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Ferramentas genômicas ajudarão a evitar cruzamentos consanguíneos entre matrizes de tambaqui

Cruzamento entre parentes próximos pode causar perdas de até 25% dos alevinos e 30% na produção dos sobreviventes

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Siglia Souza

A partir da quarta-feira (04), criadores brasileiros de tambaqui (Colossoma macropomum) contarão com um serviço técnico para saber se suas matrizes são puras ou híbridas (fruto de cruzamento com outra espécie) e se possuem algum grau de parentesco entre si. Essas informações são importantes para o bom desempenho técnico da criação e serão geradas por meio de ferramentas genômicas desenvolvidas pela Embrapa.

Para acessar o serviço, oferecido inicialmente de forma restrita, o piscicultor deverá entrar em contato com a Embrapa, pelo e-mail alexandre.caetano@embrapa.br, e iniciar o processo de contratação do serviço por meio de carta-proposta. Os reprodutores e as matrizes a serem analisados devem estar identificados individualmente com chip eletrônico e ter parte da nadadeira coletada segundo procedimentos técnicos pré-estabelecidos. Após a assinatura do contrato, o material será remetido à Embrapa, que fará as análises e devolverá ao produtor uma planilha com informações sobre o grau de parentesco entre os animais e de pureza de cada um, além de orientações para uso das informações.

“Cada piscicultor poderá enviar até 48 amostras de, preferencialmente, peixes reprodutores. Os resultados serão úteis para orientar acasalamentos e assim evitar perdas na alevinagem e o nascimento de animais com deformações e baixo desempenho produtivo na engorda”, explica o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Alexandre Caetano. O serviço de análise de amostras para pureza e parentesco será ofertado em escala restrita e com valores reduzidos, ao custo de R$ 120 por amostra. A contratação se dará por tipo de serviço: uma para detectar a pureza específica (R$ 60); e outro contrato destinado ao serviço de identificar as relações de parentesco (pedigree) das matrizes (R$ 60).

A importância do controle genealógico

O cientista conta que o controle de pedigree é um dos principais desafios enfrentados hoje pelos criadores de tambaqui no Brasil. O cruzamento entre parentes próximos (meios-irmãos, irmãos ou primos) pode causar perdas de até 25% dos alevinos, e de até 30% na produção dos sobreviventes, na fase da engorda. Ele revela que esse foi o desafio que levou a Embrapa a desenvolver ferramentas genômicas de ponta para análise e certificação de parentesco e pureza da espécie.

“Devido à falta de boas ferramentas e processos adequados para o controle genealógico de reprodutores, os produtores de alevinos podem frequentemente efetuar acasalamentos entre peixes aparentados e, consequentemente, gerar animais com deformações e baixo desempenho produtivo”, explica Caetano.

Por não associar os cruzamentos endogâmicos (de animais aparentados) aos problemas de falta de ganho de peso durante a fase da engorda, muitas vezes os produtores recorrem a suplementações nutricionais e alimentares. Dessa maneira, além de aumentar os custos de produção, correm o risco de sofrer perdas adicionais pela introdução de novas variáveis no ciclo produtivo.

“Muitas vezes o produtor nem está ciente do prejuízo que sofre com a falta de desempenho produtivo dos alevinos gerados com cruzamentos de matrizes aparentadas. Essa tecnologia inovadora ajudará o piscicultor a escolher as matrizes de forma precisa e rápida, a um custo acessível”, explica o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (SP), Michel Yamagishi. “Com isso, os piscicultores terão condições de manter e até expandir sua produção, com uma redução significativa nas despesas”, analisa.

A nova metodologia da Embrapa também vai contribuir para programas de melhoramento genético e conservação da espécie. “O uso dessas ferramentas genômicas que identificam parentesco e pureza dos reprodutores de tambaqui contribuem para o cumprimento do passo inicial da formação da população-base de tambaqui proposta no projeto BRSAqua”, destaca Luciana Shiotsuki, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).

Após a identificação do parentesco, o passo seguinte é elaborar estratégias para o enriquecimento do plantel ou direcionamento de acasalamentos, evitando cruzamentos consanguíneos entre os reprodutores. “Com os acasalamentos orientados será possível selecionar os melhores indivíduos em função de seu desempenho zootécnico, como velocidade de crescimento em diferentes tipos de ambiente (viveiros escavados ou tanque-rede), medidas morfométricas, resistências a algum tipo de doença, etc.”, explica a cientista.

Esses requisitos são fundamentais para aumentar a produtividade do tambaqui, o peixe nativo mais produzido no Brasil segundo o Anuário da Piscicultura 2019, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

As ferramentas são fruto das informações obtidas com o sequenciamento do genoma do tambaqui realizado pela Embrapa em 2017, no qual foram identificados milhões de marcadores genômicos denominados SNPs. Essa identificação foi realizada pelo Laboratório Multiusuário de Bioinformática (LMB), da Embrapa. As informações foram utilizadas pela equipe de pesquisa para criar dois chips de DNA para a realização de testes diagnósticos de grau de parentesco e pureza específica.

Previsão de ganhos ao setor produtivo

Simulações realizadas pela equipe sugerem que, considerando uma produção anual média de 150 mil toneladas, e ocorrência de 10% a 30% de acasalamentos entre animais aparentados, a adoção plena das tecnologias desenvolvidas em todo o setor produtivo do Brasil pode evitar perdas produtivas de R$ 9 milhões a R$ 28 milhões aos produtores.

Detecta até 3% do DNA de outras espécies

Já a ferramenta desenvolvida para a certificação de pureza específica do tambaqui é capaz de identificar as introgressões, isto é, contaminações de até 3% de pacu (Piaractus mesopotamicus) ou pirapitinga (Piaractus brachypomus), espécies com características ou aparências semelhantes, utilizadas frequentemente na produção de híbridos destinados à engorda e ao consumo.

Essas contaminações ocorrem em cruzamentos não intencionais com híbridos, levando à perda da variabilidade genética nos estoques de espécies puras, com consequências produtivas ainda desconhecidas. A ferramenta auxiliará os piscicultores a manter linhagens de reprodutores puros e a consolidar a Coleção de Base de Germoplasma de Tambaqui na Embrapa.

Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
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Notícias Segundo Sindiveg

Área tratada com defensivos agrícolas cresce 7,3% no 1º trimestre de 2020

Defensivos agrícolas modernos e eficientes cumprem seu papel no combate a doenças e pragas, contribuindo para recordes de safra, exportações e produtividade na agricultura

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Fotos: Divulgação

O Brasil acaba de colher a maior safra de grãos da história, com a produção de 250,9 milhões de toneladas (+3,6% sobre a colheita anterior). Além do recorde, a oferta cresceu 8,8 milhões de toneladas com o uso de apenas 2,2 milhões de hectares a mais. Com isso, a produtividade aumentou de 3.883 kg/ha para 3.887 kg/ha (+0,1%), de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Outro ponto importante foi o crescimento de 5,9% das exportações no primeiro quadrimestre de 2020, atingindo US$ 31,4 bilhões. Este foi o melhor resultado da história, puxado pela soja, cujos embarques somente em abril cresceram 65% em receita (US$ 5,46 bilhões) e 73% em volume (16,3 milhões/t) em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura.

“Colaborando com o bom desempenho da agricultura brasileira na última safra, a indústria de defensivos agrícolas cumpriu o seu papel de colocar à disposição dos produtores rurais as mais modernas e eficazes tecnologias para combater às doenças, pragas e ervas resistentes que desafiam o produtor. Com isso, a produção total de alimentos, fibras e energia tem aumentado e como resultado do aumento da produtividade, a necessidade de novas áreas para plantio tem sido menor, preservando-se áreas de florestas e evitando-se desmatamento”, ressalta Julio Borges Garcia, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

No primeiro trimestre, o Sindiveg estima que o mercado em PAT (área tratada) cresceu 7,3%, em comparação com o mesmo período de 2019, passando de 513 milhões de hectares para 550 milhões de hectares. O crescimento em toneladas de produtos aplicados foi de 7,5%, atingindo 346 mil toneladas em 2020, contra 322 mil toneladas em 2019. E o volume aplicado por hectare tratado foi de 0,63 kg/ha. Estes dados são do levantamento exclusivo do Sindiveg, encomendado à consultoria Spark.

A distribuição da área aplicada pelos segmentos de defensivos agrícolas está apresentada no gráfico abaixo:

Com o clima tropical do Brasil, as pragas, doenças e ervas resistentes não deram trégua. Para a cultura da soja, os maiores desafios ao aumento da produtividade foram as doenças (ferrugem asiática) e insetos (percevejo), enquanto para o milho foram os insetos (lagartas e percevejos). No caso da cana, as maiores preocupações foram as ervas resistentes (braquiárias) e insetos (cigarrinhas e sphenophorus). Para a cultura de algodão, os insetos, especificamente o bicudo, continua sendo o maior desafio para controle da produtividade. No café, o maior desafio observado foi em relação a insetos (bicho mineiro) e doenças (ferrugem).

“Produzir alimentos num país tropical é um grande desafio, pois as pragas, insetos e ervas resistentes encontram condições extremamente favoráveis ao seu desenvolvimento. A indústria de defensivos continua a fazer significativos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos cada vez mais eficazes, para que o agricultor possa lidar com este grande desafio à produtividade”, explica Júlio.

O uso de defensivos agrícolas por cultura em termos de PAT (área tratada), para o primeiro trimestre de 2020, ficou da seguinte forma:

Juntos, soja, milho, cana, algodão e café representaram cerca de 90% da utilização de defensivos agrícolas para o controle de pragas, doenças e ervas resistentes.

Compromisso com a produção

As empresas do Sindiveg são parte importante da cadeia produtiva de alimentos e contribuem de forma significativa com o produtor rural no financiamento de suas atividades. Em pesquisa contratada pelo Sindicato, as empresas associadas financiaram em 2019, aproximadamente R$ 21 bilhões para compras de defensivos agrícolas pelo produtor rural em um prazo médio de 240 dias, com aumento em relação a 2018, quando o valor e o prazo médio foram, respectivamente, de R$ 16 bilhões e 225 dias.

Considerando o ano de 2019, a contribuição à sociedade em geral, pode ser observada, em outros, pelo seguinte:

  • As 27 associadas geraram 5.000 empregos diretos e cerca de 15.000 beneficiários diretos. Com pagamento de salários, PLR e benefícios e encargos sociais na ordem de R$1.083 milhões;
  • Investimentos de R$ 354 milhões, em ativos fixos, ações de marketing, P&D e outros;
  • Recolhimento de R$ 548 milhões em impostos federais, estaduais, municipais e taxas regulatórias.

Fonte: Assessoria
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Notícias Estimativa

INTL FCStone estima consumo atenuado de fertilizantes em 2020 de 36,6 mi ton

Número representa avanço anual de 1,0%, motivado pelas aplicações nas lavouras de grãos

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O avanço do consumo de fertilizantes no Brasil em 2020 deve ser atenuado. Segundo estimativa da INTL FCStone, agricultores nacionais devem consumir 36,6 milhões de toneladas (contra 36,9 milhões de toneladas estimadas anteriormente), o representa avanço de 1,0% em relação ao consolidado em 2019, liderado, principalmente, pela perspectiva de leve incremento nas aplicações nas lavouras de grãos.

“A pandemia do Coronavírus instaurou um quadro de incerteza a nível mundial, influenciando as perspectivas de crescimento econômico de importantes consumidores do complexo NPK e insumos”, explica a analista de mercado da INTL FCStone, Gabriela Fontanari.

A conjuntura acarreta na maior volatilidade das cotações das principais commodities, como no caso dos grãos. Do ponto de vista do produtor rural brasileiro, a variação dos preços da soja e milho, por exemplo, foram compensados por uma desvalorização acentuada da taxa de câmbio do Brasil – o dólar comercial chegou à marca recorde de BRL 5,90 em 13 de maio – corroborando para perspectivas ainda favoráveis à aplicação de adubos no segundo semestre.

Em contrapartida, o consumo de fertilizantes por setores nos quais as cotações permanecem em patamares mais baixos pode ser impactado negativamente, considerando o encarecimento dos adubos no mercado interno, em decorrência do “custo dolarizado” dos nutrientes. “A taxa de câmbio brasileira atualmente impede que a queda das cotações internacionais do complexo NPK seja repassada completamente para o âmbito doméstico, chegando a alterar a trajetória dos preços em semanas de desvalorização acentuada da moeda nacional”, avalia a analista Fontanari.

O nível de investimentos em fertilizantes por setores com custos de produção mais acentuados, como o cotonicultor e o sucroenergético pode ser impactado, resultante da atual conjuntura dos preços internacionais das commodities e adubos mais onerosos no mercado interno. No que tange o setor de açúcar e etanol, especificamente, as recentes quedas nos preços internacionais do açúcar foram parcialmente compensadas pela forte apreciação do dólar frente ao real. Contudo, a receita das usinas sofre com a dinâmica do mercado de etanol, marcada por demanda arrefecida e preços baixos.

Diversas incertezas ainda permeiam as perspectivas para o mercado de fertilizantes no segundo semestre. Com a aproximação do período de decisão de plantio para a próxima safra, a disponibilidade de crédito público e privado, o nível de remuneração dos produtores e as relações de troca ganham evidência – e, em 2020, a COVID-19 se coloca como ponto central para determinação dos fundamentos do mercado.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado

Mercado externo aquecido e menor oferta interna sustentam preços da arroba

Indicador do boi gordo CEPEA/B3 fechou a R$ 206,65 na quarta-feira (27), elevação de 3,42% entre 30 de abril e 27 de maio

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Divulgação/MAPA

Os preços da arroba do boi gordo têm sido sustentados pelo mercado externo aquecido e pela oferta restrita de animais prontos para o abate neste período de entressafra brasileira, segundo informações do Cepea. O Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo, à vista) fechou a R$ 206,65 na quarta-feira (27), elevação de 3,42% entre 30 de abril e 27 de maio.

Quanto às exportações, segundo dados preliminares da Secex, até a terceira semana de maio, já haviam sido embarcadas 114,07 mil toneladas de carne bovina in natura. Diante disso, possivelmente, as exportações totais deste mês devem atingir novamente um recorde.

Até este momento, quando considerados os meses de maio, o volume atual está abaixo somente do total embarcado em 2007, de 138,23 mil toneladas.

Fonte: Cepea
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