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FPA critica proposta que classifica tilápia como espécie invasora

Parlamentares e entidades do setor pesqueiro alertam que a medida da Conabio pode comprometer toda a cadeia produtiva da tilapicultura, especialmente no Paraná, responsável por 70% da produção nacional.

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Foto: Shutterstock

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou oposição, na quarta-feira (22), durante sessão da Comissão de Agricultura (CAPADR) da Câmara dos Deputados, à minuta de resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A proposta prevê a publicação de uma lista nacional de espécies exóticas invasoras, incluindo cultivos amplamente disseminados e de alta relevância econômica para o Brasil — entre elas, tilápia, eucalipto, pinus, manga, goiaba e jaca.

O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a proposta revela “desconexão com a realidade da agropecuária brasileira”. O parlamentar criticou o relatório apresentado pela Conabio, que considera espécies de grande importância produtiva como potenciais ameaças ambientais. “A lista inclui diversas espécies amplamente cultivadas e produzidas no país, com enorme relevância econômica, e que, pasmem, foram classificadas de forma totalmente desconectada da realidade da agropecuária brasileira”, afirmou Lupion.

Ex-presidente da FPA, deputado Sérgio Souza: “O que se pretende agora é fazer um zoneamento para identificar onde espécies como o pinus estão sendo plantadas, permitindo o cultivo apenas em determinadas regiões do país e proibindo em outras”

Ele destacou a gravidade da inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras. “O caso mais emblemático é o da tilápia. Representantes da Associação Brasileira de Produtores de Tilápia e do setor da pesca estão aqui hoje e sabem da importância dessa proteína para o Brasil. Falo também como paranaense: 70% da tilápia produzida no país vem do Paraná. E agora ela foi incluída nessa lista como espécie exótica e invasora”, disse.

Lupion alertou que a medida pode inviabilizar toda a cadeia produtiva, já que a Portaria do Ibama nº 145-N/1998 proíbe a reintrodução de espécies aquáticas classificadas como invasoras. “Se essa lógica for levada adiante, estaremos proibindo a produção de tilápia no Brasil. Isso é um absurdo. É trabalhar contra o próprio país”, completou.

O parlamentar lembrou que a tilápia brasileira é exportada para o mundo inteiro — comercializada como St. Peter em restaurantes de Nova York — e que grande parte dessa produção é resultado do trabalho de cooperativas.

Setores produtivos ameaçados

Deputado José Medeiros: “Essa medida é um ‘ovo da serpente’ muito perigoso, que ameaça setores inteiros da produção, inclusive o do eucalipto, essencial para a geração de biomassa e, consequentemente, para a produção de etanol”

O presidente da FPA também citou outras espécies contempladas na minuta que, segundo ele, poderiam sofrer restrições injustificadas. “A lista inclui também o camarão vannamei, muito cultivado no Ceará e no Rio Grande do Norte, além de espécies agrícolas fundamentais como goiaba, jaca, manga, e até eucalipto e pinus — bases da indústria de papel, madeira e celulose”, afirmou.

Para Lupion, a proposta ameaça investimentos bilionários em estados como Mato Grosso do Sul e Paraná e desconsidera o papel estratégico dessas culturas na economia nacional. “Até a braquiária, base da nossa pecuária de corte e leite, foi incluída. É uma demonstração de total desconexão com o país real”, criticou.

O ex-presidente da FPA, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), também reforçou as críticas à proposta e alertou para as consequências econômicas. “O que se pretende agora é fazer um zoneamento para identificar onde espécies como o pinus estão sendo plantadas, permitindo o cultivo apenas em determinadas regiões do país e proibindo em outras. Isso pode afetar regiões com alto potencial produtivo e limitar atividades econômicas importantes”, disse.

Souza defendeu a tilapicultura como atividade sustentável e segura. “A tilápia é originária da África e da Ásia, mas está totalmente adaptada às nossas condições. Não é uma espécie predatória, convive de forma equilibrada com as nativas e não representa risco ambiental. Incluir a tilápia numa lista de restrição é tecnicamente equivocado e ambientalmente infundado”, destacou.

Segundo o parlamentar, a medida “vai na contramão da geração de emprego, renda e desenvolvimento regional”, especialmente no Paraná, onde o cultivo é incentivado por cooperativas como Copacol e C.Vale.

O deputado José Medeiros (PL-MT) classificou a proposta como “uma das mais graves já apresentadas pelo Ministério do Meio Ambiente”. “Essa medida é um ‘ovo da serpente’ muito perigoso, que ameaça setores inteiros da produção, inclusive o do eucalipto, essencial para a geração de biomassa e, consequentemente, para a produção de etanol”, afirmou Medeiros.

Deputada Marussa Boldrin: “Vejo com muita preocupação a iniciativa do Ministério do Meio Ambiente em incluir como espécie invasora plantas e animais que sustentam milhares de famílias, como a mangueira, a goiabeira, o eucalipto e até a tilápia”

A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) também manifestou apreensão com os impactos da proposta sobre a agricultura e a aquicultura. “Vejo com muita preocupação a iniciativa do Ministério do Meio Ambiente em incluir como espécie invasora plantas e animais que sustentam milhares de famílias, como a mangueira, a goiabeira, o eucalipto e até a tilápia”, disse.

Ela lembrou que Goiás é o 7º maior produtor de tilápia do Brasil, com crescimento contínuo da atividade. “A produção cresceu para quase 12 mil toneladas em 2022 e atingiu 12,5 mil toneladas em 2023, impulsionada pelo trabalho do produtor rural, pelos fatores climáticos e pelo apoio de políticas públicas”, explicou. “Defendemos uma política ambiental responsável, construída com ciência, diálogo e equilíbrio. Produzir e preservar não são caminhos opostos, são partes do mesmo compromisso com o Brasil que dá certo”, completou.

Pedido de revisão e diálogo interministerial

O deputado Evair de Melo (PP-ES) reforçou o alerta e destacou a necessidade de maior integração entre os ministérios. “É inimaginável que, em pleno 2025, ainda exista dentro do Ministério do Meio Ambiente uma política discriminatória contra o eucalipto — uma cultura consolidada há décadas no Brasil e de enorme importância econômica. O mesmo vale para o pinus, essencial para a fabricação de móveis e exportações”, afirmou.

Posição do Mapa e defesa da aquicultura

Deputado Evair de Melo: “É inimaginável que, em pleno 2025, ainda exista dentro do Ministério do Meio Ambiente uma política discriminatória contra o eucalipto”

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também manifestou preocupação com a proposta, apontando falta de base científica e de diálogo interinstitucional. De acordo com a Nota Técnica nº 46/2025, a metodologia utilizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi limitada e não considerou plenamente as competências do ministério sobre espécies de interesse agropecuário, florestal e pesqueiro.

As principais entidades da aquicultura nacional — Peixe BR, Peixe MG e Aquamat — também se posicionaram contra a proposta. Segundo elas, a inclusão da tilápia e do camarão branco do Pacífico (Penaeus vannamei) pode causar prejuízos significativos ao setor, afetar até 89% da cadeia produtiva e gerar a perda de empregos.

FPA pede suspensão da votação

A deliberação sobre a minuta da Conabio está prevista para 8 de dezembro. A FPA defende a suspensão da votação e a criação de um grupo técnico interministerial com participação dos Ministérios da Agricultura, da Pesca e das entidades produtivas para reavaliar a proposta com base científica. “Precisamos proteger quem produz no Brasil. A conservação ambiental e a produção agropecuária não são agendas excludentes, são complementares. O desafio é garantir equilíbrio entre sustentabilidade e desenvolvimento”, concluiu o presidente da FPA, Pedro Lupion.

Fonte: Assessoria FPA

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Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica

Instituto de Pesca (IP-Apta) participa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

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Foto: Divulgação/IP-Apta

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.

A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.

Foco no pescado e na segurança alimentar

Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.

A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.

O que o projeto vai investigar

Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.

A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.

Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.

O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.

Fonte: Assessoria IP-Apta
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Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral

Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.

No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.

“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.

Fonte: AEN-PR
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Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026

Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

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Fotos: Divulgação/Aquishow Brasil

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.

Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.

“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.

A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.

A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.

Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.

Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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