Notícias Dentro da Expodireto Cotrijal
Fórum Nacional da Soja discute desafios e novos mercados
Evento realizado na manhã desta terça-feira (08) abordou temas relativos a estiagem, as consequências da guerra da Rússia na Ucrânia e as novas possibilidades de negócios.

A estiagem, as consequências da guerra da Rússia na Ucrânia e as novas possibilidades de negócios foram alguns dos assuntos abordados pelos especialistas no 32º Fórum Nacional da Soja, realizado na manhã desta terça-feira (018) dentro da 22ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento presencial trouxe neste ano como novidade a possibilidade de acompanhar a programação de forma on-line, ao vivo, através da plataforma Expodireto Digital, para quem adquiriu ingresso antecipado.
O diretor do Instituto Ciência e Fé e pesquisador da Embrapa Territorial, Evaristo Eduardo de Miranda, abriu o fórum com a palestra “A sustentabilidade da agropecuária frente as incertezas climáticas”. Miranda ressaltou que, em cinco décadas, o Brasil foi capaz de criar um modelo sustentável e competitivo de agricultura tropical, sem paralelo no mundo. O plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio no solo estão entre as técnicas utilizadas que produziram o avanço. “Poupamos desmatamento com crescimento vertical (na agricultura)”, disse Miranda.
Ao abordar a adaptação da agropecuária às incertezas climáticas, o pesquisador explicou que não há tecnologia que funcione sempre e em qualquer condição (territorial). “A irrigação precisa ser colocada como destaque. É o que garante qualidade e padrão de produção. Agora, as dificuldades enfrentadas com intervenção do Ministério Público e órgãos ambientais para os produtores armazenarem água são dramáticas. Não é só falta de recurso. Quem tem recurso encontra dificuldades enormes. Isso precisa ser colocado em debate. Tem que haver mudanças”, enfatizou Miranda.
Foco na África e na Índia
O professor sênior de agronegócio global do Insper e coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Sawaya Jank, ministrou a palestra “A inserção global do agronegócio brasileiro em tempos turbulentos (guerra Ucrânia x Rússia)”. Jank afirmou que os futuros clientes da soja brasileira são África e Índia, regiões onde haverá um aumento de população. “Deveríamos estar preocupados com o que está sendo falado com os chineses, indianos e africanos. Esses serão os grandes clientes do futuro”, vislumbrou.
Jank também ressaltou que a grande revolução que o Brasil realiza, atualmente, é a integração lavoura-pecuária. A técnica permitirá o crescimento da agricultura em áreas de pasto.
Por outro lado, o professor aponta que a Rússia tem condições de ser o grande concorrente do país no futuro, já que possui energia barata e reservas de gás natural e petróleo, fatores essenciais para a produção de fertilizantes. Além disso, existe a possibilidade pós-guerra de os russos controlarem a produção agrícola da Ucrânia, quarto maior exportador mundial de soja e milho e quinto maior exportador de trigo.
Em relação aos preços agropecuários, Jank listou como fatores de crescimento o aumento da demanda global, especialmente, na Ásia e China; preços internacionais ainda em alta; estoques mundiais baixos; e desvalorização cambial (R$/dólar). Em relação aos fatores de risco, o professor apontou a inflação de alimentos no mercado; perda do poder aquisitivo da população brasileira pós-covid; forte aumento no preço de insumos (fertilizantes e defensivos) e riscos reais de desabastecimento; e a dificuldade de reposição de máquinas e equipamentos.
Produtores em busca de informação
João Maldaner, de Lagoa dos Três Cantos, foi um dos agricultores que acompanhou as palestras. Sua expectativa era buscar informações sobre a consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia, além dos fatores que podem movimentar a questão do preço dos grãos. Maldaner está entre os produtores que sofreram com a estiagem da atual temporada.
“As cultivares plantadas mais cedo, no final de outubro, tiveram maior problema com a estiagem e vão chegar a no máximo 10 sacas por hectare. As cultivares mais tardias possuem um desenvolvimento razoável, mas vamos atingir de 30 a 40 sacas/ha. É um ano de aprendizado. Nem todos os anos a produção é mil maravilhas. Temos anos difíceis também”, relata Maldaner.
Quem vive situação semelhante é o produtor Flávio Cofferri, de Colorado. No Fórum Nacional da Soja, ele buscou conhecimento para se tornar o mais assertivo possível com o resultado de sua lavoura. “Tem muitos fatores que influenciam na nossa tomada de decisão e, diariamente, tudo muda com os conhecimentos mundo afora. Precisamos participar para ter uma ideia melhor e ser o mais assertivo possível no nosso negócio”, enfatizou Cofferri.

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Brasil se despede do pesquisador conhecido por ser o pai do Feijão Carioca
Responsável pela avaliação e difusão da variedade mais consumida do país, agrônomo do IAC ajudou a redefinir padrões de produtividade e qualidade do feijão brasileiro.

A história recente do feijão no Brasil passa, de forma decisiva, pelo trabalho do pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, que faleceu em 02 de janeiro. A trajetória profissional do agrônomo no Instituto Agronômico (IAC) está diretamente associada à avaliação, validação e difusão do feijão carioca, variedade que se tornou dominante no consumo nacional e transformou o mercado do grão no país.
D’Artagnan ingressou no IAC em 1967, instituição vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, onde construiu toda a sua carreira até a aposentadoria, em 2002. Atuou na antiga Seção de Leguminosas, área estratégica em um período em que a pesquisa pública buscava ampliar a oferta de alimentos básicos com maior produtividade e regularidade de qualidade.
O ponto de inflexão ocorreu ainda na década de 1960. Em 1966, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa de Agricultura da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), encaminhou ao IAC um lote de grãos de feijão com coloração rajada, até então pouco conhecida comercialmente. O material foi submetido a avaliações técnicas conduzidas por D’Artagnan, ao lado dos pesquisadores Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho.
As análises envolveram não apenas o desempenho agronômico, mas também características culinárias, um diferencial para a época. Os resultados indicaram um material adaptado às condições de cultivo e com boa aceitação para consumo, abrindo caminho para sua adoção em escala mais ampla.
Em 1969, o feijão carioca foi oficialmente lançado, sob a responsabilidade direta de D’Artagnan, e incorporado ao projeto de produção de sementes básicas da CATI. A partir desse marco, a variedade ganhou espaço rapidamente nas lavouras e no mercado consumidor.
Na década de 1970, com a criação do Programa de Melhoramento Genético do Feijão, o material consolidou sua liderança. O feijão carioca passou a responder por cerca de 66% do consumo nacional, alterando padrões de oferta, produtividade e preferência do consumidor. O avanço teve impacto direto na organização do mercado, na estabilidade de preços e na segurança alimentar, ao fortalecer um alimento central na dieta brasileira.
Pelo papel desempenhado nesse processo, Luiz D’Artagnan de Almeida tornou-se conhecido entre colegas e produtores como o “pai do Carioquinha”, apelido que traduz o alcance prático de sua contribuição científica. Ao longo da carreira, recebeu diversas homenagens pelo trabalho desenvolvido no IAC e pelo legado deixado à pesquisa agrícola e à alimentação no Brasil.
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Governo projeta superávit comercial de até US$ 90 bilhões em 2026
Estimativa supera o saldo positivo de 2025, de US$ 68,3 bilhões.

O Brasil deve terminar 2026 com superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026. As estimativas foram divulgadas na última terça-feira (o6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a previsão indica um resultado superior ao registrado em 2025, quando a balança comercial brasileira fechou com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.
Apesar do superávit elevado, o resultado do ano passado representou uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.
Para 2026, o Mdic estima exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. As importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. Com isso, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) pode alcançar entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.
Superação de expectativas
O superávit de 2025 ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam cerca de US$ 65 bilhões, e é considerado o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas dos saldos registrados em 2023 e 2024.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.
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Produzir mais em menos área é desafio central do agro diante do crescimento populacional
Intensificação produtiva, manejo do solo e eficiência no uso de recursos despontam como estratégias-chave para garantir segurança alimentar e sustentabilidade.

Com a população mundial projetada para atingir 9,9 bilhões de pessoas até 2054, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: aumentar a produção de alimentos sem ampliar o uso de recursos naturais na mesma proporção. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que, para atender essa demanda, será necessário produzir 60% mais alimentos, além de consumir 50% mais energia e 40% mais água.
No Brasil, onde a área agrícola corresponde a cerca de 7,6% do território nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a intensificação produtiva tem se consolidado como caminho estratégico. Para o engenheiro agrônomo e empresário Luís Schiavo o foco deve estar na eficiência do uso do solo e na adoção de práticas agronômicas sustentáveis. “Não se trata apenas de produzir mais, mas com qualidade. O aumento da eficácia em áreas menores é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos e preservar biomas importantes, como florestas e áreas de conservação”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Entre as principais estratégias para alcançar esse equilíbrio está o manejo adequado do solo. A manutenção da cobertura vegetal, especialmente no período de plantio, tem papel fundamental na proteção da estrutura da terra, na conservação da umidade e no estímulo à atividade microbiana. “O solo coberto funciona como um sistema vivo. A palhada atua como um colchão de matéria orgânica que reduz impactos mecânicos, protege contra a erosão causada pela chuva e favorece a ciclagem de nutrientes”, explica.
Outra prática destacada por Schiavo é a rotação de culturas, técnica que contribui para a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e melhora o aproveitamento de nutrientes. Um exemplo comum no campo brasileiro é a sucessão entre soja e milho safrinha. “Após a colheita, o solo permanece enriquecido com nitrogênio, o que favorece diretamente o desenvolvimento do milho. Esse tipo de rotação preserva as características físicas, químicas e biológicas garantindo produtividade consistente ao longo das safras”, pontua.
Segundo o engenheiro agrônomo, investir em tecnologia, manejo eficiente e insumos adequados é decisivo para tornar o agro mais competitivo e sustentável. “Quando o produtor otimiza os fatores de produção, ele melhora a relação custo-benefício, preserva recursos naturais e contribui para um modelo agrícola mais equilibrado. É uma equação em que todos ganham: o produtor, o consumidor e o planeta”, ressalta.



