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Fórum em Erechim debaterá a assistência técnica no RS e Brasil

Especialistas tratarão o assunto durante a realização do Simpósio do Leite na próxima semana

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Quatro especialistas estarão debatendo na próxima semana, a situação da assistência técnica no setor leiteiro no Rio Grande do Sul e no Brasil, durante a realização do Simpósio do Leite de Erechim. O evento acontece entre os dias 7 e 8, mas o Fórum acontece já no primeiro dia, a partir das 13h30.

O engenheiro agrônomo, Marcelo Rezede, da Cooperideal (Londrina/PR), a zootecnista e editora assistente da revista Leite Integral, Maria Thereza Rezende, o presidente do Sindilat RS, Alexandre Guerra, o assessor de Lácteos da Aurora Alimentos, Selvino Geisel e o engenheiro agrônomo da Emater, Vilmar Fruscalso vão compor a mesa de debates, no Pólo de Cultura, Parque da Accie, em Erechim, onde também acontecerá toda a programação do Simpósio.

A assistência técnica

Marcelo Rezende destaca que infelizmente, dos muitos programas de assistência técnica que são criados no Brasil, apenas uma pequena parte efetivamente alcança o produtor rural. "Desses poucos programas que chegam ao campo, uma parcela menor ainda é capaz de promover as melhorias necessárias para o aumento na renda gerada com a atividade nas fazendas produtoras. Muitos programas fazem difusão de tecnologias, mas poucos fazem a efetiva transferência de tecnologias, processo individual, contínuo e de longo prazo nas propriedades", enfatiza.

A assistência técnica é vital para o bom andamento dos tambos e resultados tanto em qualidade do leite quanto em retorno financeiro da atividade, explica o presidente do Sindilat RS, Alexandre Guerra. "Além da assistência técnica oferecida pelas nossas indústrias e cooperativas, a parceria com entidades ligadas ao setor como a Emater, a Embrapa e o Senar é fundamental porque eles estão nas mais diferentes regiões assessorando nossos produtores e fazendo com que a atividade se torne sustentável. Conhecemos inúmeras histórias de pessoas que mudaram suas vidas depois de receber a assistência adequada. Claro que é sempre preciso estar aberto a ouvir o que o técnico vai dizer, mas nossos produtores sabem que esse é o caminho do sucesso e que exige muita dedicação e envolvimento de todos os elos da cadeia láctea", explica.

Marcelo diz ainda que a criação de programas de transferência de tecnologias, com técnicos aptos a fazer o acompanhamento contínuo das fazendas, transferindo ao produtor o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa, ainda é incipiente no Brasil. "A produção de leite, por ser uma atividade de ciclo longo, depende de planejamento de longo prazo, com atividade baseadas na melhoria técnica e gerencial das fazendas, esta deve ser a ênfase de programas que atuam junto aos produtores. A capacitação adequada de técnicos que conheçam o dia a dia da atividade não pode ser negligenciada nesse processo; a motivação e a estrutura de trabalho oferecida a esses técnicos pode ser um fator decisivo de sucesso nesse processo", frisa.

Para Guerra, estamos evoluindo consideravelmente, mas muitas propriedades ainda não têm a assistência regular e alguns produtores ainda têm uma certa resistência em aceitar algumas recomendações técnicas, mas isso vem mudando. "Os produtores estão buscando maior profissionalização dos processos e maior rigor sanitário. Os tambos gaúchos rumam para um padrão internacional, mas, é claro, isso precisa de investimento e muita atitude. Um dos gargalos é que não temos corpo técnico suficiente para atender de forma periódica e contínua as mais de 100 mil famílias que produzem leite no Estado. Acabam sendo beneficiados os produtores maiores, médios e os que demonstram maior interesse. Nosso desafio é o de conseguir atingir um maior número de propriedades com assistência qualificada e de forma contínua para assim atender os parâmetros técnicos e de gestão para melhorarmos a nossa competitividade", disse.

Marcelo Rezende afirma que o produtor tem se conscientizado da necessidade de elevar o nível de conhecimento técnico aplicado na sua propriedade, essa demanda por conhecimento é favorável à criação de programas eficazes de transferência de novas tecnologias. Segundo ele, de maneira geral o produtor tem dificuldade de gerenciar seu negócio, não atuando na escrituração econômica e zootécnica da sua atividade. "Tal deficiência o impede de obter índices e indicadores que venham a mensurar o desempenho da atividade, fato que dificulta a identificação de pontos fortes e fracos do seu sistema de produção. Sem essas informações fica difícil pensar em evolução e melhoria do resultado financeiro da atividade", aponta.  

Guerra diz que o Rio Grande do Sul vem avançando no controle da brucelose e da tuberculose. "Em 2016, demos vida a diversos projetos de prevenção dessas doenças, muito auxiliados pelo assessoramento técnico do Sindilat. Entre eles o Projeto Leite Saudável, que aplica parte do PIS/Cofins em assistência técnica conforme prevê a legislação. Mas ainda há um caminho longo pela frente. O principal desafio dos tambos gaúchos é enquadrar-se aos padrões de IN 62, que prevê redução gradual dos níveis de CCS (contagem de células somáticas) e CBT (contagem bacteriana total) no leite. A lei é rígida e vai ficar ainda mais dura. Nossos produtores precisam trabalhar duro e contar com a assistência técnica para qualificar ainda mais os processos de higiene de forma a atender esses novos padrões que se impõem. Vale lembrar também que a indústria remunera o leite por qualidade. Ou seja, quanto melhor for o leite entregue também maior será a margem de lucro do produtor", amplia.

Experiência própria

Maria Thereza Rezende também é produtora e conta sua experiência na área de assistência técnica. "Como produtora rural, nunca me abstive em contratar assistência técnica, o que me deu a chance de conviver com muitos técnicos e perceber falhas e acertos nesse tipo de prestação de serviço na pecuária leiteira. Antes de trabalhar com leite, trabalhava em empresas de consultoria nas áreas contábil, financeira e tributária. A prestação de serviços nesse tipo de negócio é altamente profissionalizada e exige que o técnico se atualize com enorme frequência, além de buscar conhecimentos acessórios. A comparação entre as duas formas de atendimento é inevitável", enfatiza.
"É interessante observar que com o processo de intensificação dos sistemas de produção houve uma enorme modernização das fazendas leiteiras. Ocorreram mudanças no rebanho, no manejo, nas instalações, mas, sobretudo, na forma da administração da atividade. E o técnico foi um dos responsáveis por essa mudança", amplia Maria Thereza.

"Mesmo assim, um aspecto que sempre me chamou a atenção na pecuária leiteira é o fato de existir muita tecnologia de qualidade gerada  nos centros de pesquisa e a dificuldade dessa chegar à grande massa de produtores. Tecnologia existe, mas o maior gargalo está na transferência desse conhecimento que não chega ao setor produtivo. Não tenho a menor dúvida de que se 1/3 dessa tecnologia fosse efetivamente aplicada dentro das propriedades teríamos um acentuado incremento nos índices de produtividade.  Isto tornaria a pecuária leiteira do Brasil bem mais competitiva, mas há um enorme vazio entre a geração de tecnologia e a transferência dela para o campo. E o mais interessante é que na maioria das vezes o técnico tem conhecimento da tecnologia e tenta implementá-la,não tendo sucesso por não saber transmitir,motivar ou convencer/ persuadir o produtor a usá-la em prol do seu negócio", explica a palestrante.

"Percebo com enorme frequência o conflito de objetivos entre produtores e técnicos. Enquanto estes, com a visão produtiva adquirida na universidade, fixam como objetivos da assistência técnica o aumento da produção e da produtividade, para os produtores o objetivo é econômico; muitos querem  aumentar a rentabilidade da atividade, afastando muitas vezes a busca por assistência uma vez que o produtor não se sente compreendido e se frustra com a mesma", completa Maria Thereza.

Programação

07/06/2017

6ª Mostra de Trabalhos Científicos

Intervalo- milk break

Palestra 1 – Trigo TBIO Energia I: Novo conceito em produção de volumoso. Zootecnista e Mestre em Produção Animal Ederson Luis Henz, Supervisor em Novos Negócios, Biotrigo Genética.

Palestra 2 – Manejo de novilhas e pré-parto, com o Professor e Doutor José Carlos Peixoto Modesto da Silva; Eng. Agrônomo e Pós-Doutorado em Zootecnia Diretor-Presidente do Grupo Universidade do Leite. Apoio: Universidade do Leite

Almoço no CTG

8º Fórum Nacional de Lácteos

Tema: Assistência técnica no Rio Grande do Sul e no Brasil, como está?
Convidados: Engenheiro Agrônomo Marcelo de Rezende – Cooperideal (Londrina/PR); Zooetcnista e Editora Assistente da revista Leite Integral – Maria Thereza Rezende; Presidente do Sindilat/RS – Alexandre Guerra Moderador:Engenheiro Agrônomo Vilmar Fruscalso – Emater(RS)

Dia 8/06/2017

Simpósio do Leite – palestras técnicas a partir das 9h

Palestra 1- Utilização de aditivos na nutrição de vacas leiteiras – Profº e Dr Francisco Palma Rennó FMVZ/USP

Palestra 2- Secagem da vaca – Profº e Dr. Alexandre Souza Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Doutorado Universidade de São Paulo Reprodução e Pós Doutorado nos EUA

Intervalo: milk break

Palestra 3- Os setes hábitos das propriedades leiteiras altamente eficazes – Dr. Renato Palma Nogueira

Palestra 4- Seleção genômica , acelerando o melhoramento genético na bovinocultura leiteira – Dr. Cleocy Fam de Mendonça

Intervalo: milk break

Palestra 5- Cetose em vacas leiteiras: desafios e soluções – Dr. Márcio Nunes Corrêa – Nupeec/Ufpel

Fonte: Assessoria

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Adapar investe R$ 1 milhão em 27 drones para ampliar fiscalização agropecuária no Paraná

Equipamentos passam a reforçar ações de defesa agropecuária com sensoriamento remoto, redução do tempo de inspeção e formação de 25 novos pilotos entre os servidores.

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Foto: Divulgação/Adapar

A fiscalização agropecuária no Paraná passa a contar com um novo reforço tecnológico. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) recebeu 27 aeronaves remotamente pilotadas (drones), adquiridas por aproximadamente R$ 1 milhão. Os equipamentos foram cadastrados na última quinta-feira (25), no Escritório Regional de Londrina, e já estão aptos para iniciar as operações após o cumprimento das exigências regulatórias.

Foto: Divulgação/Adapar

O processo de habilitação incluiu o registro das aeronaves no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e a autorização do primeiro voo no Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Sarpas), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), ligado ao Ministério da Defesa.

Segundo o engenheiro-agrônomo Luiz Renato Barbosa, essa etapa permite iniciar a capacitação de uma nova turma de operadores. “Esta etapa regulatória é pré-requisito para a formação da segunda turma de pilotos do quadro da agência que será composta por 25 servidores da autarquia, agora com os novos modelos de Veículos Aéreos Não Tripulados adquiridos”, explica.

A expectativa é que o uso dos drones amplie a capacidade de fiscalização em campo. A tecnologia permitirá aumentar a área monitorada, reduzir deslocamentos das equipes e padronizar o registro de imagens e evidências durante as inspeções. As aeronaves também poderão ser utilizadas em operações integradas com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ministério da Justiça e instituições que compõem o Sistema Estadual de Agricultura.

A aquisição faz parte do plano de modernização da Adapar. De acordo com o presidente da autarquia, Otamir Cesar Martins, os investimentos abrangem diferentes áreas da infraestrutura tecnológica da agência. “Os investimentos incluem novas viaturas, computadores, notebooks, tablets, um novo sistema institucional, drones e a nova suíte de produtividade com IA para todos os servidores, em consonância com o nosso Plano Diretor de Tecnologia da Informação de 2025”, afirma.

Martins acrescenta que a formação de pilotos será ampliada gradativamente. “Serão formadas turmas de pilotos escalonadas em um cronograma que está sendo elaborado pela Área de Suporte Institucional, oportunizando que todos os fiscais e assistentes de fiscalização agropecuária, agrônomos ou veterinários interessados se tornarem pilotos habilitados pelo Decea”, complementa.

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, a incorporação da tecnologia fortalece a atuação preventiva da fiscalização no Estado. “Com essa inovação, daremos um passo importante para a proteção ao nosso agronegócio paranaense, com o conceito de uma Defesa Agropecuária com foco preventivo e não mais reativo, principalmente nas culturas de alto Valor Bruto da Produção”, destaca.

Especificações

A nova frota é composta pelos modelos DJI Mavic 4 Pro que é considerado no mercado atual como topo de linha, destacando-se pelo sistema de câmera tripla Hasselblad (até 100 MP), vídeos com capacidade de 6K HDR a 60 fps e tempo de voo de 51 minutos. Eles possuem detecção de obstáculos omnidirecional com tecnologia LiDAR para voos noturnos, e alcance de voo de 41km.

Foto: Divulgação/Adapar

Dos 27 drones todos do modelo DJI Mavic 4 Pro, três possuem sensores multiespectrais com capacidade de cobrir 200 hectares em um único voo de 43 minutos. O asssessor de Inovação da Adapar Alessandro Casagrande destaca as características das aeronaves explica que a composição da aquisição revela a intenção técnica da compra.

“Todos os drones são dotados com câmeras da renomada e centenária marca Hasselblad, mundialmente famosa em 1969, quando foram selecionadas pela NASA para registrar o histórico pouso do homem na Lua no Projeto Apollo, elas possuem a resolução a 50 metros de altura com GSD (Distância de Amostragem do Solo) aproximada de 0,41 cm/pixel (alta definição milimétrica) cuja precisão é necessária para os trabalhos de Defesa Agropecuária de alta precisão e para o conjunto de evidências”, detalha.

Outra característica é a faixa multispectral, é uma faixa de luz específica – como o infravermelho, que as câmeras dos drones capturam. Ao contrário das câmeras comuns que enxergam apenas o que o olho humano vê, esses sensores registram comprimentos de onda invisíveis, revelando o nível de saúde, estresse hídrico e pragas em plantações.

O olho humano percebe apenas a faixa visível do espectro eletromagnético. Uma planta infectada por HLB (Candidatus Liberibacter spp.), cancro cítrico (Xanthomonas citri subsp. Citri), ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) e o Moko da Bananeira  causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 geralmente apresenta sintomas visíveis somente semanas após a infecção e após quando o patógeno já se disseminou

Área animal

Foto: Divulgação/Adapar

Os drones possuem sensor termal, que segue outra lógica: capta variações de temperatura em animais, função que aproxima o equipamento das especificidades da área veterinária. É nesse terreno que a Adapar concentra suas primeiras apostas.

O chefe do Departamento de Saúde Animal, médico-veterinário Rafael Gonçalves Dias, explica como os equipamentos serão úteis para a proteção dos rebanhos paranaenses. “O drone termal será empregado em projetos-piloto, nos quais a assinatura térmica pode auxiliar na identificação de focos de calor ligados a aglomerações de animais, a alterações fisiológicas e a situações de risco sanitário, sem contato direto com os rebanhos”, elucida.

O formato experimental tem a responsabilidade de que, antes de qualquer adoção em escala, a autarquia precisa validar protocolos de coleta, parâmetros de medição e a forma de integrar os dados gerados em campo. “A literatura sustenta com solidez o uso de drones termais para triagem de febre em rebanhos confinados ou semiconfinados, conforto térmico, detecção precoce de zoonoses em granjas, localização de animais e censo de morcegos em locais expostos” complementa.

Histórico

A Adapar iniciou o uso de drones há sete anos por meio do “projeto ASA”, idealizado pela então coordenação de conservação de uso de solos juntamente com coordenação de inovação, expandindo

Foto: Divulgação/Adapar

para outras áreas de Adapar. Segundo o chefe de divisão de Conservação do Solo Agrícola Luiz Renato Barbosa, este momento é um marco para história da autarquia.

“Começamos com um drone doado pela Receita Federal e outro que era recreativo, hoje, temos a frota mais sofisticada do país e acredito que somos a agência de defesa agropecuária com a maior frota de drones no Brasil, com 35 aeronaves cadastradas na Anac. No fim, isto reflete os princípios constitucionais da economicidade e eficiência do serviço público. Nossas ações de campo custarão bem menos ao cidadão graças a estes investimentos da diretoria que acreditaram no projeto”, explica.

O contrato dos drones previu uma inovação nestes bens por meio de manutenções corretivas e preventivas, para que a curva de obsolescência diminua, aumentando-se a eficiência dos equipamentos e dando segurança e tranquilidade aos pilotos durante os voos. A agência está realizando um estudo para fazer o seguro de todas as aeronaves, uma vez que dispositivos são muito suscetíveis a sofrerem quedas e danos.

Fonte: Assessoria Adapar
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Produtores ainda aguardam apoio sete meses após tornado no Paraná

Agricultores de cinco municípios relatam que ficaram de fora de medidas emergenciais e enfrentam dificuldades para reconstruir estruturas produtivas danificadas.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

Sete meses após o tornado que devastou parte da região Central do Paraná, produtores rurais de municípios de Laranjeiras do Sul, Virmond, Porto Barreiro, Candói e Guarapuava seguem sem acesso a medidas de apoio para viabilizar a reconstrução das propriedades atingidas.

Embora Rio Bonito do Iguaçu tenha concentrado a maior parte dos danos e recebido ações emergenciais específicas, produtores das cidades vizinhas relatam que também sofreram perdas expressivas em lavouras, silos, barracões, moradias e estruturas produtivas, mas ficaram de fora das condições especiais anunciadas pelo governo estadual após o desastre climático.

Foto: Jonathan Campos

Diante dessa situação, o Sistema Faep encaminhou, em maio, um ofício à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) solicitando a ampliação do suporte emergencial aos produtores afetados. Em resposta, a secretaria informou que não é possível estender administrativamente os benefícios, em razão dos critérios jurídicos e orçamentários vigentes.

Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, é necessário encontrar alternativas que permitam atender também os produtores que sofreram prejuízos expressivos fora do município que decretou calamidade pública. “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades. É importante que haja sensibilidade para buscar mecanismos que permitam oferecer condições compatíveis com a dimensão dos prejuízos sofridos”, afirma Meneguette.

O presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, afirma que produtores dos municípios vizinhos aguardam o mesmo tratamento concedido aos atingidos em Rio Bonito do Iguaçu.“Nossa expectativa era que os produtores dos demais municípios atingidos pelo tornado recebessem o mesmo apoio concedido pelo Governo do Estado aos agricultores de Rio Bonito do Iguaçu. No entanto, essas famílias não receberam nenhum tipo de suporte. A linha de financiamento com juros subsidiados que havia sido anunciada também não chegou aos produtores dessas cidades”, expõe.

Foto: Jonathan Campos

Na avaliação do presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, produtores continuam enfrentando dificuldades para recuperar estruturas financiadas justamente para ampliar a produção. “Muitos perderam barracões, silos e pocilgas construídos com financiamento. O que eles pedem agora é a liberação de linhas de crédito em condições diferenciadas, porque essa possibilidade foi apresentada na época, mas acabou não se concretizando”, afirma. “Teve produtor que perdeu mais de R$ 20 milhões, enquanto outros tiveram perdas menores. Quem havia feito investimentos maiores é quem mais precisa desse apoio para reconstruir a estrutura e voltar a produzir”, completa.

Prejuízo de até R$ 12 mi

Em Candói, o produtor rural Rodrigo Queiroz estima prejuízo de R$ 12 milhões. Proprietário de uma área de 1,5 mil hectares com produção de soja, milho, trigo, cevada, aveia e pecuária, parte da estrutura do agricultor precisou ser reconstruída imediatamente, mas outros investimentos continuam paralisados. “Não tivemos ajuda do poder público. Sempre conversamos com o pessoal do BRDE porque esperávamos que fosse criada uma linha de crédito para nos ajudar. Mas, com as taxas atuais, é inviável fazer um investimento desse tamanho. Foi uma situação totalmente fora do nosso controle”, relata.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades” – Foto: Divulgação/Sistema Faep 

Segundo o produtor, barracões, telhados, silos e casas de funcionários foram destruídos pela força do tornado. “Fomos obrigados a reconstruir a parte estrutural mais urgente, porque era impossível manter a atividade sem os barracões e o alojamento dos funcionários. Agora, o maior problema continua sendo os silos, que sofreram danos muito expressivos”, explica. “Ficamos sem energia, perdemos estruturas e tivemos prejuízos com fertilizantes, sementes e produtos armazenados. Nossos funcionários também passaram pelo tornado. Foi uma situação muito difícil, e qualquer apoio faz diferença”, pontua.

Governo cita critérios legais

Foto: Jonathan Campos

O Governo do Estado informou que apenas Rio Bonito do Iguaçu decretou estado de calamidade pública após o tornado. Desta forma, as linhas especiais atenderam exclusivamente esse município porque os demais não decretaram calamidade nem apresentaram demandas. “As linhas especiais atendem a Rio Bonito do Iguaçu, mas o Estado tem programas regulares para os demais municípios com recursos da Defesa Civil. As prefeituras não solicitaram nem apresentaram demandas. As outras cidades não receberam porque não decretaram estado de calamidade”, informa.

BRDE diz que faltou subvenção

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) afirmou que as linhas de financiamento permaneceram disponíveis para atender produtores atingidos, mas reconheceu que não houve a criação de uma subvenção estadual para reduzir os juros das operações. “O banco possui as linhas para atender às demandas. O que não aconteceu foi a criação de uma subvenção das taxas por parte do Governo do Estado. O BRDE não deixou de atender aos pedidos que recebeu. Inclusive há projetos com créditos aprovados, porém os produtores preferiram não contratar com as taxas atuais”, salienta.

Segundo o banco, a ausência da equalização dos juros tornou o crédito pouco atrativo para produtores que já enfrentavam elevados prejuízos provocados pelo tornado.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Brasil reforça estratégia comercial e leva proteína animal à Agrofood Ethiopia 2026

Participação integra ação do Mapa para expandir exportações agropecuárias na África Subsaariana e consolidar relações com o mercado etíope.

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Foto: Divulgação/Mapa

O Brasil reforçou a promoção internacional da proteína animal durante a Agrofood Ethiopia 2026, principal feira dos setores de agricultura e alimentos da Etiópia, realizada em Adis Abeba. Esta foi a segunda participação consecutiva do país no evento, que integra a estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de ampliar a presença dos produtos agropecuários brasileiros na África Subsaariana.

A participação brasileira foi coordenada pela adida agrícola do Brasil na Etiópia, Fabiana Alves, e teve como foco a divulgação da proteína animal brasileira junto a importadores, distribuidores e compradores locais. Desde a instalação da Adidância Agrícola no país, mais de 22 mercados foram abertos para produtos brasileiros, ampliando as oportunidades de exportação e fortalecendo o comércio bilateral.

Durante a feira, empresas brasileiras participaram de reuniões com representantes do setor de alimentos, além de importadores e distribuidores. A programação também incluiu encontros de negócios com representantes do setor HORECA (hotéis, restaurantes e catering) em Adis Abeba, com o objetivo de aproximar exportadores brasileiros de potenciais compradores e apresentar a diversidade e a qualidade da proteína animal produzida no Brasil.

Com cerca de 130 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo país mais populoso da África e ocupa posição estratégica no comércio entre a África Oriental e o Oriente Médio. O crescimento do mercado consumidor e a expansão das relações comerciais colocam o país como um destino considerado promissor para as exportações brasileiras.

Sobre a Agrofood Ethiopia

Em sua oitava edição, a Agrofood Ethiopia reuniu 4.446 compradores e profissionais do setor e 152 expositores de 18 países. Realizada no AICC Addis International Convention Center, em Adis Abeba, a feira se consolidou como a principal plataforma de negócios da Etiópia para a indústria agroalimentar e o comércio de alimentos.

Fonte: Assessoria Mapa
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