltou para 42. Medeiros explica como o draw back trouxe competitividade: “Quando o produtor decide que vai produzir para exportação, ele pode comprar todos os insumos necessários sem pagar impostos federais, como medicamentos, vacinas, embalagens e ração. Isso transformou a propriedade em uma zona franca, tornando as exportações mais competitivas”, detalhou.
No mercado interno, a Peixe BR também desempenhou um papel importante na regulamentação e no monitoramento dos preços pagos ao produtor. Entre 2020 e 2021 foi implantado o Indicador Cepea/Peixe BR, que serve para planejar e profissionalizar o setor. Medeiros ressalta que essa ferramenta mudou o negócio da tilapicultura no país, atraindo empresas para o setor, porque tornaram as transações mais controladas e passíveis de serem auditáveis.
Em 2025, a campanha “Coma Mais Peixe” vai completará cinco anos, com o objetivo de fomentar o consumo de peixe no Brasil. A Associação também se destacou pela atuação dos

Foto: Jonathan Campos
comitês, em especial o Comitê de Sanidade, composto por 23 empresas associadas, que respondem de forma imediata a qualquer desafio sanitário que surja em território brasileiro.
A Peixe BR também tem se esforçado para desburocratizar o setor. Medeiros afirma que, apesar da revogação da licença de piscicultor, uma discussão sobre esse tema deve ser retomada em 2025. Além disso, a Peixe BR protocolou no Senado o Projeto de Lei 4470/2024, que pede a extinção do RGP Pescador Profissional, um processo considerado uma burocracia que compromete a competitividade.
Outro avanço importante é a entrada das agroindústrias de aves no mercado de tilápia. Empresas como Sadia, Seara e as cooperativas como Copacol, C.Vale, Lar e Aurora contribuíram para o aumento da distribuição do produto, garantindo que o filé de tilápia esteja disponível de Norte a Sul do Brasil. “Há dois anos, fizemos uma pesquisa e a principal resposta de quem não consumia peixe era a dificuldade de encontrá-lo. Hoje, grande parte do sucesso do aumento do consumo de tilápia é graças ao trabalho de logística e comercialização realizado por essas empresas”, afirma Medeiros.
Em seus 10 anos de história, a Peixe BR tem sido fundamental para o fortalecimento e o crescimento do setor de aquicultura no Brasil.

Peixes
Por que o bem-estar do salmão deve entrar na agenda do varejo brasileiro
Cartilha lançada pela ONG Alianima destaca impactos éticos, ambientais e reputacionais da produção e comercialização de salmão, uma das espécies de peixe mais populares no consumo do país.

O bem-estar animal tem ganhado espaço nas discussões sobre sustentabilidade e responsabilidade corporativa no setor de alimentos, mas, quando o assunto é peixes, especialmente o salmão, o tema ainda avança de forma tímida no Brasil. Consumido amplamente no país, sobretudo em pratos populares da culinária japonesa, o salmão é integralmente importado, principalmente do Chile (segundo maior produtor mundial), e está inserido em uma cadeia global de produção que enfrenta questionamentos técnicos relacionados ao manejo, sanidade, abate, impactos ambientais e uso de antimicrobianos.

Foto: Divulgação/Freepik
É nesse contexto que a Alianima, organização de proteção animal sem fins lucrativos, que trabalha em estreita colaboração com líderes da indústria alimentícia, lança a cartilha ilustrada Como avaliar e melhorar o bem-estar de salmões?. O material tem como objetivo mostrar a importância de incorporar critérios de bem-estar animal na cadeia de produção e comercialização do salmão, conectando o tema ao desempenho produtivo e responsabilidade corporativa. “O bem-estar do salmão não é apenas uma questão ética. Ele está diretamente relacionado à sanidade dos animais, à qualidade do produto final, e à gestão de riscos ao longo da cadeia. O varejo tem um papel estratégico nesse processo, mesmo quando falamos de uma proteína importada”, afirma a bióloga, PhD em Aquicultura, especialista em peixes da Alianima, Caroline Maia.
Embora o Brasil não seja produtor de salmão, o país é um mercado muito relevante para a espécie e já conta com produtos certificados em bem-estar animal disponíveis no varejo. Para a Alianima, isso significa que as empresas brasileiras podem e devem exercer influência positiva sobre essa cadeia, exigindo de seus fornecedores padrões de bem-estar animal alinhados às melhores práticas internacionais. “O varejo é um elo decisivo entre a produção e o consumidor. Ao incorporar critérios de bem-estar animal em suas políticas de compra, as empresas contribuem para cadeias mais responsáveis e fortalecem sua reputação em um mercado cada vez mais atento à origem dos alimentos”, destaca.
Um dos queridinhos dos brasileiros
O salmão consolidou-se como um dos pescados favoritos e muito consumido pelas famílias brasileiras em contextos

Foto: Gaspar Zaldo/Pexels
urbanos, especialmente nos últimos dez anos. Apesar de não ser nativo do país, já superou espécies tradicionais, como a sardinha, em termos de preferência do consumidor.
A relevância do salmão no padrão de consumo dos brasileiros ajuda a explicar por que questões sobre o bem-estar desta espécie começam a ganhar peso nas discussões sobre responsabilidade corporativa e sustentabilidade no varejo alimentar. Dessa forma, a cartilha recém-lançada reúne evidências técnico-científicas que mostram como condições inadequadas de criação, como superlotação, manejo estressante e baixa qualidade da água, aumentam o estresse e a vulnerabilidade dos salmões a doenças e parasitas.
Em sistemas intensivos de produção, práticas como superlotação e manejo inadequado aumentam a incidência de doenças, o que pode levar ao uso excessivo de antimicrobianos. Esse cenário acende um alerta não apenas para o bem-estar animal, mas também para os riscos ambientais e à saúde pública. “Nos sistemas conhecidos como tanques-rede, por exemplo, o excesso de ração e os dejetos dos peixes podem se dispersar no ambiente natural, causando problemas como a eutrofização da água, o que pode contribuir para a desertificação do leito do oceano nos locais de maior concentração”, alerta.

Foto: Divulgação
Além disso, o uso de substâncias químicas para o controle de parasitas, como o piolho-do-mar, reforça a necessidade de maior transparência e monitoramento na cadeia. “Peixes submetidos a estresse crônico tendem a adoecer mais. Isso não apenas compromete o bem-estar desses animais, como também pode gerar perdas econômicas, bem como riscos associados ao uso intensivo de antibióticos, um tema cada vez mais sensível para empresas e consumidores”, explica.
A cartilha aborda outros pontos críticos como densidade de estocagem, manejo, transporte e abate, etapas que impactam o bem-estar e o desempenho produtivo. Como resposta, apresenta soluções práticas que ajudam a melhorar indicadores como crescimento e conversão alimentar, servindo de apoio técnico para empresas e tomadores de decisão. “Quando a equipe que trabalha diretamente com o manejo dos salmões está bem treinada, problemas de bem-estar podem ser detectados rapidamente. No caso do salmão do Atlântico, listamos uma série de indicadores importantes sobre seu estado de bem-estar que podem e devem ser monitorados em sua produção”, ressalta a especialista.
Peixes
Preço da tilápia registra leves altas regionais e mantém média de R$ 9,63/kg
Triângulo Mineiro apresentou a maior variação positiva no período analisado pelo Cepea.

O preço médio nacional da tilápia foi cotado em R$ 9,63 por quilo na semana de 16 a 20 de fevereiro, conforme levantamento do Cepea. O indicador é considerado referência para o mercado brasileiro da piscicultura.
Entre as regiões acompanhadas, o maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde a cotação chegou a R$ 10,24/kg. No Triângulo Mineiro, o preço ficou em R$ 9,89/kg, com alta de 0,72%.
Em Morada Nova de Minas, a tilápia foi comercializada a R$ 9,64/kg, avanço de 0,25%. Já na região dos Grandes Lagos, o valor ficou em R$ 9,63/kg, com leve alta de 0,08%.
O menor preço entre as praças monitoradas foi observado no Oeste do Paraná, com média de R$ 8,74/kg, registrando elevação de 0,10% no período.
Os dados são divulgados pelo Cepea, vinculado à ESALQ/USP, e têm atualização automática.
Peixes
Selo Pesca Artesanal passa a valer e beneficia pescadores em todo o país
Certificação exige inscrição no RGP e no CAF e promete aumentar renda ao ampliar participação em compras governamentais e no mercado privado.

Foi publicada, na última sexta-feira (20), a Portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) que atualiza as regras do Selo Nacional da Agricultura Familiar (SENAF) e institui o Selo Pesca Artesanal. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o MDA.

Foto: José Fernando Ogura
A iniciativa tem como objetivo fortalecer as etapas de distribuição e comercialização dos produtos oriundos da pesca artesanal, ampliando o acesso a mercados e agregando valor à produção.
De acordo com o diretor do Departamento de Inclusão Produtiva e Inovações do MPA, Quêner Chaves, o selo abre novas oportunidades tanto no setor privado quanto em programas de compras governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).“Essa ação possibilita o aumento da renda dos pescadores e pescadoras e garante a qualidade do produto aos consumidores”, afirmou.
Quais são os requisitos?
Para obter o selo, é necessário atender às exigências estabelecidas na portaria, entre elas:
- Estar inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), na categoria de Pescador(a) Profissional Artesanal, com licença em situação ativa ou deferida, emitida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura;
- Estar inscrito no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), do MDA;
- Estar com os produtos regularizados junto aos órgãos de fiscalização sanitária competentes.
Quem pode solicitar?
- Pescadoras e pescadores artesanais;
- Organizações cuja maioria dos membros seja formada por pescadoras e pescadores artesanais.
Como solicitar?
Mais informações sobre o processo de solicitação estão disponíveis no site: vitrine.mda.gov.br.
Quando passa a valer?
As novas disposições já estão em vigor desde sexta-feira. Com o selo, pescadoras e pescadores certificam que seus produtos atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado e são oriundos de comunidades tradicionais, valorizando não apenas o trabalho das famílias envolvidas, mas também a economia e a cultura locais.



