Suínos
Fêmeas de baixo peso ao nascer têm déficit no maquinário reprodutivo
Leitegadas de origem passa a ser avaliada também para saber o potencial produtivo dos animais
Profissionais do Brasil e do exterior se reuniram em Porto Alegre, entre os dias 16 e 18 de maio, para a 10ª edição do Simpósio Internacional de Suinocultura, que movimentou a capital gaúcha com temas que tratam sobre a eficiência produtiva – e reprodutiva – da atividade no país. Tradicional evento técnico da suinocultura nacional, reúne profissionais de outros países da América Latina. O evento contou com 27 palestras técnicas apresentadas em meio de boas discussões. Os temas abordaram as áreas de reprodução, sanidade, nutrição e produção de suínos. O público foi composto por profissionais que atuam como formadores de opinião na produção de suínos do país.
Durante o painel Futuras Reprodutoras, a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Fernanda Almeida, falou da importância não apenas de observar o número de leitões desmamados/porca/ano, mas também a taxa de retenção desse animal, para obter o real desempenho. De acordo com Almeida, quanto mais precoce a identificação das fêmeas e entrada no plantel de reprodução, maiores as chances de sucesso do processo reprodutivo.
Fernanda alertou, porém, que historicamente as fêmeas são selecionadas por idade, peso e composição corporal na primeira cobertura, mas atualmente há outros parâmetros, como idade ao primeiro parto, tamanho da leitegada, mortalidade pré-desmama, produção de leite e integridade do sistema locomotor. “O ideal seria termos alta longevidade e desempenho reprodutivo satisfatório”. Para isso, cita, “monitorar a fertilidade das fêmeas de reposição é fundamental”.
A fertilidade pode estar ligada ao peso do fenótipo ao nascer. De acordo com Fernanda, animais que nascem mais leves são propícios a ter leitegadas menores. Ela chamou a atenção para a redução do número folículos em fêmeas de baixo peso ao nascer. “Peso ao nascimento irá refletir diferenças de peso corporal aos 150 dias de idade, e a dinâmica folicular em fêmeas de baixo peso ao nascer sugere baixas taxas de ovulação, consequentemente, leitegadas pequenas”, assinalou.
De acordo com ela, um recente estudo realizado no Brasil avaliando fêmeas aos 150 dias de idade mostra que fêmeas de baixo peso apresentam composição estrutural ovariana igual, mas o tamanho dos folículos é maior em animais de alto peso – 3 a 5 mm. “O peso ao nascimento representa papel decisivo na reprodução”.
A canadense Jennifer Paterson, professora da Universidade de Alberta, também destacou que “o peso mais baixo ao nascer leva a desempenho reprodutivo mais baixo”. “Leitoas de menos de 1,1 quilo têm comprometimento, não têm maquinário reprodutivo suficiente para uma boa reprodução. E transferem essa característica de baixo peso para linhagens terminais”, enfatizou. Ainda de acordo com a estudiosa, “fenótipos de baixo peso têm mais problemas sanitários e de manejo”, entre outros pontos.
Em outro estudo sobre o efeito da leitegada de origem para determinar a produtividade da matriz e as estratégias de manejo para seleção para leitoas de reposição, Paterson diz que foram observados problemas também com leitoas de alto peso na primeira cobertura. “Leitoas de alto peso ao nascer também têm problemas. Se elas são pesadas demais na hora da inseminação, aumentam os custos de alimentação e são, em geral, descartadas mais cedo por problemas de reprodução”
Para ela, a suinocultura deve pensar em descartar matrizes com fenótipo de baixo peso para evitar problemas futuros e manter um peso mínimo ao nascer para todas as leitoas de reposição.
O Que Fazer
O pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Bortolozzo, deu dicas aos participantes sobre como uniformizar matrizes que nasceram com baixo peso. Entre as dicas, Bortolozzo citou as mães adotivas que possam produzir mais leite, a integração desse fenótipo de baixo peso em leitegadas menores e rapidez na tomada de decisão.
“A uniformização da leitegada tem janela de tempo e está associada à imunidade celular, etc. Não pode ser nem muito cedo, nem muito tarde”. Ainda de acordo com Bortolozzo, o ideal é oferecer suplementação proteica e energética aos animais de baixo peso.
Em suas considerações, o pesquisador chamou a atenção para o foco do produtor em ações que melhoram a taxa de crescimento no período pré-desmame. Para reduzir a mortalidade, orientou para atenção especial aos três primeiros dias de vida, dando destaque para a ingestão de colostro e a manutenção da temperatura desses animais menores. Bortolozzo também enfatizou a importância de “evitar o excesso de peso no momento da puberdade”.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.






