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Bovinos / Grãos / Máquinas

Fim da cota chinesa amplia incertezas sobre os preços do boi gordo

Mercado busca avaliar se demanda de outros países e consumo interno serão suficientes para compensar a redução dos embarques à China.

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Foto: Ana Maio

Não existem duas respostas para uma equação matemática.

Não existe ambiguidade nos conceitos da física.

Não existem mágicas na ciência contábil.

Mas quando o assunto é mercado do boi, muitas vezes a lógica dá lugar às narrativas.

Não faltam opiniões. Faltam números confiáveis.

Artigo escrito por Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo MT.

Se tivéssemos dados exatos sobre o tamanho do rebanho, taxa de desfrute e volume de abate, teríamos uma equação muito próxima da exatidão. Porém, além da ausência de números precisos, há outro fator que dificulta ainda mais qualquer análise: a bolsa.

A bolsa reflete o “papel” do boi, não necessariamente o boi físico. Reflete expectativas, apostas e movimentos especulativos. Muitas vezes, é utilizada mais para influenciar o mercado do que para servir como instrumento de proteção real das operações.

No mundo dos negócios existem períodos de estabilidade e momentos de tempestade, capazes de alterar abruptamente o ritmo do mercado.

Estamos às vésperas de uma dessas mudanças.

Com o encerramento da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira, teremos uma alteração importante no fluxo comercial. Nos últimos meses, o Brasil vinha embarcando para aquele país volumes superiores a 130 mil toneladas por mês. A partir de julho, esse excedente deixará de existir.

Naturalmente, devemos considerar outros fatores. Países que aumentarão suas exportações para a China, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, poderão ampliar suas compras de carne brasileira para abastecer seus mercados internos. Também não podemos ignorar o mercado doméstico, que tradicionalmente apresenta maior consumo durante o segundo semestre.

A grande dúvida é o tamanho desse volume adicional de demanda e se ele será suficiente para compensar a mudança no mercado chinês.

Existe ainda um segundo fator, não menos importante: o preço.

O valor atual do boi reflete uma realidade construída sobre vendas para a China na faixa de US$ 7.000 por tonelada. Já outros importantes destinos da carne brasileira como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Egito, México, Rússia e Canadá pagam, em média, cerca de US$ 5.500 por tonelada, patamar muito próximo ao praticado pelo mercado interno.

Estamos falando de uma diferença próxima de 22%.

Sem subjetividade, sem narrativas e sem exercícios de imaginação, essa diferença precisará ser absorvida por algum elo da cadeia.

O cenário não é confortável nem para a indústria nem para o produtor.

Essa é a equação que temos diante de nós e cuja solução precisaremos encontrar em conjunto.

Sou tradicionalmente otimista, mas confesso estar preocupado com esse novo desafio.

Nada que algumas semanas de acomodação não possam corrigir. Os mercados se ajustam, as oportunidades surgem e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a caminhar.

Fonte: Artigo escrito por Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo MT.

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Exportações de carne bovina batem recorde histórico até maio

Embarques somam 1,36 milhão de toneladas e receita supera R$ 40 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026.

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Foto: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina mantiveram ritmo acelerado nos primeiros cinco meses de 2026 e alcançaram o maior volume já registrado para o período na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997. Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas da proteína, avanço de 14,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e de 26,6% na comparação com os cinco primeiros meses de 2024.

Além do recorde em volume, o setor também atingiu o maior faturamento da história para o período. A receita acumulada com as exportações chegou a R$ 40,207 bilhões até maio, valor 20,24% superior aos R$ 33,44 bilhões registrados entre janeiro e maio do ano passado.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desempenho foi favorecido pela combinação entre a valorização do dólar frente ao real e o aumento do preço médio pago pela carne bovina brasileira no mercado internacional. No acumulado do ano, a tonelada exportada foi negociada, em média, por cerca de R$ 29,5 mil.

Somente em maio, os embarques totalizaram 290,453 mil toneladas, crescimento de 2,5% em relação a abril e de 17,2% na comparação com maio de 2025. O faturamento do mês alcançou R$ 9,04 bilhões, o maior resultado mensal de 2026 até o momento.

O valor médio recebido pelas exportações em maio foi de R$ 31.135,21 por tonelada, o que garantiu aumento de 5,35% na receita frente ao mês anterior e de 28,08% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para os pesquisadores do Cepea, o forte desempenho das vendas externas reforça a importância estratégica do mercado internacional para a pecuária brasileira. O cenário ganha relevância em um momento de transição entre safra e entressafra, período marcado por leve aumento na oferta de animais prontos para abate, demanda doméstica enfraquecida e maior competitividade de proteínas concorrentes no mercado interno.

Fonte: O Presente Rural
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Megaleite movimenta R$ 400 milhões e registra recordes de produção leiteira

Feira reuniu 100 mil visitantes, celebrou avanços em genética bovina e formalizou acordos para pesquisa e edição gênica da raça Girolando.

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Foto: Divulgação

A 21ª edição da Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite) encerrou sua programação com números recordes em público, negócios e produção animal. Realizada entre os dias 02 e 06 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a feira movimentou cerca de R$ 400 milhões, valor R$ 100 milhões superior ao registrado na edição anterior.

Organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a Megaleite recebeu aproximadamente 100 mil visitantes vindos de diferentes regiões do Brasil e de países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, México, Panamá e Portugal.

Segundo o presidente da entidade, Alexandre Lacerda, o desempenho da feira reflete o momento favorável vivido pelo mercado de genética leiteira. “A demanda pela genética bovina leiteira está muito aquecida em 2026 e a Megaleite comprovou isso. Todos os leilões registraram crescimento nas vendas, bem como as empresas expositoras, que além dos negócios fechados puderam prospectar novos clientes”, afirmou.

Genética e inovação ganham espaço

Um dos principais anúncios da feira foi a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Girolando para o desenvolvimento de um projeto de edição gênica da raça.

A iniciativa utilizará ferramentas de genômica avançada para incorporar características desejáveis aos animais, como maior resistência ao calor, melhor imunidade, longevidade e aumento da produtividade.

Outro acordo firmado durante a Megaleite prevê o desenvolvimento de pesquisas e avaliações da raça Girolando na Fazenda Santa Mônica, pertencente à Embrapa.

A programação também marcou o lançamento da nova edição do Sumário de Touros e Fêmeas Girolando, ferramenta utilizada pelos criadores para orientar decisões de seleção genética.

Recordes nos torneios leiteiros

Os torneios leiteiros da Megaleite voltaram a ser um dos principais atrativos do evento e registraram três novos recordes de produção.

A vaca Jornada Montross FIV LPN, da composição racial Girolando 1/2, tornou-se a nova recordista mundial de produção de leite em torneios oficiais da raça. O animal produziu 337,950 quilos de leite durante a competição, com média de 112,650 quilos por ordenha.

A vaca pertence ao criador Rodrigo Nogueira Ferreira, da Fazenda Alvorada, em Inhaúma (MG), que também era proprietário da recordista anterior.

Outro destaque foi Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana, nova recordista entre as fêmeas Girolando 1/4. Ela alcançou produção de 263,790 quilos de leite, com média de 87,930 quilos.

O terceiro recorde foi obtido por Singela Countdown23072 Campos Lima, da Agropecuária Campos Lima, de Delfim Moreira (MG). A vaca jovem Girolando 3/4 produziu 269,780 quilos de leite, com média de 89,927 quilos.

Exposição reuniu sete raças

Ao longo dos cinco dias de evento, cerca de 1,4 mil animais participaram das exposições e julgamentos das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando, Sindi e búfalos.

As avaliações foram transmitidas ao vivo pela internet, ampliando o alcance do evento para criadores e técnicos de diversas regiões do país e do exterior.

A Megaleite também sediou a 35ª Exposição Nacional do Girolando, principal vitrine da raça leiteira desenvolvida no Brasil.

Sucessão e participação feminina

Entre as novidades desta edição estiveram os lançamentos dos programas Girolando Jovem e Girolando Mulher.

As iniciativas buscam ampliar a participação de jovens e mulheres na atividade leiteira, fortalecendo a sucessão familiar nas propriedades e estimulando a presença feminina nos processos de gestão e tomada de decisão.

Leite, queijo e capacitação

Além da programação técnica voltada ao melhoramento genético e à produção leiteira, a Megaleite promoveu palestras e cursos sobre gestão rural, genética, produção de queijos e bem-estar animal.

O Festival do Queijo Artesanal de Minas também integrou a programação, reunindo produtores de diferentes regiões do estado e oferecendo ao público uma ampla variedade de queijos e produtos típicos.

As atividades voltadas às crianças incluíram visitas à Mini Fazendinha e ações educativas promovidas pelo Clubinho Girolando.

Próxima edição já tem data

Durante o encerramento da feira, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando confirmou que a próxima edição da Megaleite será realizada entre os dias 08 e 12 de junho de 2027, novamente em Belo Horizonte.

Com recordes de público, negócios e produção animal, a edição de 2026 reforçou o papel da Megaleite como uma das principais vitrines da pecuária leiteira brasileira e da genética desenvolvida no país.

Fonte: Assessoria Megaleite
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Atualização de rebanhos entra na reta final com 65% das propriedades regularizadas em São Paulo

Prazo termina em 14 de junho e produtores que não declararem os animais podem ter a movimentação bloqueada.

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Foto: Divulgação

A poucos dias do encerramento da Campanha de Atualização de Rebanhos do primeiro semestre, a Defesa Agropecuária de São Paulo reforça o alerta para que os produtores regularizem suas informações até o próximo domingo, 14 de junho. A atualização é obrigatória para diversas espécies, incluindo bovinos, bubalinos, equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes, outros animais aquáticos, colmeias de abelhas e bicho-da-seda.

A não realização da declaração pode resultar no bloqueio da movimentação dos animais, impedir a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) e gerar sanções administrativas aos produtores.

O procedimento pode ser realizado de forma online, por meio do sistema GEDAVE, acesse clicando aqui, ou presencialmente nas unidades da Defesa Agropecuária distribuídas pelo estado.

Segundo a diretora da Defesa Agropecuária, a médica-veterinária Erika Mello, a adesão dos pecuaristas já alcançou níveis expressivos, mas ainda há um número significativo de propriedades que não concluíram o processo. De acordo com ela, 83% dos bovídeos já foram declarados, enquanto 65% das propriedades atualizaram seus saldos. A preocupação maior está concentrada nas pequenas propriedades, que correm o risco de perder o prazo.

As informações coletadas durante a campanha são consideradas estratégicas para o monitoramento dos rebanhos paulistas e para a manutenção das ações de vigilância e defesa sanitária animal no estado.

Contribuição ao fundo contra febre aftosa

A campanha deste semestre marca também a implementação da contribuição obrigatória dos proprietários de bovinos e bubalinos ao Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-PEC), criado para dar suporte financeiro em situações de emergência sanitária relacionadas à febre aftosa.

O valor da contribuição para 2026 foi fixado em R$ 1,076 por animal declarado. Até o momento, o fundo já arrecadou R$ 9,81 milhões.

Em casos de confirmação de focos de febre aftosa, a adoção de medidas sanitárias pode incluir o abate de animais para conter a disseminação da doença. Nesses cenários, o Fundesa-PEC é acionado para indenizar os produtores afetados.

De acordo com a Defesa Agropecuária, a existência do fundo fortalece a capacidade de resposta do estado diante de eventuais emergências sanitárias e contribui para a preservação do status sanitário dos rebanhos paulistas.

Fonte: O Presente Rural
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