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Fórum debate caminhos para consolidar crescimento da cultura do trigo
Projeções da Embrapa Trigo indicam que, caso a produção continue crescendo 10% ao ano, o Brasil poderá chegar aos 20 milhões de toneladas até 2030. No Rio Grande do Sul, em 2022 a área plantada cresceu 20%, alcançando 1,4 milhão de hectares, e a produção chegou a 5,1 milhões de toneladas.


Ex-ministro da Agricultura Francisco Turra: ” Temos que ficar atentos para a demanda global do grão e construir alternativas para abastecermos com qualidade o país e o resto do mundo” – Fotos: Divulgação/Cotrijal
A safra histórica de trigo no ano passado, que encerrou com 9,5 milhões de toneladas – volume que atende 76% da demanda nacional -, vem mobilizando produtores e lideranças do setor na busca de alternativas para que estes números continuem em crescimento. Este foi o tema principal do Fórum do Trigo realizado na tarde de quarta-feira (08) na Expodireto Cotrijal 2023.
Projeções da Embrapa Trigo indicam que, caso a produção continue crescendo 10% ao ano, o Brasil poderá chegar aos 20 milhões de toneladas até 2030. No Rio Grande do Sul, em 2022 a área plantada cresceu 20%, alcançando 1,4 milhão de hectares, e a produção chegou a 5,1 milhões de toneladas.

Chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski: “É preciso trabalhar no sentido de fortalecer a possibilidade da utilização do trigo pela indústria de proteína animal, como alternativa ao milho, na formulação das rações de suínos e aves”
“A ciência mudou o mundo e as sementes melhoraram significativamente. Agora temos sementes de alta produtividade, o que dá maior competitividade do grão em todos os mercados. Temos que ficar atentos para a demanda global do grão e construir alternativas para abastecermos com qualidade o país e o resto do mundo”, destacou o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra.
As muitas frentes de colocação do produto (panificação, ração, exportação, etanol, pasto, silagem, planta de serviço e carbono) e a possibilidade de aumento da produção e exportação do grão foram alguns dos pontos abordados pelo chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski.
“Os produtores trabalharam junto com a ciência, incorporando tecnologia, genética e manejo adequado em suas lavouras, o que resultou no aumento de produtividade. Agora, é preciso trabalhar no sentido de fortalecer a possibilidade da utilização do trigo pela indústria de proteína animal, como alternativa ao milho, na formulação das rações de suínos e aves”, disse Lemainski.
O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, falou sobre o Programa Duas Safras, que tem como objetivo fazer com que os agricultores gaúchos invistam no aumento do cultivo de trigo, triticale, cevada, centeio, canola e aveia no inverno, como alternativa ao milho na composição da ração para aves e suínos.

Presidente da Farsul, Gedeão Pereira: “A proposta é que este cultivo alternativo, além do benefício à agricultura, traga também vantagens aos pecuaristas”
“A proposta é que este cultivo alternativo, além do benefício à agricultura, traga também vantagens aos pecuaristas, que poderão se abastecer com ração para os rebanhos”.
Conforme ele, a proposta passa também pelo equilíbrio da produção agrícola nas metades sul e norte do Estado, para que o setor agrícola gaúcho se desenvolva de maneira mais igualitária.
Para os participantes do debate, “quando a safra de inverno for bem feita, a safra de verão estará bem encaminhada”. Baseado nisso, o coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corazza, reforçou que o inverno gaúcho é uma grande oportunidade de desenvolvimento da cultura de trigo no estado.
“Temos água, luz e pesquisa. É preciso dedicação e esforço para aumentar a produção e a safra 2022 nos mostrou que podemos ir muito mais longe”, disse.

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Ministério da Agricultura cria sistema nacional para certificação fitossanitária de vegetais
Sinfito unifica regras, simplifica o trânsito de produtos e reforça rastreabilidade na produção vegetal.
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Congresso internacional de bioagrotecnologia projeta Brasil como sede da edição de 2027
Participação em Valência reforça protagonismo do país e articulação com mercados da Europa, África e Américas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou do 7º Congresso e Exposição Mundial de Biotecnologia Agrícola (BioAgTech World Congress & Expo/BAW Congress), realizado na última semana no Palácio de Congressos de Valência, na Espanha. O BAW Congress é uma das principais plataformas internacionais dedicadas a produtos biológicos, agricultura regenerativa e inovação em bioagtecnologia, reunindo lideranças de governo, indústria, academia e associações setoriais de diversos países e continentes, incluindo Europa, Américas, Ásia-Pacífico e África, para discutir os caminhos da transição para uma agricultura mais sustentável e biológica.
Além disso, o congresso se posiciona como um espaço estratégico de diálogo entre o Sul Global e a Europa, com ênfase na harmonização de marcos regulatórios para bioinsumos e na construção de rotas de comercialização que conectem América Latina, África e o mercado europeu. Nesta edição, o evento buscou refletir sobre a convergência regulatória entre mercados.

Foto: Divulgação/BioAgTech BAW Congress
A participação do Mapa e das demais representações brasileiras reafirma o protagonismo do país no ecossistema global de bioagtecnologia. Nesse contexto, o Ministério levou ao debate temas centrais da inovação agropecuária brasileira, como o Plano Nacional de Bioinsumos e a Política Nacional de Recursos Genéticos. “A participação brasileira foi altamente relevante, sobretudo por gerar oportunidades concretas de parceria e qualificar o debate sobre o principal tema do evento, os bioinsumos. Esse protagonismo ganha ainda mais importância considerando que o Brasil sediará o congresso em 2027. Nesse contexto, a aproximação da área técnica nacional com a organização contribuirá para o melhor desempenho do país na realização do evento”, destacou o diretor de Inovação para a Agropecuária da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcos Avelar.
No primeiro dia de congresso, durante o workshop 4, “Gestão de Espécies Invasoras: Integração de Soluções Escaláveis”, apresentado pelo Fórum de Agricultores e Cadeia Alimentar da GBA, o coordenador de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Mapa, Luis Pacheco, conduziu a abertura e contextualizou o problema das espécies invasoras para a agricultura, a biodiversidade e os sistemas alimentares.
No segundo dia, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, participou de forma virtual para abordar a regulamentação da Lei de Bioinsumos, ainda em andamento no Brasil.
Já no terceiro dia, o diretor Marcos Avelar apresentou, na sessão 6, “Liderança em BioAgTech e Guia de Engajamento de Stakeholders Diversos”, o programa Mapa Conecta, plataforma criada para facilitar e promover a conexão entre os atores da inovação, como startups, investidores e ambientes de inovação, com foco na geração de tecnologias para as cadeias produtivas agropecuárias.
A apresentação ocorreu em um espaço dedicado à liderança e à superação de barreiras de comercialização, escala e adoção de mercado em bioagrotecnologia, com a

Foto: Divulgação/BioAgTech BAW Congress
presença de executivos de multinacionais, investidores, varejistas e formuladores de políticas públicas de diversos países.
Os técnicos participaram, ainda, do Conclave da Aliança Global de BioAg, que reúne lideranças globais do ecossistema de bioagtecnologia para diálogos estratégicos reservados.
Brasil sediará congresso em 2027
O BAW Congress é um evento itinerante que, a cada edição, é realizado em um continente diferente, levando o diálogo global sobre bioagtecnologia diretamente aos principais polos agrícolas do mundo.
Após edições na Ásia, nas Américas e, agora, na Europa, o congresso retorna ao Brasil em 2027 para sua 8ª edição, que será realizada em Campinas (SP). A escolha do Brasil como sede reafirma o reconhecimento internacional do país como protagonista no ecossistema de bioinsumos e da agricultura sustentável, além de tornar a participação institucional brasileira nesta edição de Valência ainda mais estratégica, como preparação e fortalecimento de relações para o evento que o país sediará no ano seguinte.
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Leite longa vida sobe 17% no varejo no Paraná; proteínas animais registram ganho de produtividade e exportações
Boletim do Deral aponta leite a R$ 4,52, avanço de 57,7% na produção de suínos em 10 anos, exportações de frango com US$ 1,78 bilhão e milho safrinha com 99% da área plantada.

O Boletim Conjuntural divulgado no início de abril pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela um cenário de ajustes no campo. O destaque do período foi o setor leiteiro, que apresentou uma elevação de preços ao produto final. No varejo, o leite longa vida subiu 17% e o leite em pó 8,8%, com o produto comercializado a uma média de R$ 4,52.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
Segundo o médico-veterinário e analista do Deral Thiago De Marchi, o preço pago ao produtor ainda não acompanha a alta observada nas gôndolas dos supermercados, mas a perspectiva já é positiva. “O impacto não é imediato ao produtor por conta de prazos de pagamentos que seguem seus ritos nas indústrias. Mas a tendência é de que seja pago um valor maior pelo litro do leite entregue”, explica.
Proteínas animais
De acordo com o boletim, o segmento de proteínas animais segue demonstrando força, com destaque para a eficiência da suinocultura paranaense. Nos últimos dez anos, a produção de carne suína no Estado cresceu 57,7%, saltando de 777,74 mil toneladas em 2016 para 1,23 milhão de toneladas em 2025. O dado mais relevante é que esse crescimento produtivo superou a ampliação do rebanho, indicando um ganho qualitativo com o abate de animais mais pesados. Nacionalmente, o cenário é similar, com a produção de carne crescendo 52,4% no mesmo período.

Foto: Shutterstock
No mercado externo, as aves mantêm um desempenho exportador robusto, com o Paraná liderando as receitas cambiais. No primeiro bimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne de frango renderam US$ 1,788 bilhão, uma alta de 7,7% em faturamento. O Paraná responde sozinho por 42,9% do volume total exportado pelo país. Já o setor de perus registrou um salto de 107,6% na receita cambial nacional, impulsionado pela valorização do preço médio da carne “in natura”, que subiu 97,8% em relação ao ano anterior.
Milho
O plantio da segunda safra de milho 2025/26 caminha para o encerramento, atingindo 99% dos 2,86 milhões de hectares previstos. Apesar de 91% da área apresentar boas condições, o Deral alerta que o mês de março foi desfavorável para a cultura devido às chuvas irregulares e ondas de calor. Cerca de 8% das lavouras estão em condições medianas e 1% em situação ruim, o que já pode refletir um resultado final inferior ao inicialmente projetado para este ciclo.
Mandioca
Mesmo com um cenário desafiador e os altos custos de arrendamento, a mandiocultura do Paraná tem uma expectativa de um crescimento

Foto: Divulgação
de 6% na área colhida para 2026, com a produção podendo superar a marca de 4 milhões de toneladas. O boletim ressalta que a cultura atravessa um período de ajuste estratégico. Com preços 21% menores neste primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025, os produtores têm optado por manter as lavouras para um segundo ciclo, visando ganhar em produtividade e compensar as margens estreitas.
Cebola
A cultura da cebola exemplifica o impacto positivo da tecnologia aplicada no campo. Mesmo com uma atual redução de 12,8% na área plantada em comparação a 2015, o Brasil registrou um aumento de 16,1% no volume colhido em 2024, que significa um incremento de 33,1% na produtividade. Tal movimento gerou reflexos nos preços recebidos pelo produtor e nos praticados para o consumidor final.
No Paraná, em 2026, o preço recebido pelo produtor saltou de R$ 0,82/kg em fevereiro para R$ 1,18/kg em março, um crescimento de 44,9%. O consumidor também sentiu uma variação em menos de 30 dias. As cotações para a cebola pera nacional ao final de março estão 42,9% mais altas que no início do mesmo mês, de R$ 1,75/kg para R$ 2,50/kg.






