Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Fixação biológica de nitrogênio pode reduzir as emissões de GEE na agricultura

Publicado em

em

Pesquisas realizadas pela Embrapa Agrobiologia (RJ) mostram que a fixação biológica de nitrogênio (FBN) – processo realizado por alguns microrganismos que promovem nutrição nitrogenada das plantas – pode contribuir para a redução das emissões atmosféricas de óxido nitroso (um dos gases de efeito estufa) em lavouras de grãos e cana-de-açúcar. Experimentos feitos na Bahia com bactérias fixadoras de nitrogênio na cultura do milho revelam que, além de acréscimo de produção, os microrganismos contribuem para uma maior eficiência do fertilizante. "Foi possível reduzir pela metade a dose de fertilizante aplicado e consequentemente reduzimos as emissões de gases de efeito estufa", afirma o pesquisador Bruno Alves, da Embrapa. No Rio de Janeiro, em experimentos com cana-de-açúcar, as bactérias levaram ao aumento de produção e evitaram uma emissão estimada em 1.300 kg de CO2 equivalente por hectare.
 
Alves explica que a emissão de GEEs das lavouras está diretamente associada à adubação nitrogenada. As plantas utilizam menos de 50% do fertilizante aplicado. "Isso significa que, na maioria das vezes, aplica-se pelo menos o dobro de nitrogênio necessário para o crescimento e produção da planta", revela. O que não é absorvido fica no solo ou se perde para a atmosfera.
 
Nessa situação, as perdas gasosas de nitrogênio (N) mais preocupantes são a volatilização de amônia e de óxido nitroso (N2O), um gás com poder de aquecimento atmosférico de aproximadamente 300 vezes o do gás carbônico (CO2). "Uma das soluções para reduzir essas emissões é aplicar menos fertilizante nitrogenado nas lavouras, mas isso tem que ser feito sem prejudicar a produção", explica o pesquisador. Para isso, é importante aumentar a eficiência com que a planta utiliza o fertilizante.
 
As pesquisas indicam algumas possibilidades, como a fertilização parcelada e o uso de produtos de eficiência aumentada, que liberam lentamente o nitrogênio. Misturar ao fertilizante inibidores dos processos biológicos que geram perdas de nitrogênio em formas gasosas também é uma alternativa. "Se o fertilizante é mais bem aproveitado pela planta, o que fica disponível para perda é menor, e com isso as emissões de N2O se reduzem. Mas não são ações simples, uma vez que questões de caráter prático e econômico podem inviabilizá-las", comenta a pesquisadora Cláudia Jantalia, que avalia a eficiência de alguns fertilizantes mais utilizados nas lavouras e as emissões de GEE. 
 
FBN e a nutrição das plantas
 
Estudos da Embrapa Agrobiologia revelam que a forma mais direta e mais barata para a redução das emissões de N2O nas lavouras pode ser conseguida com a maior participação da fixação biológica de nitrogênio na nutrição da planta. A FBN é um processo bioquímico natural realizado por bactérias, que conseguem tirar o nitrogênio do ar e o fornecem diretamente à cultura fazendo a fertilização do sistema. A tecnologia da inoculação de plantas, já conhecida pelos agricultores brasileiros, permite maximizar este processo aumentando a quantidade de bactérias que vão atuar no vegetal.
 
No Brasil, essa tecnologia é bastante comum entre os produtores de soja e permite que mais de 80% do nitrogênio que o vegetal precisa para crescer venha da FBN, representando grande economia em fertilizantes. Mas a questão não é só econômica. "Se a FBN não fosse tão eficiente na cultura da soja, cerca de 250 mil toneladas de N2O teriam sido emitidas para a atmosfera com a safra de 98 milhões de toneladas de grãos de 2015, se levarmos em conta a quantidade de fertilizante nitrogenado que teria que ser aplicada na cultura em lugar da FBN", acrescenta Bruno Alves.
 
O processo ocorre em todas as culturas, mas no caso das espécies leguminosas, como soja e feijão, as plantas conseguem obter a maioria do nitrogênio necessário para crescer e produzir por meio da FBN. O mesmo não acontece com as gramíneas, como milho, trigo e cana-de-açúcar, nas quais a contribuição da FBN varia bastante em função da localidade e variedade utilizada. "Alguns resultados são muito positivos e, se reproduzíveis, poderiam ter grande impacto na mitigação de GEEs", relata Verônica Reis, pesquisadora especialista em FBN em gramíneas.
 
Em experimentos conduzidos no Rio de Janeiro pela pesquisadora em lavouras de cana-de-açúcar, variedade RB867515, as bactérias contribuíram para que a planta inoculada alcançasse ganhos de produção de colmos próximos daqueles obtidos com aplicação de 120 quilos por hectare de fertilizante nitrogenado. "Considerando as emissões de GEE, cada tonelada de colmos de cana produzida com a fertilização significaria uma emissão de aproximadamente 1.300 kg de CO2 equivalente por hectare, o que foi evitado com o uso do inoculante", explica Bruno Alves.
 
Produtividade da cana-de-açúcar fertilizada com nitrogênio ou tratada com inoculante bacteriano, obtida de três estudos de campo, e as emissões de CO2 associadas à quantidade de fertilizante aplicada e ao inoculante. Compilação feita por Bruno Alves a partir de estudos realizados pela equipe da pesquisadora Verônica Reis.
 
O pesquisador Segundo Urquiaga explica que o estudo não produziu resultados semelhantes com outras variedades de cana. Para ele ainda é necessário continuar as pesquisas para entender a relação planta-bactéria, no caso da cana e do milho, de forma a aumentar a consistência dos resultados positivos com a inoculação e assim recomendar a redução da fertilização nitrogenada nestas culturas. 
 
Mesmo assim, Urquiaga ressalta que o uso dos microrganismos é vantajoso e pode reduzir as emissões de GEE nessas culturas. "Várias dessas bactérias produzem hormônios que estimulam o crescimento das raízes, fazendo com que a planta consiga absorver melhor o fertilizante nitrogenado aplicado. E se ela absorve melhor, de forma mais eficiente, é possível diminuir a dose".
 
FBN nas lavouras de milho
 
Num outro estudo, realizado no Cerrado baiano, os pesquisadores compararam lavouras de milho com e sem o uso das bactérias fixadoras de nitrogênio. Além do acréscimo de produção, os microrganismos contribuíram para uma maior eficiência da absorção do fertilizante nitrogenado. "A eficiência aumentou de 24% para 50 a 58%, dependendo da estirpe inoculada nas plantas, possibilitando uma redução da dose de fertilizante aplicado em até 50%", explica o pesquisador Bruno Alves. 
 
Alves ressalta que é preciso entender o conceito de intensidade de emissão, que é a quantidade de gás emitido por unidade de produto para compreender os benefícios da FBN. "Mesmo quando a dose de fertilizante não é reduzida, ou seja, as emissões de N2O se mantêm, a inoculação com bactérias surte efeito em aumento de produtividade, vai ter menos emissão de GEE por produto, por tonelada de milho produzida, por exemplo", destaca. O estudo do Cerrado baiano com a cultura do milho exemplifica bem o caso em que a intensidade de emissão foi reduzida em 24%, uma vez que foi possível produzir mais com a mesma dose de ureia quando a planta estava inoculada. 
 
Estudo desenvolvido na região de cerrado do oeste da Bahia. Efeito da aplicação de inoculantes, com diferentes estirpes de Herbaspirillum seropedicae, sobre a produtividade de milho fertilizado ou não com ureia, e na intensidade de emissão de GEE em equivalentes de CO2 (emissões de CO2 por tonelada de grãos produzida). 
 
Novos rumos da pesquisa
 
O pesquisador Robert Boddey complementa que existe uma demanda global para produção de alimentos, que vai aumentar de acordo com o crescimento da população até 2050, e que será necessário produzir cada vez mais grãos. Assim, ele ressalta que será muito importante ter incrementos de produtividade sem aumentar as emissões. "Atualmente, o foco da pesquisa é esclarecer quanto do efeito deve-se ao processo de FBN, ou se houve estímulo para maior desenvolvimento das raízes e, com isso, maior aproveitamento do fertilizante aplicado. Provavelmente, os dois processos ocorrem", reforça Boddey.
 
A pesquisa busca agora consolidar os conhecimentos para saber o quanto as bactérias são capazes de contribuir para a economia de fertilizantes nitrogenados no milho e na cana-de-açúcar. As duas culturas juntas são responsáveis por cerca de 70% do fertilizante nitrogenado usado nas lavouras do País. 
 
Na cultura de cana, as bactérias nativas associadas às plantas já vêm contribuindo significativamente para a nutrição nitrogenada da cultura, o que repercute na baixa resposta da cultura à adubação nitrogenada. Mas os estudos estão voltados para aperfeiçoar a ação das bactérias na cultura pelo uso de inoculantes. Para a cultura do milho, os resultados são animadores no que se refere à promoção do crescimento da cultura, seja pela FBN ou por estímulos ao crescimento das raízes. 

Fonte: Embrapa

Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

Publicado em

em

Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Faturamento da pecuária de leite aumenta 4,9% em 2025

Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição.

Publicado em

em

O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária de leite deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, o que demonstra recuperação gradual do setor.

Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição. A evolução nominal também ajuda a recompor margens que ficaram reduzidas em 2022 e 2023.

No ranking estadual, Minas Gerais segue como o maior produtor de leite do país, com VBP projetado de R$ 18,26 bilhões em 2025, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados no ano anterior. O Paraná vem na segunda posição, com forte incremento para R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos, cooperativismo estruturado e maior eficiência produtiva. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás completam o grupo dos principais estados da atividade.

O histórico mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente: de R$ 53,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 71 bilhões em 2025, uma alta sustentada por modernização, genética, mecanização e aumento da tecnificação das propriedades, especialmente entre cooperativas e bacias leiteiras consolidadas, mas é importante destacar que essa evolução ocorre em valores correntes, sem considerar a inflação acumulada no período, o que significa que parte do avanço reflete variações de preço, e não exclusivamente aumento de produção.

Com uma expansão de 4,9% e resultados mais equilibrados entre regiões, a cadeia do leite segue avançando em direção a maior estabilidade e competitividade, reforçando seu papel social e econômico no agronegócio brasileiro.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.