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Suínos / Peixes Nutrição

Formas de melhorar o desempenho e aproveitar a elevação dos preços dos suínos

Adição do plasma spray dried nas dietas das várias etapas da criação de suínos deve ser revista quando se busca um melhor desempenho

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Luís Rangel, DVM, MSc, Javier Polo, PhD, Joe Crenshaw, PhD, Gustavo Lima, PhD e Gustavo Gattas, PhD

Depois de vários anos de crise, o setor de suínos finalmente vivencia uma recuperação de preços. Essa se deve principalmente a uma crise sanitária dramática provocada pela Peste Suína Africana (PSA), que assola países Asiáticos e do Leste Europeu. A doença já atingiu o Vietnã, outra grande potência produtora de suínos naquele mesmo continente, além da Bélgica na Europa. Algumas fontes comentam que as perdas de suínos na China atingiram níveis que superam a habilidade mundial de atender essa demanda. Essa redução de oferta deve aumentar também a procura global por outras fontes proteicas, como as oriundas da bovinocultura, avicultura e aquacultura.

Diante dessa mudança do cenário de preços, fica ainda mais interessante o uso de tecnologias que alavanquem a produção. Os suínos podem experimentar vários tipos de estresse em todos os estágios da vida, incluindo desmame, transporte, mudanças na dieta, mudanças térmicas, ambientais, sociais, comportamentais e os causados por agentes patogênicos. Todos esses fatores de estresse podem ativar respostas do sistema imunológico. O plasma spray dried (SDP) é um ingrediente consagrado que, em dietas de leitões, porcas em lactação e até em animais de terminação promove melhoras significativas de desempenho dos animais e maior lucratividade para os produtores. O SDP é composto por uma mistura complexa de proteínas funcionais e outros componentes com atividade biológica, independente do seu valor nutricional. Pesquisas demonstram que os componentes bioativos do SDP reduzem os efeitos negativos da inflamação, apoiam e contribuem com a manutenção de uma resposta eficiente do sistema imunológico (Pérez-Bosque et al., 2016). Essas características inerentes ao SDP ainda proporcionam uma importante ferramenta no quesito saúde animal, permitindo aos técnicos do setor suinícola traçar distintas estratégias de manejo sanitário através do uso do SDP e respectivas reduções/substituições de antibióticos como promotores de crescimento. Tal possibilidade, associada às melhorias no desempenho animal, permitem otimizar a lucratividade do setor, ora pela diminuição nos custos, tanto pela redução no uso de antibióticos como da conversão alimentar, ora aumentando a receita em função da melhoria no peso do suíno comercializado.

Inclusões de SDP em dietas de creche

É comum que em épocas de crise os nutricionistas reduzam as inclusões de ingredientes de maior valor agregado. Por outro lado, nas épocas de maior preço dos suínos é recomendável a revisão na inclusão de ingredientes que sabidamente apresentam resultados. Quanto maior a inclusão do plasma, maior é o resultado em ganho de peso.

Além disso, constatou-se que, na primeira ração da creche, é necessário usar pelo menos 5% de plasma. Os suínos com 5% de plasma na primeira ração da creche apresentaram menos diarreia, menos inflamação no tecido intestinal e redução do dano na função de barreira do intestino, provocados pelo desmame, comparados com animais que receberam 2,5% ou nada de plasma. Recomenda-se pelo menos 5% SDP, por no mínimo duas semanas após a saída da creche, a fim de aliviar o estresse do desmame e promover a saúde intestinal.

Além disso, é indicada a retirada gradativa do plasma nas dietas seguintes da creche, conforme observado em avaliação epidemiológica de fatores de risco associados à Circovirose. Em rebanhos onde se fornecia pouco plasma para os leitões jovens, a mortalidade era de 4,4% e a refugagem de 3,7%. Por outro lado, os animais que consumiram mais plasma por um período mais longo da vida apresentaram mortalidade de 2,1% e refugagem de 1,6% (P<0,10).

Esses dados foram confirmados por estudiosos, em experimento que foi conduzido na região norte do Rio Grande do Sul. Os autores observaram menor ocorrência de mortalidade e sintomas de circovirose em leitões alimentados com plasma. Além disso, o peso foi maior, cerca de 1,92 kg, na saída de creche (27,2 vs. 25,28) P<0,05, quando os animais receberam 6, 3, e 1,5% de plasma nas três fases alimentares, após o desmame, em comparação com dietas que continham farinha de peixe.

Inclusão do SDP em dietas de animais de terminação

Além disso, nesse mesmo trabalho, quando os animais receberam 1% de plasma nos primeiros 14 dias de alojamento no crescimento (de 67 até 80 dias de idade), essa diferença foi aumentada para 2,280 kg (P=0,001) aos 94 dias de idade.

No mesmo ano também foram publicados resultados de outro experimento avaliando a suplementação de plasma em dietas de animais de terminação no Canadá. No referido trabalho foram utilizados suínos provenientes de 4 diferentes unidades produtoras de leitões (UPLs) com histórico de PCVAD, vírus da síndrome reprodutiva e respiratória de suínos (PRRSV), vírus da influenza suína (SIV) e Mycoplasma, os quais foram alojados com aproximadamente 10 semanas de idade em um terminador. No alojamento, 99% dos animais estavam clinicamente saudáveis, mas lotes anteriores de suínos alojados naquela unidade de terminação apresentaram mortalidade de 4 a 12%, com a maior parte das mortes ocorrendo entre 3 e 8 semanas após o alojamento. Neste estudo, os suínos receberam dietas com 1% de SDP ou sem plasma, por 4 semanas após o alojamento. Na 4ª semana após o alojamento, todos os animais apresentavam sintomas respiratórios agudos, portanto, durante a 5ª e 6ª semanas após o alojamento, o grupo com SDP recebeu 2,5% de SDP balanceado na dieta. No final da semana 6, a mortalidade no grupo controle foi 8% contra 2,2% para o grupo SDP. Após a semana 6, todos os animais foram alimentados com dietas idênticas e a mortalidade final foi de 11,8% para o grupo controle e 6% para o grupo SDP. Além disso, o custo da medicação, foi 5 vezes maior para o grupo controle em relação ao grupo SDP.

Resultados similares de mortalidade reduzida (aproximadamente 40%) e suínos mais pesados ​​no final da fase de creche foram relatados em leitões com PRRSV, quando alimentados com SDP nas primeiras 3 semanas após o desmame (Crenshaw et al., 2017).

Recentemente, estudiosos avaliaram o uso do plasma na ração de suínos de crescimento-terminação para reduzir a dependência em antimicrobianos promotores de crescimento em trabalho conduzido em granja comercial no Sudeste do Brasil. Foram utilizados 1500 animais alojados aos 65 dias de idade e acompanhados até o abate em condições comerciais de criação. Observou-se que os animais que receberam plasma, em substituição aos promotores, apresentaram melhor conversão alimentar (P=0,03). Também foi observado que o tratamento com três pulsos de plasma (1,2% – alojamento; 0,90% – crescimento II; 0,5% – terminação II) e sem qualquer promotor ou medicação profilática apresentou resultados similares aos grupos tratados com as referidas moléculas. Além disso, o tratamento mencionado, com três pulsos de plasma e um outro tratamento com um pulso de 2% de plasma no alojamento na terminação, associado à medicação profilática, apresentaram cerca R$ 4,80 a mais de receita por cabeça quando comparados ao tratamento tradicional com pulsos e promotores, após descontados todos os outros custos, ao final do experimento.

Foi concluído que o uso estratégico do plasma spray dried como ferramenta para redução da dependência de antimicrobianos melhoradores de desempenho em animais de crescimento e terminação pode contribuir para a produção econômica, com manutenção do status sanitário da granja.

Conclusões

Conclui-se que a adição do plasma spray dried nas dietas das várias etapas da criação de suínos deve ser revista quando se busca um melhor desempenho e a realidade comercial é de preços favoráveis e de mercado aquecido.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Para especialistas

Brasil precisa resolver problemas internos para ser grande player mundial de pescado

Opinião é de lideranças do setor

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Arquivo/OP Rural

Ainda são muitos os gargalos enfrentados pela aquicultura para se tornar uma atividade tão competitiva quanto outras proteínas animais. Durante o International Fish Congress (IFC), que aconteceu em setembro em Foz do Iguaçu, PR, lideranças do setor discutiram estratégias e políticas para transformar o Brasil em um player mundial do pescado.

Quando o assunto é produção, o Brasil tem um bom destaque, segundo o presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros. “Em 2018 a produção de pescado, falando principalmente de tilápia e tambaqui, foram 722 mil toneladas, um crescimento de 4,5% em relação a 2017”, introduz. Somente a tilápia, informa, teve um crescimento aproximado de 12% neste período. “Nos últimos dois anos houve um aumento de mais de 27%, sendo que o Paraná assumiu a liderança de produção”, diz.

Já quando o peixe é o tambaqui, a geografia muda. “Os principais polos produtores são as regiões Centro-Oeste e Norte, com Rondônia na liderança absoluta na produção”, conta. Medeiros diz que em 2018 houve uma queda na produção do tambaqui em decorrência de uma série de fatores. “Mas todos estão fazendo o dever de casa no sentido de retomar os níveis de crescimento”, conta. Isso, porque no Brasil foi observado nos últimos anos um aumento do consumo. “Não tivemos problemas quando a isso, principalmente da tilápia. Mas temos outros problemas para enfrentar”, avisa.

Medeiros informa que atualmente há dois modelos de produção no Brasil, que é de integração, das cooperativas e agroindústrias, e das empresas verticalizadas. “Acreditamos que a indústria de processamento deve estar onde se produz o peixe. Hoje, especificadamente a tilápia, o ideal é que a distância não passe de 50 km. A partir disso, passa a ter perdas”, diz. Para ele, as indústrias que estão foram do núcleo de produção devem ir para onde elas estão. “Sistemas integrados e verticalizadas já não são maios uma previsão, elas já fazem parte da realidade do setor produtivo. O setor precisa se organizar nesse sentido para que possamos ganhar competitividade, e essas empresas que hoje estão verticalizadas e fazem integração são as mais competitivas do mercado”, afirma.

Entre as estratégias e soluções apontadas por Medeiros estão a campanha de aumento do consumo de carne de peixe, encabeçada pela Peixe BR, as ações junto à Embrapa para aumento das exportações e as estratégias para aumentar a produção e segurança ao produtor. “Com a campanha, estamos trabalhando diretamente com o consumidor final para mostrar para ele que o nosso produto é bom, barato e fácil de fazer”, explica. “Implantamos ainda o drawback da tilápia este ano, que nos proporcionou um aumento significativo das exportações, por exemplo”, informa.

Mercado internacional merece atenção

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Eduardo Lobo, US$ 163 milhões rodam no mercado mundial dos pescados. “Precisamos pensar o que vamos fazer para a gente participar desse mercado que é muito interessante. Porque se olharmos as condições e tamanhos dos países que são grandes players, nem sempre esses países vão ter o potencial que nós temos”, afirma. Ele mostra: “A Noruega tem uma troca comercial internacional de US$ 13,3 bilhões e é um país pequeno. Os EUA têm um troca comercial de US$ 28,6 bilhões”, diz.

De acordo com ele, algo interessante feito pela China e que deveria ser adotado pelo Brasil, é que a quantidade exportada de pescado pelo país asiático é similar à importada. “Precisamos de estratégia, planejamento, o governo intercedendo cada vez menos, que então a coisa acontece, não da noite para o dia, mas acontece com planejamento”, afirma.

Lobo reitera o planejamento deve acontecer, principalmente, porque segundo pesquisas a produção de captura e cultivo no Brasil vai aumentar 89% nos próximos 10 anos. “E se não tivermos planejamento e competitividade internacional, a gente vai colocar todo esse produto no mercado interno? O que vai acontecer com o preço do pescado capturado se de uma hora para outra aumentar intensamente essa captura? A gente vai colocar esse pescado por um preço inviável para o produtor”, diz. O presidente comenta que a cadeia precisa crescer e produzir, mas isso com cuidado e planejamento. “Se a gente aumentar a produção em 20% ou termos uma superprodução de peixes e não estivermos competitivos e preparados para exportar toda essa proteína, esse peixe vai ficar aqui dentro”, analisa.

Para Lobo, existem alguns pilares na cadeia que devem ser refletidos. O primeiro deles é o ordenamento inteligente. “Ou seja, estatísticas, entender que o mundo mudou, o clima também, que nem sempre as espécies migram onde migravam, reproduzem na época que reproduziam. Temos que entender que algumas espécies mudaram, mas nós por falta de informação ficamos no passado, em um modelo engessado”, comenta. Além disso, ele diz que existe uma grande preocupação em pensar no artefato da pesca. “Não é importante como vamos tirar o peixe da água. O que interessa é quanto vamos tirar”, afirma.

Outro pilar é o planejamento aquícola. “Que é o que acabei de comentar, de sabermos o quanto exatamente devemos ou podemos produzir nos próximos anos, onde produzir e processar, para quem vender e a que preços. Além de entender o preço internacional”, diz. Lobo acrescentou ser importante não pensar somente em aumentar a produção visando somente o mercado interno. “Nenhuma atividade se sustenta somente no mercado interno de larga escala. O fomento industrial, a industrialização é a espinha dorsal e que cria inovação e assegura qualidade para distribuir o produto ao mundo”, reitera.

Impasses do mercado interno

Neste mesmo painel, o presidente do Comitê de Aquicultura da CNA, Eduardo Ono, apresentou algumas estratégias e políticas que podem transformar o Brasil e fazê-lo ocupar a vaga que tenha condição de alcançar que é de grande player de mercado mundial do pescado. Para ele, o essencial a ser feito é aumentar a competitividade do pescado nacional. “Hoje a grande dificuldade que temos em transformar o pescado brasileiro em um grande player ou transformar o Brasil em um player internacional é justamente a falta de competitividade na nossa produção”, afirma.

Para ele, a primeira coisa a ser feita para acabar com esta falta de competitividade é combater o chamado custo Brasil. “Isso penaliza toda a cadeia de produção, não somente a aquicultura”, diz. “Temos problemas de infraestrutura para escoamento do grão, que encarece a produção. Nós somos, junto com outras proteínas, vítimas desse custo Brasil por questão de falta de infraestrutura, logística e custos processuais”, conta. Segundo Ono, esta é uma armadilha que foi criada pelo próprio setor produtivo.

Outro problema enfrentado pela cadeia é quanto a alta burocracia que existe no Brasil. “Nós temos um arcabouço legal gigantesco. A CNA fez um levantamento que mostrou que existem mais de 60 mil dispositivos que regulam a agropecuária brasileira. Se olharmos desde a década de 1950 até hoje esta é a quantidade que regulam nossa agropecuária”, mostra. Além desse grande número de dispositivos, Ono destaca que muitos deles são antagônicos. “Temos normas da década de 1960 que ainda são vigentes, mas que é contradita por uma outra norma que é da década de 1990. E as duas estão vigentes. Então, qual a segurança jurídica que tem o empresário quando entra nesse meio?”, questiona. Para ele, a falta de segurança jurídica para quem investe é um problema seríssimo para o setor e que precisa ser resolvido.

Outro ponto que merece atenção de todo o setor é quanto ao crédito no Brasil. “Precisamos desburocratizar isso, que ainda é muito caro e difícil”, afirma. Ono diz que a pergunta que deve ser feita é quanto custa o dinheiro lá fora e quanto custa no Brasil. “Lá fora as linhas de crédito são para 20 anos e para pagar 2% de juros ao ano. Como somos competitivos com o nosso crédito que tem que pagar bem mais rápido e caro? Isso tudo entra no contexto da competitividade”, reitera. Ele diz que outros países têm crédito de pagamento de longo prazo, sendo tempo de pagamento e retorno maiores torna a atividade viável. “Agora, no Brasil, dependendo da linha de crédito que é pega não há tempo, você precisa devolver o dinheiro antes do negócio se pagar”, conta.

Outro problema é quanto a área de tecnologia, segundo Ono. “Precisamos de mais foco e agilidade. A nossa pesquisa ainda é muito difusa, tem milhares de linhas de pesquisa diferentes que, muitas vezes, não se conversam e não chegam onde precisam chegar”, explica. Segundo ele, esta parte é importante porque o setor precisa de pessoas qualificadas no campo. “Com poucos locais de exceção, temos um problema sério de falta de conhecimento no campo, técnicas antigas sendo propagadas e assim muita coisa está sendo perdida”, diz.

Segundo Ono, um segundo eixo importante que deve ser feito é o aumento das exportações. “Claro, precisamos melhorar o consumo doméstico, o consumidor brasileiro ainda não sabe nem cozinhar ou fritar um peixe, temos o nosso dever de casa para fazer. Mas isso não anula as ações no mercado internacional. Não precisamos primeiro esgotar o mercado nacional para partir para o internacional”, esclarece. De acordo com ele, os dois mercados andam juntos. “No Brasil temos uma visão equivocada que só se exporta o que tem de excedente. Não é isso, nós temos que exportar, independente de ser excedente ou não. Temos que ser exportadores e importadores de pescado ao mesmo tempo, o mercado internacional funciona assim”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Segundo Cepea

Perspectiva para suinocultura é de que bom cenário de 2019 se repita em 2020

Espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020

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Arquivo/OP Rural

Agentes do setor suinícola nacional estão com expectativas de que o balanço positivo observado em 2019 se repita em 2020. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o fundamento vem da redução na produção global de suínos, ocasionada pelos casos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia, o que deve continuar favorecendo o mercado brasileiro de carnes.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2020, prevê-se queda de 10% na produção mundial de suínos frente ao ano anterior, pincipalmente em função do declínio da oferta da China (de expressivos 25%), Filipinas (16%) e Vietnã (6%). Por outro lado, espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020. O USDA também estima aumento de 15% nas exportações brasileiras.

Nesse contexto, o bom relacionamento comercial com países asiáticos deve continuar beneficiando o Brasil. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume de carne suína brasileira escoado para a China aumentou 60% de 2018 para 2019. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil nesse mercado, sendo destino de 33,7% de toda a carne suína nacional exportada em 2019.

Sob a ótica do desempenho doméstico, partindo-se do pressuposto de que a agenda de reformas continue avançando, projeta-se um cenário macroeconômico favorável em 2020, o que pode beneficiar ou, ao menos, sustentar os atuais níveis de consumo. A projeção do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2020 está em 2,3% segundo Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) no encerramento de dezembro.

Outros fatores que podem corroborar para um possível aumento no consumo de carne suína são os elevados patamares de preços da carne bovina. Com a cotação dessa principal concorrente em alta, consumidores tendem a migrar para outras fontes de proteína animal que apresentem valores mais competitivos.

Apesar de as perspectivas, de modo geral, serem favoráveis para o setor, os diferentes cenários que o mercado de grãos pode assumir preocupam agentes do mercado. A demanda internacional incerta e as tensões ou mesmo possíveis acordos comerciais entre China e Estados Unidos podem gerar movimentos distintos nos preços dos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja.

Além disso, a concentração das exportações brasileiras em países asiáticos também tem gerado apreensões. Ainda que no curto prazo o Brasil tenha se beneficiado do contexto da peste suína, há o receio de que, no médio prazo, a oferta chinesa de carne se normalize, o que reduziria expressivamente as exportações brasileiras, impactando negativamente todo o setor.

Fonte: Cepea
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Suínos / Peixes Mercado

“Dependência gera mais vantagens que desvantagens”, defende Piva

Para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro

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Arquivo/OP Rural

Um assunto que sempre causa muita discussão nos agentes da cadeia produtiva é quanto a dependência que pode existir sobre um único mercado. A suinocultura conhece bem isso, sendo que em 2017 o maior mercado brasileiro da proteína era a Rússia. Porém, em 2018 o país deixou de exportar do Brasil, o que, segundos muitas opiniões, foi um problema para o Brasil. Mesmo com este fato, para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro. E foi esta visão que ele mostrou para os participantes do 19º Congresso Nacional Abraves, que aconteceu em outubro, em Toledo, PR.

Segundo Piva, é normal que países sejam dependentes de outros mercados. “O que eu gostaria de frisar é que a dependência de mercado sozinha não pode causar uma interrupção de mercado. Existem outros aspectos que são importantes para nós nos preocuparmos”, afirma. Ele informa que outros países, como EUA, Canadá e Chile também tem dependência de outros mercados, seja japonês, coreano, chinês ou mexicano. “Cada mercado tem uma certa dependência de outros, mesmo que não seja total, mas tem. Quando isto acontece em longo prazo, tem mais efeitos positivos do que negativos na parte comercial”, avalia.

A dependência de mercado, como regra, deixa o comércio mais competitivo, comenta. “A dependência de longo prazo faz parte das relações globais. Na minha visão eu vejo como uma oportunidade de trazer mercados disponíveis, mesmo que haja uma certa dependência. Esta é uma estrada de duas vias, que tem seus aspectos positivos e negativos”, diz. “Mesmo com dependência, é melhor participar do mercado do que não estar presente”, afirma.

A primeira vantagem citada por Piva foi que as empresas que exportam sempre são mais valorizadas. “Sem dúvida participar do mercado internacional ajuda”, conta. Ele ainda acrescenta que estar participando do mercado, mesmo que seja com certa dependência, ajuda a agregar valor, elevar padrões de qualidade e ajuda na biosseguridade.

Para Piva, existem oportunidades diretas e indiretas para toda a cadeia. “Os desafios e as dificuldades fazem a cadeia se estruturar melhor. Ou seja, faz com que o sistema seja melhor, abre portas para novos mercados, como aconteceu com o chinês, nos dá suporte financeiro, ajuda a definir exigências de um mercado. E é também uma oportunidade para aprender e descobrir”, avalia. Segundo ele, certamente que o mercado externo, mesmo que tenha dependência, favorece na transparência, agrega valor aos produtos, dá visibilidade ao setor, estimula a criatividade e tira a cadeia do status quo. “Mesmo que estejamos em um mercado dependente ficamos pressionados a fazer com que as empresas, pessoas, universidades, todos saiam deste status quo. Todos são forçados a buscar melhorias, seja no transporte, indústria, frigoríficos”, diz.

Desvantagens

Mas, mesmo com todos os argumentos citados por Piva, ele admite que existem as desvantagens em ser dependente de um mercado. “Quando se está dependente, dificulta o planejamento. Em momento de suspensão de exportação por motivos sanitários, políticos ou econômicos culminam em uma oferta a mais, ou seja, não tem para onde enviar esta carne e isso faz com que haja queda de preço e perda de negócios”, comenta. Outro ponto negativo, é que gera expectativa. “Nem sempre elas são sustentáveis. São feitos investimento com base em uma situação de momento”, diz.

A dependência ainda faz com que o país perca o poder de barganha, tem que competir com outras empresas que também querem exportar para aquele mercado, se expõe a volatilidade do campo e não é um negócio fixo. Além disso, é ainda preciso seguir padrões de mercado, e, para Piva, nem sempre isso é 100% positivo. “Há uma exposição de regras do mercado, especialmente o regulatório, e a gente tem que abrir e ficamos expostos”, informa. Há ainda a limitação do uso de tecnologias, como por exemplo a ractopamina, produção confinada e, até mesmo, a edição de genes. “São coisas que alguns mercados e consumidores simplesmente não aceitam”, diz. Nisso, entra ainda a limitação do uso de certos produtos, e há os preços que nem sempre são competitivos quando se vive de dependência de mercado.

“Participar do mercado global, mesmo que seja com certa dependência, tem seu custo. Mas, sem dúvida, aprendemos muito mais quando estamos envolvidos. Não tenho dúvida que sobre o aspecto técnico e de negócio, estamos muito mais visíveis e temos mais oportunidades”, afirma. Segundo Piva, para mercado emergentes e competitivos, a dependência pode ser uma porta de entrada para novos mercados. “A não dependência de produto de um único cliente não significa ausência de desafio. Ou seja, mesmo que o mercado não seja dependente, existem os desafios”, comenta. Para ele, a dependência cria oportunidades e relações comerciais. “Todos os grandes exportadores têm uma certa dependência. Embora não favorável, a dependência gera mais vantagens que desvantagens”, reitera.

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Fonte: O Presente Rural
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