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Ferramenta de avaliação multiatributo revela o potencial dos bioestimulantes no aumento da produtividade agrícola
Pesquisadores analisaram impactos em culturas no Brasil e Paraguai e observaram mudanças positivas no microbioma do solo.

Um estudo inovador desenvolveu uma ferramenta de avaliação multiatributo para medir com precisão o impacto de bioestimulantes no desempenho das culturas e na qualidade do solo. A pesquisa, que analisou oito propriedades agrícolas em diferentes biomas e contextos de produção no Brasil e Paraguai, demonstrou que o uso de bioestimulantes promove mudanças significativas na microbiologia do solo e no desenvolvimento das plantas, com resultados expressivos em culturas como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.
De acordo com Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, uma quantidade cada vez maior de bioestimulantes comerciais está disponível em diversas formas e composições para melhorar o desempenho das culturas. Contudo, dada a complexidade de entender os mecanismos por trás desses produtos, é essencial que a pesquisa nessa área tenha ferramentas robustas para comprovar sua eficácia em testes de campo.

Foto: José Fernando Ogura
O sistema, denominado Apoia-Microgeo, segue o método Apoia-NovoRural, que padroniza os resultados em escala de 0 a 1, considerando 0,7 como referência para impactos e desempenho técnico. A análise é estruturada em cinco dimensões: Cultura, Química, Física, Biologia do Solo e Saúde da Cultura, totalizando 39 indicadores. Os dados são coletados em vistorias de campo e análises laboratoriais.
Cada indicador recebe valores ajustados conforme tabelas de correspondência e equações específicas, garantindo uma análise precisa dos efeitos da adubação biológica sobre a produtividade e a saúde do solo.
Cada matriz de ponderação é ajustada conforme o indicador analisado, sempre comparando a situação de controle com as áreas onde a tecnologia Microgeo é aplicada. Os valores de impacto e desempenho técnico são transformados em escalas padronizadas de utilidade, permitindo uma avaliação objetiva. Os resultados finais são calculados por meio de equações de melhor ajuste, garantindo maior precisão na expressão dos índices.
A metodologia busca oferecer um panorama detalhado sobre a influência da adubação biológica no solo e na produtividade agrícola, contribuindo para uma gestão mais eficiente e sustentável das lavouras.
A pesquisa avaliou 39 indicadores divididos em cinco grandes temas: produção agrícola, química e física do solo, biologia do solo e saúde das plantas. Os resultados mostraram alterações consistentes na comunidade microbiana, com impactos positivos na estrutura do solo e na produtividade e rentabilidade das lavouras. Entre os temas analisados, em função da aplicação do bioestimulante, a biologia do solo teve o maior índice positivo (0,84), seguida pela produção agrícola (0,81) e pela fertilidade química (0,75).

Foto: Roberto Dziura
O bioestimulante promoveu interações benéficas entre o solo e as plantas, modificando a composição de bactérias e fungos presentes na rizosfera. Espécies como Methylovirgula e Methylocapsa foram responsáveis por boa parte das transformações observadas. Essas alterações contribuíram para a redução da compactação do solo e para o aumento da matéria orgânica, favorecendo o desenvolvimento das culturas.
Conforme o pesquisador, todos os indicadores analisados foram impactados positivamente pelo uso dos bioestimulantes. Ele destaca que a tecnologia melhorou a produtividade das culturas e aumentou a receita líquida dos produtores sem elevação proporcional dos custos.
Geraldo Stachetti, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, ressalta que os impactos mais expressivos foram observados na biologia do solo, com efeitos diretos na saúde das plantas e no rendimento das colheitas. Este resultado corrobora aqueles que vêm sendo obtidos em larga escala com a tecnologia BioAS, também desenvolvida na Embrapa, uma maneira simples e eficiente para avaliar a saúde do solo com análises de enzimas indicadoras da atividade microbiana.
O estudo utilizou uma abordagem multiatributo, consolidando diversos indicadores para facilitar a interpretação dos resultados por produtores e técnicos agrícolas. Os pesquisadores afirmam que o uso contínuo de bioestimulantes pode potencializar ainda mais os benefícios observados, tornando-se uma solução viável para a agricultura sustentável.

Foto: Hugo Kern
Com os avanços na compreensão dos efeitos dos bioestimulantes, a tecnologia desponta como uma alternativa promissora para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do solo, garantindo maior eficiência na produção em favor da sustentabilidade agrícola.
Segundo Inácio de Baros, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, este trabalho contribui fortemente para que o Brasil, dos maiores produtores agrícolas do mundo, esteja na vanguarda da transformação para uma economia verde, onde o país já é reconhecidamente uma liderança.
“A ferramenta reúne os 39 indicadores e interpreta os dados de forma comparativa entre a área agrícola manejada com a biotecnologia, com a área sem o manejo da biotecnologia. O principal objetivo prático é que a interpretação indica os pontos críticos orientando nas ações de campo que devem ser realizadas, e tangibiliza os benefícios multifuncionais do solo com seu microbioma biodiverso e ativo.
A ferramenta é simples e os indicadores já são bastante conhecidos e praticados pelos agricultores, auxiliando na tomada de decisões para realizar manejo do solo regenerativo e sustentável”, conclui Paulo D’Andréa, diretor de P&DI da Microgeo biotecnologia agrícola.
Apoia-Novo Rural

Foto: Luciano Schwerz
É uma ferramenta de análise de desempenho ambiental de atividades rurais, estruturada em um conjunto de 62 indicadores, distribuídos em cinco dimensões de sustentabilidade analisadas na escala do estabelecimento: Ecologia da Paisagem; Qualidade Ambiental (atmosfera, água e solo); Valores Socioculturais; Valores Econômicos e; Gestão e Administração.
A aplicação do APOIA-NovoRural requer vistoria em campo, coleta de dados e de amostras de solo e água para análise laboratorial e levantamento de informações gerenciais junto ao produtor/administrador. Como resultado obtém-se um índice geral das contribuições das atividades para a sustentabilidade do estabelecimento rural analisado.
Voltada a empresas de Assistência Técnica, empreendimentos ou produtores rurais de base empresarial, a tecnologia é de simples aplicação e permite melhorar a gestão ambiental de atividades do meio rural, indicando os pontos críticos para correção do manejo, bem como os aspectos favoráveis das atividades, contribuindo para o desenvolvimento local.
A equipe composta por Rodrigo Mendes, Embrapa Meio Ambiente, Inácio de Barros, Embrapa Gado de Leite, Paulo D’Andréa e Maria Stefânia Cruanhes D’Andréa-Kühl, Microgeo Biotecnologia Agrícola by Allterra e Geraldo Stachetti Rodrigues, Embrapa Meio Ambiente, publicou o trabalho na Frontiers in Plant Science.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



